As Duas Faces Do Meu Anjo
23 Capítulo 22
Notas iniciais
Com novidades...
:D
Diogo (PDV)
A verdade é que estava preocupado e confuso com isto tudo da Margarida. No fundo eu sabia que nós não tínhamos futuro, mas não a podia deixar, não agora, não nunca.
Enquanto ela fitava o ar, encostada no meu peito eu fazia um check-up interior, nem uma mazela, tudo o que poderia ter partido, estava normal.Os anjos quando ficávamos magoados, curávamos mais rápido e tínhamos este dom da imortalidade, mas sentíamos a dor, tal e qual como os humanos.
Os choques, já eram o habitual entre nós, já nem ligávamos, mas o pensamento dela era essencial para mim, um pequeno toque e ouvia todo o seu pensamento.
“…” – Nada, ou estava algo estranho comigo, ou não sei, não ouvia nada dela, nada!
Silencio.
Ela adormeceu assim que comeu a pizza, carreguei-a até ao quarto, dei-lhe um beijo de boa noite e voltei para a sala, tudo o que imaginei estava agora de pernas para o ar. Fechei os olhos por um minuto e pensei em tudo o que se passou estes dias, eu não ia ter força suficiente para combater a revolta de meu pai, ele ia usar tudo a sua volta para afectar a Margarida, só gostava de saber quanto tempo é que vai demorar para aparecer.
Margarida (PDV)
Passei da casa de banho directamente para a cozinha, o diogo estava de volta do fogão.
– Como esta a sair? – Perguntei-lhe e ri-me ao mesmo tempo vendo o meu anjo da guarda, vestido de avental.
– Não duvides das minhas capacidades. – Ele riu. – Vai-te despachar, ainda estás assim?
Eu olhei para ele, ri-me.
– Sim, eles disseram que estavam cá á uma e meia, tenho tempo! – A Clara e o Tiago ligaram logo de manhã avisar que chegavam pela hora de almoço, e o Diogo combinou que fazia almoço para todos, fazendo-me assim levantar da minha caminha que estava a saber tão bem.
– Então anda cá! – Ele puxou e abraçou-me – Não contes nada do que se passa a Clara ou mesmo ao Tiago, neste momento eles precisam de estar a salvo.
– Nem pensei nisso! – Menti! A Clara era a minha melhor amiga, sabia que ela ia perceber se houvesse algum problema. – Vou -me despachar! – Dei-lhe um beijo na face.
*
– Então contem la como foi tudo? Descansaram? – Perguntei aos dois.
– Hum…hum.. – Respondeu a Clara. Não gostei do aspecto dela, estava com o olhar tristonho e forçava o riso muitas vezes.
–Tas bem? – Perguntando-lhe.
– Ela tem estado um bocado mal disposta estes dias, comeu alguma coisa que fez mal! – Respondeu o Tiago.
– Eu estou bem! – Ora ai esta, forçou de novo o riso.
– Então vamos as duas ao shopping, a seguir. – Só a tirando de perto do Tiago é que conseguia tirar alguma coisa dela. E algo não estava bem – Os rapazes ficam a arrumar as coisas.
– Sim, era bom. – Sorriu – Preciso de comprar umas coisas.
– Vão sozinhas? – Perguntou o Diogo com ar de preocupado, talvez tivesse medo que me acontecesse algo.
– Sim, vamos lá e voltamos, não é? – Olhei para a Clara.
–Sim! Precisas que te traga alguma coisa amor? – Perguntou ao Tiago que estava entretido de volta do bife.
–Não mor!
– Então, vamos? – Perguntou-me a Clara, bem ela devia querer mesmo sair dali.
– Sim – Não acabei de comer, havia coisas que se estavam a passar com ela e eu tinha que a ajudar, comecei a levantar-me da mesa e o Diogo puxou-me o braço, dei-lhe um beijo rápido.
– Levem o meu carro! – Olhei para ele surpresa. – Ta aqui a chave! Mas nem um risco! – Sorriu, mas aquele sorriso com uma certa preocupação.
– Claro!
...
Entramos dentro da bomba do Diogo, bomba sim, porque aquilo não era um carro, era um bruta de um carro, as duas ficamos chocadas, eu principalmente porque quando cheguei a porta de casa é que me lembrei que não sabia qual era o carro dele, e pus-me a carregar na pequeno comando que ele me dera para a mão.
Uns passos a frente um “bip bip” e luzes a piscar, vi logo que era aquele Audi Q7 negro com vidros fumados, ia-me dando um ataque, como era possível? Enfim, entramos dentro do carro, super confortável e fomos em silencio até nos afastar-nos dali, não fomos realmente ao shopping, paramos numa esplanada pra beber um café, a verdade é que estávamos as duas muito envergonhadas, porque toda gente parou a olhar quando estacionei.
– O que se passa? Tu não estas bem! – Perguntei-lhe.
– Margarida, eu estou com um problema muito grande na minha vida e não sei que solução dar… — E começou a chorar, dei-lhe a mão, ela apertou e com a outra tirou um lencinho da mala, que secou as lagrimas.
– O que foi miga… — era problema dos grandes, senão ela não estaria a chorar.
