As Long As You Love Me

3 Capítulo 2 - Em meu mundo silencioso


Notas iniciais
Eu demorei? Hmmmm, sim... mas, estou aqui com esse capítulo maravilhoso! Graças a Lady Herondale, eu terminei de escrever rapidinho para postar para vocês! Espero que gostem e boa leitura! Xoxo Lady

Quero que fique aqui. – Foi a primeira coisa que Helena disse ao sair do carro. Ela avistou Julian pronto para acompanhá-la até o restaurante e com isso, o fez parar rapidamente.

Kim Taehyang estava parado na porta de entrada do estabelecimento e parecia mais nervoso que todos os presentes, pois trepidava velozmente os dedos dentro do bolso do terno que vestia. Ele sorriu para a menina e acenou com a cabeça, até ela fazer o mesmo.

Iremos nos divertir muito mais tarde. – Helena apoiou-se na ponta dos pés para chegar à orelha do rapaz, sussurrando aquilo. Depois ela sorriu e arrumou os poucos fios de cabelo que se soltaram do penteado ao lado do rosto, ela seguiu pela calçada ao encontro de Taehyang.

Julian ficou sem entender muito bem aquela frase, mas só de poder ouvi-la, pôde perceber os pelos de seu braço se arrepiarem por inteiro. Ele voltou para o carro e já não aguentava mais observar Helena sentada na frente daquele homem. Não era porque sabia que ele teria uma chance a mais com a garota ou poderia fazê-la feliz, mas sim por conseguir sentir a pressão e o quanto ela estava nervosa com toda aquela situação. Ele queria ajudá-la... e iria.

Além de ser encarregado de preservar o bem-estar dela, Julian tem uma dívida com Helena. Há dois meses, ela estava auxiliando as famílias da vila em que ele morava. Ela levava conhecimento, ensinando às crianças e jovens sobre as novas tecnologias do país, e levando professores para alfabetizá-las.

Todas as pessoas da família e amigos de Julian moravam no interior do condado de Marena, que era a parte mais pobre e necessitada do país. Já era de enorme orgulho para a mãe vê-lo trabalhando na capital e conseguindo sustentar os dois irmãos.

Ele precisava pensar em algo para tirar Helena de dentro do restaurante, mas nada passava em sua mente. Ele não podia simplesmente tirá-la de lá, até porque, estaria descumprindo o juramento que fez a Aaron. Julian olhou pela milésima vez pela janela e mordeu o lábio inferior, pensando. Ele não conseguia entender como Helena se sacrificava pelas pessoas que amava, a ponto de desistir de seus sonhos e objetivos para fazer seus pais felizes.

O rapaz voltou sua atenção para o retrovisor do carro e parou, apenas percebendo como havia mudado nos últimos anos em que esteve com a família Emperius. Julian perdeu sua juventude se preocupando em continuar trabalhando para fazer seus pais sobreviverem, e posteriormente, seus irmãos.

“Talvez eu devesse procurar um emprego mais normal e com menos responsabilidades...”, era um pensamento que não saia de sua mente e de seu coração. E estava o deixando confuso.

De repente, uma voz invadiu “o silencioso mundo de Julian”, o fazendo se esvair das preocupações:

— Helena bufou sentando no banco do passageiro.

— Nossa, que rápido. — Julian disse surpreso.

— Até que ele é simpático. — Ela deu de ombros e após ver a expressão séria dele, retirou rapidamente o sorriso divertido do rosto. — O que aconteceu?

— Problemas familiares. — Julian explicou jogando o celular no porta-luvas.

— Você fala como se eu não tivesse, não é?! — Helena não queria opinar, pois sabia os tais problemas dele. Ela podia sentir a tensão e nervosismo saindo de seu corpo e não ficaria sem pensar em uma solução, mas para isso precisaria de mais detalhes: — O que aconteceu desta vez?

— O Gregory me ligou de novo nesta manhã, — Começou, mencionando o nome de seu irmão de sete anos. — Ele me disse que aqueles caras foram em casa novamente. — E completou: — Eu não vou te envolver nisso, Lena.

— Sabe que vou ajudá-lo. — Helena o encarou e soube que ele não iria falar mais nada que precisava. — Julian, estou mais envolvida nisso do que você pode imaginar.

