As If It Were The last Day - 3ª Temporada.
2 The inside of the prison: Maze of grills.
Notas iniciais
Marie acorda deitada em um braço, ela reconhece aquele braço e aquela tatuagem. Daryl. A mão dele está levemente fechada e tem uma joaninha no meio dela. Ela ri um pouco e ele se mexe, fazendo a joaninha voar pra longe.
– Ah, Daryl.
– O quê? — ele pergunta num fio de voz
– Tinha um joaninha na sua mão — ela se vira de frente pra ele — Que delicado… Pegou até um lençol.
– Você dormiu e me deixou falando sozinho, ai percebi que você não estava mais ligada, peguei um lençol lá e trouxe de volta. Ou a gente ia morrer de tanto se coçar com essa grama ai. Dormiu bem?
– Como não faço há algum tempo e você?
– Como não faço há algum tempo — ele ergue a cabeça, olhando onde o grupo fez a fogueira — Já levantaram. Vamos?
– Você vai lá pra dentro né?
–Vou e você?
– Ah… Acho que o Drake me dá na cara se eu for.
– Eu cuido de você.
Ela sorri abertamente — E eu cuido de você.
A vontade que eles tem agora é de se agarrarem, sem censura ou pudor algum, como não fazem há algum tempo.
***************
Rick segura o portão — Prontos? — ele nem espera a resposta, já o abre e T-Dog é o primeiro a ir pra cima de um prisioneiro morto, ele enfia o arpão de ferro no meio da testa dele.
Hershel fecha o portão quando o grupo todo entra: Glenn, Rick, Drake, Marie, Ana, T-Dog e Daryl. Eles estão em circulo, não podem dar mais de um passo para matar. “Esperem eles chegarem” foi o que Rick disse, “Mas não esperem que todos eles cheguem”.
Marie tem um facão e uma flecha do Daryl na mão, assim como Ana. Ambas usam mais a flecha, que com a morte de três errantes, já estão grossas e precisam ser limpadas nas calças.
Marie dá um passo a mais pra matar um errante e quando volta, Daryl grita com ela.
– TEM QUE FICAR JUNTO, PORRA!
– E O QUE EU TÔ FAZENDO, CARALHO?!
O grupo que não entrou, chama a atenção dos mortos pelas grades e os matam com facas e barras de ferro.
Ana troca a flecha pela faca e dá um passo para matar um outro prisioneiro, mas Drake vai na frente com a barra de ferro e acaba com aquilo.
– Eu ia dar conta!
– ANA! — chama Rick — SEM COMPETIR! NÃO SAIAM DA FORMAÇÃO!
T-Dog corre para um guarda que estava caído com um escudo e o pega, Marie vai atrás e mata o guarda.
– Marie, T-Dog! Voltem… A gente tá quase lá!
São tão poucos no pátio principal que pareceu fácil. Eles chegam numa outra torre e Rick abre a porta, mas nada sai, ele dá mais um passo e vê o outro portão do pátio, aberto e cheio de errantes lá, Rick se encosta na parede e espera, Ana está do outro lado, todos encostados na parede, Menos Daryl e Marie que estão mais pra trás, ele tem a besta apontada e ela o facão na mão.
– Merda, fiquem aí atrás — Rick sussurra
Quatro errantes surgem, eles usam armaduras e capacetes, dois de detrás de um latão de lixo e outro dois saem por trás da torre, Daryl dispara uma flecha em um deles, mas o capacete nem quebra e a flecha cai no chão.
– Mas que merda — ele se afasta e Rick vai pra cima.
É quando outro sai da torre, com uma máscara de oxigenio, ele vai pra cima da Ana, ela pega o facão e bate na sua cabeça, mas nada acontece, o empurra e pega folego, quando ele volta, ela segura seu capacete e o ergue, enfiando toda a faca até o cabo pelo seu queixo. O guarda cai no chão. Ela sorri pro Drake.
– Viu só?!
Ele, que lutava inutilmente contra um dos guardas, o derruba no chão e ergue um pouco o capacete, enfiando a faca no meio da sua cara.
– MARIE!
Ela corre para Rick, mas antes, derruba uma mulher errante, seugra seus cabelos e enfia a faca na testa dela, ele derruba um e ela vai para o portão, chuta outro preso que tentava sair de lá e o fecha, Rick prende as hastes de mola nele, mas tem dificuldade em uma delas.
