As Long As You Love Me
9 #9 - Destruidor de corações
Notas iniciais
#9
Destruidor de corações
Blaine andava pelos corredores da escola e sua vida parecia sem sentido. Ele havia sofrido tanto com o término e havia ficado tão feliz quando voltou com Kurt, que não pensou na possibilidade de perdê-lo.
Tudo começou com um boato, mas existem fotos. Existem provas de que não era apenas um boato. Provas de que realmente aconteceu. Kurt havia traído Blaine.
– É só você dizer que aceita, Seb. – Kurt disse manhoso.
– O que eu não faço por você, não é mesmo? – Sebastian disse sorrindo. – Tudo bem. Eu aceito.
Agora Blaine sentia raiva. Tudo estava tão óbvio.
A troca de olhares entre eles, os sorrisos e suspiros que trocavam.
Eles estavam fazendo seus namorados de idiotas.
Eles já haviam planejado o término, mas quem disse que aquilo não era de fachada? Pois assim eles poderiam ficar com os outros e eles mesmos.
Tudo fazia sentido.
– Certeza que está mesmo tudo acabado entre você e Sebastian? – Blaine perguntou receoso de ouvir a resposta. Kurt parecia nervoso.
– O dia está lindo hoje. – Kurt mudou de assunto, o que irritou o moreno.
– Eu fiz uma pergunta. – Blaine segurou o rosto de Kurt, o obrigando a encará-lo.
– E foi uma pergunta idiota. É claro que não tem mais nada entre nós.
Como Blaine não havia percebido? Tudo fazia tanto sentido.
Agora ele se sentia idiota por não ter imaginado.
– Sebastian, o que você quer? Kurt está dormindo. – Blaine disse com a voz rouca pelo telefone. – São quatro horas da manhã.
– Mas para mim ele sempre tem tempo. – Sebastian disse rindo.
Blaine deu um soco forte no armário, chamando a atenção do zelador da escola. Ele deveria estar em aula, mas ele não conseguiria olhar para Kurt depois de saber o que aconteceu. Ele sentia nojo de Kurt agora. Como ele poderia ter sido idiota a ponto de acreditar no castanho?
As palavras que ele ouvira mais cedo naquele dia agora ecoavam dentro de sua cabeça e ele queria poder apenas acordar daquele pesadelo.
O único problema é que não era um pesadelo. Aquilo era sua vida. Sua maldita e infeliz vida.
– Blaine, qual a sensação de ser traído? – Perguntou um garoto do time de futebol.
– Do que você está falando? – Blaine perguntou nervoso.
– Todos estão sabendo. Kurt foi pego aos beijos com Sebastian. Tem fotos e tudo. – Agora sim o mundo de Blaine havia caído, e ele não tinha nem onde se segurar.
Agora Blaine já não segurava mais suas lágrimas. Ele simplesmente as deixava cair, sem se preocupar com o que quem visse iria falar. Ele queria mais era que tudo em sua volta se explodisse, desmoronasse, já que por dentro o destruído era ele.
“Boy you don't know how I feel (Garoto, você não sabe como eu me sinto)
Since you've been away, oh baby (Desde que você foi embora)
Any chance that you could take my call (Alguma chance de você atender o telefone)
If I call you today, oh? (Se eu te ligar hoje?)”
Blaine continuava a andar pelos corredores da escola, dando voltas e voltas, sem ter um lugar certo para ir. A tristeza dominava o Anderson e ele já não sabia de onde saía tanta lamúria. Ele só sabia que as lágrimas pareciam intermináveis, dando a Blaine a sensação de que elas nunca iriam parar de cair por seu rosto tristonho.
“Boy you say, that you don't wanna talk but it's cool (Garoto, você diz que não quer conversar, mas está tudo bem)
I've been thinking 'bout you all day long (Eu tenho pensado sobre você o dia inteiro)
Hoping you'll pick up your phone (Esperando que você atendesse seu telefone)
And I know, that I don't wanna lose your love (E eu sei que eu não quero perder o seu amor)
Oh baby, oh baby”
Kurt recém havia escutado sobre o rumor da traição e ele não ficou nem um pouco feliz em ouvir sobre o assunto. Blaine deveria estar desesperado e Kurt precisava estar ao seu lado para ajudá-lo, para confortá-lo e para dizer que não era verdade.
Kurt nem se preocupou em pedir para o professor permissão, ele simplesmente levantou e saiu correndo da sala, sem nem pegar seu material.
