As Marotas V

19 Capítulo 19 - Runas estranhas


Notas iniciais
Oi, no momento estou usando todos os tipos de proteções possíveis para me esquivar das perguntas, das pedras, do ódio gratuito por estar tanto tempo sem postar, mas tenho alguns bons motivos. Primeiro: eu estava estudando para uma prova que eu queria MUITO passar, mas eu não consegui e passei um bom tempo triste, chorando muito mesmo. Não estava muito bem emocionalmente. Segundo: essa semana tive prova de vestibular seriado então fiquei 3 dias sem internet, e em outra cidade, sem meu computador, cheguei ontem e enfim, hoje no grupo de wpp com algumas leitoras elas insistiram muito para eu postar então fiz o cap bem rapidinho hoje mesmo e aqui está. Estou de férias e devo atualizar mais frequentemente. Vou adicionar uma pessoa como co-autora, mas serei eu mesma. Estou com 4 irregularidades aqui e se chegar a 5 minha conta é suspensa, dai eu fico só na outra de co-autoria. Se quiserem me passar o wpp de vcs pra me cobrarem caps ou até mesmo pra avisar que estou suspensa, fico grata. Aproveitem e por favor, nao abandonem, comentem.

No dia seguinte, as garotas não haviam decidido se iriam ou não na festa. Pelo menos nem todas elas haviam decidido, Isabelle já tinha a certeza absoluta de que estaria lá. Safira estava em dúvida, queria saber se Trevor iria e Madison, mesmo sem admitir, estava na mesma situação. Emma continuava batendo o pé e dizendo que não iria, nada conseguia fazê-la mudar de ideia e nenhuma das garotas decidiu insistir.

Madison estava se arrumando para ir até a sala de Haver cumprir uma detenção por estarem conversando na aula de Poções. Na verdade, não era só por isso. Adam e ela praticamente acusaram o professor de ter alguma coisa a ver com a ascensão do Lorde das Trevas. As garotas ainda dormiam quando Madison deixou o dormitório e se encontrou com Adam na Sala Comunal da Grifinória.

Os dois seguiram em silêncio até a sala de Haver nas masmorras. Combinaram de manter segredo da sua "relação" pelos corredores para que Nicholas não descobrisse. Era difícil para a garota imaginar que seu irmão poderia ser o vilão da história entre ela e Adam, mas sabia que ele ficaria uma fera quando descobrisse. E embora não pudesse esconder para sempre, não tinha idéia de como iria contar para ele.

― Finalmente chegaram, achei que teria que ir atrás dos dois ― Haver o recebeu com seu bom humor de sempre. Madison revirou os olhos mas se esforçou para ficar quieta enquanto Adam cruzava os braços e olhava para ele com indiferença.

― Então, o que vamos fazer? Iremos nos sentar e tomarmos chá? ― provocou Adam enquanto Haver o analisava dos pés a cabeça. Madison segurou uma risadinha enquanto encarava o professor e logo em seguida ele se levantou de sua cadeira e caminhou até uma estante.

― Vocês vão organizar esses documentos de poções antigas em ordem alfabética ― ele tirou uma caixa de madeira velha de dentro da estante. Soprou a superfície e poeira voou para todos os lados, fazendo Madison tossir e coçar o nariz ― Estava querendo organizar isso há algum tempo, mas nada melhor do que deixar o trabalho sujo para outras pessoas, não? Levem o tempo que precisarem, se não puderem comparecer suas aulas, eu aviso que estavam cumprindo detenção. Que esteja tudo arrumado quando eu voltar.

Ele deu um sorriso vitorioso e saiu pela porta. Madison e Adam se entreolharam rapidamente e depois foram para perto da caixa. A garota com cuidado tirou a tampa e olhou lá para o que tinha lá dentro. Apenas papéis velhos que cheiravam mal e, para o seu espanto, algumas aranhas. Ela ficou branca e se afastou o mais rápido que conseguiu. Adam franziu as sobrancelhas e depois olhou para a caixa. Soltou uma risada e em seguida, tirou a varinha das vestes, sussurrou um feitiço e as aranhas estavam mortas. Pegou um frasco e recolheu as aranhas, sem tocá-las com as mãos.

― Vamos começar logo ― disse Madison se recompondo e jogando os cabelos para trás. Ele deu uma risada contida e focou sua atenção à caixa ― Vamos dividir essa pilha em dois.

