As Long As Were Together
1 Oneshot
Notas iniciais
Morte.
Deuses, como ele odiava essa palavra.
Mesmo depois de tantos anos e tantas batalhas travadas, Percy Jackson ainda sentia a dor de cada perda como se fosse a primeira. Doía lembrar de cada derrota, de cada mortalha queimada. Ainda assim, a mortalha com a belíssima coruja fora a mais difícil de ser vista.
“Por que você teve que me deixar?” Ele se pegava perguntando isso a todo instante, perdido em um mar de desespero tão intenso que nem mesmo Poseidon seria capaz controlar.
É 18 de agosto. Aniversário de Percy. Ele deveria estar feliz por comemorar mais um ano de vida. Feliz por ter conseguido sobreviver à tantas profecias, monstros e brincadeiras egoístas dos deuses. Todavia, felicidade era a última coisa que ele conseguia sentir em sua vida, agora tão cinza e sem amor.
Percy passara o dia todo deprimido. Estava rodeado de amigos, mas não conseguia se sentir feliz. Não quando ela não estava lá.
O céu, outrora azul brilhante, começa a ganhar um tom de rosa alaranjado, e os últimos raios de sol atravessam as poucas nuvens e chegam em seu rosto. Percy está no alto da colina, próximo à caverna do Oráculo, olhando para o mar que refletia a mistura de cores que estavam pintadas no céu. Aquele era um dos lugares que ele e Annabeth mais amavam ficar, mesmo depois de terem se mudado para Nova Roma. Ali era o lugar especial deles.
Lentamente ele caminha em direção à enorme árvore na beira do penhasco, que continuava ali, indo contra todas as possibilidades. A cada passo, seu coração bate mais forte. As rosas vermelhas se contraem quando ele as aperta em sua mão.
Ele chega. Suas pernas já não suportam o peso do corpo e Percy cai de joelhos, apoiado no tronco. Ele lê as iniciais dos dois talhadas na árvore, tantos anos antes. A visão de algo tão simples lhe traz uma dor tão intensa que ele fecha os olhos, as lágrimas deslizam pelo rosto agora marcado pelas rugas de velhice e bronzeado pelas horas passadas sob o sol.
“Annie”
Ele pega as rosas e as deposita na base da árvore. Annabeth, tão diferente em tantos aspectos, ainda tinha como flor preferida a rosa vermelha, tida como tão clichê. Quando soube disso, Percy havia rido, deixando Annabeth corada e extremamente irritada. A partir desse dia, ele sempre dava uma rosa vermelha a ela, quando tinha a chance. Com essa lembrança em sua cabeça, suas mãos tremem.
“Por que os deuses tiveram que ser tão cruéis?”
Percy começa a chorar compulsivamente. A dor que ele sente parece aumentar a cada segundo de sua existência.
“Annie, Annie, Annie. Sinto tanto a sua falta...”
Ele se recosta na madeira sólida. A dor é tão intensa que é difícil respirar. Seus pulmões parecem não conseguir puxar o ar da maneira que deveriam. A brisa vinda do mar não é o suficiente.
“Contanto que estejamos juntos Annabeth, lembra?”
A dor não é só psicológica, também é física. Percy está arquejando, seu coração está falhando. O aperto em seu corpo está insuportável. Todos os seus órgãos estão pegando fogo, como se ele estivesse no fundo do Rio Estige novamente. Mas dessa vez a voz de Annabeth não estava ali para levá-lo de volta à superfície.
Percy ergue os olhos para o mar, que estranhamente parece estar perdendo sua cor. Sua visão acinzentada o faz lembrar de como os olhos cinzentos de Annabeth eram perfeitos. Tempestuosos e intensos, mas ao mesmo tempo calmos e cheios de luz. Ele lembra exatamente de suas últimas palavras...
“Percy, vou estar te esperando nos Campos Elíseos. Eu te amo.”
Ele não aguentava mais. Não podia suportar aquilo.
“Eu estou indo, Annabeth. Eu te amo.”
Ele não tem mais forças e sente seu corpo deixar de funcionar aos poucos. A dor diminui até que quase deixa de existir. Percy finalmente se sente em paz, depois de tanto tempo. Sussurra uma última frase para sua amada.
“Contanto que estejamos juntos.”
E então, Percy Jackson fecha seus olhos verde-mar pela última vez.
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