As Fitas da Retaliação

5 Capítulo 5 - Rota Alternativa


Notas iniciais
O NYAH VOLTOOOOOOOOOOU O/ YAY Então... Primeiro eu queria agradecer à linda da Gaby (Molina, vocês provavelmente estão aqui por causa dela, então... É) por indicar a história :3 Eu estava lendo os comentários da história dela, e queria saber por que vocês estão falando bem da minha história lá e não aqui. Poxa! Eu também quero saber o que vocês acham u-u Quanto às músicas no começo dos capítulos: vocês parecem gostar delas :333 Eu sempre tento escolher uma música que tenha a ver com o assunto do capítulo. Se você não conhece alguma das músicas, vá ouvir porque eu garanto que é muito foda ♥

"Whenever the end is

Do you think you can see it? Well, until you get there

Go on, go ahead and scream it

Just say it."

— Say (All I Need), One Republic

Jenny veio falar com Fawn na hora do intervalo.

— Que bom que você conseguiu vir! — Jenny sorriu, abraçando-a. — Está se sentindo melhor?

Fawn assentiu, mesmo sabendo que aquela não era a pergunta que Jenny ansiava em fazer.

—... Como chegou aqui?

Pensou em mentir, mas Jenny descobriria, de qualquer modo.

— Blake me deu uma carona. Acabou que ele mora perto da minha casa e me encontrou na rua.

Jenny abriu a boca para falar, mas depois percebeu que não fazia sentido acusar Fawn Roth Jensen de nada.

—... Afinal, ainda vai conhecer a amiga do seu pai amanhã?

Jenny balançou a cabeça.

— Adiaram para Domingo. Hoje é...sexta? Bem, isso me dá mais dois dias para morrer.

— Vai ficar tudo bem, Jenny.

— Como tem certeza?

Fawn abraçou a amiga.

— Não tenho.

Às vezes Jenny odiava a sinceridade de Fawn.

* * *

— Cara, você está bem? — Cody ergueu uma sobrancelha para Blake, que sentava em sua frente na aula de Química.

Blake assentiu, mas sua mente estava longe dali.

— Tem a ver com a Stanford? — perguntou Cody.

— Hã... Indiretamente, eu diria. É que tem essa... garota.

Cody suspirou.

— Sempre tem.

— E ela é... Sei lá. Eu fico pensando nela, mas não deveria. Temos começado a nos falar mais, e... Sei lá.

— Quem é?

— Hã... Melhor não dizer. Você não vai gostar da ideia.

— Mas você gosta da Cassidy?

— Gosto, mas essa coisa de namoro à distância está me dando nos nervos. Especialmente porque aquela merda de cidadezinha para onde ela se mudou só pega internet em determinadas partes do dia, e eu me mato para estar online nessas horas, só que a Cass ou esquece ou responde sem o menor entusiasmo e vira interrogatório. Enfim. São só devaneios. Eu amo a Cassidy.

Cody assentiu. A professora ameaçou mandá-los para a coordenação, então trataram de parar de conversar.

* * *

— Como você tem vindo para o colégio? Quero dizer, sua casa é longe — perguntou Blake a Fawn quando eles e Jenny estavam conversando na hora da saída.

— Hmmm... Como sabe onde é minha casa?

— Você costumava ir no ônibus escolar, eu lembro — ele desviou o olhar. — Faz algum tempo. Você nunca falava com ninguém.

— Eu odiava ir naquele ônibus — confessou ela. Revirou suas memórias, mas não conseguia lembrar-se de Blake no ônibus.

— É, você ficava sentada no fundo com seus fones de ouvido, e eu pensava "Cara, essa menina deve ser muito convencida".

— E agora?

Ele abriu um sorriso torto.

— Agora eu tenho certeza.

Ela empurrou-o de leve.

