As Long As You Love Me
2 The Night Is Still Young
Notas iniciais

Acordei em um quarto com Ryan sentado do meu lado me olhando e fazendo cafuné em minha cabeça. Seus olhos brilharam ao me ver acordada.
– Você tá bem? — ele perguntou preocupado. Eu assenti sorrindo.
– Obrigada por estar aqui — agradeci meio rouca.
– Fiquei com medo de você ter entrado em coma alcoólica, eu não teria coragem de falar com seus pais que deixei acontecer isso com você — ele disse meio triste e se sentindo culpado.
– Calma, está tudo bem. Mesmo se não tivesse, a culpa não seria sua, seria minha. Eu que aceitei o copo de um estranho — um silêncio surgiu entre a conversa — Agora deixa esse drama de lado e vamos curtir! — disse pulando em cima dele e lhe dando um abraço para animá-lo.
– Vamos! Mas sem bebida pra você, tá? — ele falou e eu concordei.
Descemos para o primeiro andar da casa e fomos para a parte da piscina. Vimos Rachel com o moreno do posto de gasolina, o clima tava intenso entre eles. Passamos reto e fomos para a casa inflável de futebol de sabão. Me senti como uma criança feliz naquele momento. Ficamos naquele brinquedo durante um bom tempo, até que eu cansei cair toda hora e de ver o Ryan ganhando de mim. Saímos do brinquedo e ele foi pegar um energético pra mim e alguma bebida pra ele. Fiquei sentada na beira da piscina conversando com umas loiras que eram de dar inveja em qualquer uma, principalmente enquanto elas estavam exibindo seus seios. Quando Ryan chegou ele ficou meio vidrado nos peitos delas, mas depois resolvemos sair de lá. Tinha um lago ali do lado, que eu costumava ir com minha família e Ryan quando era mais nova, então pensei em irmos pra lá.
– Vamos nadar no lago? — perguntei pra ele.
– Agora? São 4 horas da matina, a água deve estar gelada. Você não vai querer nadar em água gelada né? E você nem tá com roupa pra nadar! — ele falou arranjando uma desculpa.
– Quem precisa de biquíni quando tá usando roupa íntima? Vamos logo — disse puxando ele pelo braço.
Saímos correndo pelo pequeno bosque que havia entre a casa e o lago. Quando vi o lago, comecei a tirar a roupa. Joguei a blusa pra um lado, o short pro outro, joguei a touca longe e o tênis também. Ryan ficou correndo atrás de mim para pegar minhas roupas, tirou a roupa dele e colocou-as juntas no canto. Dei a mão para ele, nos olhamos, sorrimos e então saímos correndo e pulamos no lago. Como ele havia dito, a água estava muito gelada, mas nem ligamos. Nadamos um pouco e depois nos sentamos na beira do lago. Ele me abraçou e eu apoiei minha cabeça em seu ombro. Ficamos daquele jeito, sentados conversando.
– Quer ir embora agora? — perguntei pra ele encarando aqueles olhos que me traziam segurança.
– Depende de você. Você quer ir? — ele perguntou me olhando.
– Pode ser — respondi.
– Vamos então — ele falou se levantando e estendendo a mão para me levantar. Segurei em sua mão e ele me puxou para cima. — Quer que eu vá na frente pegando suas coisas que ficaram no quarto e procurando o carro?
– Quero sim. Daqui a pouco eu vou, quero ficar mais um pouco aqui, gosto de observar o lago.
Ele assentiu com a cabeça e foi de volta para a festa. Me vesti e fiquei olhando o lago. Fiquei me lembrando de todos os momentos que vivi naquele lugar com a minha família. Eu devo ter ficado sentada lá durante quase meia hora, até que decidi ir me encontrar com Ryan novamente. Calcei o tênis, coloquei a touca e fui em direção a festa. Eu estava andando quando vi uma menina vindo em minha direção. Fiquei olhando para ver se ela mão estava bêbada nem nada, mas ela aparentava estar sóbria. Do nada ela começou a correr até chegar perto de mim e me jogou no chão.
– Você está louca? — perguntei para ela — Sai de cima de m... — ela colocou a mão na minha boca me impedindo de emitir qualquer som.
– Shiu! Se nos ouvirem, eu estou morta! Por favor fica quieta e não se meche — ela disse em um sussurro. Meu coração acelerou e eu comecei a tremer de medo. Estávamos caídas do lado de uma árvore, e não dava pra saber onde estávamos, se era perto ou longe da festa. Ouvi vozes masculinas se aproximando. Tirei as mãos dela da minha boca.
– O que eu tenho a ver com isso? Me deixa ir, por favor? — eu disse sussurrando com medo. Eu estava quase chorando — Meu amigo está me esperando, eu posso pedir ajuda pra ele se você quiser.
– Calada! Eles estão perto, se me verem, acabou pra nós duas! — ela falou.
– Acabou nada! Eu não tenho nada haver com isso, por que me matariam? — perguntei indignada.
– Porque você está comigo! — ela respondeu.
– Mas eu não estava! Por que me jogou no chão? Eu poderia estar livre dessa, sabia?
– Se você calar a boca, você vai ficar bem! E eu te joguei no chão porque se te vissem, iam fazer alguma coisa com você. — ela respondeu fria. Ouvimos os passos se afastando — Acho que agora podemos ir sem problemas.
– Eu não estava com problema nenhum antes e nem agora! — falei me levantando. Ela se levantou juntamente e fomos andando em direção a festa. — Afinal, o que eles querem com você? — perguntei curiosa.
– Eu estou devendo algumas drogas, então eles querem que eu pague, caso contrário, eles me matam ou me fazem de prostituta. — ela respondeu com a maior naturalidade.
– Ah sim, e eu ia virar prostituta também então?
– Provavelmente — ela respondeu.
Estávamos perto da festa quando vimos uns homens no bosque.
– São eles? — perguntei a menina.
– São. Corre! Corre! — ela disse ao ver que eles estavam vindo em nossa direção.
Comecei a correr disparadamente. Ela estava correndo do meu lado, até que ela caiu. O tiro tinha acertado a perna dela.
– Corre e se salva, eu me viro! — ela gritou para mim.
– Não, eu tenho que te ajudar — falei com ela.
– Se salva logo menina! Você não pode perder sua vida! — ela disse me obrigando.
– Eu vou conseguir te salvar também, você vai ver — falei pra ela e sai correndo.
Continuei correndo, e tinha um homem vindo atrás de mim. Eu estava correndo o mais rápido que conseguia, mas não era o suficiente. Não ia demorar muito para ele me alcançar. Tentei me desviar dele no meio da floresta, e comecei a achar que estava perdida, até que consegui avistar a avenida, então usei o pouco de energia que me restava para correr um pouco mais rápido e chegar na pista. Subi o pequeno morrinho que havia entre o bosque e a pista em um pulo e quando vi, estava no meio da pista. Ouvi um barulho, vi uma forte luz queimando minha retina, senti um forte impacto e então meu corpo entrou em contato com o chão.
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