As Marotas III
16 Capítulo 16 - Encontros à noite
Notas iniciais
Emma sentiu algo pulsar debaixo do seu travesseiro e abriu os olhos alarmada. Era seu despertador, ele marcava dez horas da noite. Apertou os olhos para tentar enxergar no escuro e viu que todas no dormitório dormiam profundamente, Isabelle remexia muito mas isso já era comum. A garota levantou-se da cama, pegou o robe vermelho com o brasão da Grifinória, vestiu e calçou um chinelo.
Tomou cuidado ao andar por entre as camas para fazer o menor barulho. Pegou um livro que estava na mesinha de centro e andou até a porta. Abriu a porta lentamente e mesmo assim ela rangiu, porém, sem acordar ninguém.
Quando Emma teve de acordar a mulher gorda, ela reclamou e só deixou a garota passar após explicar o motivo da saída noturna. A morena inventou que precisava falar com McGonagall sobre algo importante ― foi fácil convencer a Mulher Gorda porque a diretora havia avisado do perigo que as quatro meninas corriam e dissera que sempre liberasse a passagem se uma delas quisesse encontrar-se com ela.
Emma desceu as escadas e no pé da última escadaria estava um garoto loiro de robe verde também com um livro em mãos. Sem que a garota percebesse, ao vê-lo, sorriu involuntariamente.
― Oi ― ele saudou baixinho quando ela se aproximou ainda sorrindo.
― Oi ― ela respondeu no mesmo tom de voz ― Trouxe esse outro livro para você ler, é um dos meus preferidos.
― E eu estou te devolvendo esse, foi realmente impressionante ― respondeu Peter Malfoy enquantro trocavam de livros ― Mas, esse é um de seus preferidos? E os outros três que você disse que eram alguns dos seus favoritos também?
― Eu tenho muitos livros favoritos ― ela explicou ― Você está lendo escondidos esses livros? Na calada da noite?
― Escondido apenas de Bryan, Luke às vezes me vê lendo mas não diz nada, acho que ele também esconde algo ― respondeu Peter despreocupadamente ― E eu leio de madrugada, é quando Bryan não está por perto, durante o dia ele sempre está perto.
Mesmo no escuro, Peter notou que Emma fez uma careta.
― O que foi? ― ele perguntou.
― Você sabe o que eu acho ― ela pronunciou ― Dés do início do ano você me pediu livros para ler, eu aceitei trazer para você escondido, até porque pessoas da Grifinória pela lei não se dão bem com pessoas da Sonserina, mas, eu ainda acho que você deveria mostrar para todos, não só para o Bryan, quem você realmente é. A não ser que, esse Peter que você mostra para mim, não seja você de verdade... Vai ver o Peter verdadeiro é orgulhoso com ar de superior, um perfeito Sonserino.
― Esse é o Peter verdadeiro ― ele afirmou ― E eu já lhe expliquei porque tenho que manter em segredo. Tem a ver com reputação, imagem... Não me leve a mal. Lembro no começo do ano, eu olhei pra você na mesa da Grifinória e você estava olhando para mim, você entendeu tão rapidamente que eu queria falar com você.
― Qualquer pessoa que estivesse olhando para você, perceberia que você queria falar comigo ― Emma riu ― Peter, sua discrição é péssima! ― ele também riu enquanto concordava com a cabeça ― Foi um bom plano esse, você olhar para mim quando quisesse um novo livro, só é difícil ter que olhar para a mesa da Sonserina quase todo instante, aquele trio de garotas da Sonserina não gostam das marotas e Madison já deve ter percebido que eu olho sempre para lá, ela tem olhos de águia.
― Madison dés de quando era mais nova percebia as coisas que nós geralmente não percebíamos ― Peter concordou ― Admiro muito ela pela personalidade que ela tem. Personalidade forte, aliás, gênio difícil...
― Meu pai diz que ela se parece com Megan, que Megan também era dona de uma personalidade marcante ― Emma disse com um certo nó na garganta, odiava falar de Megan. Mesmo que a mãe de Madison não tivesse nada a ver com a separação de seus pais, não gostava de falar nela por Felipe Phelps ainda ser apaixonado por ela ― Mas, ele também diz que Megan era mais amena, mais tranquila, ela apaziguava o quarteto, Madison já é mais agitada, determinada.
― Luke também adorou a personalidade de Madison, acho que não só a personalidade ― Peter riu e Emma riu também ― Ele diz que quer conversar com ela de novo, acho pouco provável, ela vive para sabotar os malfeitores e não sei se ela aceitaria falar com um Sonserino.
― Madison não liga para essas coisas de casas ― Emma disse ― Eu tenho certeza. Ela não tem vergonha de falar com você no meio do Salão Comunal se for preciso, você que tem vergonha de falar com ela quando ela se aproxima, ou quando qualquer outra pessoa da Grifinória se aproxima.
― Você também não se aproxima de Sonserinos, Emma Phelps ― afirmou Peter.
― Mas o meu caso é diferente ― ela começou a irritar-se ― Eu não tenho vergonha de ser amiga de Sonserinos, ou do meu jeito de ser, meu pai que não quer que eu fale com Sonserinos, ele diz que eles são arrogantes. E eu tenho vergonha também, Sonserinos parecem tão... puros e eu sou mestiça.
― Emma, não é bem assim... ― Peter tentou argumentar mas ela já estava negando com a cabeça.
― Preciso ir, se alguma das meninas acordarem de noite e não me acharem lá, estou frita ― ela disse desviando o assunto a tempo ― Tchau! Quando acabar esse livro, olhe para mim no café que eu vou estar olhando, aí a noite trago outro.
Ela começou a subir as escadas quando Peter a chamou baixinho novamente.
― Você vai à Hogsmeade? ― ele perguntou.
― Vou ― ela respondeu e ele sorriu ― Mas não posso ver você lá. Terá muitos estudantes, a chance de alguém nos ver é muito grande...
Peter assentiu um tanto chateado, virou as costas e andou em direção às masmorras. Assim que Emma retornou ao seu dormitório, colocou o livro na mesinha e voltou a se deitar. A verdade é que ela também não gostava de ser vista com um Sonserino, as pessoas poderiam falar sobre uma mestiça e um sangue puro, todos os Sonserinos poderiam detestá-la por isso.
Enquanto pensava nisso, adormeceu. E do outro lado do castelo, um loiro abria um livro e sentia o cheiro do perfume de Emma, e quando começava a ler cada palavra, o mundo parecia ser um paraíso.
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