As If It Were The last Day - 3ª Temporada.
4 Open gate.
Notas iniciais
– Tudo bem, vamos pegar o outro carro e colocar lá pra dentro também, deixa-los lá fora seria um convite para estranhos. Depois vamos juntar os corpos para queimar. Será um longo dia.
– Cadê o Glenn e a Maggie? — Marie pergunta — Mais ajuda seria bom.
Daryl aponta pra cima — Estão na torre.
– Na torre, mas entraram lá ontem — Rick diz.
– Glenn! Maggie! — Daryl grita
Alguém levanta lá na torre e Glenn sai do cubículo, sem camisa… afivelando o cinto na calça — Hey! E ai?
Todos eles começam a rir. Daryl põe as mãos na cintura e se concentra.
– Vocês vem?
Glenn se curva no parapeito e Maggie aparece atrás dele, descabelada e com a camisa caindo no ombro — O quê?
Daryl fingi não rir, Marie cobre a boca, T-Dog só observa, Rick sorri e Carol dá risada.
– Vocês vem? Venham, precisamos de ajuda — ele dá as costas com um sorriso na cara.
Marie se joga nele e agarra seu braço — Seu empada foda. Se fosse com você, não ia gostar, né?
T-Dog gargalha — Como é que é?!
Rick para de rir — Vamos deixar a piada pra depois. Vamos lá, pessoal — eles o seguem para o portão de entrada, mas T-Dog fica.
– Ei, Rick.
Todos eles se viram lá para o pátio e o sorriso do Rick some. Os dois prisioneiros que sobraram estão ali.
– Venham comigo — diz enquanto sobe o gramado até os dois: o Loiro e o Grandão — Podem parar por aí. Nós tínhamos um acordo.
– Por favor senhor, nós sabemos. Mas precisa entender que não podemos mais viver lá…
Glenn e Maggie sai da torre de vigia e ficam parados ali atrás.
– … Com todos aqueles corpos, nós os conhecíamos. Tem sangue e cérebro pra todos os lados. São fantasmas.
– Por que não os retiram? — Daryl pergunta irritado.
– Por que não queimaram? — T-Dog pergunta
– Nós tentamos, de verdade…
– A cerca do outro lado está caída — diz o Grandão — Toda vez que levamos um corpo, tem um fila deles esperando e daí temos que voltar correndo.
– Olha só… — o Loiro dá dois passos a frente — Não tínhamos nada a ver com Tomas e Andrew. Você queria mostrar seu ponto e conseguiu. Faremos o que for para nos juntar a vocês, mas por favor, não nos faça morar naquele lugar.
– Nosso acordo não é negociável, ou vivem lá fora, ou vivem trancados.
– Eu disse que era perda de tempo — o Grandão olha Rick com raiva — São iguais aos desgraçados que atiraram nos rapazes. Sabe quantos corpos de amigos retiramos essa semana? Largando lá fora… Eles eram caras bons. Caras bons que nos protegiam dos caras realmente maus, como Tomas e Andrew. Todos cometemos erros que nos trouxeram aqui, chefe. E não voou fingir ser santo, mas acredite em mim, pagamos os nossos pecados. O bastante pra preferir ir pra estrada do que voltar pra quela merda.
Rick não fala nada, ele se vira para Daryl, que nega com a cabeça.
Daryl os prende num espaço entre dois portões de entrada. O grupo fica atrás do ônibus.
– Acho que não teria problema mesmo — diz T-Dog.
– Sério? Os quer morando no mesmo lugar que você? — Rick pergunta — Quer ficar esperando pra que eles peguem nossas armas… Quer voltar a dormir com um olho aberto?
– Nunca parei. Deixe-os ficarem com a gente.
– Eu não sei — Glen diz — O Axel parece meio instável.
– Axel? — Marie pergunta.
– O loiro — Daryl esclarece.
– Ah… Enfim, eu discordo com o que o T disse. E concordo com o que o Drake disse há uns dias… Logo teremos um bebê aqui. Vai saber o que eles fizeram…
Daryl baixa o tom de voz — Segundo eles, Axel se envolveu com drogas e o Oscar era ladrão.
Ela toca o próprio nariz — Um drogado e um ladrão. Não, valeu.
