As Faces da Lei

1 O homícidio de uma inocente


Notas iniciais
Detective Scott Allen pov

Angel Pine.

O nome desta cidade engana… há de tudo nesta cidade menos anjos e pinheiros. Caminho pelo passeio de uma das vias mais sombrias e mal frequentadas desta maldita cidade. Ouço as sirenes da polícia à distância enquanto passo pelos edifícios degradados e vandalizados deste bairro de lata. As luzes das sirenes da polícia indicam-me que estou a chegar ao local do crime. Não preciso sequer lá chegar para saber do que se trata. Segunda criança assassinada esta semana.

Atravesso o perímetro montado pelos outros polícias e entro naquele beco fétido e escuro. Vários corpos estão no chão a ressacar da sua última dose de droga.

- Detective. Aqui.

Sigo o meu colega de profissão até ao pequeno corpo desfeito de Cindy Sanders. Ele começa a relatar-me os pormenores mas deixo de o ouvir. A raiva invade a minha mente… fico absorto em meus pensamentos. Apenas nove anos de idade… pela fotografia que os pais me deram para a investigação consigo traçar facilmente o seu perfil. Os olhos dela demonstravam a sua doçura e inocência. Ela era linda e era, também, a alegria do lar onde vivia. Mas agora, era apenas restos de um corpo retalhado. Por baixo do pano banco dos paramédicos vejo dedinhos dela… tão pequenos…

- Levem-na para a funerária.

- Quê? Mas detective…

Nesse momento deixo-me levar pela frustração e levanto a voz.

- JÁ SABEMOS PERFEITAMENTE QUEM É O AUTOR DESTA ATROCIDADE! E, COMO SEMPRE, NÃO VAMOS ENCONTRAR NADA! NADA!

Os polícias presentes fitam-me simultaneamente com os seus olhares. Afasto-me dali com a respiração a tornar-se ofegante. Quando paro noto que o meu corpo bem estruturado está todo a tremer. 17 Crianças mortas e possivelmente violadas em apenas dois meses. Dois malditos meses. Que criatura é capaz de fazer algo assim? Em quase 20 anos nesta cidade já tinha visto de tudo mas nunca algo assim… Puxo de um cigarro, acendo-o e começo a fumar enquanto volto para o meu carro, um Escort cinzento. Entro no carro, fecho a porta e recosto-me no assento. Olho para o meu rosto reflectido no retrovisor. O meu cabelo castanho-escuro cai sobre a minha testa até quase tapar os meus olhos azuis com olhar vago. Nota-se a sombra da barba por fazer no meu rosto. Estou com um aspecto péssimo… há mais de 10 anos que não tenho uma noite de sono tranquila… todas as noites tenho um novo pesadelo. Ultimamente, sobre crianças. Faz sentido já que, mais uma vez, não consigo salvar a criança… Devia acalmar-me e não levar isto de forma tão pessoal uma vez que estou prestes a ser substituído no meu posto. O novo tipo chega hoje. Tudo aquilo em que deveria estar a pensar era em ensinar as regras básicas desta cidade ao novo tipo e garantir-me que ele seria capaz de desempenhar o trabalho. E, depois disso ir embora e tentar encontrar a paz interior após anos de vida conjunta com o Inferno na Terra. É isso que esta cidade é. Os seus fundadores queriam que fosse um marco neste país; um símbolo da paz. Pois bem, eles devem estar às voltas na tumba por esta hora.

Ligo o carro e começo a dirigir de volta para a esquadra. Não… isto não acabou ainda. Não deixarei este caso para um qualquer… não. Este é meu. Se fosse um assassino em série de pessoas adultas já pouco me importaria… mas este tipo… é um assassino de crianças. Ele é meu… não descansarei enquanto não o encontrar… e me garantir que ele tem o castigo que merece. Ou eu não me chamo Scott Allen, detective da secção de Homicídios de Angel Pine.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.