As Long As You Love Me
14 Décimo Terceiro.
Notas iniciais
– Ele nem quis olhar na minha cara! — exclamei ultrajada e em meio aos inúmeros soluços que resolveram tomar conta do meu corpo.
– Como assim, Annie? — minha prima perguntou ao mesmo tempo que fazia gestos para que eu expirasse e inspirasse, acalmando assim a minha respiração. O que não adiantou de nada.
– O que você quer dizer com isso? Será que não deu para entender que ele terminou tudo comigo. TUDO. — gritei com raiva e me levantei ficando frente a frente com meus pais, estes que assistiam todo o meu escândalo a uns bons metros de distância. — E tudo isso é culpa de vocês. EU ODEIO VOCÊS. — com esse último berro subi as escadas correndo. E ao chegar em meu quarto me joguei na cama, esperando que alguém me seguisse. Dito e feito.
– Annabeth, vamos conversar melhor. — Silena logo entrou em meu quarto e em seu encalço vinha Luke e Tia Afrodite que parecia aflita com o meu estado.
– Conversar o que, Silena? — questionei com a cabeça enfiada em meu travesseiro.
– Nos explique melhor o que aconteceu, Annie querida? — Afrodite disse se sentando ao meu lado e afagando carinhosamente as minhas costas, como uma mãe deveria fazer.
– Acho que ele percebeu que é demais pra mim. — revelei me voltado para olhá-los. Luke parecia transtornado com alguma coisa. Silena e Afrodite estavam desoladas, até parecia que foram elas as abandonadas da histórias.
– Mas vocês se amam. — Silena contrapôs.
– Ele não pode fazer isso com você, Annabeth! — Luke exclamou com raiva.
– Como não pode, Luke? — perguntei a achando aquilo impossível e inacreditável.
– Ele não pode, simplesmente, se deitar com você e depois tirar o time dele de campo. – meu primo disse transtornado e eu abri a boca, cética.
– Ele nunca teria tirado o time dele de campo, se os meus pais não o tivessem humilhado e o transformado em nada. Então, sim. Ele tem todo o direito e razão de fazer isso. – o defendi, e Luke se calou, percebendo que a razão estava ao meu lado, e consequentemente ao lado de Percy. – Por favor, me deixem sozinha. – pedi com a voz sôfrega.
– Mas, Annie... – Silena estava pronta para protestar, quando eu levantei a mão pedindo silêncio, e Tia Afrodite resolveu me apoiar.
– Ela precisa ficar sozinha. Vamos. – a mulher bonita pediu e meus primos a acataram em silêncio, saindo do meu quarto em questão de segundos.
Me virei em minha cama e passei a encarar o teto branco do meu quarto.
A vida era uma droga. Simples assim.
Esperei mais alguns minutos, e logo depois era Tia Artémis e Tio Apolo que estavam entrando em meu quarto.
– Aninha, viemos dar tchau. – meu tio disse e eu os encarei, apostando toda a minha herança que meu rosto estava inchado.
– Okay, tchau. – respondi um tanto quanto seca, me arrependendo em seguida, já que eles não tinham nada a ver com a falta de educação dos meus pais.
– Sentimos muito pelo o que aconteceu, e eu lhe garanto que essa foi a pior coisa que seus pais já fizeram. Esse tal de Perseu me pareceu ser uma boa pessoa. – minha tia não se afetou pela minha falta de cordialidade, e me deu um beijo na testa soprando uma benção comum de nossa família.
– Fico feliz que pelo menos alguém dessa família tenha o olhado além do quanto ele traz no bolso. – respondi me sentando e Artémis assentiu com a cabeça dando um aceno de leve em concordância. Tio Apolo também me deu um beijo na testa e murmurou um “Se cuida.”
Depois que eles saíram do meu quarto, tranquei a porta, pois não tinha mais ninguém que eu gostaria de ver naquele momento, e imaginar que em alguns minutos só estariam meus pais e eu em casa, fez com que a vontade de me isolar do mundo fosse ainda maior.
Para prevenir a chatice que seria quando meus tios saíssem, coloquei os fones de ouvido plugados ao Iphone e os coloquei no máximo, permitindo-me um minuto de sossego desde que aquela noite se iniciara.