* * *

Fawn estava se sentindo tão mal que desejou estar no inferno. Sua mãe chamara uma psiquiatra para vir em casa, e a mulher ficava dizendo que ela era depressiva apenas porque disse que o borrão que a mulher lhe mostrou parecia uma borboleta. Fawn não sabia que borboletas podiam fazer tão mal.

Mas quando a mulher sugeriu uma clínica para deslocados ou sei lá o que, a paciência de Fawn se foi.

— Vocês não me conhecem! Nenhuma das duas! Não podem fazer isso! O único problema que eu tenho é o fato de ter nascido nessa família!

Quando Fawn bateu a porta do próprio quarto, a mãe gritou:

— Não vai sair daí enquanto não fizer o teste de drogas que está em cima da sua cama!

A vida dela era uma piada.

Fawn ouviu a chave sendo virada na maçaneta pelo lado de fora. Ela estava presa. Deitou-se em sua cama e comprimiu a vontade de chorar de novo. Mandou uma mensagem para Mark.

Sem resposta.

Cassidy.

Jenny.

Danielle.

Peter.

Até mesmo Liam.

Sem resposta.

Depois de ligar para basicamente toda a sua lista de contatos, engoliu o orgulho e ligou para sua última opção:

— Alô?

— Blake?! — chamou ela, mas soou como um ganido.

— Hmm... Quem é?

— É a — ela fungou. — Fawn.

— Fawn?! Você não soa bem.

— Hã... Eu tenho duas perguntinhas.

— Sim?

— Estava falando sério quando disse que sabe onde é minha casa?

— Estava.

— E estava falando sério quando disse que eu poderia desabafar com você?

— Estava. — E... Essa segunda promessa tem horário de funcionamento?

Ele riu. Eram três perguntas, mas não ligou.

— Estou indo aí.

— Mais uma coisa...

— Já estou me arrependendo.

— Ai meu Deus, eu sinto m...

Ele riu novamente.

— Estou brincando, sua boba. O que foi?

— Érrr... Vou precisar de uma ajudinha para dar o fora daqui.

* * *

Blake desligou o telefone e desceu as escadas, pegando a chave do carro.

— Se for para voltar bêbado, nem volte — avisou o sr. Diggory, sério.

— Certo, isso não vai acontecer — prometeu Blake e saiu de casa.

Deviam ser perto de nove da noite quando ele chegou à casa de Fawn. Parou o carro algumas casas atrás. Pulou a pequena cerca e foi até a janela dela, que se abriu rapidamente.

— Blake! — disse ela, e depois tampou a boca com as mãos.

— Jensen, custa usar a porta?

— Estou trancada — ela bufou. Blake riu. — É sério, idiota.

A risada dele sumiu.

— Fawn, o que...?

— Me segure se eu cair.

Ela apoiou-se na janela, depois no pequeno toldo e pulou. Blake a segurou. Caso contrário, teria caído de cara. Ele soltou-a logo depois.

— Obrigada — disse ela e arrastou-o até o carro dele.

Ele fitou-a por um minuto, sem saber o que fazer.

— Podemos dar o fora daqui? — pediu ela.

— Para onde?

— Sei lá. Só dirija.

— Vai me contar tudo no caminho?

Ela assentiu. Blake tirou o próprio cabelo escuro do rosto, suspirando, e deu partida.

* * *

— Minha mãe está realmente considerando essa tal clínica, sabe — disse Fawn, com os olhos na avenida. — Ela até preencheu a ficha de inscrição. Só falta assinar.

Blake apenas assentiu.

— Por favor, diga alguma coisa — ela pediu. — Você está muito quieto.

— Meu pai acha que tenho problemas com bebida — ele disparou, não conseguindo mais esconder aquilo.

— E você... tem?

— Sei lá. Talvez. Acho que comecei a ter por causa dele. De tanto ele dizer, comecei a ficar bêbado em festas para esquecer que posso acordar na reabilitação qualquer dia.

— Cassidy nunca me contou isso.

