As Gémeas Pierce
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Capítulo 21 – Narrado por Elena Pierce, Damon Salvatore e Katherine Pierce
Parte 1 – Elena Pierce
Abracei-o, não querendo deixá-lo ir de maneira nenhuma. Lágrimas escorriam pelo meu rosto sem parar e eu não conseguia pará-las. Os seus braços enlaçavam a minha cintura e eu não queria deixar de sentir aquela proteção e calma que ele me dava.
-Volta depressa – sussurrei.
-Prometo que sim – disse ele e beijou-me o topo da cabeça. – Fica bem.
Acenei com a cabeça e abracei-o com mais força.
-Elena, nós também queremos despedir-nos dele – falou Katherine atrás de mim e eu olhei para ela.
Desfiz o abraço e dei dois passos atrás.
-Três meses é pouco tempo – falou Katherine e eu baixei o rosto, deixando as lágrimas escorrem pelo meu rosto. Três meses era muito tempo. – Vai ver que daqui a pouco estará de volta.
Damon gargalhou e eu fechei os olhos com força, ao mesmo tempo que tentava reprimir um soluço. Que saudades iria sentir da sua gargalhada, do seu sorriso enviesado, das suas brincadeiras e do seu toque. Como é que eu iria sobreviver sem o ter ao meu lado? Como?!
-Tem cuidado, irmão – falou Stefan e eu olhei para os dois. Abraçavam-se e davam palmadas amigáveis nas costas um do outro. Damon sorriu e quebraram o abraço. Eram realmente irmãos. Eu queria ter uma relação como a deles com a minha irmã. Eu já tive, mas gostaria de a voltar a ter, porque sentia saudades do tempo em que eu lhe podia contar tudo e ela guardaria os meus segredos mais obscuros, assim como eu guardaria os dela.
Vi Damon a mover os lábios, mas não consegui ouvir o que ele dizia e fiquei curiosa.
-Não te preocupes, irmão – falou Stefan e afastou-se.
Giuseppe saiu de casa e foi abraçar o filho.
-Porta-te bem, Damon.
-Sim, pai.
Damon montou para o cavalo e bateu com os calcanhares no flanco do cavalo. Olhou mais uma vez para nós e depois seguiu em frente, saindo da propriedade.
Entrei em casa e subi para o meu quarto. O sentimento de vazio era imenso, despedaçava-me por dentro e a dor era tanta que eu não conseguia parar de chorar. Eu já me tinha sentido assim uma vez, foi quando Katherine entrou no meu quarto e me tentou sufocar por a ter traído com Matt. O sentimento de traição e desilusão por ela tinha sido tão grande que me tinha enclausurado no quarto, cheia de medo dela e num estado de letargia total. Eu ouvia as vozes dos meus pais e de Bonnie, que era pouco mais velha do que eu, mas não sabia o que responder-lhes porque nada fazia sentido.
-Miss Pierce – falou alguém da ombreira do meu quarto e eu levantei os olhos. Era Stefan. – Deseja falar?
Neguei com a cabeça e fechei os olhos, sentindo as lágrimas quentes a escorrerem do meu rosto e deixando escapar um soluço de sofrimento.
-Lamento muito, mas não a vou deixar ficar assim – disse ele pegou nas minhas mãos delicadamente, tentando fazer-me levantar.
-Não. Deixe-me ficar – pedi-lhe.
-Elena, isto não está certo – falou ele e sentou-se ao meu lado. – O que a Elena está a fazer consigo própria não é saudável.
-Acho que isso é um assunto só meu, não acha?
-Seu e das pessoas que a rodeiam. O que acha que o meu irmão iria dizer se a visse nesse estado?
Funguei e esbocei um sorriso.
-Diria que eu estava a ser patética.
-Vê? Também acho que era isso que ele diria. E com essa tentativa de sorrir diria “vá. Elena, então?, para quê tentar sorrir se vai ficar aí o resto do dia sentada?, se que sorrir, que vá lá para fora e mostre esse sorriso ao mundo”.