O castanho correu pela escola à procura de Blaine, mas não conseguia encontrá-lo em lugar algum.
– Não acredito que isso está acontecendo. Alguém me acorde. – Sussurrou Kurt, entrando em desespero.
“Oh boy I got a secret place that we can go (Oh, garoto, eu tenho um lugar secreto para onde podemos ir)
'Cause I really wanna be alone (Porque eu realmente quero ficar a sós)
Baby nobody else gotta know (Amor, ninguém mais precisa saber)
Just meet me later all alone (Apenas me encontre a sós)”
Blaine sentou por alguns minutos na arquibancada do ginásio, mas o time de futebol estava treinando, Sebastian estava lá jogando e Blaine sentia nojo de olhar para o rosto do castanho, então antes que alguma briga pudesse acontecer o moreno saiu de lá, voltando a andar sem destino.
Aquela escola parecia um enorme labirinto, sem saída e sem chegada, apenas um caminho.
Blaine ouviu uma voz mais que conhecida, mas não se preocupou em ver o que ela queria. Ele apenas seguiu seu caminho, até Kurt interrompê-lo.
“Don't tell me you're my heartbreaker (Não diga que você é o meu destruidor de corações)
'Cause boy my heart's breaking (Pois, garoto, meu coração está se quebrando)
Don't tell me you're my heartbreaker (Não diga que você é o meu destruidor de corações)
'Cause boy my heart's breaking (Pois, garoto, meu coração está se quebrando)”
– Para de fugir de mim. Eu não te fiz nada. – Kurt gritou, fazendo o moreno rir sem graça. – Blaine, olha para mim.
– Eu não quero olhar para você, falar com você, muito menos pensar em você, mas essa terceira opção é praticamente impossível, pois só vou parar de pensar em você se eu morrer. – Blaine parou no meio do caminho e virou para Kurt. – Talvez eu deva considerar essa ideia. Me parece interessante.
– Blaine, para com isso. Eu não sou nada sem você. Você acha mesmo que eu iria te trair? Ainda mais com Sebastian? Não faça isso, B. Confie em mim. – Blaine não ouviu mais nada, simplesmente voltou a andar.
“Boy you see me standing here (Garoto, você me vê aqui parado)
Standing in the rain, oh baby (Parado na chuva)
Any chance that you could stay right here? (Alguma chance de você ficar bem aqui)
And never go away? (E nunca ir embora?)”
Kurt estava mais desesperado do que minutos atrás e, provavelmente, menos do que estará daqui a pouco, mas isso não importava. Esse desespero todo não iria ajudar em nada, talvez piorasse, então Kurt precisava se acalmar. Ele precisava de ajuda, mas quem poderia ajudá-lo, era o menos recomendado nesse momento: Sebastian.
O castanho saiu correndo pela escola até chegar no ginásio. Ele deu um grito que ecoou pelo local, mas chamou a atenção específica de quem ele queria, então deu certo.
– Kurt, o que deu em você? Você estava chorando? – Kurt se grudou no amigo e se permitiu derramar mais algumas lágrimas. – O que houve?
– Alguém espalhou dentro dessa maldita escola um boato de que eu traí o Blaine com você. – Kurt disse com dificuldade. – Eu tentei falar com ele, mas ele não quer acreditar em mim.
– Insista. Nós vencemos sempre na insistência. Tudo vai dar certo. – Sebastian disso com um sorriso confortante nos lábios.
– E se não der? – Kurt indagou com dúvida.
– Aí eu dou um jeito ou falo com ele, sei lá. Vai dar certo. – Ele disse depositando um beijo na testa de Kurt.
“Boy you say, that you don't wanna talk but it's cool (Garoto, você diz que não quer conversar, mas está tudo bem)
I've been thinking 'bout you all day long (Eu tenho pensado sobre você o dia inteiro)
Hoping you'll pick up your phone (Esperando que você atendesse seu telefone)
And I know, that I don't wanna lose your love (E eu sei que eu não quero perder seu amor)
Oh baby, oh baby”
Blaine estava sentado no canto do banheiro masculino, abraçando os joelhos. Ele havia conseguido parar de chorar por uns minutos, mas logo voltou.
Seu coração estava quebrado por culpa da pessoa que ele mais ama.
Ele nunca iria esperar que isso fosse acontecer.
Kurt é o amor de sua vida. Ou pelo menos ele era.
