As Fronteiras Gêmeas - Interativa
1 Prólogo
Notas iniciais
– Está na hora. – sussurrou o homem sobre o estrondoso barulho da tempestade. A mulher não o olhou nos olhos, somente conseguindo encarar o pequeno embrulho que jazia sobre seus braços.
– Você tem certeza? Talvez nós...
– Phoebe, eu já disse. – a voz do homem soou mais alarmada – Não podemos arriscar. Se elas forem as crianças da profecia...
– Mas e se não forem!? – exclamou a mulher no exato momento que um trovão soou do lado de fora da casa. O homem teve uma leve impressão que aquilo não era uma coincidência – Elas irão passar o resto da vida sem se conhecerem. E pelo quê?? Por um medo que pode ser irracional!
– Não é irracional! – gritou o outro, sua paciência se esgotara – Oliver virá comigo, Phoebe. Poderá cuidar de Serena, mas não podemos mantê-las juntas. O risco é grande demais.
Uma lágrima solitária rolou pelo rosto de Phoebe Houster. Conhecer aquele homem fora a melhor e a pior coisa que já acontecera em sua vida. Agora ela teria que se desfazer de uma de suas filhas. A dor era grande demais.
– Mas o risco não vale a pena, Aríel!? Pense nelas! Por favor! Eu lhe imploro! – já com a face molhada de lágrimas, Phoebe segurou a filha com mais força e deixou que seus pensamentos fossem até a irmã daquela pequena, que dormia tranquilamente no quarto ao lado. A mulher abraçou o embrulho como se sua vida dependesse dele.
– Phoebe eu... – Aríel deixou que seus olhos marejassem. Ver a mulher que tanto amava se despedaçar diante de seus olhos o quebrava por dentro – Fomos inconsequentes... Se não as separarmos podem vir atrás de você e eu... — o homem deu um longo suspiro — ...nunca me perdoaria por isso.
Finalmente Phoebe cedeu. Deu um beijo na pequena cabecinha da filha e deixou que Aríel a tirasse de seus braços delicadamente. Soluços sacudiam a mulher e ela não conseguia parar de pensar se um dia voltaria a ver aquela criança.
– Irei ser um bom pai. Eu prometo. – Aríel colocou toda a confiança que ainda tinha em sua voz – Espero voltar a vê-la algum dia.
– Eu também. – murmurou Phoebe, esfregando os braços à procura do calor que lhe fora tirado – Por Deus... Eu também...
E o homem foi embora batendo a porta atrás de si, deixando a mulher sozinha com seus próprios pensamentos.
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