Esse lugar é um labirinto. Enorme pelo que vejo. Frederic está me guiando a cinco minutos e nada de chegarmos a tal sala de treinamento que ele mencionara a dois minutos atrás. O corredor em que estamos é escuro e as paredes são de cimento puro sem cor alguma. Luzes acompanham cada metro em que passamos.

Começamos a subir cada vez mais. Parece que eu estou embaixo da A.G.D.S. e quanto mais avançamos e subimos para cima, mais eu ouço vozes gritando, conversando e dando ordens. Será que e sou a unica novata nesse negócio?

No fim do corredor consigo ver uma sala cheia de gente andando e correndo, apressados para suas tarefas. Quando finalmente Frederic para eu consigo ver tudo. Um sala enorme e retangular. Parece um escritório.

Fico espantada e absmada com a decoração cara e chique deste lugar. Há uma mesa redonda de mogno na sala e uma mulher digitando em frente a uma tela, a recepicionista. Noto portas duplas de vidro que mostram a rua lá fora; me pergunto como as pessoas interpretam esse lugar do outro lado.

Sigo Frederic até um dos elevadores do outro lado da sala. Entramos em um assim que as portas se abrem. Observo que os andares vão até o quarenta. Como eu nunca notara um prédio estranho de quarenta andares em minha cidade? Frederic aperta o dezesseis e o elevador sobe rápido demais me deixando enjoada. Minhas costas bateram na parede atrás de mim com o solovanco inicial.

– Para onde vamos? – Pergunto me apoiando na parede. Minha respiração acelera.

– A sala de treinamento fica no fim do corredor, é uma porta de ferro e não tem como errar. – Respondeu ele apontando para a saia do elevador. Não percebi que tinhamos chego. Caminho cautelosamente para fora do elevador.

Observo o corredor longo que; por acaso, é igual ao que estava antes de ser levada para cá. Há uma porta no fim do corredor como Frederic disse. Viro-me para ele.

– Você vem? – Pergunto ainda enjoada por causa do elevador. Ele fica ao meu lado assim que acabo a frase. Seguimos para a porta de ferro que se abre assim que paramos na frente dela. Deve ser um sensor igual os das portas do shopping. Quanta falta sinto de fazer compras com Olivia e com a traidora da Grace.

Assusto com o barulho da porta se fechando atrás de nós. Um arrepio percorre minha espinha enquando tento ver cada detalhe de tudo nesse comodo gigante e cheio de pessoas da minha idade. Vejo um grupo de pessoas que só no tamanho dariam o dobro do meu.

– Venha Batrice. Tenho que te apresentar uma pessoa. – Diz Frederic caminhando até um menina com o mesmo uniforme que eu e com cabelos loiros. Paramos nas costas dela e quando a menina se vira da um pulo para trás assustada.

– Meu Deus Frederic! Me assustou! – Disse ela. Parecia ter a mesma idade que a minha eu acho. Seus olhos percorreram-me para uma avaliação. Sinto que a conheco de algum lugar. – Beatrice? – Diz ela espantada e arregalando os olhos de surpresa.

– Desculpe, nos conhecemos? – Pergunto confusa. Sei que a conheço, mas não lembro de onde.

– Vou deixar vocês sozinhas. – Avisou Frederic e se retrou indo observar dois jovens lutando. Ele não pode me deixar sozinha com uma menina qe acho que conheço e em um lugar desconhecido. Estou nervosa e minhas mãos tremem.

– Não se lembra de mim? – Pergunta a menina me olhando. Ela parece chateada mas, não muito. – É claro que não. Sou a menina que fica no fundo da sala, nunca digo nada, ninguem me conhece.

Franzo a testa tentando lembrar. Claro! Ela era do colégio e da minha sala. Não noto e nunca notei ela na minha vida. Talvez por que eu estivesse perdida demais no mundo dos “populares”.

– Anna? – Digo. Ela sorri, feliz por eu ter me lembrado dela. Anna concorda com a cabeça e me puxa para sentar-me ao seu lado no colchão azul embaixo de nós.

Ela estava suada e parecia recuperar o fôlego. Percebi que sua roupa também estava justa nela igual a minha estava em mim. Eramos quase do mesmo tamanho e estatura.