– Eu estou gravida! – Fiquei sem palavras. Ter um bebe não era mau.
– Mas… — Ia continuar a falar mas ela falou.
– O Tiago não quer, ele sempre me disse que não tencionava ser pai. Eu eu já não sei o que fazer!
– Diz-me uma coisa…Queres este bebé?
– Sim…Não… não sei margarida! Tou confusa, uns momentos quero, outros não sei, depois o Tiago anda a falar mal comigo porque diz que eu estou diferente, mas eu não estou…
– Estas apenas mais sensível. JÁ lhe disseste?
– Não, se eu decidir ter, de certeza que ele acaba tudo, se for ao contrário, vou culpar-me!
– Não digas isso amiga! O Tiago nunca te iria deixar, ele ama-te demais para te fazer isso, o máximo que pode acontecer é que fique um pouco desnorteado, mas depois caia em si.
– Eu estou de rastos…O que é que eu faço? – Eu também não sabia que haveria de dizer, ou fazer numa situação destas mas o melhor seria falar com ele.
– Fala com o Tiago, eu estou do teu lado naquilo que decidires. – Abracei-a
– Sabes… — disse secando as lagrimas e afastando-se – estou de um mês – Sorriu, um sorriso triste.
Sorri-lhe, não consigo me imaginar numa situação destas, provavelmente entraria em pânico, muito mais do que ela está neste momento.
– Tu e o Diogo? — Ela saiu-se com esta, e mandou um sorriso cúmplice.
– Estamos bem – Sorri-lhe com o maior sorriso que poderia fazer, entre nos estava tudo bem, o resto é que estava complicado. – Vamos – Levantei-me – Vais falar com o Tiago, vocês são um casal e precisam de resolver as coisas!
– Sim! – Vi a força que aquela pequena conversa lhe tinha dado. – Mas desta vez conduz mais devagar, fiquei maldisposta!
– Ok, mas sabes que e complicado, aquele carro!
– Eu sei, eu sei… também gostava de ter um assim, mas de onde ele sacou o dinheiro para ter um carro destes?
– Acho que o padrinho que tem muito papel, deu-lhe! – Tive que inventar, nem eu sabia como ele arranjava tanto dinheiro! Sorri e conduzi em direcção a casa.
*
Para variar aqueles dois já estavam agarrados ao jogo. Ao menos tinham arrumado tudo, a Clara disse ao Tiago para irem para casa porque estava cansada. Pisquei-lhe o olho, e ela disse que a seguir me ligava. Fui-me sentar ao lado do Diogo.
– Belo carro!
– Magnífico, a prova de bala! Deixaste-o, Sem um risco certo?
– Certo! Tive que inventar que foi um padrinho que to ofereceu, por isso colabora na mentira.
– Ok, então e a Clara? Vai contar ao Tiago certo?
– Mas como é que tu… Esquece…Poderes de anjo! Sim, foi falar com ele, só espero que ele a compreenda! – Ele puxou-me para perto dele – Diogo, se houvesse a possibilidade gostavas de ter filhos?
– Porque esse se houvesse a possibilidade, eu posso fazer filhos! Há muitos filhos de anjos por ai!
– O quê? Tu agora é que me contas isso? – Droga, tinha deixado de tomar a pilula, julgando que não haveria problema, ele riu-se.
– Tem calma! Mas respondendo a tua pergunta, e se isso acontecesse eu gostava que fosses a mãe dos meus.
– Tu nunca poderias ficar totalmente comigo sabes disso! – Pareceu-me que naquele momento ele estava menos ciente da realidade do que eu.
– Tínhamos que chegar a essa conclusão! Eu neste momento vou vivendo dia a dia, não quero pensar no futuro.
Sorriu-me, e eu sorri-lhe de volta. Dia a dia, até algo acontecer, era o que regia a minha vida neste momento.
Ficamos a ver um filme, aconchegados um no outro até chamarem milagrosamente o Diogo e o meu telefone receber uma mensagem da Clara, para ir ter com ela a esplanada da esquina.
Como ela calculava o Tiago tinha-se passado, e disse-lhe coisas que se fossem ditas a mim, tinham-me magoado mesmo a serio, enquanto lhe dava o meu apoio, vi as suas feições a mudarem, a lutadora Clara que eu conhecia, mostrou-se e disse-me que ia ter o bebe.
Ela queria aquela criança, e iria ter todo o meu apoio, não falamos mais no nome do Tiago, porque sempre que se tocava no nome dele, as lagrimas corriam, e eu não queria que ela se enervasse por causa do bebe.
Aquelas horinhas que ficamos a conversar depois do choque do Tiago, serviram para ela se animar e planear um pouco do que seria a sua vida a partir de agora. Como não iriamos trabalhar hoje, disse lhe para jantar e dormir la em casa, mas antes fui a uma lojinha com coisas para bebes oferecer a primeira prendinha.
– Mesmo que amanha decidas outra coisa, guardas. – Disse-lhe melancólica.
– Oh miga! Obrigado, eu não vou mudar de ideias! — Deu-me um abraço enorme e largou-me quando uma voz masculina me chamou a uns passos da gente.
– Margarida! – Oh, não… Ele não.
Notas finais
Cumprimentos
Até quinta! :D
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