As Gêmeas Campbell
3 Infância feliz, que comece o pesadelo.
Notas iniciais
Infância feliz, que comece o pesadelo.
As gêmeas tiveram uma infância feliz na mansão Campbell junto de seus pais, elas costumavam brincar muito pelos terrenos do castelo junto com seu pai que sempre acabava querendo participar. Aos cinco anos de idade, o dom de Katherine já estava bastante acentuado, já no caso de Margarete, nada acontecia, como se a garota não tivesse herdado o dom ou talvez não o tivesse descoberto ainda. Em uma noite de lua cheia, as garotas insistiram ao seu pai para que a levassem em um parque de diversão trouxa, a noite foi extremamente agradável, elas brincaram em praticamente tudo, desde montanha russa até ao teste de força, desde tiro ao alvo, até o carrossel.
-Paizinho, vamos ali? – Margarete falou com sua voz infantil, apontando para um enorme labirinto.
-Tem certeza que quer ir lá meu anjo?— O homem ao seu lado perguntou parecendo um pouco tenso.
-Vamos papai. – Katherine replicou.
Edward ficou alguns instantes observando o labirinto com cautela, a lua cheia o preocupava, havia rumores de que algumas pessoas haviam desaparecido naquela região antes do circo chegar, e isso o deixava bastante tenso.
-Vamos papai. – Margarete choramingou com sua vozinha infantil.
-Tudo bem, vocês me convenceram, vamos lá, mas não sumam de minha vista, ouviu senhorita Katherine? – Ele olhou para a filha de forma gentil, mas como quem a ordenava obedecer.
-Tá papai, vamos. – Ela cantarolou para ele.
Ambos adentraram o labirinto, as duas pequenas cantavam e agitavam os bracinhos animados pensando em encontrar logo a saída do lugar para tomarem um sorvete ou qualquer outra coisa trouxa que fosse, já que ambas tinham bastante contato com tal mundo graças a seu pai, que adorava as arrastar por todos os cantos. O vento ficava mais frio a cada vez que adentravam mais o labirinto. Já não se podia mais escutar a voz das pessoas no parque, e as luzes das montanhas russas já não eram mais tão visíveis, apenas o luar iluminava o caminho de ambos.
-Você não me pega – Cantarolou Maggie enquanto corria bem a frente de seu pai.
-Maggie, volta aqui, não fique muito longe. – Seu pai soou preocupado enquanto olhava tudo ao redor.
-Vem papai. Vem! – Ela parecia toda animada.
Seus passinhos que antes faziam barulho silenciaram, e sua vozinha que cantava cessou. O ar se tornou mais pesado. Edward sentiu o coração apertar, algo ruim aconteceria, ele podia sentir, ele tinha que ficar atento. Retirou a varinha das vestes no mesmo instante que um grito agudo encheu o ar. Era Maggie.
-Kath querida, fique aqui. –Ele correu em direção do som da voz de Maggie.
A cena com que Edward se deparou foi horrível. Maggie estava pálida, um pouco tombada, enquanto um lobisomem mordia seu braço esquerdo. Ela chorava e não tinha forças para gritar. A dor a dominava. Completamente.
-Locomotor Mortis! -Edward apontou para as pernas do lobisomem que logo se colaram fazendo a criatura perder o equilíbrio e cair. –Maggie, você tá bem? –Ele soou preocupado.
-Papai, ele me mordeu. –Choramingou.
-Querida, não conte isso a ninguém, — Ele sussurrou para ela. –Katherine! O que faz aqui? Mandei esperar lá! Rápido, fujam as duas, encontrem logo a saída. –Voltou a apontar a varinha para o lobisomem que já se recuperava. Olhou novamente para as garotas. –Corram! –Gritou novamente e se virou para a criatura que avançava rapidamente. –Impedimenta! –O lobisomem voou alguns metros de distancia, dando a chance de que as gêmeas precisavam para fugir.
-Papai! – Katherine gritou esticando as mãozinhas, mas Margarete foi mais rápida e a puxou com ela. Duas crianças de cinco anos desesperadas correndo por um labirinto escuro, o maior pesadelo de ambas.
As irmãs corriam desesperadas chorando e sem ter coragem de olhar para trás. Maggie sentia uma dor aguda em seu braço, como se o veneno de uma cobra estivesse entrando em todo o seu corpo, e se espalhava lentamente. Era uma dor desagradável, e que ela nunca havia esquecido, mesmo depois de anos.
-Precisamos voltar Maggie, o papai ficou pra trás. – Katherine parou e a olhou com os olhos cheios d’agua.
-Mas ele mandou a gente correr. – Margarete choramingou, apesar de também querer ir atrás de seu pai.
-Vem. – Katherine a puxou pela mão em direção contrária de onde devia estar à saída, voltando para o mesmo lugar onde pouco tempo depois seu pai e um lobisomem lutavam. Ambas correram no maior silencio possível, ainda existia a chance de o lobisomem estar vivo.
O silencio estava pesado, as preocupando, nem sinal de uma luta, será que havia acabado? Quem havia vencido? As garotas se perguntavam enquanto caminhavam lentamente pelo labirinto escuro.
-Pai? – Katherine chamou.
-Paizinho? Tá tudo bem? – Margarete replicou.
Quando a lua finalmente saiu de trás das nuvens, uma cena horrível foi presenciada. O lobisomem estava caído no chão, ferido, e em sua forma humana, era evidente que ele estava morto, e ao seu lado, o corpo do pai de ambas jazia caído e ensanguentado, ele respirava com dificuldade.
-Pai! – Katherine correu até seu corpo. –Paizinho, não morra. – Choramingou a menina. –Maggie, vem me ajudar, o papai tá sangrando.
Maggie continuou ali, parada, petrificada, não conseguia se mexer, não sabia o que fazer, e nem o que pensar, aquilo era sua culpa, se ela tivesse obedecido nada teria acontecido, ela sabia disso, e não conseguia olhar para o pai. “Deveria ser eu”, era o que a mente da menina dizia.
-Maggie! – Voltou a gritar Katherine. –Ele tá vivo, o papai precisa da gente, rápido! –A garota se levantou e foi até a irmã. –Maggie! O que você tem? –Chacoalhou a irmã. –Me ajuda. –Falou enquanto sentava no chão ao lado do corpo de seu pai e chorava.
-Socorro! Alguém! Por favor. –Margarete gritava tentando atrair a atenção de alguém que andasse pelo parque. –Por favor, socorro!
Depois de muitos gritos naquela noite nebulosa, um casal trouxa apareceu, um casal com um neném de colo estavam caminhando alegremente até se depararem com a cena, duas crianças chorando, com uma delas sangrando, e dois homens caídos no chão, ambos parecendo estar mortos. O casal consolou as crianças enquanto ligavam para a emergência, para que fizesse o resgate de ambos. Margarete e Katherine fingiram ser um ataque de lobo, para que as garras no corpo de seu pai não fossem algo “suspeito”. A pequena Maggie sentia dor onde havia sido mordida, mas apesar disso, disfarçava, seu pai havia a feito prometer que fingiria não ter sido mordida perante sua irmã e família, ou algo ruim lhes aconteceria, por causa disso, suas lagrimas eram contidas, seu medo também. Sabia que contanto que a lua ficasse escondida, ela e sua irmã estariam seguras.
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