Ela pegou uma parte da pilha de papéis e entregou à Adam, a outra deixou consigo. Os dois sentaram no chão e fizeram outras pilhas para colocar as poções com cada letra do alfabeto. Madison suspirava de minutos em minutos por causa do tédio que sentia. Parou um instante para observar a sala. Era sinistra e misteriosa, assim como o professor. Havia estantes abarrotadas de poções e ingredientes, mesas repletas de livros, penas e pergaminhos. Mas no fundo, havia um baú fechado com um cadeado. Madison sentiu uma pontada de curiosidade, mas o espirro de Adam fez com que ela desviasse a atenção do baú.

― Madison ― chamou Adam de repente enquanto ela separava uma poção começada com P.

― O que? ― respondeu sem olhá-lo enquanto observava uma página cheia de desenhos estranhos.

― Estamos sozinhos nessa sala e você quer mesmo ficar organizando esses papéis antigos? ― ele perguntou olhando para ela e ela foi obrigada a encará-lo.

― Estamos cumprindo uma detenção, ele disse que quer tudo terminado quando chegar ― defendeu-se, entretanto, dando uma risadinha antes de voltar sua atenção para os papéis.

― Ele também disse que podemos levar o tempo que quisermos ― continuou ― Nicholas nunca irá nos encontrar aqui, você sabe. Ninguém além de Haver e azarados como nós para pegar uma detenção com ele vem aqui.

― Você é tão insistente e ao mesmo tempo tão persuasivo ― deu uma gargalhada ― Já adiantamos bastante o trabalho, acho que merecemos mesmo uma pausa.

Ela largou os papeis e se sentou ao lado dele. Entrelaçaram as mãos e se olharam em meio a risadinhas.

― Ah, queria te perguntar algo ― disse Madison ― Vai à festa na Sala Precisa no sábado?

― Você também foi convidada, é? ― ele deu uma gargalhada ― Achei que poderia aproveitar para me encontrar com algumas garotas da Corvinal ― brincou.

― Nem brinque ― ela sussurrou ― Apenas me responda se vá ― ele assentiu concordando ― Certo, então Nicholas também deve ir? O que acaba com a chance de nos vermos.

― Vai ter muita gente lá, Nicholas não vai desconfiar ― afirmou ― Se Marabella tivesse lá, ele com certeza não iria prestar a atenção em mais nada, mas ela não pode ir. Mesmo assim, tenho certeza que ele se manterá ocupado.

― Espero que tenha razão.

― Eu sempre tenho ― ele gargalhou.

***

Emília andava pelas ruas desertas e escuras de Hogsmeade tomando cuidado para que ninguém a estivesse seguindo. Usava uma longa capa preta que tinha um capuz que escondia seus cabelos e boa parte do seu rosto. Olhou novamente para a pedra que segurava, ela estava guiando o caminho e a garota não sabia se seria capaz de voltar para o castelo de Hogwarts. Havia conseguido sair com a ajuda de um espião e não sabia se ele estaria lá para ajudá-la a entrar novamente.

A pedra começou a brilhar mais intensamente quando ela parou diante de uma casa velha e grande bem ao fim de uma rua sem saída. Caminhou pelo jardim morto e seco em direção á porta principal. Bateu cinco vezes na porta como fora instruída a fazer e esperou que ela fosse aberta. Um homem alto de olhos cinzentos apareceu e lhe lançou um sorriso orgulhoso antes de deixá-la entrar.

Ele a guiou para dentro da casa até uma sala ampla. Na sala haviam uma dúzia de garotos e garotas parados no meio com uma postura impecável e ausência de expressões no rosto. Emília se uniu a eles e observou enquanto mais homens com as mesmas vestimentas do homem de olhos cinzas se posicionassem diante deles. Os homens trocaram algumas palavras apressadas que a garota não conseguiu entender e nem supor o que era.

― Bem, acho que estes são todos os que virão ― afirmou um homem de cabelo ruivo que estava na ponta da fila e o homem de olhos cinzentos assentiu ― Os outros, uma vez que não tiveram a coragem de comparecer, já estão eliminados.

― Não sei como pensaram que eles teriam algum potencial ― um outro homem desdenhou ― Nem foram capazes de comparecerem aqui, imagine se teriam coragem de fazer o que precisar ser feito.

