As Férias Da Vida De Marlene McKinnon
2 Surpresa e Despedidas
Notas iniciais
POV Lily:
O filme foi muito lindo, eu chorei na maior parte do tempo, não sei por quê. Hoje eu estou sentimental, e não sei por que de novo. Ah, nem eu me entendo! Bem, a Lene dormiu na maior parte do tempo. O filme era muito lindo! Isso quer dizer muita coisa já que eu não gosto muito de romance. Sou sangue-frio, eu acho. É. Eu acho. Levantei-me e ia saindo pela porta do cinema para encontrar o Spencer quando me dei conta de que a Lene não estava do meu lado. Ela estava dormindo na cadeira do cinema. E aí meu lado maldoso agiu. Acho que meu sorriso apareceu na mesma hora. Só faltava eu dar aquela gargalhada maléfica. Saí do cinema e tentei me apressar, porque, se os seguranças a vissem ali, iam a tirar e eu ia perder a chance de fazer uma maldade bem-feita. Vi o Spencer parado na frente da porta do cinema com cara de preocupado. Fui até ele.
– onde está a Lene? – perguntou com voz esganiçada.
– eu quero fazer uma maldade, por isso não me interrompa nem atrapalhe só me ajude. – eu disse com certa grosseria.
Fomos andando até a sala 13, que era a que tínhamos visto o filme. Peguei o resto da pipoca que tinha sobrado e dei um punhado para o Spencer.
– que dia...
– cale a boca, vai acordar ela! – eu o interrompi. Joguei uma pipoca na cara dela e ela nem sequer se mexeu. O Spencer fez a mesma cara maldosa quando entendeu o que era pra fazer, afinal, quem não gosta de irritar os irmãos? Eu ri da cara maléfica dele e ele jogou uma pipoca. Depois de tantas tentativas, ela continuou sem se mexer. Aí eu decidi partir para a agressão: joguei a pipoca com força na testa dela e ela bateu a mão na cara como que para espantar um inseto. Rimos com aquilo, pois estava dando certo. Um lampejo de ideia me percorreu como um raio.
– Spencer, vem aqui! – sussurrei o puxando pela mão. O levei para a lojinha e perguntei que horas era a próxima sessão naquela sala. Só seria às seis e meia. Tínhamos vinte minutos. Comprei chantilly na barraquinha de pipoca e saí correndo para a sala. Chegando lá, apanhei o saco de pipoca e nos pus em ação. O Spencer espirrou bastante chantilly na mão direita dela e eu peguei uma pipoca e o Spencer pegou outra. Contei três e nós dois jogamos a pipoca no mesmo ponto no nariz dela. Aí chegara a parte boa. Ela levantou a mão direita e passou na cara naquele mesmo movimento de espantar o inseto. Eu e o Spencer caímos no chão de rir silenciosamente. Infelizmente, enquanto estávamos rindo, a Lene acordou e nos viu ali.
– o-o-oi, L-le-ne. – soluçou de rir o Spencer.
– por que estão rindo? – Perguntou Lene com cara de confusa.
– porque um cara que acabou de sair da sala estava todo melado de chantilly. – eu disse e eu e o Spencer rimos ainda mais.
– ah, tá. Vamos embora. Onde vamos lanchar?
– que tal no McDonald’s? – perguntou Spencer.
– O.K. – eu disse.
Fomos para o McDonald’s e nos sentamos em uma mesa no canto da praça de alimentação.
– Lene, tem uma coisa no seu nariz – eu disse, pois já estava com pena dela de sair do cinema assim. Ela passou a mão pela cara, viu o chantilly e me olhou com incredulidade enquanto eu e o Spencer nos segurávamos para não rir.
– você. – ela disse me fuzilando com os olhos e começou a me bater. E aí que eu vi. Eu vi e comecei a tentar parar a Lene para dizê-la.
– Lene! Lene! Olha! Você tem que olhar! – eu gritei.
Ela finalmente parou e me encarou confusa.
– ali! – e agora sussurrei. – A Dorcas e o Remus!