– Fora que estamos juntos faz tempo — Maggie sussurra — É estranho de repente ter mais gente.
– Vocês nos acolheram — diz T-Dog
– Tinham uma criança baleada, não tivemos muita escolha…
– Não se lembra que o Hershel queria expulsar a gente? — Marie balança a cabeça — Acho melhor, não. E eles nem sabem matar errantes.
– Eu os entendendo — diz Daryl — Cresci com caras assim. São degenerados, mas não são psicopatas. Eu poderia estar tanto com eles, quanto com vocês.
Marie o olha — Então tá concordando?
– Nem a pau. Deixe-os tentarem a sorte na estrada como nós.
– O que estou dizendo… — começa T-Dog
Mas Rick o corta — Prendi um garoto uma vez de 19 anos, procurado por esfaquear a namorada, parecia um garoto indefeso no interrogatório e no tribunal. Convenceu o júri. Foi solto por falta de provas e duas semanas depois… Atirou em outra garota. Já passamos por coisas demais. O acordo permanece o mesmo — o grupo começa a seguir ele que dá as costas — Levem os carros lá pro pátio, virados pra fora, ficarão fora do caminho, mas prontos, caso precisemos. — Ele olha para T-Dog — Busque os prisioneiros e uma semana de suprimentos para a viagem.
– Eles podem não durar uma semana
– É escolha deles.
– Eles tiveram uma?
Rick para e o olha — Ei, ei… Que sangue prefere ter nas mãos? Glenn… Maggie? Ou o deles?
Ele maneia a cabeça — Nenhum.
Daryl sobe na moto e a liga.
– Dois cilindros… É uma Triumph? — Axel pergunta
– Nem olhe pra ela — Daryl diz.
Marie derruba as chaves do jipe e se debruça sobre o banco do motorista pra pegar, Axel e Oscar olham a cena.
– Ei! — os dois se voltam para Daryl — E nem pra ela!
***************
Drake e Ana entram na ala das celas, Beth e Carl estão sentados nas escadas, ele limpa a arma e mostra a ela como fazer.
– Aprendeu bem, moço — Ana diz e bate no chapéu dele — Tudo bem, Beth?
– Uhum.
Drake sorri e pisca para ela, o coraçãozinho da Greene com certeza ganha uma batida. Como ele pode continuar lindo? Vive sujo, mas ainda assim parece arrumado, com sua calça jeans, um all star surrado e normalmente está usando uma camisa social dobrada até o cotovelo, a arma pendurada no lado direito da cintura dá um toque bem charmoso.
Os dois entram na cela que Hershel está, ele está sentado e Lori em pé na frente dele.
– Achamos — Ana diz — Só tinha duas, Hershel, você tem muita sorte
Ana segura uma e Lori a outra, Drake ajuda o velho a levantar e a apoiar os braços nas muletas, quando ele faz isso, Drake o solta, mas não tira as mãos das costas dele.
– Não aguento mais olhar pra cama de cima — Hershel diz e tenta dar um passo, mas perde o equilíbrio.
Drake o segura — Calma ai…
Hershel bate várias vezes no chão com as muletas e então dá um passo, e depois outro.
– Quer saber… — ele olha para Drake ao lado dele — Acho que consegui me equilibrar agora.
– É? Então eu vou soltar, se você cair eu vou te deixar ai! — ele sorri e solta o amigo
– É um bom começo — Lori diz — Quer fazer uma pausa?
– Pausa? Eu nem sai da cela. Vamos dar uma volta.
Marie puxa o freio de mão do jipe e desce sorrindo, Hershel está ali. Com Ana, Drake, Lori, Carl e Beth logo atrás, com suas muletas, ele parece bem.
– Pronto pra apostar corrida? — ela pergunta com as mãos sobre os olhos
– Venço de você com uma perna só, moça!
Rick, lá embaixo, nas grades que dividem a floresta da prisão, para e observa a cena, Hershel está bem, sua mulher está ali, seu filho, seus amigos… Sorrindo.
Mas aí… Carl olha pra trás.
– ERRANTES, CUIDADO!
Da onde eles vieram?!
Muitos, vindo do pátio de trás.
