As Desventuras e Romances de Percabeth
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Notas iniciais
25 – Respingos
Percy passou a noite em claro. Ele chegou a escrever várias mensagens pra Annabeth, não enviou nenhuma. Numa delas confessou seu amor desde o colegial e implorou por reciprocidade, mas não era do feitio dele. O que estava feito estava feito, Annabeth tinha a polaroid que mofou na carteira de um mulherengo americano por onze anos.
Quando ele desistiu de tentar dormir o sol já aparecia timidamente pelas frestas da persiana da suíte na cobertura. Percy se levantou um ainda sentindo resquícios da onda de adrenalina da noite anterior. Ele foi pro chuveiro determinado a sair para correr mais cinco quilômetros. Ou fumar um maço inteiro de Marlboro light. Ou os dois.
O conjunto dry fit da Nike envergou as curvas atléticas do corpo de Percy. Ele calçou tênis apropriados e só bagunçou os cabelos rebeldes sem nem se olhar no espelho.
A cobertura em Chelsea ainda estava silenciosa naquela manhã de domingo. Diferente do som que ecoava do corredor do elevador na noite que ele chegou de Bristol e viu a pequena reunião de ex-alunos da T. Valley. Percy pensou que poderia se acostumar facilmente com aquele barulho de risadas e piadas ruins.
O homem pegou uma banana na fruteira e seus AirPods na mesinha no hall de entrada do apartamento antes de ir em direção à porta da sala de estar.
Quando ele abriu a porta da sala viu as portas do elevador se abrirem. A imagem de Annabeth ainda com a roupa da noite anterior tomou conta da visão de Percy, ele quase tropeçou no próprio pé ao tentar avançar um passo na direção dela. Congelou — Annie…
A loira avançou alguns passos quando o apito do elevador começou a ecoar com as portas abertas. Ela parou a uns três passos de distância.
— Tudo bem? Onde você estava?
— Depois da bomba que você jogou em mim?! — ela parecia zangada ao avançar dando um empurrão no ombro dele e entrar abruptamente na cobertura — Vim pegar minhas coisas. Vou para casa.
— O que houve? — Percy a seguiu.
Annabeth estava determinada, ela passou direto pela sala e pela cozinha e foi até o quarto de James, que estava sendo usado por ela naquela semana, e abriu a porta com um estrondo.
— Annabeth…
— Chega, Percy! — ela esbravejou de costas enquanto enchia uma mochila com roupas e alguns acessórios dela que provavelmente ainda não tinha buscado após "terminar" com James.
Ela juntou o restante das roupas e imitava o "o que houve?" dele. Finalmente ela o encarou com aquele olhar cálido e zangado que sempre o fazia confessar os maiores segredos do mundo — Você não tinha o direito, Percy. Eu vim até Londres e sabia que ia esbarrar em você hora ou outra… foi baixo ontem à noite. Não acredito, cara!
— Eu fui sincero ontem, Annabeth — Percy confessou e foi olhar para as janelas panorâmicas — Eu guardo aquela foto comigo desde o dia que você partiu, e prometi pra mim que ia te entregar caso tivesse a chance.
— E você esperou o momento perfeito, imagino. Depois de me fazer ver você desfilando por aí com uma aristocrata insuportavelmente perfeita. Não acredito, cara!
Ela saiu do quarto rapidamente com a mochila nas costas — Cadê as meninas? Nem por reza vou voltar sozinha pro meu apertamento.
— Você não precisa ir, o James só volta semana que vem.
— É claro que preciso Percy, se ontem não ficou claro. EU TENHO SENTIMENTOS POR VOCÊ, SEU IDIOTA!
Percy sentiu eletricidade cortar da lombar até o pescoço e sorriu vitorioso — E você, não nos esquecemos, é um homem comprometido. E sua companheira não é exatamente minha fã, vamos lembrar.
— Isso é entre nós. E eu não fiz nada demais — Percy cruzou os braços, o timbre ainda tremendo de leve.
