Notas iniciais
Tudo o que elas querem...

Amy Woods reaplicou o batom pela quarta vez naquela manhã tediosa de terça-feira, unindo os lábios para espalhá-lo conforme encarava seu reflexo no espelho pequeno. Pelo canto do olho, observou a sua volta em busca de olhos alheios vendo-a em seu ato ritualístico de pintura labial. Ninguém prestava atenção nela. Droga.

Sentada na quarta cadeira de sua fileira, ela estava cansada de esperar que seus professores decidissem aparecer em sua sala. Duas amigas, Jane e Kate, esperavam com ela nas cadeiras ao lado. Pareciam tão entediadas quanto ela, mas pelo menos Amy tinha alguma coisa para fazer – lixar as unhas compridas. Do jeito que eram relaxadas, jamais saberiam como era sentir-se maravilhosa, aquelas duas.

Havia apenas uma coisa pela qual Amy trocaria o espelho – a companhia de seus amigos que não estavam por perto. Eram três garotos, seus amigos pelos quais ela sentia uma responsabilidade tão grande que parecia maternal. Para complementar isso, no entanto, o esperado seria que fossem crianças – e até podiam parecer, brincando do lado de fora, rindo feliz e gostosamente. Não eram. Mas Amy já havia superado o fato de que as mães gostam mais dos filhos do que os filhos gostam de suas mães.

Então, ela esperava. Sentir-se inconveniente não era uma opção, muito menos quando poderia cuidar de sua aparência ao invés. Adorava espelhos, batons e pentes, e atenção. Infelizmente, fora as duas garotas, só havia mais alguns colegas sonolentos na sala.

Amy sabia, internamente, que estava apenas tentando fugir de contato social. Já fazia dias em que ela se prendia dentro da sala junto às amigas e lixava as unhas conforme esperava algum professor se lançar para dentro da sala e distraí-la por cinquenta minutos. Mas cansara-se. Precisava viver um pouco.

Largou a lixa.

— Jane – chamou a amiga mais próxima. Franziu a testa ao demorar a ser atendida –, o professor não vem. Vamos sumir daqui.

A garota olhou-a preguiçosamente e deitou a cabeça sobre a mesa.

— Vá você, Amy. Depois a gente se encontra.

Amy piscou e revirou os olhos. Que inferno. Permaneçam inúteis, então.

Havia poucas coisas que Amy não entendia, e pensou nelas conforme caminhava para fora da sala de aula. Uma delas era em como aquelas duas conseguiam ter mãos passadas sobre suas cabeças o tempo todo, especialmente Kate. O que ela tinha de beleza tinha de gordura, aquela menina, e parecia não perceber isso. Jane não possuía nenhum atributo considerável em seu um metro e meio de altura. Amy não podia evitar comparar-se a elas. Sabia que era bonita, alta, cuidava do peso, da saúde e da aparência, no entanto sabia que podia ser realmente intimidadora. Ninguém a merecera ainda, pois sabiam que precisariam provar seu valor. As duas? Cairiam ao menor sinal da palavra amor.

Pare de se comparar, repreendeu-se e analisou os corredores da escola conforme caminhava, os ombros retos e os passos confiantes. Incrível, disse a si mesma. Linda. Segura. Cabeça erguida! Ótimo. Vá socializar.

Difícil seria encontrar alguém fora da sala de aula além de sua própria turma. Havia um único lugar no qual os alunos permaneciam quando estavam sem professores – a maldita lanchonete. Saaaaaaco.

Melhor do que nada. Amy continuou seu desfile pela escola até chegar a seu destino. Todas as mesas estavam ocupadas por alguém, e ela não se atiraria nos meninos da própria escola. Socialize.

Sozinha à uma mesa, uma garota parecia irritada, mas inofensiva. Estudou-a por um segundo e deu um sorriso para si mesma.

Boa ação do dia, aí vou eu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.