Enquanto, eu me permitia viajar pelo grande mundo do nada, meu celular começou a vibrar em minha mão direita e ao ler o nome que brilhava incessantemente na tela, um sorriso enorme passou de um lado ao outro do meu rosto, fazendo-me sorrir igual à uma retardada.
E então encenou tudo direitinho? – Percy me perguntou e eu sorri me lembrando do escândalo que tinha feito.
Se você estivesse aqui, teria acreditado que tínhamos terminado. – respondi com um quê de convencimento a mais em minhas palavras.
Ainda bem que eu não estava, teria ficado louco, apenas com a possibilidade de me separar de você. – Percy respondeu de seu jeito fofo, o que me fez sorrir.
E antes que eu pudesse pensar em uma resposta para aquela pequena declaração, ele me mandou uma outra mensagem:
Já que você é a Sabidinha do relacionamento, qual é o plano para fugirmos?
Surpresos? Acreditem, eu também fiquei bem surpresa quando Percy disse que aceitava fugir comigo. Sim, nós fugiríamos de todo aquele caos que era nossas vidas, e a partir do momento que eu pisasse fora daquela casa começaríamos o resto de nossas vidas. Ou pelo menos era assim que eu planejava.
...
Para que botássemos nosso plano em ação nós precisamos cerca de uma mês para planejarmos tudo. Ficaríamos em Montauk, onde Sally tinha um pequeno chalé, grande o suficiente para um casal passar alguns dias, mas antes que nos dirigíssemos para esse pequeno paraíso em Long Island, passaríamos uma ou duas semanas em um apartamento, também em Montauk, que foi possível alugar com o dinheiro das mesadas que eu nunca precisei gastar, já que sempre tive tudo o que quis. Este apartamento seria muito importante em nossa fuga, já que eles poderiam nos procurar no chalé, e seria horrível se nos encontrassem, e dessa forma conseguiríamos despistar a atenção de Montauk e viver por lá por algum tempo.
Depois de arrumar um lugar para ficarmos, tivemos de planejar um modo de não desconfiarem que fugiríamos em breve, nem os meus pais, nem meus primos, nem os nossos amigos, muito menos Sally, esta que apesar de torcer para ficarmos juntos não admitiria tamanho ato de irresponsabilidade. Por isso, optamos continuar com a farsa de que tínhamos terminado, e só para constar, meus pais estavam sorrindo de orelha a orelha na manhã seguinte do desastroso jantar.
Como eu não podia tirar todas as minhas roupas de uma única vez de casa sem levantaria muitas suspeitas e como seria difícil fugir com um mala tamanho família, resolvi “doar” algumas roupas para algumas instituições carentes do Brooklin, e por coincidência ou não, a ONG que receberia as minhas roupas seria uma onde Percy era voluntário, graças a Rachel que quase o matara para que ele se voluntariasse junto dela, o que futuramente eu agradeceria.
Um enorme carregamento de roupas chegou hoje. – Percy me mandou durante a noite, enquanto eu ajeitava algumas coisas das quais eu não abriria mão de levar comigo e enfiava tudo em uma mochila velha. E apesar de não estar ouvindo sua voz, sabia muito bem que está frase estava carregada de sarcasmo.
Você pegou as do saco azul. Não é mesmo? – eu tinha mandando dois sacos cheios de roupas um preto, que seria realmente doado, e um azul, as quais Percy deveria pegar e guardar.
Claro que sim, mas eu estou pensando em esquecê-las em algum lugar sem querer, afinal seria maravilhoso ficar com você em um chalé sem nada para vestir. – tive que resistir a enorme vontade de jogar a cabeça para trás e rir, já que meus pais estavam em casa.
Nada bobo você, não é mesmo Jackson? – mandei e ele demorou um pouquinho para responder.
Eu? Bobo? Poupe-me, Sabidinha. – continuamos a conversar através de mensagens, enquanto eu arrumava as minha coisas.
Boa noite, até daqui uma semana. – sim, faltava uma semana para que pudéssemos fugir.
Estou morrendo de saudades. – ele mandou e eu sorri para o celular.
Também estou, mas em breve será só nós dois. – prometi e massageei minha barriga, onde um promessa de amor eterna começava a crescer. Ainda não era o momento para contar essa novidade.
