As Faces da Magia
5 Destino marcado.
As ruas geralmente ficam desertas quando escurece, mas o caso era completamente diferente nos Estados Unidos. Às onze horas da noite — depois de um bom tempo passado tentando se acostumar com a movimentação —, a jovem Elizabeth já estava de volta às ruas com seu gato peludo nas mãos.— Fique frio, Roll. — Disse, olhando para o felino. De repente lembrou-se o quanto achava que falar com animais era idiotice e balançou a cabeça negativamente. — Você entendeu o sentido da questão. — Continuou, após ignorar o seu íntimo que gritava chamando-a de maluca — o que era bem verdade.Roll miou baixinho, colocando a cabeça para dentro do agasalho que estava sendo protegido.— Ei, calma. Estamos chegando ao metrô. Podemos dormir lá e... Bem, amanhã vemos o que podemos fazer. — Disse rindo. Sim, estava tentando tranqüilizar um gato enquanto os seus próprios nervos gritavam em protesto. Loucura? Talvez sim.
A loura rumou com passos apressados na direção da grande construção — que funcionava o metrô — e adentrou o mesmo, curvando-se para não ser reconhecida por guardas, que provavelmente a expulsaria apenas pelas roupas que trajava.O gato miou mais uma vez, dessa vez em um tom um tanto mais alto — por causa da mudança de sons —, o que provocou olhares curiosos em sua direção. — Cale-se, companheiro! — Murmurou para o gato, que estava tentando pular de seus braços.A garota lançou-se no meio da multidão, sem ao menos pensar nos acontecimentos ocorridos há pouco tempo atrás. Os sons de vozes eufóricas eram tão altos que poderiam ser comparados ao de um show de rock.Pessoas iam e vinham de todos os lados — a maioria voltando do trabalho —, sempre com os mesmos rostos cansados. Elizabeth nem precisou processar o pensamento para perceber que seria muito difícil achar alguém que pudesse servir de cobaia para seu plano. Suspirou, e jogou-se em um banco, onde ficou com Roll, estressada.— Não vamos sair daqui hoje. — Reclamou. — E não me olhe assim! — Gritou para o gato que a encarava. Algumas pessoas pararam para olhá-la com curiosidade, rindo ou fazendo piadas maldosas a respeito.— Sim, vocês vão.A garota pulou do banco, o que fez o gato saltar de seus braços e correr por entre suas pernas, com o rabo eriçado.Seus olhos percorreram toda a extensão do recinto, procurando o dono da tal voz.— Estou ficando louca. — Concluiu.— Não está. — Mas que mer...? — Ela parou no meio do palavrão, voltando a fitar o local movimentado.— Elizabeth, olhe para trás. — A voz voltou a pronunciar.O gato correu os olhos por todo o espaço, assim como a dona, totalmente desesperado.— Não, obrigada. Não estou com disposição de ter outro Seth-traidor na minha vida. — Disse calmamente. — Mas eu só sei de uma coisa agora... — E abaixou-se para pegar Roll, levando várias arranhadas em conseqüência. — Já estou de saída.A garota correu desesperada pelo metrô, ouvindo passos atrás dela, que cada vez se aproximavam mais e mais.Estava tão desembestada que esbarrou com uma velhinha, que a xingou de nomes que só eram conhecidos em outra década marota.— Desculpe! — Tentou gritar, mas as palavras ficaram presas em sua garganta, de alguma forma.Sua mente trabalhava completamente devagar, enquanto seus pés tentavam ultrapassar os limites de velocidade. Não sabia por que estava correndo tão desesperadamente de alguém assim, mas algo dentro do seu interior a dizia que aquele alguém era perigoso; era a escolha errada. Não sabia o motivo de cada célula em seu corpo trabalhar como se aquela corrida fosse sua última chance de vida... Não sabia exatamente o motivo de ter aceitado o medo e fugido como uma covarde. Essa não era Elizabeth Cox, definitivamente não era. Seus pés praticamente a guiaram para fora do ambiente, onde a garota deparou-se com uma rua deserta e mal iluminada. Roll mexeu-se em seus braços, incomodado.— Perdedora. — Uma voz gélida chegou aos seus ouvidos, sem ao menos ter um corpo para guiá-la até ali.Um raio de luz a atingiu nos olhos, o que a fez se curvar para baixo, deixando Roll pular para a calçada. Seus olhos encheram-se de lágrimas de dor, enquanto a falsa perda da visão a tomava por inteiro. Um grito agudo escapou de sua boca trêmula, então tudo aconteceu muito de repente.Um barulho veio ao longe da rua, e logo depois uma risada maléfica tomou todo o espaço. Elizabeth tentava guiar-se pelo escuro da sua mente, procurando uma calçada — ou pelo menos algo em que se segurar. Suas mãos só tocavam o vazio, o ar cortante e furioso que do nada surgia. Sem previsão, o tempo fechou, rugindo com um trovão mais alto que o outro. O gato correu para o sul da rua, na direção do barulho — talvez tentando impedir o acontecimento. Da direção que ele ia, um carro apareceu, com indícios de estar sendo dirigido por alguém bêbado, o que fazia o automóvel correr desgovernado. A garota ouviu os ruídos ensurdecedores do carro e do trovão, mas não pode distingui-los. A única coisa que sabia era que deveria correr contra o barulho. Elizabeth tropeçou nos próprios pés, urrando de dor ao sentir o perigo de aproximando. O carro continuou avançando, como se quem o conduzisse não tivesse visto nada — e poderia não ter visto —, até chegar bem perto da jovem que permanecia em uma tentativa cega de se recuperar. A luz do farol iluminou seu corpo, e Elizabeth percebeu o reflexo da mesma, tentando levantar mais uma vez. Por sorte, levantou-se rapidamente, mas a estadia durou por muito pouco tempo.
O automóvel continuou como se nada o impedisse, e partiu para cima.O corpo de Elizabeth Cox tombou para o lado — desmaiado ou desfalecido — com o baque do carro e foi parar em cima da calçada, onde permaneceu com um coração que pulsava de uma maneira lenta e dolorosa. A rua ficou silenciosa, e apenas dois seres permaneciam ali: um gato peludo e desesperado e uma garota calada, estendida no chão e inconsciente.Estaria naquele momento o início da aventura estar começando? Ou ela terminaria ali? Caberia ao destino, e ao organismo da jovem decidir. Elizabeth Cox agora era a garota do destino marcado, só não sabiam ser era marcado por qual ser ou motivo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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