As Fitas da Retaliação

13 Capítulo 13 - Diga Tchau, Fawn


Notas iniciais
I'm back o/

"Our anticipation

And our bad behaving

It's like we learned our lesson

But conveniently forgot the rules"

— Girls And Boys In School, Neon Trees

Qualquer coisa era uma ideia bem complexa.

FawnForPresident diz: ...

FawnForPresident diz: Sim.

Cacheesedy diz: Tudo bem. Pare de falar com o Blake.

FawnForPresident diz: Só isso?

Cacheesedy diz: Sim. Você não pode ter nós dois. Escolha um lado e me avise.

Cacheesedy está offline

Fawn saiu de casa determinada a acabar tudo com Blake. De verdade. Do jeito definitivo. Para sempre. Ela teria sua melhor amiga de volta, e mal podia acreditar que seria tão fácil.

Talvez não tão fácil assim, ela pensou quando suas pernas fraquejaram com um mero sorriso de Blake para ela.

— Precisamos conversar — disse ela baixinho, evitando olhar para ele.

— Achei que nunca fosse pedir.

Blake arrastou-a até uma das salas de aula que ficavam vazias até o início do primeiro período. O professor de Matemática sempre chegava em cima da hora. Fawn se sentou na mesa, para não correr o risco de suas pernas a decepcionarem novamente.

— Eu não sei como dizer isso — ela suspirou, hesitante.

— Tudo bem. Eu começo — ele fitou-a, os olhos verdes reluzindo. — Eu quero ficar com você. O tempo todo. Eu passo cada minuto do dia pensando em como aquele minuto seria muito melhor se eu tivesse você comigo. Se eu pudesse te ligar e passar horas falando besteira, só para ouvir sua risada rouca do outro lado da linha. Eu e você... Nós somos tudo, Fawn. E eu...

Ela engoliu em seco.

— Não diga. Por favor.

— E por que não?

Fawn pensou por um momento. O que ela poderia dizer que o faria pirar a ponto de não querer mais nada com ela?

Uma ideia brotou em sua mente.

— Eu não tenho sido completamente honesta com você quanto a um assunto — ela pegou a própria bolsa e começou a procurar. — Lembra-se de quando eu disse que tinha passado por uns tempos turbulentos nos últimos meses?

— Lembro.

— Então. Lembra-se do garoto que se matou de overdose? David Coleman?

— O ex-quaterback. Lembro. Um dos melhores caras que eu já conheci. Me ofereceram o posto dele depois do incidente. Eu recusei. Só a ideia já... — Blake balançou a cabeça, ficando arrepiado. — De qualquer forma, o posto foi para o Hanks.

— É. Então. Eu e David meio que... estávamos saindo — ela fez uma pausa, recuperando o ar. Costumava ter crises que a impediam de respirar, e ela certamente não queria ter uma naquele momento. — Quando tacharam a morte como suicídio, eu pirei. Comecei a me culpar por tudo. Ficava repassando todas as conversas, e tudo o que eu poderia ter feito para impedir... E aquilo foi me consumindo. Eu agia normalmente perto das pessoas na maior parte do tempo, mas à noite era pior. Pesadelos, flashbacks... Foi horrível, Blake — ela fungou. — E eu nunca fui a pessoa mais mentalmente estável, então todo aquele trauma trouxe um monte de complicações... Érrr... Relacionadas a doenças.

— Doenças?

— Mentais. Doenças mentais — ela suspirou. — Tive suspeitas de depressão, esquizofrenia, bipolaridade...

— Suspeitas — ele ressaltou.

— Não estou dramatizando. Sério, eu tomava remédios — ela tirou os antidepressivos e antipsicóticos da bolsa. — Eu parei há algum tempo, mas ainda os mantenho na bolsa para caso eu tenha outra recaída. Ainda não estou bem, Blake.

— Tudo isso era para me fazer sair correndo? — ele fitou-a, se aproximando. — Porque agora é que eu não vou a lugar algum. As coisas estão melhorando para você, Fawn. Você é uma pessoa incrível, e eu amo cada detalhe seu. E se qualquer surto bipolar ou sei lá for parte de você, eu o amo também. Porque, se você não fosse exatamente desse jeito, não seria você. E ser você é a coisa mais incrível que qualquer um poderia ser.

Fawn escondeu um sorriso.

— Não é isso que uma garota espera quando diz a um cara que ela tem problemas no cérebro.

— Ei, e não somos todos loucos? Só que alguns são tachados e outros não. Por outro lado, a coisa toda de bipolaridade poderia explicar seu comportamento em relação a mim. Porque, sabe, ele fica indo de Eu odeio você para Eu gosto de você em questão de segundos.

— Bem, isso pode ser só a minha consciência. Acho que ela tem um botão de ligar e desligar.

— Nós homens chamamos isso de pensar com a cabeça de baixo — ele riu, dando de ombros.

Fawn ergueu uma sobrancelha.

— E com qual cabeça você está pensando enquanto me diz todas essas coisas?

Blake sorriu e envolveu-a com os braços.

— Eu seria um clichê se dissesse que estou pensando com o coração?

Ela permitiu-se sorrir também.

— E não somos todos grandes clichês?

— Puta merda, eu amo você — ele se inclinou e a beijou.

Certo, não era exatamente assim que ela imaginara essa conversa quando saiu de casa.

Consciência da Fawn: OFF

Blake levantou-a e a colocou na mesa do professor, enquanto ela entrelaçava suas pernas nele. As mãos dele acariciavam o cabelo dela, descendo por suas costas. Blake tirou a própria camiseta, e ajudou-a a tirar a dela também. Eles se deitaram na mesa enquanto ele beijava o pescoço de Fawn.