— Não existe "nós dois", Percy. Existe você, sua namorada de verdade, e uma polaroid que você guardou por onze anos só pra jogar na minha cara — ela ajeitou a alça da mochila no ombro, a maquiagem borrada nos olhos, o casaco de couro jogado por cima de qualquer jeito — Cadê as meninas?
— Acho que tão dormindo, ainda. Só não sei em qual das suítes.
— Vou acordar todo mundo então, porque eu recuso atravessar Londres sozinha essa hora da manhã.
Ela passou por ele batendo o ombro de propósito, os saltos altos pendurados numa mão, os pés descalços contra o piso frio do corredor sem porta. Percy ficou parado ali, ouvindo o barulho de portas se abrindo, a voz sonolenta e confusa de Thalia praguejando em algum lugar, Juniper perguntando o que diabos tinha acontecido, e vinte minutos depois o elevador engoliu as três — Annabeth na frente, o queixo erguido, sem olhar pra trás uma única vez.
Percy ficou sozinho na cobertura vazia, o silêncio dessa vez pesando de um jeito que nenhum barulho de festa conseguiria disfarçar.
Foi pro quarto quase mecanicamente. Ele trocou o conjunto de corrida da Nike por um short jeans meio surrado, os Janoski e uma camisa da Flip preta. Os Wayfarer na gola, mais por hábito do que por necessidade real contra o sol fraco de dezembro. Nem se olhou no espelho antes de sair, os cabelos bagunçados de qualquer jeito. O skate seria a única coisa que o ajudaria a não perder a cabeça.
Desceu pela escada em vez de esperar o elevador, precisando gastar a raiva de algum jeito antes que ela virasse outra coisa pior.
Ele remou de skate por Battersea Park inteiro, os fones tocando alto demais no ouvido, o mesmo riff repetindo até o corpo esquecer temporariamente a cena da mochila sendo enchida às pressas, o "EU TENHO SENTIMENTOS POR VOCÊ, SEU IDIOTA" ainda ecoando em algum lugar entre as batidas do coração e o ritmo das manobras.
Sempre que Percy andava de skate com raiva quem pagava o preço era o seu corpo. Parecia que a coragem se mistrurava com imprudência, e as quedas eram de escadas cada vez mais altas, como se ele precisasse sentir pelo menos a dor de se espatular no concreto.
Quando voltou, já passava do meio-dia, as pernas pesadas, a garganta seca.
Foi na cozinha, mexendo em algo que não tinha muita vontade de comer, que ouviu o som da campainha do apartamento. Por um instante ele se animou na possibilidade de ser a loira que levou consigo toda a felicidade do mundo.
Percy ficou parado por um segundo antes de ir até o hall.
Não era Annabeth, ela já sabia. No chão da estava ali, virado no tapete de entrada, mais um envelope — papel grosso, cor de marfim, o lacre de cera vermelha com o leão e as espadas cruzadas. Dessa vez, porém, havia um volume estranho dentro, mais espesso do que o papel de carta sozinho justificaria.
Ele se abaixou, pegou o envelope, e quebrou o lacre com o polegar.
Duas coisas caíram na palma da mão dele.
Uma fotografia — impressa, não uma cópia qualquer de celular, mas revelada em papel fosco, com a qualidade de quem tinha usado uma teleobjetiva de verdade. Percy e Annabeth na pista de gelo de Piccadilly, as luzes de Natal borradas ao fundo, os dois parados no meio do gelo, olhando um pro outro do jeito que ele lembrava perfeitamente de ter feito, mas que nunca soube que alguém tinha registrado. O ângulo era de longe, de algum prédio ou esquina que dava visão livre pra pista inteira.
A carta, dobrada por cima da foto, tinha a mesma letra impecável de sempre.