Drake já se vira puxando a arma do cinto e atirando, Ana pega as escopetas e começa a atirar, sua mão esquerda já está bem melhor no gatilho. Marie puxa a glock do coldre na coxa e começa a atirar, Carl sobe num bando e atira. Drake segura Hershel por um lado e Beth segura do outro e juntos eles levam para uma escada protegida por grades.
– T! O portão tá aberto! — Marie fala e começa a andar em frente
– Espera! Eu vou com você!
– Lori! Aqui! — grita Ana, ela abre o portão de um dos blocos de cela e entra com Carl, Drake dá cobertura para eles do outro lado do pátio.
Marie corre em direção o portão, T-Dog e Carol com ela, um errante agarra o cabelo dela.
– AH!
Carol atira e sangue espirra na cabeça dela, uma encara a outra por dois segundos, Marie com um olhar de “Obrigada” e Carol de “Tudo bem?”
Ana caminha até a parte das celas, eles precisam de mais armas e proteger a Lori, mas para quando vê vários errantes vindo pra cima dela.
– Não, não! Por aqui, Lori — elas correm para o outro corredor com Carl logo atrás e fecham a grade.
Finalmente o caminho fica mais limpo e T-Dog chega ao portão, Marie e Carol vão para outra porta, e a abrem, matando um mordedor que tinha ali.
– Vamos, T! — Marie grita e olha em volta, Daryl, Rick e Glenn ainda estão no portão
lá de baixo, junto com os presos, tentando destrancar o cadeado. Ao voltar para T-Dog ela vê um errante se aproximando dele -T-DOG! — tarde demais.
T é mordido no ombro, sangue espirra e ele grita, Marie atira e Carol grita para eles entrarem logo, está tudo cheio ali, por último, a francesa olha em volta… Cadê o Drake? Eles entram e Carol fecha a porta.
Drake continua atirando, perto de onde Beth e Hershel estão, ele vê os três chegando e limpa o caminho deles.
– O QUE HOUVE? — Rick grita para Drake
– O PORTÃO ESTAVA ABERTO!
– LORI? CARL? E OS OUTROS?!
– Ana levou a Lori e o Carl para o “C” e a Maggie… — ele olha para o lado, ela está vindo, ela estava em cima de um dos carros atirando — Está ali…
– T-Dog foi mordido — diz Beth
– Mais alguém?
– Não.
Daryl retira a faca da cabeça de um e olha Drake — Cadê a Marie?
– Está com T-Dog e Carol.
Glenn corre até os portões, matando um civil que caminhava ali, e então ele volta — As correntes não foram arrebentadas, alguém abril.
Rick olha para os dois presos entrando no pátio agora.
– Acha que foram eles?
– Quem mais…? — Rick dá um passo, mas uma sirene ensurdecedora começa a tocar por toda a prisão.
– Que merda agora é essa… — Drake fica olhando em volta, procurando alguma caixa de som
– Só pode ser brincadeira — rosna Daryl
Por toda a extensão da prisão, os mortos começam a se aproximar, se baterem contra as grades.
– Daryl — Rick joga as chaves para ele e se vira para uma saída de som e atira.
Drake faz o mesmo junto com Glenn.
Eles já estouraram todas as caixas dali e a sirene continua, Rick aponta a arma para o Axel
– Como isso pode estar acontecendo?
– Devem ser os geradores reservas — diz Oscar
– E como os liga?
– Há três deles conectados a um tanque de diesel. Cada um controla uma parte da prisão, mas eles foram desligados quando teve a invasão.
– Se houver energia, os portões podem ser abertos eletronicamente?!
– Só trabalhei neles por alguns dias, mas acho que sim.
Rick o agarra — Venham conosco! Vamos
Maggie fica junto com Hershel e Beth.
– Temos que ser rápidos, vai saber onde esse bando está circulando… — Marie diz, correndo atrás do T-Dog
– Tem um corredor aqui que vai nos levar até o nosso bloco — ele diz — Vou levar vocês pra lá!
– Espera! — Carol o chama — Pare!
– Espera o que? A morte? — ele se joga na parede e aperta o ombro
– Eu e Marie faremos de tudo pra que não vire uma daquelas coisas — ela diz e Marie do seu lado concorda
– Não vou pedir isso pra vocês. Esse é o plano de Deus — ele continua guiando as duas por aqueles corredores escuros com a maldita sirene tocando — Ele sempre cuidou de mim, vai cuidar agora. Ele vai me ajudar a tira-lás daqui.
