As Lendas de Andros
1 Prólogo - A ascensão e a queda
Notas iniciais
A ascensão e a queda
Tudo começou com fogo...
Há alguns anos, Andros costumava ser uma terra fascinante e acolhedora. Um lugar onde seres humanos e místicos conviviam em paz e harmonia. Seus bosques, montanhas e mares guardavam segredos e belezas imensuráveis. Cada um dono de uma magia antiga e poderosa que regia as terras de cada povo. A magia de toda a terra vinha do Grande Salgueiro, que era mantido vivo pelas Consortes[1].
A paz reinou por muito tempo, até que Andros foi acometida por mal terrível. Uma guerra em busca de poder se alastrou por seus reinos, levando destruição e dor a cada um de seus habitantes. Terra por terra, todas sucumbiram a magia impura que as assolava. O responsável por isso era Lohkine, o mago das trevas foi quem deu início aos Anos Sombrios. Ele queria, acima de tudo, se tornar o rei e para consegui-lo se exilou nas florestas negras de Andros para aprender as magias de Niflheim[2]. Ao retornar Lohkine estava munido de forças desconhecidas e devastadoras, além de trazer consigo um exército de criaturas mutantes e poderosas chamadas Orcs. Seu exército sanguinário avançou pelos reinos, destruindo e matando tudo que ficasse em seu caminho deixando para trás um rastro de fogo e sofrimento.
Nas aldeias por onde passava o mago libertava A Peste, uma doença demoníaca que adoecia as crianças e os idosos. Uma doença da qual apenas Lohkine possuía a cura. Com isso ele matava a esperança, destruía qualquer barreira que os aldeões construíssem contra ele; pois ele tinha o poder de destruir a todos.
A exigencia de Lohkine era ser coroado rei; do contrario ele mataria a todos. Depois de sua coroação a queda dos reinos restantes, os poucos que ainda resistiam, era iminente, Andros seria sua; e diante da situação esse parecia ser o único caminho.
Corpos lotavam as calcadas, assolados pela Peste ou pela furia dos Orcs. As familias choravam as perdas e naoo havia muito que pudesse ser feito. Esgotados diante do poder maligno do Supremo, o povo e o exército eram como poeira ao vento. Muitos se renderam, muitos morreram, e alguns conseguiram fugir, para alem das muralhas, lugar que ate então era desconhecido para alguns povos de Andros.
Finalmente o castelo caiu, suas praças e construçoes banhadas de sangue inocente eram o palco da propria insanidade do mago. A ordem para que capturassem os Emissários[3] foi dada, assim como o comunicado que todo ser presente em Drahaar deveria assisti a coroação da praça do reino.
Os Emissários foram dispostos em um cadafalso improvisado. Feridos e cansados, sequer pareciam os guerreiros com os quais o povo de Andros estavam acostumados. Estavam derrotados. O sorriso de Lohkine era triunfante, e enquanto ele sorria o povo não se continha em lagrimas. Todos sabiam que fim aquilo teria. Era o fim de todos…
Quem gritava em protesto no meio da multidao era assassinado pelos Orcs; não havia misericordia, não se escondia das criancas os corpos mutilados de seus pais. Todos que se opusessem morrerian e assim os outros tinham que se manter em silencio. Permanecer prisioneiros de seu medo.
— Você não sabe o que esta fazendo Lohkine. – Gritou o Emissario humano. Huron, o grande guerreiro vermelho.
Lohkine ergueu a espada, um sorriso maligno estampado nos labios.
— Acredite, eu sei. E já esperei tempo demais por isso.
Sem misericordia alguma Lohkine girou a espada degolando Huron fazendo o sangue se espalhar por suas vestes e sua pele descoberta. A comoção foi geral, porem não houveram protestos. E um por um, os outros comandantes foram degolados e suas cabeças foram penduradas em estacas que Lohkine ordenou serem expostas em cada torre do castelo. Ele se convencia de que seria temido como os Nove nunca foram e que isso lhe traria o poder que seu antessessores sequer sonharam existir.
— Onde estao as Consortes? – Perguntou limpando o sangue da espada deliberadamente. Ele riu.
Os Orcs se afastaram alguns passos. O povo lá embaixo nada entendia dos fatos que se sucediam acima deles, mas o medo que as criaturas demoniacas demonstraram por seu mestre era evidente.
— Nós as encontramos senhor, mas... elas estavam mortas. – Respondeu um dos guerreiros, com sua voz gutural. – todas envenenadas.
Os olhos de Lohkine fervilharam de odio. Alguns podiam jurar que chegaram a brilhar em sangue puro. Gotas escarlates manchando o azul imaculado.
— MALDITAS! – Berrou enquanto vibrava a espada, arrancando o braço do Orc que lhe dera a noticia.
A criatura desabou ao chao, urrando de dor e desespero. Todos os outros se afastaram alguns passos, cabeças curvadas e respiraçoes ofegantes de pavor. Na praça o sentimento de tristeza deu lugar ao medo mais frio e cortante que se podia sentir. Lohkine era impiedoso, e disso o povo sabia, mas nenhum deles sabia o que esperar do futuro agora que seu reino estava em cinzas.
Lohkine se virou novamente para os suditos, ainda segurando firme a espada ensanguentada. Um lado de seu rosto escorria sangue, sangue de cada um dos comandantes. E ele tinha nos labios um sorriso perverso.
— Ajoelhem-se diante de seu rei! – Ordenou. – AJOELHEM–SE!
Lohkine foi coroado como novo rei; o rei de uma terra que comecava a morrer aos poucos sem suas Consortes para alimentar o Grande Salgueiro; e sua ascenção foi apenas o começo da queda de Andros.
[1]. mulheres (uma de cada das NOVE RAÇAS) escolhidas pelo salgueiro para carregar e proteger sua magia.
[2]. Inferno
[3]. Representantes dos reinos nove de Andros
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