As Duas Semideusas
4 Bonnie
POV — Bonnie
Em um momento eu e Emma estávamos correndo, no outro ela cai e desmaia e depois, só para completar, ela abre um buraco no chão e nos salva. Estranho? Sim, claro, ou com certeza?
Piorando tudinho, estávamos perdidas no meio de um labirinto que não deveríamos nem se quer ter entrado, eu quero dizer, que garotas de 15 anos entram em um labirinto, na sua escola quando não tem ninguém lá? Eu acho que gente normal não faria isso e quando eu digo normal, é normal mesmo, nós definitivamente não éramos normais, mas isso você entende daqui a pouco.
Enfim, perdidas, com fome, com sede.
- Bonnie, vamos por esse caminho. — falou de forma decidida, como se eu não tivesse nem chance de discutir.
Parecia que sabia para onde estava nos levando. E eu esperava que soubesse mesmo, já estava ficando brava por causa daquela situação, eu queria voltar para a minha casa e encontrar logo o meu namorado, Alex, para jantar.
Andamos o que pareceram ser horas, até que encontramos um homem, realmente estranho, ele possuía duas faces, que estavam, coincidentemente, se opondo uma a outra:
- Eu avisei que devia ter enganado aquele filho de Poseidon — disse uma das cabeças.
- Claro que não, ele salvou o mundo — falou a outra.
Até que viram que estávamos lá:
- Errr... Oi, quem são vocês?
- Sou Jano, senhor dos portões — afirmaram as duas cabeças, simultaneamente.
- O que temos aqui? — (cabeça da direita) — Duas semideusas, hmm...
De novo essa história de "semideusa", eu já estava irritada.
- Adoro esse trabalho — (cabeça da esquerda) — Vamos lá, Bonnie, escolha um desses dois caminhos.
Logo apareceram duas portas, igualmente assustadoras.
- É a da direita — afirmou uma cabeça.
- Não, é a da esquerda — descordou a outra.
E ficaram nessa discussão até que eu dei um basta naquilo.
- E então, Jano, qual dos caminhos é o ideal a nós?
- B-b-b-onnie, seus olhos estão mudando de cor...
Eu estava quase que hipnotizando ambas as cabeças, não sei como. Por fim, as duas disseram que o caminho ideal seria o da direita. Mas o ideal, não o que nós queríamos, mas isso você entende daqui a pouco.
Uma cabeça deu um tapa na outra:
- ELA NOS ENGANOU, SEU IDIOTA.
- NÃO, ELA TE ENGANOU.
Seguimos, ignorando a discussão, seguimos e seguimos ainda mais, Emma nos guiou a maior parte do tempo, ela parecia conhecer o subterrâneo melhor do que qualquer um.
Com o nosso silêncio, pude ouvir passos, que ficavam cada vez mais perto, eram pesados e pareciam tensos. Não esperamos para ver quem era, só corremos e depois de um tempo, entramos em uma porta.
Essa porta nos colocou em uma floresta — que realmente não era em nosso bairro — acho que nem no Central Park tinham tantas árvores, parecia algo natural.
Andamos até um lugar onde haviam várias pequenas casas em forma de "U", perto delas, uma grande casa, que foi onde entramos.
Observamos uma série de adolescentes com camisetas laranja, que ficaram nos medindo dos pés a cabeça, com olhos completamente fixos em nós.
Um centauro, sim, aquele cara da mitologia, metade cavalo e metade humano, ficamos observando sem dar uma palavra. Ele nos apontou uma sala, que foi para onde nos dirigimos:
- Quem são vocês?
- Bonnie e Emma — expliquei.
- Como chegaram aqui?
Expliquei sobre toda a história do labirinto, do "truque" de Emma, de termos nos perdido, de Jano e todo o resto.
- Pelo menos vocês conseguiram chegar sozinhas com vida aqui, não é assim com a maioria dos semideuses. Vocês são realmente muito poderosas. — falou o centauro — Eu sou Quíron, diretor de atividades do acampamento.
- Acampamento? Mas que acampamento é esse? — perguntou Emma e mudando o tom de voz disse — QUE HISTÓRIA DE SEMIDEUS É ESSA? JÁ É A TERCEIRA VEZ HOJE, EU NÃO AGUENTO MAIS.
- Acampamento Meio-Sangue, fica em Long Island, é um acampamento para os filhos de deuses com mortais, por isso semideuses, aqui é um lugar onde estes treinam para batalhas.
Um outro homem entrou na sala, Quíron sussurrou tudo que foi dito antes para ele, que levantou uma sombrancelha e fitou-nos.
- Chegaram sozinhas? Hum... Sou o Sr. D.
- Sr. D?
- Sim, Dioniso, o deus, sabe, Emily?
- É Emma! — falou, revirando os olhos.
- Tá, tá, tá, tanto faz.
Ele nos levou para o refeitório, para almoçar e depois conversar com Quíron novamente e ele nos explicar toda essa história de novo.
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