– Caralho, anda logo.
– Pode soltar.
Eles correm de volta para ajudar com os guardas, Daryl pega um por trás e o mata com a faca entrando pelo osso occipital, por baixo do capacete. Glenn levanta o capacete de um e T-Dog o mata, Ana mata outro e Rick pega o último, arranca sua máscara com ele caído no chão e a pele sai juntos, seus globos oculares ficam soltos no meio do rosto, batendo nos cantos das órbitas, muito nojento. Rick corta a cabeça dele ao meio e para de respirar por causa do cheiro. Ele se levanta e olha seu estado, todo sujo e fedendo, nada diferente dos outros ali. Mas acabou. Aquele pátio pelo menos, acabou.
– Limpo… — diz Drake
– Não se considerarmos aquele pátio — fala Daryl, ele aponta com a flecha um mulher de vestido, casaco e cabelos pretos — E aquela é um civil.
– Então o interior foi dominado por errantes de fora… Se tiver um muro caído não tem o que fazer, não podemos reconstruir esse lugar — Drake diz tomando folego.
– Mas não podemos ter um ponto cego — Rick diz olhando os blocos de cela — Vamos ter que entrar.
Eles o acompanham até um caixote de grade, que protege uma escada que leva à uma porta. Rick fica com a faca erguida e Daryl se prepara para abrir a porta. Ao comando dele, o outro arrasta a porta, mas não tem nada, porque tem outra grade ali. Eles entram e se deparam com uma pequena sala, com três mesas e uma pequena torre de vigia.
A sala de guarda dos policiais? Ana se pergunta.
Nos cantos tem duas outras grades que levam a outros corredores, e escadas nas paredes que levam para as janelas do alto.
Marie sobe a pequena torre de vigia, tem um guarda caído ali e sangue espirrado no vidro, ela o cutuca e nada, olha em volta e se concentra em um molho de chave no cinto do guarda.
– Rick.
Ele a olha quando ela desce, Marie arremessa as chaves para ele.
Com todo o silêncio possível, Rick abre a porta de grade que range, Daryl entra primeiro. É a parte das celas. Tudo aberto, sujo, sem ninguém ali. Ana e Drake checam as celas. Todas elas tem um beliche, uma mesa e uma privada suja, e todas tem pelo menos um preso com a cabeça estourada por um tiro. Daryl sobe e Rick vai logo atrás.
Eles escutam um barulho de alguma coisa aparentemente oca batendo, mas pode ser que esteja só ecoando. Os dois seguem o corredor de celas e logo vem um par de mão cinza e podre pra fora de um cela e outro surge na do lado.
Rick mata os dois.
***************
Ana vem com as coisas dela e da Lori nos braços, um gesto de gentileza. Rick desce as escadas.
– O que acharam?
– Lar doce lar — canta Glenn.
– É seguro? — Lori pergunta acariciando a barriga.
– Esse bloco de celas… — Rick se aproxima dela.
– E quanto ao resto? — pergunta Hershel.
– Amanhã vamos achar o refeitório e a enfermaria.
– Então a gente dorme nas celas? — Beth pergunta meio enojada.
– É o que tem. Eu tenho um jogo de chaves e o Daryl também.
– Eu não vou ficar numa gaiola — Daryl fala ríspido — Vou pegar aquele poleiro.
Marie corre para o andar de cima — A última é minha!
Drake a segue — Filha da mãe!
– Ei, ei, ei, ei, ei! — Ana larga todas as coisas e corre atrás deles.
Rick e Lori sorriem.
Glenn e Maggie entram em uma cela — Até parecem crianças… — ela diz
Glenn deixa as coisas dele na cama de cima — As vezes isso é bom. Eu fico com a de cima!
Ela ri — Idiota.
Marie deixa sua mala na ultima cela, Drake consegue pegar a última do outro lado do corredor e Ana do seu lado. Sua cela fede a xixi de rato e tem pontos pretos no chão que ela tem certeza que são fezes do roedor.
***************
A cela está aberta e o sol entra por ela vindo das janelas, ele está usando vários cobertores e ainda assim treme.