— Ela não sabe.

— Parece ser o tipo de coisa que ela deveria saber.

— Claro, todo mundo quer descobrir que seu namorado é um bêbado.

— Ela não julgaria você. Aposto que te ajudaria e seria um grande apoio.

— Entendi, você é educada demais para dizer que não quer ter esse peso nas costas.

— Não é isso — ela corrigiu rapidamente. — É que... deveria ser ela. Sabe, sua conselheira.

— Se eu posso aconselhar você, por que você não pode me aconselhar?

Fawn pareceu considerar a ideia por um momento.

— Você está certo, eu não deveria ter ligado.

— Jensen. Relaxa. Está com fome?

— Não.

A barriga dela roncou em protesto. Blake riu.

— Ceeerto... — e desviou o caminho.

— Aonde vamos?

— No centro do consumismo americano. Espero que não esteja de regime.

Ele parou o carro no estacionamento do Mc Donald's.

— Faz tempo que não como aqui — comentou ela.

— Está brincando.

— Não.

— Vamos tirar esse atraso.

Blake empurrou-a para dentro da lanchonete. A fila estava meio grande — Mc sem fila não é Mc —, o que deu-lhes tempo para pensar no pedido.

— Um Big Mac, batata média e Coca grande — pediu Blake, e depois virou-se para Fawn. — O que vai querer?

— Fecha seu pedido, depois eu peço.

— Eu pago, Jensen.

— Nem pensar, eu tenho dinheiro aqui.

— Foda-se, eu pago.

— Mas...

— Eu sou um cavalheiro, beleza? Deixe-me torrar minha mesada em lanches noturnos para garotas que mal conheço.

— Blake, eu já disse que...

— Cale a boca e deixe o menino bonito pagar — a atendente bufou, impaciente. — Já viram o tamanho da fila? Além do mais, aproveite enquanto eles pagam, menina. Porque depois que você ficar velha e feia, quero ver quem vai pagar o seu sanduíche.

— Hã... Obrigada?

— Agradeça-me fazendo o seu pedido.

— Uma salada. Batata média. Coca pequena. E... Hm... Uma maçã.

— Jensen, você não precisa jejuar só porque eu vou pagar.

— É que eu... sou vegetariana.

A atendente riu.

— Era só o que me faltava — Blake suspirou. — Escuta, moça, dá para fazer o Mc Chicken... Sem o frango?

— Está tirando uma com a minha cara, moleque?

— Hã... Não, senhora.

— É fácil — Fawn sorriu. — Pãão... Queeeijo... Salaaada... Pão. Entendeu?

— E esqueça a maçã — disse Blake. — As maçãs daqui são caras, pequenas e ruins. Descobri isso no Mc Lanche Feliz do meu irmão. Ele ficou com o brinquedo e eu ainda tive que engolir aquela merda de fruta.

Ele entregou o dinheiro e a atendente imprimiu o comprovante de pagamento.

— Sumam da minha frente, pelo amor de Deus. E vocês vão pagar pelo frango mesmo assim!

Blake e Fawn se entreolharam e riram. Então foram para a fila de retirada.

* * *

— Moça, eu pedi sem frango — Fawn estendeu-lhe seu Mc Chicken.

A atendente bufou.

— Inferno — e então abriu o sanduíche, jogou o hambúrguer para trás (caiu em algum lugar da cozinha) e fechou de novo.

— Pronto, fresca.

— Você... lavou suas mãos?

— Moleque, tire a sua namorada daqui antes que eu jogue carne nela.

— Ela não é minha namorada.

— Sorte a sua.

Blake revirou os olhos e empurrou Fawn até a mesa. Eles começaram a comer.

— E então... Como está seu pão com queijo e salada que custou mais do que um quilo de pão, queijo e salada do Wal Mart?

— Bom — ela sorriu. Tinha um pequeno alface no canto do lábio. Ela mantinha os olhos fixos no hambúrguer dele.