"Sr. Jackson,
Confesso surpresa. Não pela pista de gelo — Londres inteira patina em dezembro, seria tolice ler significado demais numa atividade tão sazonal. A surpresa é notar, mais uma vez, a mesma aluna nas mesmas fotografias, nos mesmos horários incomuns, nos mesmos lugares que o senhor frequenta sozinho quando deveria estar frequentando outros compromissos.
Devo lembrá-lo que a Srtª Chase está sob sua supervisão acadêmica direta. Balliol tem políticas bastante específicas sobre favoritismo entre professores e alunos — políticas que, imagino, o conselho ficaria muito interessado em revisar caso surgisse alguma dúvida sobre a integridade das notas ou recomendações dela nos últimos meses.
Seria uma pena ver o trabalho da Srtª Chase colocado em xeque por conta de horários incomuns numa pista de gelo. Ela parece talentosa demais para que sua reputação acadêmica dependa da discrição do senhor — discrição que, cada vez mais, tenho motivos pra duvidar que exista.
Sugiro, com todo o respeito de sempre, que o senhor pense em quem realmente paga o preço quando decide ser descuidado."
Percy releu a última linha três vezes, o estômago revirando de um jeito diferente das cartas anteriores. As outras tinham sido sobre ele — sua carreira, seu financiamento, seu posto em Balliol. Essa era sobre Annabeth. Sobre o nome dela, o trabalho dela, os anos que ela tinha passado construindo alguma coisa que não tinha nada a ver com Percy Jackson ou com qualquer teatro que ele mantinha sob chantagem.
Ele olhou pra fotografia de novo, pros dois parados no gelo, tão absortos um no outro que nenhum dos dois tinha notado a câmera, o frio, o resto do mundo.
Guardou a carta e a foto na gaveta da escrivaninha, junto com as outras, as mãos mais firmes dessa vez — não porque o medo tivesse passado, mas porque alguma coisa parecida com raiva tinha começado, silenciosa, a tomar o lugar dele.
— Ótimo — ele murmurou, a voz baixa — Agora é pessoal.
***
Percy passou o resto da tarde decidindo não ir até o apartamento de Scarlet, e foi exatamente por isso que, às seis da tarde, já estava parado em frente ao prédio dela em Chelsea, o Porsche estacionado torto o suficiente pra denunciar a pressa com que tinha saído de casa.
Ele bateu palmas mentalmente pra própria hipocrisia. Ali estava ele, parecendo exatamente o tipo de homem que o barão desprezava fingir que aprovava, prestes a subir e mentir pra namorada oficial sobre uma noite que não tinha nada de oficial.
Antes de tocar o interfone, parou.
Um carro preto, discreto demais pra ser comum, estava estacionado do outro lado da rua havia tempo suficiente pra Percy notar — o motorista não descia, não checava o celular, não fazia nada além de existir ali, o motor desligado, os vidros levemente fumês. Percy fingiu procurar alguma coisa no bolso do blazer, ganhando tempo, os olhos de soslaio fixos no retrovisor do carro. Nada se moveu. Talvez fosse só um motorista particular esperando algum vizinho rico. Talvez não fosse.
Ele subiu sem tocar o interfone, usando a própria chave.
— Você está atrasado — Scarlet disse assim que abriu a porta, o tom mais cansado do que zangado, os óculos de leitura pendurados na gola de uma blusa de tricô cor de creme, os brincos de pérola já removidos e deixados numa bandejinha de prata perto da entrada. Ela vestia uma calça de flanela cinza e estava descalça, os cabelos castanhos presos displicentemente com um lápis, algo que ele só via em raras noites de domingo.
— Fui andar de skate — ele mentiu pela metade, entrando e fechando a porta atrás de si.
Scarlet o encarou por um instante, o tipo de olhar avaliativo que ele já tinha aprendido a temer.
— Você fede a perfume de hotel, Jackson, não a suor.
— É colônia. A minha.
— É a mesma colônia que você usa há três anos e eu conheço de cor — ela cruzou os braços, recuando um passo pro corredor — O que foi?