― Não é hora para julgar os que não vieram ― o homem de olhos cinzas disse fazendo com que todos se calassem ― Vamos celebrar porque temos esses treze jovens corajosos que compareceram hoje mesmo que tivessem expostos à riscos e desconfianças ― ele deu um tempo e tomou fôlego ― Acho que sabem porque estão aqui. Achamos que todos vocês que estão nessa sala tem potencial para ser o novo Lorde das Trevas. É claro, se quiserem. Os que não quiserem, fiquem à vontade para sair pela porta.

Ele aguardou e quando estava prestes a retomar a fala um garoto de cabelos loiros saiu de sua posição e começou a caminhar na direção em que Emília havia chegado. Os homens se entreolharam e um deles soltou uma gargalhada antes de erguer a varinha e um lampejo derrubar o garoto imóvel ao chão.

― Pelo que vocês viram, é um caminho sem volta ― o homem continuou ― Uma vez aqui, vocês não podem sair a não ser que nós descartemos vocês ― ele esboçou um sorriso enquanto todos os doze garotos e garotas olhavam assustados para o corpo do garoto caído no chão ― Não se preocupem, se não voltarem atrás, ficarão bem. Agora vamos começar a primeira parte do treinamento. Vamos treinar a mente de vocês para que vocês abandonem os sentimentos inúteis como: amor e perdão. Vocês foram selecionados porque tem uma grande raiva e uma pitada de ódio em seus corações, vamos alimentá-los. É a partir desses sentimentos que vocês irão retirar suas forças.

Emília suspirou. Não sabia se estava pronta para isso mas, como o homem de olhos incrivelmente cinzas havia afirmado: era um caminho sem volta. Não poderia simplesmente voltar para o castelo e esquecer que aquilo havia acontecido, que mesmo por um momento desejou tão fervorosamente ser temida e respeitada por todos uma vez que seria poderosa. Ela queria que todos se rendessem a ela, que sua família, pela primeira vez, sentisse orgulho. Ela daria seu melhor para ser a escolhida.

***

Madison estava beijando Adam quando Haver entrou na sala. Os dois se separaram o mais rápido que puderam enquanto o professor olhava para eles com um olhar raivoso. Os papéis estavam todos ordenados e até mesmo a caixa estava limpa. Haviam terminado o trabalho então ele não teria do que reclamar.

― Não posso deixar vocês sozinhos por algumas horas que já estão se atracando ― ele disse com um bom humor surpreendente ― Gostava quando se atracavam de outro jeito, sabe, quando um queria matar o outro. Desse jeito é um tanto quanto entediante.

― Não nos importamos com o que você acha divertido ou entediante ― Madison cuspiu as palavras sem se preocupar com as consequências que aquilo traria. Ela cumpriria quantas detenções precisasse mas não iria aturar as palavras de Haver calada, não mais.

― Deveriam ― ele respondeu dando de ombros ― Pelo menos terminaram o trabalho ― comentou olhando para dentro da caixa ― Até as aranhas que deixei aqui para a Srta. Potter sumiram. Aposto que o Sr. Walker foi seu herói e acabou com as aranhas para você. Adoraria ver uma garota tão arrogante como você parecer indefesa.

― Talvez outro dia você possa ver ― Adam interveio ― Agora precisamos ir almoçar e depois temos aula. Nossa detenção está cumprida ― ele agarrou Madison pela mão e sem esperar uma resposta de Haver, saíram da sala.

Assim que saíram para o corredor, soltaram as mãos. Se entreolharam e riram pelo que acabara de acontecer. Mas Madison parecia pensar em alguma coisa quando mirou o chão novamente. Ela começou a andar distraidamente enquanto a cabeça fervilhava.

― Adam, ele com certeza está ligado à arte das trevas ― disse de repente, levantando a cabeça.

― Sabemos disso, você achou alguma coisa que prove? ― ele perguntou com uma dose grande de animação. Tudo que queria era achar alguma prova e poder mostrar a McGonagall que o professor não era confiavél.

― Não exatamente ― ela suspirou exasperada ― Enquanto eu estava organizando alguns daqueles papéis, vi uns símbolos, na verdade, runas antigas. Nas minhas aulas de Runas, nunca vi aquelas antes. Pode estar ligada às trevas, já que é uma parte que não aprendemos. Não há motivos para runas estarem desenhadas em pergaminhos de poções mas talvez possa ser um código. Copiei uma na minha pele para pesquisar na biblioteca ― ela levantou a manga da blusa e mostrou a ele ― Preciso ir para lá agora, te encontro depois.

Antes de esperar uma resposta, ela deu um sorriso e saiu correndo pelos corredores.