– Toda vez que esfria você fica doente, porque dessa vez não? — pergunta uma voz feminina suave e meiga.
– Quem disse que eu não tô? Tô morrendo aqui e nem tá frio, não tá vendo?
Amy se senta ao lado dele — Na verdade não, não vejo nada…
Ele olha para o rosto dela e ela não é mais aquela loira linda que o encantou logo no primeiro dia daquela merda toda. Ela está seca e cinza e a boca antes vermelha e tentadora, agora enrugada e preta e no lugar dos olhos dois buracos pretos.
Drake se senta e se desfaz dos cobertores e a Amy não está mais lá. Agora quem está na porta limpando as unhas com a faca é a July.
– Até que enfim… Vamos, o almoço está pronto.
Foi só um sonho...
Ele fica em pé e calça os chinelos, sua cela tem luz e uma TV que funciona, espera… July grita e Drake se vira para ela, Sophia está mordendo a cintura da amiga e arrancando pedaços, Drake arremessa uma faca na cabeça da menina que desaparece e July cai pela sacada pro andar de baixo, ele corre até lá e olha, a amiga não está mais lá, agora quem está lá é Ana e Marie, paradas, enquanto um bando avança sobre elas.
– NÃO, NÃO, NÃO, ELAS NÃO!
Seus olhos se abrem de repente, agora ele está acordado, deitado em sua beliche, virado pra cima, se senta e olha em volta, não tem luz, não tem chinelo, não tem TV. Drake sai da cela e os únicos que já levantaram é Daryl e Beth, ele está lá embaixo afiando sua faca e ela sentada no outro canto penteando os cabelos
– Será que agora é legal falar “Bom dia”? — ele diz baixinho descendo as escadas — Bom dia.
– Bom dia — responde Beth toda meiga.
Daryl murmura alguma coisa parecida com um “bom dia” para ele.
Drake se senta no último degrau da escada e boceja — Meu eu interior aqui já tá ficando mal acostumado.
– Por que? — Daryl pergunta.
– Por que eu to com fome. Na rua eu não sentia fome por umas quatro horas depois de acordado.
– Por isso hoje vamos achar a cantina.
Eles olham lá pra cima, Rick vindo.
***************
Marie começa a mexer nas coisas na mesa — Nada mal.
– Granadas de luz… — Rick diz mexendo nos achados também — De espalhamento, não sei como funcionariam com os errantes, mas peguem.
Daryl pega um capacete e dele escorre uma gosma rosada, ele torce a boca — Não vou usar isso.
– A gente pode ferver — diz T-Dog
– Nem com toda a madeira da floresta, não! — ele até se afasta com cara de nojo — Não precisamos disso até agora, certo? — diz fingindo golpear a cabeça do Drake com um cacetete.
– Hershel — chama Carol surgindo na sala de guarda — Pode vir aqui?
– Tá tudo bem? — Rick pergunta
– Sim, não se preocupe.
Drake entrega a Marie um colete — Eu ficaria menos tentado a te proteger se usasse isso — ele abre o colete e põe por cima dela, depois ajusta as fivelas.
Marie pega um capacete e entrega a ele — Usa esse.
– O caralho! Tira isso de perto de mim, que nojo!
Ana dá risada da idiotice dos amigos, dessa vez ela não vai, está preocupada com a Lori, que acha que já perdeu ou vai perder o bebê.
Rick os guia por outro corredor, onde não foram ainda e são barrados por um porta de grade novamente, Daryl a destranca e abre bem devagar, Rick vai na frente.
É ultra macabro andar por aqueles corredores com suas lanternas mal iluminando o caminho, tudo fica em tons de azul e cinza e a poeira se move devagar em frente aos feixes de luz. Eles dobram mais um corredor de grades, todas abertas e vários corpos caídos no chão comidos. Sangue por todos os lados.
Daryl usa uma lata de spray para pintar na parede uma seta que indica a saída, Marie está olhando dentro de um cela e ao se virar, bate no peito dele, os dois se assustam e ela acaba soltando um gritinho.
