Sirlei ficou com o coração em mãos enquanto olhava o avião de Marcela decolar rumo ao Brasil, ela sabia que Marcela ficava enquanto quem partia rumo ao Brasil era Mariana, a nova identidade de Marcela, a mulher que vingaria Marcela e sua família.

Marcela ao se tornar Mariana, havia pesquisado toda a vida de Beatriz, desde a hora em que ficou viúva, e para sua sorte, Beatriz era uma mulher extremamente extravagante. Seu relacionamento com Renato, o casamento, a construtora que ela havia montado e que estava cada vez maior e justamento por isso ela havia se formado em engenharia civil e se aplicou ao máximo para ter ótimas notas e um currículo ótimo e faria tudo para entrar na empresa.

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— e aí, como foi na entrevista? — perguntou Camila sorridente para a nova colega de apartamento.

— é emprego é meu! — disse Marcela sorrindo – eles não tiveram como recusar, pra mina sorte!

— eu falei, na hora que peguei o seu currículo eu falei que seria seu o trabalho, você é exatamente o que o pessoal da empresa está procurando, e ainda indo com indicação minha que trabalho lá a tanto tempo, o pessoal do RH adorou – Camila estava feliz em ter ajudado a amiga. Embora as duas tenham se conhecido a poucos meses e só haviam conversado pela internet até então, mas sentia uma confiança enorme com ela.

Até então, estava dando tudo certo, Marcela havia conseguido emprego na empresa de Beatriz e seu plano era se implantar na vida dela para fazê-la perder tudo, porém ela sabia que Beatriz era uma mulher extremamente inteligente e cada passo teria que ser cautelosamente analisado. Embora ela houvesse passado por várias mudanças físicas, inclusive feitas por meio de cirurgias plásticas, mas ela estava ciente dos perigos que corria.

Tendo tudo isso em mente, o ódio e o medo que tinha de Beatriz, ela sabia que seria uma noite difícil, pois ela estava a menos de dez horas de reencontrar a mulher que havia destruído sua vida.

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Eram oito horas da manhã quando Marcela e os outros dois engenheiros que haviam sido contratados junto com ela estavam sentados na sala de reuniões quando a porta abriu e entraram duas mulheres. Uma loira baixinha e uma mulher negra que chamava a atenção por sua beleza estonteante que se apresentaram como Lígia e Rebeca, as secretárias de Beatriz, ela estavam começando uma conversa, apresentando a empresa, o funcionamento dela, detalhes práticos sobre salários, horários e demais benefícios aos quais os novos empregados teriam acesso e depois de mais de quarenta minutos depois, a porta abriu novamente e entrou ela, finalmente Beatriz chegou a reunião. Ela usava um vestido vermelho deixando em evidência seu lindo corpo, maravilhosamente bem conservado para sua idade. Seus cabelos, outrora compridos, agora estavam em um corte Chanel preto, um tom de preto que combinava perfeitamente com seus lindos olhos azuis. Ela entrou sorridente e radiante na sala, com um jeito cativante que deixou todos alegres, exceto Marcela, ela ficou em choque. Quando ela fixou os olhos em Beatriz, ela ficou paralisada.

sua demônia, eu vou fazer o teu pai te trancafiar em um internato longe daqui e você nunca mais vai chegar perto da gente!” dizia a voz na cabeça de Marcela, fazendo-a viajar para o passado, lembrando dos momentos horríveis que havia passado perto daquela mulher.

— olá? — a voz de uma das assessoras de Beatriz trouxe Marcela de volta ao momento – está tudo bem querida?

— a claro, desculpe – Marcela viu os demais levantados e levantou-se também para cumprimentar Beatriz.

— então pessoal, essa é Beatriz Delaôr, a dona da empresa – disse a outra assessora – Beatriz esses são Ricardo, Pedro e Mariana, os novos engenheiros contratados da empresa.

— eu vi os currículos de vocês e os achei ótimos, principalmente o seu Mariana, além de ser o mais extenso ainda tem formação no exterior — disse Beatriz sorrindo, porém o sorriso logo transformou-se em um olhar de uma patroa firme – espero que todos vocês façam valer a chance que receberam e seus currículos.