Aquela dor parecia que nunca iria passar. E talvez ela realmente não fosse. Era um machucado para o qual não havia curativo. Era uma ferida que jamais se tornaria apenas uma cicatriz.
“Oh boy I got a secret place that we can go (Oh, garoto, eu tenho um lugar secreto para onde podemos ir)
'Cause I really wanna be alone (Porque eu realmente quero ficar a sós)
Baby nobody else gotta know (Amor, ninguém mais precisa saber)
Just meet me later all alone (Apenas me encontre a sós)”
Kurt procurou por Blaine por toda a escola. Ele mal podia acreditar que estava fazendo o mesmo percurso de menos de uma hora atrás. Isso estava ficando cansativo.
Por que Blaine precisava se esconder do castanho?
Kurt queria que Blaine estivesse ali, mesmo que fosse para dar um soco em seu rosto. Pelo menos assim eles poderiam conversar.
“Don't tell me you're my heartbreaker (Não diga que você é o meu destruidor de corações)
'Cause boy my heart's breaking (Pois, garoto, meu coração está se quebrando)
Don't tell me you're my heartbreaker (Não diga que você é o meu destruidor de corações)
'Cause boy my heart's breaking (Pois, garoto, meu coração está se quebrando)”
Blaine continuava encolhido no canto do banheiro e continuava abraçado aos seus próprios joelhos. Por que precisava doer tanto? Por que tinha que ser tão difícil?
Será que ele não era bom o suficiente para Kurt? Será que ele não fazia o castanho feliz?
Eram tantas as perguntas que rondavam sua mente. Ele já não sabia mais o que pensar ou fazer. Apenas doía.
“So what I'm really trying say is (Então o que eu estou realmente tentando dizer é)
And what I hope you understand (E o que eu espero que você entenda)
Is despite of all the imperfections of who I am (É que apesar de todas as minhas imperfeições)
I still wanna be your man (Eu ainda quero ser o seu homem)
I know it hasn't been easy for us to talk with everyone being around (Eu sei que não tem sido fácil com todos ficando em nossa volta)
But this is personal, this is for me and you (Mas isso é pessoal, isso é para você e para mim)
And I want you to know that I still love you (E eu quero que você saiba que eu ainda te amo)
I know the seasons may change (Eu sei que as estações podem mudar)
But sometimes love goes from sunshine to rain (Mas as vezes o amor vai de sol à chuva)
And I'm under this umbrella and I'm calling your name (E eu estou em baixo desse guarda-chuva e estou chamando seu nome)
And you know I don't wanna lose that (E você sabe que eu não quero perder isso)
I still believe in us (Eu ainda acredito em nós)”
Kurt encontrou Blaine no canto do banheiro e foi correndo até ele, o abraçando com força em seguida.
– B, por favor, fica calmo. – Kurt pedia, mas no fundo sabia que não seria o suficiente.
– Você me traiu. Como você quer que eu fique calmo? – Blaine perguntou entre soluços. – Você mentiu para mim, me enganou, fez com que eu acreditasse nas suas mentiras. Fez com que eu me tornasse a pessoa mais feliz do mundo por te ter de volta só para poder fazer isso. Só para poder me machucar. Me diga, Kurt... valeu a pena?
Kurt não era o culpado disso. Era tudo um grande mal entendido, mas Kurt preferiu deixar Blaine colocar um pouco de sua raiva para fora.
“I still believe in love (Eu ainda acredito no amor)
I still believe in us (Eu ainda acredito em nós)
I hope you believe in us (Eu espero que você acredite em nós)
The way I believe in us (Da maneira que eu acredito em nós)
You don't see (Você não vê)
'Cause what you don't see is when we don't speak (Porque o que você não vê, é que quando não nos falamos)
I really don't sleep, I wanna talk to you (Eu realmente não durmo, eu quero falar com você)
And if I had the world in my hands, I'd give it all to you (E se eu tivesse o mundo em minhas mãos, eu o daria todo para você)
I wanna know if you're feeling, the way that I'm feeling (Eu quero sabe se você está sentindo, da maneira que eu estou sentindo)
I wanna know if you're feeling, the way that I, the way that I (Eu quero saber se você está sentindo, da maneira que eu, da maneira que eu)”
– Isso é apenas um boato ridículo, Blaine. – Blaine levantou irritado e tratou de secar suas lágrimas. – Me sinto ofendido por você estar fazendo isso. Eu nunca te trairia na minha vida, nem mesmo na minha morte. Eu nunca teria coragem de fazer isso com a pessoa que eu mais amo.