– Foi mal — ele sussurra
Ele vai na frente com Rick e Drake e joga a lata para o Glenn, o corredor principal está vazio e eles dobram à direita, vazio também, exceto pelo corpos caídos no chão de sempre, o final desse corredor dá acesso a mais dois corredores em cada lado que estão vazios também. Só é possível ouvir os sons dos pés e do spray do Glenn. Eles vão pelo lado esquerdo e quando Drake vira para a direita, só pra checar, a luz da sua lanterna chama a atenção de vários errantes que estavam lá.
– Voltem, voltem!
Marie não enxerga mais nada, ela só sente a mão da Maggie a puxando para trás, e ela agarra a blusa do Rick, fazendo uma corrente. Ela acaba se soltando da amiga quando Maggie dobra um corredor a direita e ela segue em frente, mas acaba ficando bloqueada. Da onde eles vieram?!?!
– POR AQUI, POR AQUI! — grita Drake e eles seguem a luz da sua lanterna.
O grupo consegue ir para onde ele disse, menos Daryl e Marie, ele até pensa em voltar, mas estão totalmente bloqueados, ela abre um armário e puxa ele lá pra dentro, se tiver um errante ali, ferrou! Mas não tem.
Os mortos se jogam contra a porta de ferro quando ela é fechada. O armário é pequeno e uma barata passa ao lado da Marie, ela se encolhe e se arrepia.
– Sério? — Daryl pergunta — Medinho de barata?
– Cala a boca.
O armário é bem pequeno mesmo e eles só percebem isso quando o nervosismo do momento passa e eles prestam atenção ao fato de estarem muito perto um do outro. Tão perto que a respiração dele, ela consegue sentir no alto da sua cabeça.
E novamente, a vontade que eles tem é de invadir a boca um do outro e de arrancarem suas roupas, mas não dá.
– Daryl? Marie? — escutam do lado de fora.
– É o Hershel — ela sussurra — Será que já foram?
Ele ergue um dedo e põe a besta pro alto enquanto abre levemente a porta e quando a porta se abre por completo, ele mira com a besta e Marie ergue a arma, o corredor está vazio.
– Hershel? — ele pergunta baixinho — Hershel?
Ela vai pé ante pé por um lado e ele pelo outro, mas antes que pudessem chegar a qualquer um dos lados, eles escutam um grito e Daryl volta correndo para ela, veio naquela direção. O grito continua e ai um tiro. É quando eles acham o Hershel.
Caído, com a panturrilha direita desfeita e um cadáver sentado com um tiro no olho.
– Pai! — Maggie se joga sobre ele.
– VAI, VAI! NÃO TEMOS TEMPO — grita Drake, tentando avisar sobre os muitos errantes que estão se aproximando — DARYL!
Daryl dispara uma flecha, T-Dog bate com a barra de ferro em outro.
– Estamos bloqueados!
Um desespero começa, todos gritando e Hershel chamando Deus, E Rick mandando alguém abrir a porta, enquanto correm pelo corredor, ele e Glenn carregando Hershel.
– VAI, ABRE A PORTA!
Marie dá dois tiros silenciosos e o barulho da corrente estourando dá pra ser ouvindo, um clarão vem neles e eles passam pela porta.
Marie e Daryl fecham a porta e ficam jogados contra ela.
– CONSEGUIU? — pergunta Daryl — VOCÊ CONSEGUIU?
Os pés da Marie começam a se arrastar, ela está caindo — PRA QUEM DIABOS VOCÊ TÁ PERGUNTANDO?! SEGURA ESSA PORTA, PORRA!
– E O QUE EU TÔ FAZENDO, DESGRAÇA?!
Rick ignora a briga de casal e rasga a perna da calça do Hershel, tem um buraco em sua panturrilha, e tecido caindo pra fora. Ele começa a tirar o cinto e todos já começam a entender.
–Segura ele — pede Rick
AI, MEU DEUS… Marie baixa a cabeça e se concentra em segurar aquela maldita porta.
– Só há uma maneira de mantê-lo vivo — ele pega a machadinha e bate na canela, logo abaixo do joelho do velho.
O machado corta até o osso e para, Rick o retira e bate de novo, e de novo e de novo, há essa altura, Hershel já desmaiou, outra vez, tem sangue pra todo lado e a perna está quase saindo, mais um vez. Rick se afasta e se olha, todo sujo do sangue do amigo, a perna dele está conectada por talvez um nervo, apenas. Só mais uma, Rick…
Ele acerta o machado e a perna se solta, um trabalho mal feito e improvisado nunca ficaria bom, a perna do Hershel está desfigurada e com relevos de pele no que sobrou.