— Eu não vou te envolver nisso. — Repetiu ainda observando o horizonte repleto de prédios.

— Tá bom. — Ela bufou, mas o garoto sabia que aquele assunto não havia acabado; muito menos que ela tinha cedido. — Me leve para a Rua 4. Tem alguém lá que precisa de uma lição.

Passando pela esquina da avenida principal, Julian encontrou o tal condomínio. Logo ele reconheceu o lugar onde se divertia com Bradley; o prédio era incrivelmente alto, devia ter uns vinte andares; havia árvores rodeando a entrada e um jardim, repleto de flores. Ele não compreendeu muito bem o que Helena queria fazer naquele local, mas ouviu um murmúrio vindo do banco ao lado, que o fez sair do seu estado de admiração da paisagem.

— Seria tão lindo se não fosse de um dinheiro tão sujo. — Helena abriu a porta do carro e saiu em disparada para a entrada do prédio.

— Somos movidos por dinheiro sujo. — Julian protestou após estacionar o automóvel e desligá-lo.

— Desculpe, senhor filósofo. — Ela piscou para o menino e adentrou ao salão do prédio.

O único lugar enorme que Julian havia visto na vida era a mansão Emperius, mas aquele hall era tão grande que chegava a ser desnecessário.

Enquanto caminhava pelo salão, Julian observava o modo como Helena acenava e sorria para todos que passavam. Eles apontavam para ela e diziam seu nome com grande prestígio.

— Sem fotos, por favor. — O garoto se aproximou rapidamente de uma mulher de meia idade que sacava o celular da bolsa.

— Oh, me desculpe. — A moça se retratou.

— Não se preocupe, senhor Davis. É apenas uma foto — Helena jogou uma piscadela para o garoto que assentiu com um sorriso.

— Sabe o que desencadeia uma simples foto?! — Ele sussurrou na orelha da menina.

— Não seja um chato, Julian. — Ela retribuiu o gesto.

— Agradeço imensamente, senhorita Emperius. — A desconhecida falou após abrir um largo sorriso para a câmera e soltar o braço de Helena.

Não demorou muito para que chegassem no vigésimo andar, um lugar onde havia apenas dois apartamentos, um na direita e outro na esquerda do corredor. Helena parou e pareceu pensar, ela encarou a porta da direita e ali parou. Após alguns segundos, ela balançou a cabeça negativamente e virou a mesma para o lado oposto. Julian fez um gesto de que iria protestar algo, mas foi interrompido pelos passos da garota em direção a porta da esquerda.

— Se estava procurando o apartamento do Bradley, era só me perguntar. — Julian comentou passando os dedos por entre seu cabelo.

— Eu tinha certeza que era 1, 3 e alguma coisa, isso não é coisa que eu decore. Além de que o Bradley não tem cara de que gosta de tulipas. — Ela apontou para o vaso da entrada do outro lado.

— Não acho uma boa ideia invadir o apartamento do seu irmão. Não se sabe o que podemos encontrar aí. — Ele fez um sinal com a cabeça para a porta.

— Licença Julian. — Helena deu um leve empurrão no rapaz para que saísse da entrada. Ela retirou a chave do apartamento que havia escondido na bota que usava e rapidamente abriu o imóvel.

Logo que entrou pôde perceber que seu amigo não tinha arrumado o local há meses. Nem pelo menos, chamado a empregada, estava tudo uma completa bagunça. Garrafas de cerveja espalhadas pelo tapete da sala de estar ainda com a bebida sujando o tecido; caixas de pizza empilhadas na mesa de centro ao lado do videogame; roupas penduradas nos braços do sofá e encostos das cadeiras da mesa; e o fedor forte de alimentos estragados vindo da cozinha deixava aquele espaço um verdadeiro chiqueiro.

— Agora já sei o porquê Brad quer esconder que passa as noites aqui. — Helena pegou uma almofada, mas soltou após perceber que estava com cheiro de álcool.

— As pessoas precisam de um tempo para elas. — Julian comentou, observando o cômodo.

— Não vem com esse papo, sei que vinha aqui com, infelizmente, meu irmão. — Ela caminhou mais um pouco até chegar nos quartos. Lá, pôde ver que os cômodos se encontravam pior que os anteriores. — Eu não acredito.