Beatriz ajeitou o cabelo e sentou-se, em seguida os demais sentaram-se a mesa de reuniões também.

O primeiro dia de trabalho havia sido apenas de burocracias. Marcela fez o máximo para conhecer todas as dependências da empresa que fossem possíveis para ficar cada vez mais integrada e quando ficou sozinha em casa, ela ligou para Sirlei e contou tudo.

— minha filha, esquece tudo isso e volta – dizia Sirlei, tentando fazer com que Marcela visse o perigo da empreitada a qual estava entrando – vai ser melhor, isso não vai terminar bem, você sabe que aquela desgraçada é inteligente e sabe de tudo o que ela é capaz!

— sim mãe, eu sei do que ela é capaz e agora ela vai saber do que eu sou capaz – respondeu Marcela.

As duas se despediram e Sirlei desligou o telefone, ela o colocou sobre a mesa da cozinha e foi até o escritório de sua casa e dirigiu-se ao cofre que ela tinha e o abriu pegando dentro dele um masso enorme de cartas que ela tinha e dessas cartas ela separou quatro e passou os olhos pelas cartas lendo alguns dos trechos. “essa gravidez foi a pior das traições que poderiam ter acontecido comigo, eu confiava em você”, “você tem uma chance de reconquistar minha confiança. Você vai dar um fim nessa criança e eu te dou uma segunda chance, pode até ficar com ele ainda, mas do bebê você vai ter que se livrar”, “ela precisa desaparecer Sirlei, você sabe disso. Depois da prova de amizade que me deste com o episódio do bebê, agora você deve me dar a prova final de lealdade: você vai me ajudar a dar um fim nela e assim eu chego no topo. Prova que posso confiar em ti e eu te levo pro topo junto comigo minha amiga”. Sirlei pegou as cartas e sabia que estava lendo essas passagens pela última vez, pois ela sabia que agora era a hora de se livrar das cartas que Beatriz havia enviado a ela.

Sirlei amava Marcela mais do que tudo nessa na vida e sentia que tinha uma dívida de vida com ela, porém ela tinha um passado e ela temia que esse passado voltasse para atormentá-la.

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Beatriz chegou em sua casa e cumprimentou seu marido com um beijo e também sua cunhada, Lídia que estava na sala junto a Renato. As duas se adoravam, com os anos do casamento de Beatriz com Renato, ela e Lídia haviam virado muito amigas. Lídia era uma conhecida decoradora na cidade que havia feito as decorações dos escritórios dos dois e as demais propriedades que o casal tinha. Lídia era uma mulher de personalidade muito forte que Beatriz sabia que era melhor ter como amiga do que como inimiga.

Após algumas horas de conversa, Lídia foi para casa e Renato disse que havia recebido uma ligação de um cliente que queria encontrá-lo, então reclamando ele saiu de casa e Beatriz aproveitou para ligar para Hermes, seu investigador particular.

— o que você tem pra mim? — disse Beatriz. Hermes que estava sentado a sua frente entregou para ela um envelope de papal pardo com fotos, Beatriz levantou-se com as fotos em mãos e parou em frente a janela enorme que havia atrás de sua mesa e olhou as fotos de Renato em um encontro romântico em um restaurante superdiscreto na cidade.

— ela é conhecida como Helô. Garota de programa. Como eu imaginava ela é fixa dele, tem mais de quatro meses que eles se encontram.

— eu sabia que ele tinha outra, agora garota de programa é o fim mesmo, que decadência Renato, que decadência – Beatriz trocou o tom de ironia pelo tom de preocupação – mas hoje eu tenho uma missão nova – ela entregou a Hermes a ficha com os documentos da contratação de Marcela – essa garota, Mariana, ela começou a trabalhar na minha empresa hoje. Currículo perfeito, porém alguma coisa nela me soa muito suspeito. Pode ser só uma suspeita boba de uma mulher de negócios, mas preciso que você me descubra tudo o que for possível sobre essa garota. Os olhos dela me parecem familiares e me transmitem alguma coisa que eu não gosto de sentir.