– Oh…
– Ele está sangrando muito…
Drake olha para o lado e vê cinco figuras surgindo do outro lado da sala, atrás de uma grade — Se abaixa — ele sussurra
Rick faz o que ele pede e Drake se levanta com a glock na mão.
Cinco homens, de tamanhos alternados, com roupas de presidiários os olham, eles parecem assustados.
– Minha nossa! — diz o menor.
Rick vira pra trás, mas ignora.
– Quem são vocês? — um dos presos pergunta.
– Quem são vocês? — Drake devolve a pergunta.
– Ele tá sangrando muito! A gente tem que voltar agora! Glenn, segura aqui — Rick diz enquanto coloca um pedaço de pano na perna do velho.
Daryl dá um sinal e Marie vai ajudar eles com a perna do Hershel.
Ela tira a camisa xadrez que usa e fica de regata — Maggie, aqui — ela embola a camisa e põe na perna, ignorando toda aquela pele e o sangue — Segura o mais forte que puder — fica em pé e olha em volta, não tem nada útil ali!
– O que houve com ele? — pergunta um preso.
– Foi mordido — Drake
– Mordido? — um dos presos, de cabelos compridos coloca a mão numa arma presa na calça.
Daryl ergue a besta para eles — Wow, wow! — ele se junta ao Drake depois de T-Dog colocar o arpão na porta para ele poder sair dali.
Glenn e Marie vão pra onde os presos estava — Tem suprimentos médicos ai? — ela pergunta.
– Ei! Aonde pensa que vai?! — o de cabelo comprido pergunta, com a arma apontada para Daryl — Afinal quem são vocês?
– Não se parecem com o resgate — diz o loiro pequeno.
– Se é o que querem, podem esquecer! — Rick grita, erguendo Hershel.
Marie e Glenn olham em volta, parece um refeitório ou algo assim.
– Glenn — ela chama segurando uma mesa com rodinhas — Me ajuda a tombar!
Os dois viram a mesa e tudo o que tinha nela vai pro chão, depois correm de volta para Hershel.
T-Dog, Rick e Glenn colocam Hershel ali na em cima.
– Marie! A porta!
– O QUE? NÃO ABRAM ISSO! — se desespera o preso.
Ela segura a barra de ferro e puxa. O primeiro a entrar é um daqueles com armadura, mas ela já pegou o jeito, o empurra contra a outra porta e enfia a barra pelo queixo dele.
Ela sai e mata mais um, e empurra o outro pra longe.
– Daryl! Drake!
Eles caminham de costas e saem, aquele que Marie jogou se levanta e vai em direção a ela, ela o mata e eles começam a correr atrás do grupo.
Os três vão na frente para matar o que aparecer, o caminho está limpo, eles já se dispersaram. Dois surgem e Rick para com a mesa-carrinho.
– Daryl!
Ele dispara a flecha e Marie corre para matar o outro, antes que ele caísse no chão ela o segura e tira do meio do caminho para eles passarem.
– Vão, vão!
Eles escutam vários passos atrás deles e param, então escutam vozes e se tocam que são os presos.
– Continua — diz Drake
– Está perdendo muito sangue! — Maggie murmura
– Abram a porta! — Rick grita ao chegarem na sala dos guardas — É o Hershel! Carl! Agora!
Carl abre a porta e eles entram, Daryl e Drake ficam pra trás.
– TRAGAM ELE AQUI! — Ana grita e Lori já prepara um cama numa cela.
Ela, Rick e Glenn erguem o velho e o colocam no colchão bolorento.
– Marie! Carol! — Rick as chama, elas já estão ali
Carol passa por eles e se ajoelha ao lado do velho. Do jeito que a Marie é, ela não vai conseguir trabalhar com aquele monte de gente.
– SAIAM DAQUI!
Todos ficam quietos e saem, ela se junta a Carol.
– Ele foi mordido. Talvez Rick tenha amputado a tempo. Precisamos de mais faixas.
– Já foi tudo — diz Glenn na porta.
