As Duas Faces de Uma Vingança.
13 Sentença
Beatriz estava sozinha em casa, ela havia dispensado todos os empregados para não deixa vestígios enquanto arrumava suas malas. Ela fugiria para a Turquia, pois de lá ela poderia bolar uma plano para vender seus bens antes que a justiça os congelasse e enviar seu dinheiro para contas em paraísos fiscais, ela havia pensado na Turquia pois ela não tem acordos de extradição com o Brasil, mas então a campainha tocou. Ela achou muito estranho pois não estava esperando ninguém, mas ela não queria levantar nenhuma suspeita, então foi abrir a porta. Assim que o fez, viu que era Marcela, então ela deu um grito e tentou fechar a porta, porém Marcela abriu ela com um chute que fez Beatriz cair no chão após bater com as costas em uma mesinha que havia ali.
— o que você está fazendo aqui sua cadela nojenta – disse Beatriz com dificuldade para respirar tentando se levantar.
— eu vim fazer justiça sua cadela, justiça, eu vou te dar a sentença que você merece – disse Beatriz ao tirar a faca do bolso.
— tem câmeras no portão sua idiota, todo mundo vai te ver entrando aqui, se acontecer alguma coisa comigo, todo mundo vai saber que foi você! — Beatriz estava quase conseguindo se levantar, então Marcela deu um chute em sua barriga, fazendo ela cair novamente.
— não me importa, você tirou tudo o que eu tinha, não pode mais me tirar nada. Agora nós vamos conversar bem mansinho.
***
No dia seguinte, Lídia esperava no carro do lado de fora, junto com Raquel, enquanto a polícia invadia a casa de Beatriz. Desde a noite anterior, com a gravação feita por Raquel e os contatos que Lídia tinha com juízes, ela havia conseguido montar um caso contra Beatriz e que fosse ordenada a prisão dela. Porém, desde a noite anterior, ela não teve notícias nem de Beatriz nem de Marcela. Ela já estava no carro a mais de uma hora. Os policiais saíram de dentro da casa com vários computadores e alguns itens pessoais de Beatriz, porém ela não havia sido encontrada. As câmeras de seguranças estavam destruídas assim como as gravações e haviam sinais claros da fuga dela. Lídia ficou indignada demais quando soube. Ela moveria o mundo para achar Beatriz e fazê-la pegar por seus crimes.
Quando ela chegou em casa, ela viu que em seu notebook havia uma notificação de e-mail que havia sido enviado por um e-mail desconhecido, havia apenas um texto dizendo “faça justiça. Limpe o nome de Renato, a memória de Cláudio e sua esposa, tire Camila da cadeia e faça justiça pela Helô e acima de tudo, faça justiça para Marcela.” e em anexo um vídeo, quando ela abriu o vídeo era uma confissão de Beatriz. O vídeo tinha meia hora contado todos os detalhes dos crimes que ela havia cometido e no fim ela dizia que estava arrependida de tudo, pedia perdão a Lídia e Raquel e finalizava dizendo que sumiria com todo o seu dinheiro e que não fossem atrás dela, pois seria perda de tempo.
Chocada, no mesmo instante Lídia ligou para sua advogada e as duas foram para a delegacia.
Quatro Anos Depois
— então, tendo tudo isso dito, nomeio Raquel como a diretora da OMG Andrade/Delaôr, OMG essa fundada com o intuito de promover a justiça para pessoas que não tem condições de pagar advogados com a intenção de promover um país mais justo e ético – anunciou Lídia que foi ovacionada pelos aplausos da plateia. Raquel subiu no púlpito e começou seu discurso.
Depois do final da sessão, Lídia foi até seu escritório e quando chegou lá, um dos investigadores particulares que ela havia contratado estava a sua espera.
— boa tarde dona Lídia, finalizei o caso – disse ele entregando a ela um envelope de papel pardo – a polícia foi muito relaxada, só não a encontraram porque não quiseram.
— onde? — ela pegou o envelope.
— Argentina.
Lídia agradeceu, entregou a ele uma maleta com dinheiro e quando o investigador saiu, ela pegou seu telefone e ordenou a secretaria que chamasse seu jato particular, pois ela tinha uma viagem de emergência para fazer.
Em Buenos Aires, no final do dia após atender seu último cliente usando aquele espanhol perfeito que ela tinha e se preparando para fechar a floricultura, Marcela amarrou os cabelos loiros e quando chegou na porta, deu de cara com Lídia.
— olá minha amiga – disse Lídia.
— Lídia? — Marcela estava espantada, porém alegre em ver aquele rosto amigável – o que você está fazendo aqui?
— vim comprar flores, quero uma orquídea vermelha, eram as favoritas de Beatriz, mas eu imagino que você se lembra disso.
Marcela desfez o sorriso que tinha no rosto.
— eu imaginei mesmo que esse dia ia chegar, na verdade achei que você demorou. Eu vou fechar a loja e vamos pra minha casa.
Depois de alguns minutos, Marcela e Lídia já estavam em sua casa. A casa era simples, grande porém simples, ela era de madeira com uma decoração toda minimalista e um jardim imenso, lindo e muito bem cuidado.