– Eu não acredito mais em você. – Blaine disse frio.
“You told me to be careful with your heart, your heart (Você disse para eu ter cuidado com seu coração, seu coração)
You told me to be careful with your heart, your heart (Você me disse para ter cuidado com seu coração, seu coração)
With your heart (Com seu coração)”
– Eu não acredito que você está acreditando nessa mentira, B. – Kurt disse inconformado.
– E eu não deveria? – Kurt negou. – Por que? Só porque você me chama de “B”? Ou porque você quer que eu faça isso? Ou simplesmente porque isso é um plano desde antes de vocês terminarem? Se é que aquilo foi mesmo um término. – Blaine disse irritado e com uma ponta de ironia em sua voz.
– Blaine, eu estou falando a verdade. Você precisa acreditar em mim. – Blaine queria ir embora, mas, por algum motivo, Kurt o prendia ali. – Eu nunca menti para você, meu amor.
– É, é verdade. – Blaine disse assentindo. – Mas para tudo se tem uma primeira vez.
O moreno disse e foi embora. Dizer aquilo doeu muito, provavelmente mais que um tiro, mas era necessário. Se ele ficasse ao lado de Kurt por mais cinco segundos, ele não responderia por seus atos. Ele perderia o controle e agarraria o castanho sem nem pensar duas vezes.
Ele foi correndo para casa. O percurso nem parecia tão longo e, durante todo ele, lágrimas e mais lágrimas caíam pelo rosto de Blaine. O Anderson já não tinha mais forças para nada, mas continuava a chorar e chorar.
Ao chegar em casa, Blaine nem se preocupou em fazer alguma coisa. Ele apenas atirou sua mochila em um canto qualquer e se deitou no sofá, onde sem muito esforço acabou dormindo.
[...]
Algumas horas mais tarde, Blaine acordou com a pior dor de cabeça do mundo. Parecia que uma banda de rock estava tocando dentro de sua cabeça. Era a pior sensação do mundo, como se ele tivesse bebido tudo que tinha direito.
O moreno se ajeitou no sofá e puxou a coberta que estava por ali. Suas costas doíam, já que ele dormiu de qualquer jeito.
Olhando pela janela, uma chuva torrencial era vista. O clima estava frio e a chuva só favorecia a temperatura.
Morrer nunca pareceu uma opção tão maravilhosa. Até agora. Agora tudo era melhor do que continuar a viver sem a pessoa que ele sempre amou.
Ele aguentou alguns meses sem Kurt, sim, mas não havia nenhuma traição naquela relação. Sempre foi uma relação pura e cheia de amor. Sempre foi algo lindo e invejável.
A campainha tocou e Blaine não fazia questão de abrir. Ele sabia que era Kurt e o castanho era quem menos o Anderson queria ver.
Mesmo contra sua vontade, o moreno foi até a porta e a abriu. Para sua surpresa, era Sebastian.
O mais alto nem teve tempo de falar alguma coisa, pois um soco forte foi acertado em seu rosto. Sebastian quase levou um segundo soco, mas impediu o moreno.
– Já colocou sua raiva para fora? – Sebastian perguntou do seu jeito cínico.
– Nem um pouco. Isso não foi nem o aquecimento. – Blaine disse irritado.
Ele tinha tanta raiva em seu corpo, que era capaz de matar Sebastian se quisesse. Tudo bem que, o namorado de Blaine era Kurt e era dele que o moreno deveria sentir raiva. Mas Sebastian estava se fazendo de amigo do moreno e isso o tornava tão errado quanto Kurt.
– Primeiro observe essa foto, depois me bata. – Sebastian entregou um envelope para Blaine.
O moreno abriu ainda sem vontade e viu a foto do beijo entre Kurt e Sebastian. Aquilo só podia ser brincadeira.
– Você veio aqui para me provocar, é isso? – Blaine disse quase que rosnando.
– Essa foto é a que está correndo dentro da escola. – Sebastian disse e Blaine ficou ainda mais confuso. – Blaine, você é burro? Você não percebeu nada de estranho, não?
– O que? Você está com a mão no rosto dele? – Sebastian revirou os olhos.
– A data, Blaine. Essa foto foi tirada meses atrás, quando você e Kurt não estavam juntos. Na primeira semana de namoro entre eu e ele.
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