A Dorcas é uma amiga nossa do nosso ano na escola. O Remus é do grupinho do Potter e do Black, mas ele é nerd como eu e um dos meus melhores amigos. Ele não fica fazendo trapalhadas e idiotices como eles. O grupinho deles tem quatro pessoas: O Potter (blargh!), o Black (também blargh), o Remus e o Pedro, que é o capacho deles. A Dorcas é nossa amiga, mas não tão assídua como eu com a Marlene, mas é só por causa de que a minha mãe é amiga da mãe da dela. Olhamos para o lado (até o Spencer, que também conhecia eles de trabalhos escolares na casa da Lene) e tivemos a visão mais fofa da nossa vida: eles estavam se beijando. A escola inteira sempre esperou que eles ficassem juntos e, do nada, nós os vemos se agarrando. Tá, eles não estavam se agarrando, estavam se beijando delicadamente como se fosse o primeiro beijo da vida deles. E talvez fosse. Era até mais fofo que o filme dos guarda-chuvas. E, a Lene, com o bom-senso dela, disse:
– óia! A Dorcas pegou o Remus.
– a Dorcas é uma pessoa pura, ao contrário de você, Marlene – disse o Spencer.
– é, é que eu puxei a certa pessoa – disse ela encarando o irmão.
– eeeeuu? Eu sou um santo!
– eiii! Parem de brigar e prestem atenção! Ela não pegou ele, ela é fofa!
Eles se separaram e a Lene foi lá.
– oi Dorcas! Remus!
– oi! – os dois disseram em uníssono.
– venham se sentar com a gente!
– tá.
Eles vieram se sentaram na nossa mesa e eu fui, depois de um papo furado interrompido por lanche que o Spencer trouxe, direto ao ponto:
– e aí. Estão juntos?
– hã? – perguntou a Dorcas confusa. O Remus permaneceu natural.
– nós vimos vocês se beijando. – disse indelicadamente a Marlene.
– gente. – sussurrou Dorcas – tá, não vamos mentir. Começamos hoje. Estávamos vendo um filme chamado “Os Guarda-Chuvas do Amor”.
– Nós também vimos esse filme! — respondi surpresa, como não os vimos? Atrapalhando meus pensamentos a Marlene disse:
– Vocês começaram a se agarrar lá? – a Dorcas corou tanto que parecia um tomate. (sinceramente Lene você quer MATAR a Dorcas de vergonha?).
– Não Marlene, depois do filme resolvemos lanchar e eu pedi a Dorcas em namoro – disse Remus tranquilo. Depois de lancharmos, conversamos mais um pouco e resolvemos ir embora, porque de manhã tínhamos que estar às 6 horas da manhã no aeroporto.
POV Lene:
Lily foi dormir na minha casa, eu ainda estava com um pouco de raiva dela depois do que ela e o Spencer fizeram comigo no cinema, mas esqueci rápido. Nós fizemos nossas malas e fomos dormir. Acordei com a Lily dizendo: — Acorda Lene, já são 05h40min da manhã! — quando na verdade ainda eram 04h30min. Me levantei sem pressa, tomei banho e coloquei a roupa que estava separada para a viagem. Desci para o café da manhã com uma Lily com olhos arregalados que pareciam dois raios daqueles raios laser verdes e que, com a luz da cozinha em cima da cabeça dela, parecia um monstro de pelos vermelhos e olhos de laser. O Spencer estava fazendo omeletes. Comemos rápido e fomos ao aeroporto. Chegando lá, encontramos o Remus, a Dorcas, uma amiga nossa chamada Alice e o namorado dela, o Frank Longbottom, o pai e a mãe da Lily. A Petúnia, é claro, não veio. Eles tinham feito uma “despedida surpresa” para nós. Quando chegou a hora de embarcar, eu e a Lene nos despedimos de todos e entramos no avião. A Lily sentou do lado da janela, porque era a minha primeira viagem e, eu não queria dizer, estava com medo de altura.
– essa viagem vai ser inesquecível. – eu disse olhando para ela com seu fone de ouvido rosa.
– é. Vai. – disse ela com certa hesitação.
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