Depois de tudo devidamente planejado, o dia de nossa fuga chegou e ela se daria no meio da semana, já que meus pais sempre estavam trabalhando, e a mãe de Percy também, assim só notariam a nossa falta de noite, quando já estivéssemos longe.
Era uma quarta-feira de uma semana turbulenta, meus enjoos estavam mais constantes e a única certeza que eu tinha de que uma criança crescia em meu ventre era um teste de farmácia que eu tinha feito às escondidas, afinal eu não poderia ir ao médico sem que minha mãe descobrisse e me trancasse a sete chaves dentro de casa. Eu estava assustada e isso era visível, mas não estava com medo de tentar ser feliz, então dei continuidade a toda aquela insanidade.
Fui para escola e na saída ao invés de voltar para casa, fui para o Brooklin pegar Percy para que pudéssemos iniciar a nossa vida. Não demorou muito para que eu chegasse em frente ao seu prédio, e para a minha surpresa ele já estava me esperando na calçada com duas malas ao seu lado.
Parei o carro em frente a ele, este que me deu um sorriso quente que quase me fez derreter e correr para sair do carro para que eu pudesse abraça-lo e matar a saudade que aquele mês longe fizera ao meu corpo e a minha alma.
– Eu senti tanto a sua falta. – resmunguei contra seus pescoço, e ele começou a depositar beijos em minha testa.
– Eu também, Annie. Eu também. – ele me garantiu, apertando-me ainda mais em seus braços, fazendo com que eu me agarrasse ainda mais a ilusão de que poderíamos ser felizes. – Mas temos que ir logo, antes que chamemos atenção. – ele estava correto, por isso eu me afastei e dei um selinho em seu lábios, para logo depois correr até o porta malas e ajuda-lo com nossas bagagens.
Entreguei a chave a ele e fui para o lado do passageiro, quando ele entrou se voltou para mim com um ruga de incerteza entre as sobrancelhas e com a voz falha questionou:
– Tem certeza de que você quer isso? – antes que eu pudesse responder, ele emendou – Sabe, eu não posso te dar todo o luxo que você merece, mas o meu amor é certeza de que será para sempre e...
– Shiuu. – o silencie com o dedo indicador rente ao seus lábios – Eu tenho certeza absoluta de que é isso que eu quero, e você? Tem certeza?
– Absoluta. – ele respondeu e me beijou, e meus deuses, como eu senti falta daqueles lábios colados aos meus.
Com um único sorriso e troca de olhares, entramos no consenso de que aquilo era o certo à fazer, e com este mesmo sorriso no rosto, Percy pisou no acelerador, nos levando para a rodoviária, onde abandonaríamos o meu carro, compraríamos duas passagens para Montauk e seríamos, finalmente, felizes.
Quando chegamos a rodoviária, deixamos nossas coisas no carro e fomos nos informar quando sairia o ônibus para Montauk e para a nossa surpresa não seria em breve, já que um dos ônibus da companhia tinha quebrado na parte da manhã, o que acabara por atrasar os demais, sendo assim o único ônibus com espaço para dois adolescentes fujões só sairia as sete da noite, até lá Percy e eu teríamos de arranjar alguma coisa para fazer.
– E agora? – ele me questionou, enquanto guardava as nossas passagens no bolso de sua calça.
– Sei lá. – dei de ombros, já que aquilo não fazia parte dos meus planos. – Podemos comer alguma coisa e depois ficar no carro, até dar o horário. – sugeri e ele logo assentiu com a cabeça, entrelaçando seus dedos ao meus e nos direcionando à uma lanchonete que tinha no interior da rodoviária.
Pedimos dois hambúrgueres com tudo que tínhamos direito, e duas coca-cola. Nos sentamos em uma mesa com dois lugares e esperamos que nossos pedidos saíssem, o que eu estranhei, afinal era meio da semana e não era para a rodoviária estar lotada do jeito que estava, mas logo me lembrei que um feriado qualquer seria no sábado e talvez as pessoas já estivessem emendando a folga tão aguardada.
– Eu senti tanto a sua falta. – Percy resmungou ao pé do meu ouvido e eu sorri com a revelação.
– Eu também senti a sua falta, Cabeça de Algas. – respondi me voltando pra ele, que sorriu e me beijou. Ficamos assim por um longo tempo, e por incrível que pareça não me faltou fôlego, isso deve ter-se dado ao fato d’eu ter ficado muito tempo longe dele, e agora nem mesmo o mero detalhe de que a minha espécie precisa respirar para sobreviver me impediria de ficar perto dele.
