As Filhas De Hefesto

2 I. A Minha Preferida


\"\"

– Então foguinho? – Gozou um dos filhos de Ares quando Cecília passou pelo Chalé 5

– Hoje pareces bastante inflamável! – Gozou outro enquanto ela tentava sair dali rapidamente.

Por mais que se esforçasse, aquele chalé em vermelho berrante completamente mal pintado e coberto de arame farpado não lhe era indiferente. Sem falar no maldito javali empalhado que a parecia seguir com os olhos para onde quer que fosse. Ao contrário do frequente barulho de ferro contra pedra do seu chalé, que a fazia sentir – se em casa o rock que se fazia ouvir sempre dentro do chalé de Ares era incomodativo ao ponto de a conseguir levar à loucura.

– Deixem – na em paz! – Soou uma voz familiar. – Não têm mais o que fazer?

– Leo! – Cecília correu ao seu encontro.

Não gostava de sair do seu chalé durante a noite, muito menos sozinha e para tão longe. Era medrosa e isso era um facto conhecido por todos, especialmente pelos filhos de Ares que se alegravam em zombar do seu medo.

– Onde foste? – Perguntou ele preocupado.

– A lado nenhum.

– Sabes que és uma péssima mentirosa. Pelo menos poderias ter pensado numa desculpa. Foste ao chalé 6, certo?

– Sim.

– Conheço – te demasiado bem. Vi que já tinhas terminado o outro livro. Mas porque não foste mais cedo buscar um novo?

– Andei demasiado ocupada durante todo o dia. Sabes que prefiro cuidar eu mesma da minha espada e escudo. E o Capture a Bandeira é já daqui a três dias.

– Sim, eu sei. Vamos. Está a ficar tarde.

Juntos foram até ao seu chalé. Leo não gostava que ela andasse por aí deambulando a coberto da noite. Preocupava – se demasiado com ela, mesmo sabendo que era uma preocupação desnecessária. Ela tinha chegado à colina bem antes dele, aliás, bem antes de qualquer um do seu chalé. Apesar de ter a sua idade, de cada vez que ela contava uma das suas memórias de infância, cada vez mais remotas, ele ficava com a impressão de ela ter nascido já ali. Ela nunca falara de uma vida fora do acampamento.

Cecília era muito mais poderosa do que qualquer um dos filhos de Hefesto. Incluindo ele. Era completamente imune ao fogo podendo manipula–lo para qualquer coisa. Ele detinha esses poderes, no entanto, não os sabia controlar, como ela. Mesmo assim era a sua irmã preferida além de melhor amiga.

Foi acordado dos seus pensamentos pelo bocejo e insistente esfregar de olhos dela.

– É melhor ires dormir.

– Está bem, deves ter razão.

– Claro que tenho. Vá lá Avalana, vamos para a cama.

– Pára de me chamar isso! – Ela riu. Ele era o único que a tratava assim e no fundo ela nem se importava.

Notas finais
já sabem , comentem. eu já vi que tinha leitores =)