Marie e Carol se encaram, elas tem que cuidar do ombro dele logo.
Ana e Carl seguem com as armas em punho, a sirene está alta e faz parecer que os ouvidos deles vão estourar, luzes vermelhas de emergência piscam nos cantos dos corredores, e as setas que Daryl e Glenn desenharam nas paredes vão ficando pra trás.
Lori se apoia na parede e respira fundo, Ana põe a mão no ombro dela — Consegue continuar?
– Tem alguma coisa errada.
– Foi mordida? — Carl pergunta
– Não, não… — a mãe dele se vira e flexiona as pernas — Acho que o bebê vai nascer
– Mãe?
– Ana olha o bando que dobra o corredor bem a frente e ergue Lori pelos ombros — Agora não, bebê! Corre, Carl!
Eles voltam pelo mesmo corredor que vieram, e Carl para antes de chegar ao final quando vê um monte de sombras se aproximando. Ele volta e faz com que peguem o corredor que se forma entre os outros dois.
– Por aqui! — ele abre uma porta e as duas entram, a porta não fecha direito, ele a bate algumas vezes antes que ela feche.
Lori fica se segurando em correntes da parede, respirando rápido, Ana fica com as mãos nas armas, olhando a porta no alto da escada, escutando os mortos caminhando.
Lori solta um gemido de dor e quase cai, se Carl e Ana não a segurassem.
– Tá tudo bem? Pode respirar — ele pergunta
– Lori, eu não sei o que fazer, vai ter que me ajudar… Vamos tirar sua calça, deite.
Ana desabotoa o jeans da grávida e olha Carl que está chocado — Vai me ajudar com seu irmãozinho, né?
Ele concorda.
– O que eu faço, Lori?
– Veja se está dilatando…
– Como eu faço?
– Use seus dedos… Precisa ter… — ela respira fundo — Uns quatro…
– Tá bom… — Ana tira a calcinha da Lori e sua mão treme enquanto se aproxima da virilha dela, Ana introduz um dedo, depois outro e então pro terceiro passar fica complicado — Eu não sei…
– Calma, Ana. Eu posso empurrar… — Lori fica em pé e se segura nas correntes de novo, ela faz força pra alguma coisa que Ana não entende, e para, quando perde o folego — Me ajuda! — Ana a segura antes que ela caia — Estou bem, estou bem… — novamente ela faz força.
Os dedos da Ana lá embaixo, tentando sentir a dilatação na vagina dela, sentem um fluxo gelado que os exarca — Para, Lori, para! Não!
Lori grita, Ana ergue a mão, suja de sangue.
As luzes do corredor piscam, ele é pesado, mesmo dividindo o peso com a Carol, T-Dog pesa no ombro da Marie. A pseudo luz verde mostra dois errantes dobrando o corredor. Marie ergue a arma, Carol dispara um tiro, mas ele não sai, a arma descarregada.
– Quantas vocês tem, Marie? — ela sussurra
– Uma…
– Merda! Voltem! — Carol dá dois passos pra trás, puxando Marie.
– Não, estamos perto — T-Dog corre
– NÃO! — ambas gritam
Ele pega dois zumbis pelos pescoços e os prende na parede, eles tentam morde-lo e arranha-lo
– VÃO! — ele grita para elas — VÃO! AH! — um deles pega o braço dele e morde — VÃO!
Carol agarra o braço da Marie e corre, elas passam reto por T-Dog e param na porta, arie segura o fecho, os olhos enchendo de lágrimas.
– VÃO! Eu já estou morto mesmo! — ele termina de falar e o outro morde seu pescoço.
Elas não podem ficar vendo aquilo, Marie abre a porta e sai com Carol, para outro corredor. As luzes daquele já estão todas acesas e elas não entendem ao certo por que, a sirene ainda toca e os gemidos dos errantes estão se aproximando. As duas dobram um corredor e ficam presas. Carol a puxa e corre pro lado contrário, elas passam por uma porta e no fim do corredor já é possível ver a luz lá de fora. Marie e Carol correm de mãos dadas, Marie abre a porta lá de fora e se surpreende com muitos errantes ali, talvez vinte, numa quadra de basquete…
– Carol!