– E então, o que você fez nesse meio tempo em que estávamos longe? – ele me questionou quando nos separamos, e eu sorri enigmática, para em seguida dar de ombros.
– Sei lá, acho que eu estava bolando um plano de fugir com o meu namorado. – respondi como quem não quer nada, e ele riu.
– E aí, seu plano deu certo? – me questionou, estupidamente, e eu ri assentindo com a cabeça. – Então, isso é bom. Estou certo?
– Certíssimo. – devolvi e o beijei mais uma vez. – E você, o que fez?
– Além de ter que dobrar milhares de roupas, enquanto minha mãe não estava em casa? – Percy perguntou sarcástico e eu assenti com a cabeça, fazendo expressão de ofendida. – Nada demais.
Nossos pedidos logo chegaram e começamos a planejar o nosso futuro a partir daquele momento. Percy chegara a prometer que seríamos felizes e que nossa família seria enorme, o que me alegrou, pois em questão de meses nossa família estaria aumentando. E eu, realmente, esperava que ele recebesse essa notícia bem.
– Vamos para o carro? – Percy perguntou depois de dar o último gole em sua bebida. Como eu já estava terminando, assenti com a cabeça e me levantei, entrelaçando os nossos dedos e seguindo em direção ao estacionamento.
Quando chegamos no carro, Percy me imprensou contra a lataria do mesmo, e me beijou de forma urgente e intensa, e eu como não sou boba retribui da mesma forma.
– Ainda temos quanto tempo? – ele me questionou, enquanto levava suas mãos para dentro da minha blusa, e seus lábios para a extensão do meu maxilar, fazendo com que eu me arrepiasse todinha.
– Acredito eu, que uma hora e meia. – respondi entre arquejos de satisfação.
– É o suficiente. – Percy disse e abriu a porta para mim, pedindo que eu fosse para o banco de trás. E a meu ver, não será necessário entrar em detalhes sobre o que aconteceu dentro daquele carro, não é mesmo?
...
– Que horas são? – perguntei tentando me virar para olhar para Percy, mas isso não fora possível, já que eu estava entre as suas pernas e ele estava apoiado na lateral do carro.
– Quinze para as sete. – ele respondeu me empurrando para que eu me desencostasse dele. – Acho que já podemos entrar, não é mesmo? – questionou-me e eu assenti indo para o banco da frente e deixando que ele fosse para o do motorista.
Percy abotoou a calça e eu também aproveite aquele meio tempo para me olhar no espelho, ajeitar meu vestido e meus cabelos, estes que pareciam um ninho de ratos. Não me impressionei muito ao ver as marcas que o meu moreno deixara em meu pescoço com sua bela boca. E embora eu não esteja reclamando, vale ressaltar que as costas dele e o pescoço se encontram em pior estado que o meu.
– Você viu a minha camiseta? – Percy perguntou olhando para todo o interior do carro, e eu ri quando achei o que ele procurava.
– Olhe para frente. – pedi e ele olhou para o volante, onde sua camiseta estava enganchada.
– Achei. – murmurou feliz e eu ri saindo do carro.
Uma brisa gelada de fim de tarde me saudou e eu estremeci com o contato. Me estiquei e dei uma olhada em volta, esquadrinhando todo o estacionamento. Três carros parados paralelamente do outro lado de onde o meus estava me chamaram a atenção, e um arrepio de mau agouro subiu pela minha coluna, me arrepiando dos pés à cabeça.
– Percy! – chamei olhando-o por cima do carro.
Meu namorado me olhou e ergueu a sobrancelha em uma questão muda.
– Discretamente... – frisei a palavra e ele se pôs em alerta – Olhe para aqueles dois carros pretos e aquele marrom. Vê se os reconhece, por favor. – pedi e ele fingiu se espreguiçar ao bocejar e olhou na direção que eu mandei.
– Não, não conheço. – ele disse dando de ombros, quando voltou a olhar em minha direção, e eu assenti, permitindo-me a sentir um alivio ilusório, já que assim que eu voltei a olhar para os três carros, vi dois homens de preto descendo e olhando em nossa direção, logo depois apontaram e eu me desesperei ao ver meus pais junto deles.