— como estão as coisas no Brasil? — Marcela colocou uma xícara de chá sobre a mesa para Lídia – fiquei sabendo da OMG, simplesmente genial a ideia!
— está indo tudo bem sim, ontem a Raquel foi nomeada diretora da OMG, ela está cursando direito, quase se formando. Com o know how dela ela vem sendo cada dia mais útil – ela deu um gole no chá – mas me conta, como é que você veio para aqui? Eu preciso saber de tudo o que aconteceu naquela noite!
— você quer mesmo revisitar esse assunto? — Marcela tomou mais um gole do chá e o largou sobre a xícara sobre a mesa – já está tudo resolvido, Beatriz teve seu castigo, todas as pessoas cujos nomes tinham que ser limpos foram, tem a confissão dela, mas pra quê tudo isso?
— mas eu nunca terei meu irmão de volta, você nunca terá seus pais, a Sirlei, a Raquel nunca mais terá a Heloísa – Lídia também largou sua xícara – eu preciso saber pra poder viver em paz.
— bom, pra entender tudo, precisamos voltar àquela noite, quatro anos atrás…
***
— eu não tenho mais nada pra perder, você me tirou tudo, mas dessa vez você não vai escapar, dessa vez quem está um passo na sua frente sou eu, mas agora levanta, levanta porque eu não bato em mulher deitada, tu vai levar na cara, mas em pé, levanta! — Marcela estava sem paciência.
— o que você vai fazer comigo? — Beatriz levantou-se e ficou na frente de Marcela.
Marcela colocou a faca no pescoço de Beatriz.
— eu e você vamos fazer um filmezinho – ela pegou Beatriz pelo braço e virou ela, imobilizando-a – tem um escritório nessa casa? Me guia até ele.
As duas foram caminhando naquela posição até que as duas chegaram no escritório, Marcela colocou Beatriz sentada na cadeira em frente a mesa.
— pega seu celular, pega ele agora e não faça nenhum movimento arriscado ou eu meto um ferro na sua barriga e te mando pra uma vala! Me dê seu celular desbloqueado.
Marcela fez Beatriz gravar toda a confissão, deixando claro o quanto ela se arrependia de tudo o que tinha feito e pedia perdão para todos os que havia machucado, mas Beatriz achou muito estranho a ênfase que Marcela mandou ela dar a parte em que fugiria e que não era para procurarem ela, pois ela sumiria no mundo, então Marcela pegou o celular e anexou o vídeo em um e-mail com destinatário para Lídia, porém em uma fração de segundo de distração, Beatriz abriu a primeira gaveta da mesa, sacou um revólver e apontou para Marcela. Marcela olhou assustada para Beatriz,
— mais uma vez você nadou e nadou, mas agora você vai morrer na praia. Dessa vez eu vou me certificar de que você vai pro inferno! – antes que Marcela pudesse falar alguma coisa Beatriz deu um tiro em seu peito que a fez cair no chão – agora você fica aí, sua piranha, morta no chão.
Beatriz pegou seu celular com a esperança de que o vídeo não tivesse sido enviado. Seus planos realmente eram fugir do Brasil, porém ela não queria confessar seus crimes, mas era tarde, não havia como cancelar o envio do e-mail, então Marcela levantou-se rápido, pegou Beatriz pelos cabelos e rodou seu corpo, jogando ela sobre uma poltrona que havia no canto da sala, na qual Beatriz caiu sentada.
— você é imortal sua desgraçada? — gritou Beatriz.
— dessa vez eu é quem estou um passo a sua frente – disse Marcela, erguendo a camisa e deixando a mostra seu colete a prova de balas e tirando a bala cravada nele.
Beatriz ficou sem palavras, então ela notou que a arma estava caída aos pés de Marcela que a pegou e apontou para Beatriz.
— dessa vez eu estou a sua frente, sua maldita! Levanta, pega apenas seu celular e vamos embora. Eu vou te levar pra minha casa na Bolívia e vou te prender no porão da minha casa onde você vai ficar presa pro resto da tua vida, essa é a tua sentença sua cadela, prisão perpétua.
Beatriz fica apavorada. Ela levantou-se e foi em direção a Marcela que a pegou pelo braço, quando estavam próximas a porta, Beatriz empurra Marcela contra a mesa que havia perto da porta e Marcela desmaiou.
***
— eu fiquei aproximadamente uma hora desmaiada, quando eu acordei, Beatriz havia sumido. Ao que tudo indica ela foi mesmo pra Turquia, tentei caçá-la, porém estava sem recursos, então eu simplesmente desisti. Justiça foi feita, ela não pagou, mas os nomes que tinha de ser limpos foram e eu vi que estava perdendo tempo demais da minha vida com isso.
Lídia ficou chocada, ela estava triste e garantiu a Marcela que caçaria. Indo embora extremamente frustrada, pois ela tinha esperança que Marcela havia matado Beatriz, então na hora de despedirem-se, Lídia disse que caçaria Beatriz, então o conselho de Marcela foi “não perca tempo. Eu sei que onde quer que Beatriz esteja, ela está pagando por tudo o que fez.”.
As duas se despediram e Lídia voltou para o Brasil extremamente frustrada, porém o que ela não sabia é que Marcela havia mentido, a história que ela contou não era, de todo, verdadeira.
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