– Corre, Marie, corre!
Ela não pensa nem uma vez, só sai correndo, os mortos passam as mãos nela, mas não a pegam, o portão está aberto, ela precisa chegar lá, reunindo todas as suas forças ela empurra os que se aproximam dela, e então chega no portão, ainda trancado, ela joga as mãos no alto, ignorando os arames que cortam a palma da mão e impulsiona o corpo pra cima quando ela se senta ela olha procurando a Carol.
Nada.
Os errantes ficam com os braços esticados passando as mãos nas botas dela, ela chuta a cabeça de um e pula pro lado de fora. Seca as lágrimas pelos dois que acabou de perder e corre, ela nem conhece aquela parte da prisão, mas em algum momento ela vai chegar lá na frente. Os mortos vem pra cima dela e ela desvia, cada vez que passa por um portão, o fecha e continua correndo, até dobrar um bloco e se deparar com o portão que T-Dog fechou. Ali com certeza está limpo, ela corre e vê a porta que ela, Carol e T entraram e finalmente, o gramado, e o pátio cheio de errantes mortos, e os carros deles.
– Pss… Marie
Ela se vira para Beth, Maggie e Hershel, eles estão bem. Maggie abre a porta de grade enquanto ela sobe as escadas, ela se senta e respira fundo.
– T-Dog e Carol estão mortos… E talvez eu possa ter sido arranhada, não sei... — ela olha os três que estão chocados.
Maggie se aproxima dela e começa a mexer em seus braços, procurando qualquer marca.
Finalmente as sirenes param.
– Mais uma vez, Lori… Devagar, por favor — Ana pede entre as pernas da amiga, ela segura os joelhos da Lori e espera pelo melhor… Nesse caso, Rick entrando por aquela porta para leva-la a Carol e Hershel que farão o parto.
– Mãe, fica de olho aberto.
– Eu não consigo mais, Ana…
– Não force… Sua dilatação só atingiu três dedos… — Ana chora
– E eu sei o que significa, não vou perder o meu bebê. Precisa me abrir.
– Não.
– É minha escolha.
Carl fica em pé — Vou buscar ajuda
– Não!
– A Carol sabe o que fazer… Eu não posso fazer isso. Eu não tenho anestesia, nem equipamento.
– Carl tem uma faca.
– Não. Você não vai sobreviver e eu ainda posso matar o bebê! Lori, por favor…
– Não… O meu bebê vive, não eu. Por favor. Por todos nós, por favor, Ana! Você disse que em você eu tenho uma amiga… Seja uma mãe pro bebê, por favor.
Ana balança a cabeça. Tudo o que ela queria agora é que Rick abrisse aquela porta, pegasse a mulher nos braços e saísse dali, e tudo ficaria bem. E um abraço do Drake.
– Não consigo.
– Consegue sim. Carl… querido, não tenha medo. Isso é o certo, cuide do seu pai pra mim e do seu irmãozinho…
– Não, você não tem que fazer isso.
– Tenho sim. Você vai ficar bem — ela tenta sorrir para o filho — Você vai vencer esse mundo, eu sei. Você é inteligente, forte, tão corajoso e eu te amo!
Ana baixa a cabeça, isso é uma despedida, os três sabem disso.
– Eu também te amo.
– Você tem que fazer o certo. Prometa que sempre fará o que é certo. É tão fácil fazer a coisa errada nesse mundo. Então… Se parecer errado, não faça. Se parecer fácil, não faça, não deixe o mundo te estragar — ela perde a voz no fim da frase quando volta a chorar — Você é tão bom… A melhor coisa que eu já fiz, meu menininho. Eu te amo!
Eles se abraçam e Ana se desfaz em lágrimas. Ela se lembra da vez que a mãe achou que morreria e também se despediu assim. Ela, aos quinze anos, pensou que ficaria órfã de mãe a única pessoa que a cuidou, pensando o mesmo, aos 22 anos de idade, foi Drake. E ela precisa muito dele agora.
– Eu te amo! Meu doce… Eu te amo! — Lori beija a cabeça dele — Tudo bem, tudo bem. É agora. Ana… Depois disso, você sabe o que fazer.