– Percy, são os meus pais. – gritei entrando no carro, e fazendo com que ele se assustasse.
– O quê? – ele perguntou e olhou na direção de Frederick e Atena, estes que não pareciam muito felizes, e que começaram a correr em nossa direção com os brutamontes em seu encalço.
– Vamos sair daqui, Percy. AGORA. – gritei puxando-o para dentro do carro.
O moreno logo se recuperou do susto e entrou no carro, ligando-o em seguida para dar ré e sair do estacionamento da rodoviária cantando pneu.
– Como eles nos acharam? – Percy perguntou olhando pelo retrovisor, eu já estava virada para trás vendo minha mãe gritar com os armários que estavam com ela, e todos correram para dentro dos dois carros, ambos saíram cantando pneu e passaram a nos seguir.
– Eu não sei, mas se continuarmos nessa lerdeza, eles irão nos alcançar. – quase gritei para que ele entendesse que era para ir mais rápido, e graças aos deuses, ele entendeu já que eu quase fui para no para-brisa do carro.
A rodovia em que estávamos estava movimentada, o que nos impedia de nos locomover com maior velocidade, mas também impedia que meus pais nos alcançassem. Meus olhos estavam colados na traseira do carro, enquanto os de Percy estava vidrados na estrada, desviando de todos os carros que se colocavam em nosso caminho.
– Nós deveríamos ter ido para Montauk direto. – me lamentei com as lágrimas querendo escapar dos meus olhos, pois eu sabia que se meus pais nos alcançassem, estaria tudo, absolutamente tudo, perdido.
– Acalme-se, Sabidinha. Nós conseguiremos sair dessa. – Percy me garantiu, e para dar ênfase a sua fala ele meteu o pé no acelerador ultrapassando a velocidade máxima permitida.
– Eu espero. – sussurrei, vendo que os carros pretos começavam a sumir em meio aos demais.
Meu coração estava na boca, meu lanche parecia querer sair a qualquer custo, e minhas emoções estavam a flor da pele. De repente, Percy entrou em uma estrada de terra qualquer e o alivio me tomou, ao perceber que tínhamos deixado de ser seguidos.
– Eles sumiram. – murmurei em um misto de alivio e preocupação, já que aquilo poderia ser uma simples ilusão.
– Sério? – Percy perguntou desconfiado e antes que eu pudesse abrir a boca para concordar, dois pontos pretos entraram em meu campo de visão, fazendo-me começar a soar frios.
– Não, não é sério.
– Merda! – Percy xingou e bateu no volante, e acelerando naquela estrada precária, o que fazia o carro balançar mais que pipoca dentro do micro-ondas.
Continuamos aos trancos e barrancos acabando com a suspensão do meu carro, isso era certeza, mas meus pais não pareciam dispostos a me deixar fugir com o cara que eu amo, por isso estavam cada vez mais próximos.
– Vai, Percy. – pedi tentando incentivá-lo.
– PORRA. – meu namorado gritou e o carro parou bruscamente, e dessa fez eu fui de encontro ao para-brisa batendo minha cabeça e fazendo um corte no supercílio, este que começou a sangrar no mesmo momento.
– Oh, meus deuses, Annabeth. – Percy me olhou alarmando e segurou meus rosto entre as suas mãos. – Me perdoe. Eu não queria fazer isso, mas...
– Não, está tudo bem, Cabeça de Algas. – resmunguei tocando o corte e vendo minhas mãos sujas de sangue. – Prepare-se para enfrentar as feras. – disse e sai do carro, ele até tentou me impedir, mas eu não deixei.
A tontura me atingiu e eu cambaleei ao deixar o banco de couro do meu carro. Olhei para frente e dei de cara com um troco de madeira grosso e da largura de dois carros lado a lado, atravessando toda a estrada, aquilo me fez entender o porquê do Percy parar tão bruscamente. Falando nele, foi somente eu piscar, para que ele estivesse ao meu lado, analisando o corte em meu rosto.
– Vai ficar tudo bem, não é mesmo? – perguntei olhando para os carros que começavam a diminuir a velocidade ao se aproximar de nós.