— Por favor, não comece um discurso do GreenPeace.

— Nem passou pela minha cabeça — ela mentiu, rindo.

Quando eles estavam voltando para o carro, Fawn comentou:

— Eu odeio sair à noite.

— Por quê?

— Porque nunca quero voltar para casa. Dá vontade de viver uma aventura louca ou sei lá. — ela abriu a porta do carro.

— Bem, vamos logo para casa.

— Espere. Você vai estar muito encrencada quando chegar, não vai?

— Bem... Sim.

— Então vamos fazer essa noite valer a pena, colega — ele entrou no carro.

— Aonde vamos?

Ele deu partida.

— Sei lá. Tem algum lugar que queira ir?

— Bem... Tem um... Mas ele fecha à noite.

Blake sorriu, acelerando o carro.

— Melhor ainda.

Ligou o rádio. Um rock dos anos 70 começou a tocar, e ele se surpreendeu quando Fawn começou a cantar junto.

— Carry on my wayward son... There'll be peace when you are done... Lay your weary head to rest...

Eles se entreolharam por um momento.

— DON'T YOU CRY NO MORE! — berraram juntos.

Blake aumentou o volume e eles continuaram cantando. Por fim, chegaram ao Miller Park.

— Dizem que tem um grupo de caras que invade o parque toda sexta-feira à noite para assombrar casais que vem trepar aqui depois que fecha — ela abriu um sorriso maníaco.

— Hã... E o que estamos fazendo aqui?

— Primeiro, eu quero saber se é verdade. Segundo, quero encontrar esses caras.

— Vamos assustá-los ou ajudá-los a assustar?

— Não sei bem.

— Fawn, não sei se é uma boa id...

— Ah, qual é, Diggory! Vai me dizer que está com medo?

— Claro que não.

— Cassidy sempre disse que você era medroso.

Blake ergueu uma sobrancelha.

— Disse, é?

— Um ratinho assustado, ela descrevia — Fawn abriu um sorriso desafiador. — Eu vou, com ou sem você.

— Então vai.

— Vai mesmo me deixar sozinha na floresta... no escuro?

Blake fitou aqueles olhos grandes pidões por um minuto.

— Maldito seja meu coração mole — ele bufou e a arrastou pelo pulso. Rodearam um pouco as laterais do parque, até encontrar uma parte da grade que era mais baixa. E então pularam.

— Segure minha mão — pediu ela. — Eles têm que acreditar que somos um casal.

Blake riu.

— Certamente não é assim que eu imaginava essa noite.

Eles caminharam por alguns minutos. Nada.

— Acho que eles estão esperando que façamos algo a mais — sussurrou Blake.

— Certo, isso não vai acontecer. Ideias?

— Talvez eles... Sabe... Não existam.

Ela bufou.

— Sua fé é admirável.

— Hã... Fawn...

— Sim?

— Lembra daquela Coca enorme que eu tomei? Ela quer ir embora.

— Agora?!

— É, agora, Jensen.

— Bem... Tem um monte de mato para lá — ela apontou. — Um lugar bem longe de mim, pelo amor de Deus.

Blake riu e correu para a floresta. Estava calmamente... Hum... Fazendo o que tinha que fazer quando olhou para o lado e viu algo em cima de uma árvore. Não, não algo. Alguém. Dois caras vestidos totalmente de preto.

O que ele fez a seguir foi a coisa mais máscula em que pôde pensar. Ele gritou.

Fechou o zíper da calça e correu até Fawn.

— Fawn, eu achei! Achei!

A garota nem fez perguntas, só saiu correndo atrás dele. Claro que, quando eles chegaram no ponto onde Blake achava que vira pessoas, não tinha mais ninguém. Eles bufaram e voltaram para a trilha.

— Tem certeza de que viu uma pessoa?

Foi quando um barulho veio de um arbusto próximo.