– Então você é uma guardiã? – Pergunta ela sorrindo. Como se isso fosse uma coisa boa. Devo ter feito uma expressão confusa por que ela disse: — Não tem idéia do que é, não é mesmo?

– Nenhuma. – Respondo e arrisco um timido sorriso. – O que eu protejo? – Pergunto sussurrando para ninguém ao redor escutar.

– Eu não sei. Quer dizer, ninguém sabe o que o outro será escolhido para proteger. Só você mesmo. E, todos são proibidos de contar para alguém, por mais que a pessoa seja confiavel e ou; conhecida. – Responde ele em tom de mistério.

– Você estava fazendo o que? Está suada e parece, cansada. – Digo observando seu rosto. Angulo, olhos castanhos e cilios longos. Os labios eram finos e pequenos. Suas bochechas estavam rosadas. Ela aponta para uma outra menina do outro lado da sala. Alta, forte e de porte grande.

– Estavam lutando?! – Pergunto absmada. Como ela sobriviveu á aquela outra garota enorme? Anna balança a cabeça.

– Uma das nossas primeiras lições, é a luta. As vezes, temos que combater pessoas para proteger o que temos que proteger. – Responde ela olhando para a outra garota que estava mechendo as mãos em volta de um pote com aguá e um pó estranho. O pó se misturou com a aguá e começou a flutuar no ar como se tivesse algo o puxando para cima. – O nome dela é Lucy. Ela é uma bruxa.

De começo acho que Anna fala de “bruxa” no sintido figurado. Depois, começo a ver o pó e a guá se transformarem em um escultura de gelo em forma da letra “L”. Pisco varias vezes tentando ver se compreendi direito. Quando Anna falou que Lucy era uma bruxa, ela literalmente era uma bruxa. Estava fazendo magia.

– Loucura não é verdade? Quer dizer, todos nesta sala são algo em especial. Por isso somos escolhidos para sermos guradiões. – Diz ela entusiamada. Quando Anna nota minha expressão, seu entusiasmo desparece. – Você não sabia disso?

– Na verdade, não. Então, se todos aqui são algumas coisa o que eu sou? – Minha cabeça esta doendo e meus pensamentos estão a mil. Ainda estou tentando digerir cada palavra dela.

Lucy é uma bruxa. Existem seres sobrenaturais. Todos aqui foram escolhidos por serem diferentes. Anna pode ser qualquer coisa. Eu posso ser qualquer ser sobrenatural que eu acreditava aos sete anos de idade. Eu sou um deles. Sou anormal.

Faço uma lista dos seres sobrenaturais em minha cabeça tentando achar alguma semelhança em mim que se iguale a qualquer um deles. Vampira. Licantrope, metamorfos, bruxas, feiticeira e fada. Apesar, de eu não saber a diferença entre os três últimos, adicionei todos.

Vampira eu descartei. Não bebia sangue e conseguia andar na luz do sol. Licantrope; eca! Não, de jeito nenhum. Nunca me tranformei na lua cheia e metamorfa; eu não viro um animal toda vez que desejo ser um para escapar das aulas chatas de matematica. Só posso ser um ser que faz magia mas, não sei qual e nem sei como fazer.

– Anna, tem a possibilidade de eu ser completamente normal e eles terem cometido um engano? – Pergunto arqueando as sobrancelhas.

– Depende, como você chegou aqui? – Ela parece curiosa e procupada com a questão que eu tinha mencionado.

– Eu estava na festa da Grace e daí, me sequestraram. – Falo relembrando a cena que me fez vir parar aqui. Meu namorado e minha amiga se agarrando e depois eu voltando para casa e sendo dopada. Estremeço após o flash back mental.

– Grace deu uma festa? – Perguntou ela triste. Anna não tinha sido convidada para a festa. Lembro-me que Grace só convidara as pessoas populares do colégio. Fiquei com pena de Anna. – Não importa. Bom, você não é normal Beatrice, tenha consiência disso.

Anna se levanta com a expressão fechada e se afasta. Chamo-a para tentar conforta-la, mas ela me ignora. Parece que não só odeia Grace por não ter convidado-a para a festa, e sim todos os que foram e todos que á excluiam no colégio. Anna está com raiva de mim por ter sido tão ignorante e idiota. Eu estou com raiva de mim mesma por ignorar tantas pessoas legais da sala apenas pelo capricho de ser alguém. Me sinto culpada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.