– Não, não, não…
– SIM! Tem que ser você, não pode ser o Rick, por favor. Tá tudo bem, tudo bem, tudo bem… — ela continua repetindo aquilo.
Carl entrega a Ana a faca, que segura com a mão já cheia de sangue e ergue a camisa da grávida. Tem um linha que corta o ventre todo dela, a cicatriz da cesária.
Lori suspira — Boa noite, amor.
Ana pisca forte para as lágrimas caírem e de uma vez só, enfia a faca na barriga. Lori grita, se esguelha.
Sangue começa a sair sem parar do corte e Carl grita com Ana, Lori desmaia e Ana passa a mão para tirar o sangue do local, ela corta um tecido grosso, talvez já a placenta, a faca parece não ser o suficiente… Mas não era, era o tecido gorduroso, Ana não sabe disso e diminuiu o corte achando que já chegou ao bebê e enfia mão lá dentro, ela sente um protuberância e algo que pode ser um joelho e pega a faca novamente, ele ainda está envolto na placenta.
– Carl, por favor, me ajuda.
Ele coloca a mão sobre e segura a parte de cima do corte, da barriga da sua mãe.
– Estou vendo — ela diz e corta mais um pouco da placenta, água sai quando ela faz isso — Vou tira-lo agora…
Ana respira fundo e pega o bebê, ela vai apalpando até achar a cabeça dele e as costas, isso ela sabe… A criança precisa sair de ponta cabeça da mãe. Ela usa as palmas das mãos para segurar a cabeça e os dedos, para segura as costas e começa a puxar.
A cabecinha sai do saco gestacionário e ela continua puxando, até conseguir tira-lo… Ou melhor… tira-la por completo. Ela sorri de leve. Mas ela não se mexe, não chora. O que ela faz agora?
Ana aquece o peito do bebê e depois o coloca de bruços e aquece as costas.
Meu Deus, ela está morta?
Um chorinho assustado responde que não. Ana suspira e pega a faca novamente, ela corta o cordão umbilical e amarra, ela lembra disso das aulas de biologia.
Carl tira a camisa xadrez e entrega a ela que envolve a bebê ali e se levanta, Ana segura a bebê com o braço esquerdo e pega a escopeta na coxa com a mão direita.
– Não! — Carl põe a mão em ciam da arma
– Carl… Ela…
– Eu sei. Mas ela é minha mãe. Eu tenho que fazer.
Ana guarda a escopeta no coldre e corre escada acima até a porta. Ela a abre devagar e espia, há três errantes ali ainda, indo embora pelo corredor do lado. Ela fecha novamente e escuta um tiro.
Carl vem de cabeça erguida e expressão séria e sai da sala, ele mata os três errantes e segue com Ana, que novamente, puxa a escopeta da perna.
Marie fica em pé de novo, junto com Maggie, mas é Rick, Daryl, Glenn, Drake, Axel e Oscar. Marie desce correndo e passa reto por Daryl, que fica meio sem entender nada, quando ela abraça Drake e não ele. Drake passa as mãos no rosto dela, e nos cabelos manchados de sangue, perguntando se ela está bem e por quê chora.
– Carol não… — ela diz — Ela me ajudou e eu só… Eu corri e deixei ela…
– Mas talvez os outros tenham conseguido — Rick diz — Vamos voltar. Glenn e Daryl, vocês vem… — ele para
Marie ergue a cabeça, Drake olha em volta, isso é o quê é?!
Um choro de bebê.
Todos olham o outro caixote de grade que leva a uma das portas do bloco C, Ana vindo com um pequeno pacote nas mãos, suja de sangue, chorando, com Carl ao lado. Ela anda devagar soluçando, encarando Rick, o pano que cobre o bebê cai um pouco e revela uma cabecinha suja de sangue.
Rick caminha de encontro a ela já chorando — Cadê… Cadê ela? — ele cambaleia — Cadê…?
Ana nega com a cabeça, ele continua andando e ela o segura — Não vai.
Ele a olha, depois Carl e começa a chorar de soluçar.
Drake solta Marie e vai para Ana, ele beija a testa dela e a abraça, com cuidado por causa do bebê.
– Não! Não! Não, não… — Rick se joga no chão e chora.
Fale com o autor