-Acho que ele não diria isso – disse-lhe.
-Elena, há quanto tempo é que conhece o meu irmão?
-Há um mês e meio.
-E há quanto tempo é que eu o conheço?
-Há dezassete anos?
-Exatamente – disse ele. – Acredite em mim quando eu lhe digo que aquelas seriam as palavras dele.
Os meus lábios abriram-se num sorriso.
-Ah, já a consegui fazer sorrir duas vezes! Estamos a fazer progressos, Elena.
Limpei as lágrimas do meu rosto e fitei-o.
-Sim, parece que sim.
Parte 2 – Damon Salvatore
Cavalguei durante dois dias seguidos até chegar à Confederação, onde se encontrava Robert Lee. Contudo, não conseguia deixar de pensar em Elena. Ela era tudo para mim naquele momento. O que aconteceria depois de eu voltar? De certeza que ela se iria aproximar de Stefan, porque ele não era ingénuo de todo e ainda tinha Katherine que queria magoar a minha Elena.
Confesso que fiquei bastante surpreendido quando ouvi da boca de Elena o mau génio que Katherine era, mas depois de passar uma noite em claro a colocar as ideias em ordem, tudo fazia sentido. Katherine era mimada, vingativa e sonsa. Eu conseguia ver isso tudo através dos dias que passávamos juntos. Quando ela me beijou num final de tarde, julguei que a amava, mas estava enganado. Katherine e eu raramente iria resultar. Elena e eu talvez. A verdade, é que eu também tinha visto o verdadeiro lado de Katherine, e compreendi-a perfeitamente. Não estou a dizer que apoiava os seus métodos, mas a fúria que me alcançou naquele dia em que eu e Stefan lutámos verdadeiramente no quarto de Elena, chocou-me porque nunca pensei que eu e o meu irmão mais novo lutaríamos por uma mulher. A verdade é que as Pierce são meninas de respeito e nome, e não são tratadas como umas quaisquer. Mesmo assim, surpreendeu-me e foi aí quando eu percebi a raiva e frustração de Katherine. Eu compreendi-a, e sei que faria de tudo para afastar Stefan de Elena e isso ainda me assustava mais, porque pelos vistos eu e Katherine somos mais parecidos do que pensava.
-Damon Salvatore! – exclamou um colega meu e eu sorri.
Parte 3 – Katherine Pierce
-Como está a minha irmã? – perguntei assim que Stefan saiu do quarto dela.
-Acho que vai recuperar. Ela e o meu irmão estavam bastante próximos nos últimos tempos.
Acenei com a cabeça em concordância.
-O que acha que eu devo de fazer?
-Não sei, Katherine – respondeu ele e afastou o meu cabelo da cara. – Realmente não sei.
Olhei-o e rendi-me aos seus olhos verdes musgo. Eram tão claros que eu nem queria acreditar que eu estava ali, a centímetros da sua boca e a centímetros de concretizar o meu plano: colocar os Salvatore em dúvida em relação a Elena.
-Tenho que ir para as aulas – afirmou ele e entrou no seu quarto, deixando atarantada com o nosso affair.
Bati à porta de Elena e ela não respondeu, mas mesmo assim entrei.
-O que queres? – perguntou ela mal me viu, com a voz tremida e o queixo erguido.
-Ver-te cair – disse-lhe sem qualquer pudor. Ela fungou e olhou para a janela virando-me as costas.
-Estás à vontade. Ainda não é hoje, Katherine.
-Quando ele voltar vai ser meu – garanti-lhe. Ainda não tinha nenhum plano em mente, mas iria ter a certeza que o que eu dizia iria acontecer. – Tu sabes disso, melhor do que ninguém.
-Acho que estás errada, Katherine – disse ela e fitou-me com raiva nos olhos. – Não vais tirar o Damon de mim.
Sorri e aproximei-me dela.
-Observa-me – falei-lhe num sussurro e saí do quarto, já começando a pensar em como iria afastá-la de Damon.
Notas finais
Bjs e até domingo!
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