Ele quase disse a verdade. Quase contou sobre a carta, sobre a foto revelada em papel fosco, sobre o "agora é pessoal" que ainda ecoava dentro dele desde a manhã. Em vez disso, escolheu a versão mais segura, a que não envolvia Annabeth sendo ameaçada por causa dele.
— Nada. Só queria te ver.
— Você nunca "só quer me ver", Percy. Você aparece quando algo te assombra o suficiente pra precisar de distração — ela suspirou, mas abriu espaço na sala mesmo assim, os pés descalços silenciosos contra o piso de madeira — Senta. Vou fazer chá, já que claramente não veio aqui pra conversar de verdade.
Ele se sentou no sofá de veludo verde-escuro, os cotovelos nos joelhos, e ficou olhando pra janela alta que dava pra rua. O carro preto ainda estava lá. Não tinha se mexido.
— Scar — ele chamou, tentando soar casual — Você notou algum carro estranho rondando esse quarteirão ultimamente?
Ela apareceu na porta da cozinha, duas xícaras nas mãos, uma sobrancelha já erguida.
— Que pergunta estranha.
— Curiosidade.
— Meu pai tem seguranças particulares rondando basicamente todo lugar que eu frequento desde os doze anos, Percy. Se você está preocupado com carros estranhos, bem-vindo à minha vida inteira — ela entregou a xícara e se sentou ao lado dele, as pernas dobradas sob o corpo — Por que a pergunta?
— Por nada — merda, pensou ao tomar um gole — Só reparei num parado lá fora.
Scarlet olhou pela janela, sem muito interesse real, e deu de ombros.
— Provavelmente é do vizinho ao lado. Ele recebe visitas estranhas o tempo todo, minha mãe adoraria comentar sobre isso se soubesse.
Percy assentiu, sem dizer mais nada, guardando a informação junto com o resto que vinha guardando havia semanas. Ficaram em silêncio por um tempo, o chá esfriando entre os dois, até que Scarlet, sem aviso, pousou a cabeça no ombro dele — um gesto raro o suficiente pra Percy prender a respiração por um segundo inteiro.
— Você está diferente desde Bristol — ela murmurou, os olhos fechados — E eu decidi, por hoje, não perguntar por quê. Só queria que você soubesse que eu percebo.
Ele não respondeu. Não tinha resposta que não fosse mentira, e mentir pra ela, ali, com a cabeça dela no ombro dele e o carro preto ainda parado lá fora feito uma pergunta sem resposta, pareceu, pela primeira vez em meses, cruel demais até pra ele.
***
Annabeth só voltou de verdade à noite, o apartamento de Greenwich vazio demais pra suportar sozinha, a mochila ainda na mesma bagunça de horas atrás. Encontrou Thalia sentada na escada de entrada do prédio dela, um cigarro apagado entre os dedos, o casaco de couro preto cheio de pins abotoado até o pescoço contra o frio.
— Você não fuma — Annabeth disse, a voz cansada, ao se aproximar.
— Eu sei. Só precisava de algo pra segurar enquanto esperava — Thalia se levantou, jogando o cigarro intacto de volta no bolso — Sobe. Vamos conversar antes que você desmorone na calçada, porque, Chase, você está com uma cara de quem vai desmoronar a qualquer segundo.
O apartamento minúsculo de Greenwich as recebeu com o mesmo cheiro de café requentado de sempre. Annabeth largou a mochila no chão, tirou os saltos que carregava na mão desde a manhã, e se deixou cair no sofá-cama ainda desarmado, o vestido de festa amassado e a maquiagem borrada compondo um retrato que ela não fazia questão nenhuma de disfarçar mais.
— Fala — Thalia ordenou, sentando-se de frente pra ela no chão, as pernas cruzadas — Do início. Sem editar.
Annabeth encarou o teto por um momento, respirando fundo antes de começar.