– Vai ficar tudo bem, meu amor. – meu coração parou ao ouvi-lo me chamando daquela forma. — Nós vamos enfrentar os dois juntos. Você e eu. Está bem? – ele perguntou exatamente da mesma forma que me perguntara na cozinha do meu apartamento, quando meus pais nos pegaram no flagra, e eu me afastei dele para olhá-lo nos olhos. – Annie, contanto que estejamos juntos, conseguiremos enfrentar qualquer coisa. Eu te prometo. – ele me voltou a prometer e me deu um selinho demorado, fazendo-me soltar algumas lágrimas amargas em meio ao beijo, pois eu tinha plena certeza de que nada ficaria bem.
– Vejam só, se não são os nosso fujões. – meu pais foi o primeiro a sair do carro, e enquanto se aproximava batia palmas, como se tivesse acabado de apreciar um peça de teatro que tinha chegado ao fim, e era exatamente dessa forma que eu me sentia. No fim de um belo espetáculo.
Percy se colocou na minha frente, enquanto eu me encolhia atrás de si.
– O que você acharam que estavam fazendo? – ele perguntou parando a uns dez metros de onde Percy e eu estávamos. – Iam fugir e depois iriam fazer o quê? Se sustentariam como? Annabeth, minha filha, pensei que tivesse te educado para ser mais inteligente. – meu pai me criticou e eu gemi em desgosto.
– Annabeth, venha para cá. Agora. – minha mãe saiu do outro carro com um tom de voz mais que autoritário, e dessa vez os brutamontes que estavam com eles fizeram o mesmo, formando uma meia lua em frente aos dois carros.
– Não. – consegui responder, e ela ergueu as sobrancelhas bem delineadas, como se não estivesse acreditando que eu estava desobedecendo-a.
– O que você falou? – Atena questionou se aproximando e eu me encolhi ainda mais atrás de Percy, este que colocou um braço para trás, para me defender.
– Não. – tentei forçar o meu tom para algo mais duro e impassível, mas não deu muito certo, já que minha voz tremeu.
– E você rapaz, o que pretendia fazer com a minha filha, além de desgraçar a vida dela? – Frederick questionou de aproximando-se e Percy estufou o peito, pronto para rebatê-lo de frente.
– Eu estava pronto para dar a vida que ela merecia. – o Cabeça de Algas disse, e eu me orgulhei.
– Fazendo a sua comida? Lavando e passando as suas roupas? Ou cuidado de um prole de catarrentos, enquanto não estava esquentando a barriga no fogão? – a cada passo que meu pai dava, ele dobrava a manga de sua camiseta social, deixando-nos em alerta a cada movimento seu. – Minha filha foi criada para ser uma dama da sociedade Nova Iorquina, ela tem um brilhante futuro como arquiteta e eu não permitirei que nada, nem ninguém, muito menos um zé-ninguém que não tem aonde cair morto tire isso dela. Está me entendendo? – antes dele terminar a sua frase, ele desferiu um soco no rosto de Percy, fazendo-me gritar de susto.
Percy caiu no chão e meu pai começou a chutá-lo na barriga.
– Pare, pai. Pare. – eu pedia e tentava intervir, mas eu não conseguia já que meu pai me empurrava para longe.
Percy estava caído no chão, e em seu rosto tinha dois filetes de sangue escorrendo em abundância, o que estava me assustando. De repente, meu pai parou de bater nele e eu achei que ele fosse se afastar e pedir que os brutamontes o socorressem, mas o que ele fez foi muito pior:
– Acabem com ele.
– Não. – gritei e pulei em meu pai deferindo tapas e socos em seu peito, a única coisa que ele fez foi segurar os meus pulsos e me jogar no chão, fazendo-me cair de bunda.
– Estou decepcionado com você, Annabeth. – ele disse e era palpável o sentimento de nojo que ele transmitia com seus olhos azuis. – Eu esperava muito mais de você.
Antes que eu pudesse responde alguma coisa, um arquejo de dor saiu da boca de Percy, fazendo com que eu me voltasse a ele.
– Parem com isso, vocês irão matá-lo. – pedi e me levantei correndo, tentando impedir que aqueles caras fizessem mais um ato de covardia ao desferis mais um chute no meu namorado semi desacordado. Nem dei muita atenção a dor lancinante que me atingira em meu baixo frente, eu precisava defender o Percy, e era isso que eu faria.