– Carl pegue as toalhas na minha cama — Lori diz lá do lado de fora
– Talvez de pra cauterizar — fala Carol
– Não, o choque pode mata-lo! Glenn, pegue travesseiros, a perna tem que ficar pra cima! Posso dar uma olhada, Carol? — Carol se afasta um pouco e Marie tira as faixas dali — Não rompeu ligamento, os nervos… Ah, meu Deus… — ela respira fundo e Rick aparece ali na porta — Tá… Vai dar certo por que a artéria femoral tava longe, ele não vai morrer… A gente pode… O que deve ser feito… AH! — ela começa a tremer e Rick se aproxima dela.
– Vem comigo, deixa que a Carol faz isso — ele a ergue pelos braços e a tira dali.
Ela fica encarando as mãos cheias de sangue, sangue do Hershel. Ana vem e a abraça.
– Eu não consegui… Eu não… — ela começa a chorar — Eu tinha que ajudar a Carol…
– Tá tudo bem — Ana passa as mãos pelos cabelos da amiga e Marie a abraça, sujando o cardigan branco com marcas de mão de sangue.
Drake se senta em uma das mesas e Daryl fica em pé, com o joelho numa cadeira servindo de apoio para a besta. Os cinco presos vem cautelosos.
– Aí já está bom — Drake diz, a arma está deitada na mesa e a mão dele por cima, mas isso não significa que não esteja pronta para atirar.
– Bloco C… a cela 4 é minha — diz o do cabelo comprido — Deixe eu entrar
– Estão com sorte, camaradas — Daryl diz — Estão livres, foram perdoados pelo estado da Geórgia.
– O que tá rolando lá?
– Não é da sua conta.
O cara saca a arma — Não me diga o que é ou não da minha conta.
Drake fica em pé e aponta a arma para a cabeça dele e Daryl dá um passo pra frente.
– Relaxa ai, cara — diz um homenzarrão negro — A perna do cara tá zoada e estamos livres, o que estamos fazendo aqui?
– O cara tem razão — Drake diz
– E eu preciso ver minha mãe.
O QUÊ? Drake pensa. E a mãe dele vai estar viva?
– Civis invadindo uma prisão sem motivo aparente? — diz o do cabelinho de novo — Me faz pensar que não temos pra onde ir.
– Porque não vai descobrir?
– É melhor irmos — diz o loiro
– Eu não vou sair daqui.
– E nem vai entrar! — diz T-Dog vindo do outro corredor
– É MINHA CASA EU MANDO! ANDO POR ONDE EU QUISER!
– NO MOMENTO É NOSSA CASA, CARA! — grita Drake de volta
– AQUI NÃO TEM NADA PRA VOCÊS! VOLTEM “PRAS” SUAS LAIAS! — Daryl grita e Rick vem com seu facão na mão.
– Pessoal, calma, não tem necessidade disso!
– Quantos tem lá? — pergunta o Cabelo com a arma apontada para o T-Dog
– Mais do que pode dar conta.
– Vocês são ladrões de banco? Por que não o levam para um hospital?
Os quatro se entreolham rapidamente.
– Há quanto tempo estão no refeitório? — pergunta o líder.
– Uns dez meses.
– Houve um motim — diz o grandão — Nunca vi nada parecido
– Maior que a rebelião de Attica, cara — o pequeno fala impressionado.
Foda-se Attica! Que merda é essa?! Drake enruga a testa por um instante.
– Pessoas se tornando canibais e atacando os outros, é loucura — diz outro, um negro pequeno com cara de garoto.
– Um guarda nos trancou lá — explica o Cabelo — Me deu a arma e disse que voltaria.
– Isso foi a 292 dias — o grandão fala.
– 94, pelas minhas contas — discorda o Loiro.
– CALA A BOCA! — o Cabelo se volta para os quatro — Achei que o exército viria.
– Não tem exército — Rick diz calmo — Nem governo, nem hospitais ou policia. Tudo se foi.
– É verdade? — pergunta o Loiro.
– É sério.
– E a minha mãe?
– E meus filhos? E minha mulher? — diz outro se pronunciando pela primeira vez, de pele negra, parece irritado — Vocês tem celulares para ligarmos para nossas famílias?
– Não há celulares, ou computadores. Até onde sabemos metade da população se foi. Provavelmente mais.
– Sem chance — diz o Cabelo
– Veja você mesmo.
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