Helena agachou, se apoiando no batente da porta, e pegou uma roupa preta, que no começo ela achou que fosse uma meia. Porém quando a esticou melhor, percebeu que era uma calcinha.

— Julian. — Ela chamou calmamente, entretanto quando o menino não respondeu, gritou:

— Julian Davis!

Ele correu para perto de Helena e parou após encarar aquela peça. Ele não sabia o que dizer. Assumia que Bradley mantinha um relacionamento casual com a secretária de Aaron ou inventava uma mentira, da qual poderia colocar seu afeto e carinho por Helena por água abaixo. Era difícil não pensar em proteger a reputação de seu amigo, mas seria mais difícil ainda reconquistar a confiança da garota.

— Eu posso explicar... — Julian queria retirar aquelas palavras, mas já era tarde demais. — O Brad... eu... — Ele gaguejava mais do que quando precisou recitar um poema para sua mãe na quarta série da escola.

— Achei que fosse mais esperto que isso, senhor Davis. — Helena jogou a roupa no homem catatônico em sua frente e se levantou ainda não acreditando no que vira.

Pela primeira vez na vida, Julian pensou em falar a verdade. Estava tão nervoso que a indecisão se tornou sua melhor amiga e nada o que falasse iria acabar com aquilo.

— Lena, você precisa acreditar em mim... e eu preciso falar a verdade. — Ele pegou no braço dela e impediu que a mesma continuasse o caminho.

— Estou ouvindo. — disse séria.

"Julian, não coloque tudo a perder", pensou enquanto decidia o que dizer.

— Prometi ao Bradley que iria manter em segredo, mas não posso fazer você pensar coisas sobre mim que não são reais. — Julian pousou o polegar na bochecha de Helena e acariciou levemente a pele dela, que estava ficando corada.

— Você sabe que não pode ficar aceitando encobrir as coisas do meu irmão. O que ele aprontou desta vez? — Ela mudou bruscamente sua feição, passando de nervosismo para preocupação.

Helena sabia que se Julian decidiu dedurar Bradley é porque a situação tinha ficado extremamente feia. Ela já era acostumada a aturar os negócios e acordos sexuais dele para com as funcionárias de seu pai, mas não suportava a ideia de que, algum dia, tudo aquilo que Brad estava obcecado poderia levar a destruição da família.

— Tenho a leve impressão de que aquela peça íntima é da secretária da recepção desse prédio. — Ele sorriu um pouco envergonhado.

— Não acredito. — Ela revirou os olhos enquanto mordia o lábio inferior. — Julian, olha, eu não estava com ciúmes. — Explicou soltando o mesmo.

— Estava sim. — Ele continuou com o sorriso bobo no rosto. — E eu nem perguntei nada.

— Para! — Helena deu um leve tapa no ombro do rapaz e o mesmo riu. Ela correu pelo corredor e se escondeu atrás da poltrona da sala de estar.

— Você não precisa me negar nada. — Ele comentou se apoiando no encosto do móvel e encarando o olhar perdido da menina.

— O quê? — Helena questionou, um pouco confusa. — Negar?

— Lena, eu preciso saber de uma coisa. — Um silêncio horripilante invadiu o cômodo e Julian queria tanto uma resposta, mas temia tê-la. O momento crucial havia chego e ele não podia mais negar aquilo.

Ela piscou algumas vezes e levantou. Depois, sentou no braço do móvel, ficando ao lado de Julian.

— Diga. — Com certeza, ela estava nervosa.

— Quando eu te vi pela primeira vez... acredite, pode parecer muito clichê e meio meloso de eu dizer, mas desde aquele dia, sinto que meu coração vai explodir toda vez que posso observar seu sorriso. — Julian nunca imaginou que iria dizer aquilo, dar declarações de seus sentimentos não era seu forte. Porém, quando estava com Helena, sabia que podia se abrir que não iria ser julgado ou tirado de mulherzinha.

— Julian... — Helena protestou, mas foi interrompida.

— Lena, eu só quero saber… você me ama?

Notas finais
É isso, pessoal! Xoxo Lady
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.