– Annabeth! – Percy arquejou ao ouvir minha voz e eu me joguei em cima dele, impedindo que aqueles estranho continuassem com aquele ato de crueldade.
– Parem! – minha mãe berrou, antes que um deles me acertassem com um chute. – Tirem-na dai, e deixem ele para trás. – ela estava com a expressão torcida em piedade, mas ainda sim mantinha seu tom de nojo ao falar de Percy.
Meus olhos não viam um palmo a minha frente devido as lágrimas que tornaram a minha visão turva.
– Annabeth, eu te... – Percy arquejou quando eu coloquei sua cabeça em cima do meu colo. Um dos armários dos meus pais tentaram me tirar de perto dele, mas eu me debati toda e voltei a colocar sua cabeça perto de mim. – Eu te amo, Sabidinha. Pra sempre.
– Não fale como se fosse morrer, seu idiota. – gritei para ele vendo seu belo rosto banhado em sangue. Suas roupas estavam sujas de terra e rasgadas. Tinha sangue por todo o seu corpo, e alguns de seus ossos estavam quebrados.
– Eu te amo, Annie. Não se esqueça. – ele pediu com os olhos cheio de lágrimas, e os meus voltaram a lacrimejar. – Não me esquece.
– Chame uma ambulância, seus inúteis. Eles está morrendo. – eu me desesperei e berrei com os que estavam a minha volta, meus pais ainda analisavam tudo de longe, e aquilo me encheu de raiva. – Eu também te amo, Cabeça de Algas. – me voltei para ele e tentei tirar o sangue de seus rosto, mas assim que eu o toquei ele se encolheu com dor. – Me desculpe por isso, Percy, é tudo culpa minha. Eu... – solucei com as lágrimas entaladas em minha garganta – Eu não devia ter te metido nessa.
– Não... Não é culpa sua. – ele disse e estendeu sua mão com a aliança. – As long as you love me... I’ll be yours. – eu não estava gostando nada, nada do tom que ele estava usando, parecia que estava se despedindo, e ele não ia morrer. Ele não podia.
– Chamem um socorro. – implorei olhando para os meus pais, e um dos seguranças tirou o celular do bolso e ligou para a emergência, fazendo com que os olhares feio de meus pais se direcionassem a ele.
– Vocês, tirem-na de perto dele. Coloquem-na carro. Vamos embora daqui. – minha mãe disse e se dirigiu a um dos carros, dois seguranças me seguraram e me carregaram até o carro em que ela entrou, enquanto eu me debatia e gritava por Percy.
– Percy. Percy. – minha voz saia arranhada devido medo de perdê-lo e a chance de nunca mais vê-lo. – Me perdoa?
– Eu te amo. – ele murmurou com a expressão de dor e de desolamento, o que acabou me atingindo com uma bala perdida, fazendo-me chorar por tudo aquilo que esteve tão perto de ser tonar realidade, e agora não passava de um belo sonho. Um sonho impossível.
– Percy. – chorei soluçando e tentando me desvencilhar dos brutamontes que me seguravam, um entrou no banco do motorista e o outro me jogou dentro do carro ao lado da minha mãe, e logo em seguida o que seria o motorista trancou a porta me prendendo ali.
– Você que resolveu dar uma de herói, fique com ele. – a voz do meu pai ordenou e ele entrou no outro carro, acompanhando dos demais e o segurança que ligara para o socorro, fora acudir Percy, que parecia um moribundo de tão machucado.
– Percy. – eu murmurei, quando o carro começou a se afastar. – Vocês o mataram. – gemi de dor, tanto física quanto emocional, já que meu baixo ventre doía como o inferno, e meu coração estava dilacerado como se o tivesse esfaqueado.
– Pare de ser dramática. – minha mãe resmungou, mas eu seus olhos eu podia ver preocupação.
– Eu odeio vocês. – disse e arquejei de dor levando uma de minhas mãos até a barra do meu vestido, e só então percebendo que estava molhada, e ao levar a mão na altura de meu rosto vi que era sangue. – Mãe, eu estou sangrando. – revelei assustada e minha mãe olhou para as minhas pernas, estas que estavam ensanguentadas.
– Oh, meus deuses. – eu não seu se foi de emoção ou devido ao sangramento, mas de repente tudo se tornou escuro e a dor deixou o meu corpo.
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