As Eras do Amor
14 Despedidas
Juçaral.
Enfim Maria Elsa podia ler o jornal sem censuras, a ossada de Segismundo havia sido identificada mediante um exame na sua arcada dentária, dois após o resultado do exame seria o funeral, ela respirou fundo ao ler aquilo, pois deveria estar preparada para se despedir do seu amor da juventude.
As lágrimas rolavam por sua face, ela havia amado Segismundo desmedidamente e ambos foram punidos por esse sentimento, ele enquanto camponês que lutava por melhores condições de vida no campo foi entregue à repressão e torturado até a morte.
Matias estacionava o carro na frente da casa de Maria Elsa, ele estava indo visitá-la após receber uma ligação na noite anterior; ela se encontrava na sala tomando uma xícara de chá de cidreira, usava uma calça de alfaiataria preta e uma blusa branca.
—Oi. Diz ele se aproximando do local onde ela estava.
— Matias, me desculpe pela hora e pela forma que eu te liguei ontem, já passava das 22:00 horas…
— Sem problemas, eu ainda não havia me recolhido.
— Eu estou desconfiada da jornalista que você atendeu no PSF outro dia. Confessa ela.
— Rosa Svetlana?
— Sim, ela esteve aqui, pois está cobrindo o caso da morte da minha mãe, depois que terminamos a entrevista, conversamos e ela me disse que nasceu em Recife no dia 02 de outubro de 1985.
— Maria Elsa, eu não quero ser deasgradavel, mas milhares de crianças nasceram em Recife nesse dia.
— Ela foi dada para adoção, assim como o meu bebê.
— Isso muda tudo, quando ela foi adotada?
— Dezembro de 1986.
— No dia que você quiser, eu lhe levo até o arquivo da cúria e você pode procurar mais informações.
—Semana que vem tá bom pra você?
— Sim. Diz ele alisando o rosto dela.
— Obrigada Matias. Diz ela com um olhar agradecido.
— De nada, eu preciso ir. Diz ele dando um beijo na bochecha dela.
Escondido no canavial, Josefo observava o movimento da casa de sua ex mulher, com o binóculo viu quando Matias beijou Maria Elsa, o que lhe incomodou bastante, afinal ele tinha por ela um sentimento de posse e a via com um bem a mais do patrimônio de seu sogro.
Cemitério São Sebastião, funeral de Segismundo Oliveira.
Haviam algumas pessoas reunidas para o último adeus a Segismundo Oliveira, seus parentes estavam presentes, os companheiros de luta e uns poucos conhecidos, Maria Elsa chegou no local com um pequeno buquê de copos de leite, as pessoas a olhavam com reprovação.
Rosa Svetlana também estava presente para a cobertura do sepultamento da primeira das 35 pessoas que foram enterradas na vala comum em Moreno.
—O que a filha do coronel da usina tá fazendo aqui? As pessoas comentavam entre si.
— Não sabia que você conhecia o Segismundo. Diz Rosa a Maria Elsa que fica em silêncio.
— Foi o pai dela que fez isso com meu irmão, Não sei o que esta mulher faz aqui? Grita o irmão de Segismundo.
— Eu amei muito o seu irmão. Afirma Maria Elsa chorando.
— Amou tanto que o enviou à morte.
Rosa ampara Maria Elsa nesse momento difícil.
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