Juçaral.

Enfim Maria Elsa podia ler o jornal sem censuras, a ossada de Segismundo havia sido identificada mediante um exame na sua arcada dentária, dois após o resultado do exame seria o funeral, ela respirou fundo ao ler aquilo, pois deveria estar preparada para se despedir do seu amor da juventude.

As lágrimas rolavam por sua face, ela havia amado Segismundo desmedidamente e ambos foram punidos por esse sentimento, ele enquanto camponês que lutava por melhores condições de vida no campo foi entregue à repressão e torturado até a morte.

Matias estacionava o carro na frente da casa de Maria Elsa, ele estava indo visitá-la após receber uma ligação na noite anterior; ela se encontrava na sala tomando uma xícara de chá de cidreira, usava uma calça de alfaiataria preta e uma blusa branca.

—Oi. Diz ele se aproximando do local onde ela estava.

— Matias, me desculpe pela hora e pela forma que eu te liguei ontem, já passava das 22:00 horas…

— Sem problemas, eu ainda não havia me recolhido.

— Eu estou desconfiada da jornalista que você atendeu no PSF outro dia. Confessa ela.

— Rosa Svetlana?

— Sim, ela esteve aqui, pois está cobrindo o caso da morte da minha mãe, depois que terminamos a entrevista, conversamos e ela me disse que nasceu em Recife no dia 02 de outubro de 1985.

— Maria Elsa, eu não quero ser deasgradavel, mas milhares de crianças nasceram em Recife nesse dia.

— Ela foi dada para adoção, assim como o meu bebê.

— Isso muda tudo, quando ela foi adotada?

— Dezembro de 1986.

— No dia que você quiser, eu lhe levo até o arquivo da cúria e você pode procurar mais informações.

—Semana que vem tá bom pra você?

— Sim. Diz ele alisando o rosto dela.

— Obrigada Matias. Diz ela com um olhar agradecido.

— De nada, eu preciso ir. Diz ele dando um beijo na bochecha dela.

Escondido no canavial, Josefo observava o movimento da casa de sua ex mulher, com o binóculo viu quando Matias beijou Maria Elsa, o que lhe incomodou bastante, afinal ele tinha por ela um sentimento de posse e a via com um bem a mais do patrimônio de seu sogro.

Cemitério São Sebastião, funeral de Segismundo Oliveira.

Haviam algumas pessoas reunidas para o último adeus a Segismundo Oliveira, seus parentes estavam presentes, os companheiros de luta e uns poucos conhecidos, Maria Elsa chegou no local com um pequeno buquê de copos de leite, as pessoas a olhavam com reprovação.

Rosa Svetlana também estava presente para a cobertura do sepultamento da primeira das 35 pessoas que foram enterradas na vala comum em Moreno.

—O que a filha do coronel da usina tá fazendo aqui? As pessoas comentavam entre si.

— Não sabia que você conhecia o Segismundo. Diz Rosa a Maria Elsa que fica em silêncio.

— Foi o pai dela que fez isso com meu irmão, Não sei o que esta mulher faz aqui? Grita o irmão de Segismundo.

— Eu amei muito o seu irmão. Afirma Maria Elsa chorando.

— Amou tanto que o enviou à morte.

Rosa ampara Maria Elsa nesse momento difícil.