— Ele me deu uma foto. Ontem, no restaurante — a voz saiu mais fina do que ela pretendia — Uma polaroid. Do dia que a gente tirou na pista de gelo, o dia que... — ela parou, engoliu em seco — O dia de Natal, de anos atrás...
— A da touca rosa ridícula?
— Não era ridícula — Annabeth sorriu, minúsculo, antes que a expressão desmoronasse de novo — Ele guardou ela. Onze anos, Thalia. Na carteira dele. Enquanto ele saía com sei lá quantas mulheres, enquanto ele namorava a Scarlet, enquanto fingia que eu era só... uma parte antiga da vida dele.
Ela se levantou abruptamente, foi até a mochila jogada no chão e revirou o bolso lateral com mãos trêmulas até encontrar o que procurava. Puxou a foto — as bordas já amassadas de tanto ser guardada e retirada — e a estendeu pra Thalia.
Thalia pegou a polaroid com um cuidado que contrastava completamente com o resto do jeito dela, os olhos correndo pela imagem desbotada: os dois mais jovens, agarrados no meio do gelo, as luzes de Natal borradas ao fundo, o sorriso de Percy tão sincero que doía olhar. No verso, a letra dele, quase apagada pelo tempo: Feliz Natal Annabeth, quero passar muitos deles com você. Com amor... Percy.
— Merda — Thalia murmurou, baixinho, e ergueu os olhos pra Annabeth — Isso não é coisa de "parte antiga da vida". Isso é coisa de homem que nunca superou porra nenhuma.
— Isso não muda nada — Annabeth se sentou de novo, abraçando os joelhos — Ele tem a Scarlet. Ele escolheu ficar em Londres, construir a vida dele aqui, virar essa versão dele que eu mal reconheço às vezes. Eu tenho Oxford, tenho minha carreira, tenho...
— Você tem sentimentos que você gritou pra cara dele hoje de manhã, segundo o relatório entusiasmado do Nico — Thalia a interrompeu, sem dó — Não tenta reescrever a história de manhã pra mim agora à noite.
Annabeth escondeu o rosto entre as mãos, um som que era metade riso e metade soluço escapando.
— Eu odeio você às vezes.
— Eu sei. É parte do meu charme — Thalia devolveu a foto com cuidado, como se fosse algo frágil demais pra segurar por muito tempo — Olha, eu vi vocês dois na pista de skate semana passada. Vi na balada, no gelo, sei lá onde mais vocês andaram se encarando feito dois idiotas apaixonados fingindo que não são. Luke viu também, se é que você quer saber. Ele comentou outro dia, baixinho, que "aquilo ali nunca parou de verdade".
— Luke disse isso?
— Luke percebeu antes de mim, e olha que eu sou bem observadora — Thalia se levantou, esticando as pernas dormentes — O que você vai fazer com isso, Annabeth? Porque guardar a foto debaixo do colchão e fingir que não aconteceu nada não é exatamente seu forte, pelo visto.
Annabeth olhou pra polaroid nas próprias mãos, pro rosto mais jovem e mais simples de Percy sorrindo pra câmera sem nenhuma das cartas anônimas, nenhum barão, nenhuma Scarlet, nenhuma dúzia de anos de distância entre eles.
— Eu não sei — ela admitiu, a voz quase um sussurro — Só sei que não consigo mais fingir que ele é só um professor chato que por acaso conheço desde o colegial.
Thalia se sentou ao lado dela, dessa vez sem provocação nenhuma na voz, só o peso de quem conhecia a amiga havia tempo demais pra não reconhecer o que aquilo custava dizer em voz alta.
— Então talvez seja hora de parar de fingir, Chase. Pra você. Não pra ele, não pra essa Scarlet — ela pousou a mão no ombro de Annabeth — Pra você.
Do lado de fora, o frio de dezembro continuava caindo sobre Greenwich, indiferente ao que se decidia ou não naquele apartamento pequeno demais pra caber tanta coisa não dita.
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