Foi quando a porta se escancarou. Fawn se assustou a ponto de cair da mesa.

— Diggory. Diretoria — o sr. Dorman disse, sem expressar nenhuma emoção. — Srta. Jensen, você também — completou quando Fawn se levantou.

E depois se virou, sem se voltar para ter certeza de que os dois alunos estavam seguindo-o. Blake certificou-se de que Fawn estava bem, e depois ofereceu-lhe a própria jaqueta de couro (por mais que estivesse apreciando a visão do sutiã dela). Ela vestiu-a e eles se encaminharam para a diretoria.

* * *

A diretora soltou um sermão de pelo menos trinta e cinco minutos, mas a cabeça de Fawn estava longe dali. Ela estava aflita com o que poderia ter acontecido se o sr. Dorman não tivesse chegado.

Meu Deus, íamos mesmo fazer ali?! Na verdade... Enfim, íamos mesmo fazer?!,pensou consigo mesma.

— Jensen, sua mãe está aqui — disse a coordenadora, entrando na sala. — Ela disse que assinou os papéis e já enviou.

Um surto de entendimento passou pelos olhos de Blake.

— Fawn, os papéis... Quer dizer, os papéis da...

Fawn engoliu em seco.

— Não vai dar para fugir dessa — ela se levantou e saiu da sala.

Quando Blake se levantou também, a diretora disse:

— Fique aí mesmo.

— Não, eu preciso... Preciso...

— Se der mais um passo, está suspenso.

Blake sequer hesitou. Só saiu andando atrás de Fawn.

— Dessa vez você passou demais dos limites! Eu entendo que você é adolescente e que o seu namorado se matou e que você tem transtorno bipolar ou sei lá o que, mas isso não justifica!

Blake quis arrebentar a cara da mãe de Fawn quando viu o olhar magoado no rosto da garota. Ela não deveria falar tão levianamente de coisas que machucavam tanto Fawn.

— Ele não era meu namorado! — Fawn protestou.

— Falei com a clínica. Você vai para lá. Agora. Vamos para casa e você vai fazer as malas.

— Por favor, não faça isso — Blake fitou a sra. Jensen, desesperado.

— E você é...?

— Ninguém importante. Por favor, deixe-a ficar.

— Blake. Deixe para lá — pediu Fawn.

— Eu não consigo, Jensen.

— Mãe, pode me dar um minuto para que eu possa me despedir de todo mundo?

— Não. Você perdeu esse direito do mesmo jeito que perdeu a sua camiseta. Onde ela está, falando nisso?!

— Hã...

— Vamos.

A mãe empurrou Fawn para fora e, quando Blake correu atrás, ela bateu a porta da secretaria na cara dele.

— Sr. Diggory, precisa vir pegar o papel da suspensão.

Blake se virou para a diretora.

— Se eu pegar, estou dispensado?

— Ainda tem aula hoje.

Ele tomou o papel da mão dela.

— É claro.

E então correu para fora da escola.

* * *

— Pegou tudo? — a mãe de Fawn encarou a filha. Fawn limpou os olhos marejados, assentindo. — Ótimo. Carro, agora. Eu já estou indo.

Fawn tinha de admitir que não esperava ver uma picape azul-marinho do outro lado da rua, com Blake sentado no capô.

— O que está fazendo aqui?! — ela gritou, se aproximando.

Blake a fitou, envolvendo-a pela cintura.

— Não vá.

— Eu não escolhi isso.

— Entra na picape, nós podemos...

— Fugir? — ela fungou. — Estou cansada de fugir, Blake. Tudo o que eu fiz foi bagunçar a sua vida. Você precisa de um tempo para refletir sem mim.

— Eu não quero.

— Não seja criança. Sabe que precisamos de um tempo para nos encontrarmos.

Blake se inclinou e beijou-a nos lábios.

— Você vai voltar para mim?

— Não planejo ficar lá por muito tempo. Mas não quero que fique pensando em mim.

Blake fitou-a por um minuto. Ela era uma bagunça de caos glorioso, e ele poderia pensar nela o dia todo e nunca se cansar.

— Eu amo você.

— Então não ame — ela desviou o olhar. — Eu vou quebrar o seu coração.

Ele se aproximou, abrindo um leve sorriso entretido.

— Talvez eu quebre o seu coração.

— Ninguém quebra o meu coração.

— Tem certeza? Porque eu sou muito bom nisso.

Fawn viu a mãe saindo de casa.

— Preciso ir — ela fitou-o. — Eu amo você. Me esqueça.

Blake ergueu uma sobrancelha.

— Talvez devesse mesmo tomar os remédios de bipolaridade.

Fawn abraçou-o bem forte e depois o beijou nos lábios.

— Eu falei sério.

— Eu também.

— Posso ficar com a jaqueta? — ela abraçou a jaqueta de couro de Blake, que ela ainda estava usando.

— Claro. Fica melhor em você, mesmo.

Com um último adeus silencioso, ela se afastou.

* * *

— Seja bem-vinda ao Salutem, Fawn — uma mulher morena vestida de branco sorriu para Fawn na entrada do lugar. — Eu sou Diana. Espero que se sinta confortável para falar comigo.

— O que é esse lugar?

— Apenas um lugar para pessoas muito especiais.

Fawn soltou um riso.

— Tudo bem. O que vocês acham que eu sou? Delinquente, louca ou doente?

— Não usamos rótulos aqui.

Certo, ela estava sendo gentil demais. Fawn descartou a possibilidade de estar cercada por foras da lei.

—... Vou pedir que Courtney, sua colega de quarto, lhe mostre o lugar.

— Fica cada vez melhor — Fawn murmurou.