Notas iniciais
Quem está pronto para conhecer a... bem, a Emilly? Pois bem, aí está. Antes de lerem, gostaria de agradecer muuuito aos lindos comentários. Aguardo vocês lá, queridos. Boa leitura.

Tenho o dia inteiro pela frente. Como ontem o Aidem tirou folga pra ficar com a "Emmy", hoje certamente ele vai trabalhar. E eu? Bom, vou olhar uns classificados em busca de emprego, preciso comprar ração para o pobre Matusalém, e sem meu emprego fica quase impossível.

O que me preocupa realmente é o tal do jantar hoje com "Emmy". Tomara que ela seja feia e tenha caspa. Se possível seja vesga também. Isso! Se ela fosse vesga ajudaria muito.

Me levanto, provavelmente fazendo um cosplay de zumbi, e acabo tropeçando em algo. O resultado? Caí de cara no chão. Instantaneamente pensei que tinha perdido um dente, pior. Um dente da frente!

Me levantei em um salto olímpico e avancei para o banheiro. Me olho bem, examino meus dentes, estão todos ali, perfeitos! Mas consegui um lábio cortado, o que certamente é melhor que a falta de um dente. Imagina, nunca mais eu beijaria ninguém! Oh Deus! Seria o fim.

Falando em beijar, faz um tempão que não beijo. Me tornei uma celibatária? Não!

Preciso arranjar alguém. Até o Aidem "Sr. não me envolvo com qualquer uma" tem alguém! E eu nada.

Pensando bem, acho que a tal da Emmy poderia ser uma anã, mais baixa que eu. Eu bateria na cabeça dela até ela afundar no chão. Hum... é isso que eu quero que ela seja, uma anã, já que eu sou super alta, não vai ser tão dificil.

Aproveito que estou no banheiro e faço minha higiene matinal.

Saio alguns minutos depois e marcho decididamente até o guarda roupa, procurar minha melhor roupa.

Alcanço a primeira e me enfio nela, é uma camiseta G que eu visto como vestido. Tem o desenho do Mickey Mouse estampado na frente. Trabalho com moda, mas na minha casa prefiro o conforto de uma camiseta simples.

[...]

As horas se arrastam lentamente, passei o dia assistindo a filmes e séries... e comendo. Matusalém continua a me ignorar e o Aidem nem dá sinal de vida.

A história do matuzalém é que encontrei ele na rua, pequeno, frágil e indefeso, pobre gatinho. Resolvi que seria a mãe dele, trouxe o coitadinho para casa e comecei a cuidar dele. Aidem e Peter, o veterinário, insistem em dizer que o Matuzalém é fêmea. Eu discordo totalmente, sou a mãe dele e uma mãe sabe o sexo do seu filho oras!

Faço uma pequena nota mental: Levar Matuzalém ao veterinário.

Após esse breve pensamento, sinto Bob vibrar ao meu lado no Sofá, o meu sofar.

– Alô?

– Oi Lola. Que tal levantar essa bunda do "Sofy"... — Era o Aidem e ele me conhecia como ninguém e ainda falou o nome do Sofy com uma pontadinha de sarcasmo. — E se arrumar para o jantar?

– O quê? Mas já? Sabe o que é baby? Eu estou com uma diarréia desgraçada, sinto muito. — Inventei uma desculpa para não ir, como o Aidem é bobinho, ele vai acreditar.

– Lola! — repreendeu-me. — Te apanho em uma hora, sem atraso. Já! — e com isso, desligou.

Ele desligou em minha cara! Minha cara!

Ainda brava com o comportamento do Aidem me levanto e vou pro banho.

Um tempo depois saio já de banho tomado, opto por um vestido preto, simples de alcinha. Pouco acima do joelho. Sapatilhas, uma maquiagem leve, e o cabelo solto.

Apanhei minha bolsa carteira e sai para a sala já encontrando um Aidem prontíssimo lá.
Ele está usando uma camisa azul marinho, as mangas estão dobradas até os cotovelos. Além de estar com os primeiros dois botões abertos, ela é um pouco justa, o que acaba marcando bem os músculos abdominais... Ei, espera! Desde quando eu reparo nos músculos abdominais do meu amigo? Hm.. deve ser carência. Ele também estava numa calça jeans preta, um vans roxo, os cabelos levemente bagunçados e uma cara angelical com um sorriso... diabólico? Ele está tão informal e lindo! Droga.

Aidem resolveu que nosso jantar seria em um restaurante muito chique situado no centro centro da cidade. Segundo ele foi uma bela sugestão da Emmy, o que achei estremamente desnecessário. Não sou nenhuma gorda nem nada, mas eu preferia estar num café, como por exemplo o café da esquina do meu prédio. Ali sim, me esbaldaria comendo umas belas batatas, hambuger, comida de verdade. Antes de entrar no restaurante avistei uma bela pastelaria, me imaginei comendo uma linda e deliciosa coxinha de frango, e quase saio correndo e gritando juras de amor para a pobre coxinha que seria devorada por mim.

Me refrei e senti que Aidem sorria ao meu lado, ele sabia que eu preferia estar do outro lado da rua e ria mesmo assim. Judas! Traíra! Desgraçado!

Entramos no restaurante, um local bem iluminado e com decoração simples e requintada. Um jazz soava ao fundo, garçons circulavam para lá e para cá, atendendo pedidos. E lá no centro do restaurante se encontrava uma loira sorridente. Sorria tanto que cheguei a imaginar todos os seus dentes pulando para fora da sua boca vermelha. Lembrei-me naquele momento de fazer umas pequenas observações mentais:

1. A Emmy não era vesga.

2. Ela é alta, muito mais alta que eu.

3. Quem provavelvente vai levar tapas na cabeça até afundar no chão sou eu.

4. Ela se vestia bem, muito bem.

5. E por último, ela é linda.

Após aquelas pequenas notas mentais sinto meu amigo me conduzir até a loira sorridente. Tentei sorrir de volta, mas sei que o que consegui foi uma careta horrorosa.

– Ai Lola! Nossa como você é linda, sabia que era, mas não tanto assim! — Falou a "só sorrisos" pra mim, meu ego deu um salto mortal e eu sorri de volta.

– Você também é muito bonita, Emmy. — retribuo o abraço que ela me dá.

– Que nada, menina! Adorei seu cabelo, é tão natural! E sua maquiagem, é como se você tivesse levantado e saído sem nem se olhar no espelho. — parei de sorrir instantâneamente e uma onda de raiva me atingiu.

Quem ela pensa que é? Senti algo disfarçado nessa droga de elogio que nem é elogio. Eu me olho no espelho sim, tá! E adoro o que vejo!

– Oi, meninas. Ainda estou aqui. -fala meu amigo idiota, que viu minhas feições mudarem.

– Ah amor, claro que está... ciúmes é? — Falou a "Emmy", beijando o Aidem de leve nos lábios.

Estranhamente senti mais raiva ainda.

– Então, vou me sentar. — falei, puxando a cadeira com tudo, o que chamou a atenção de umas pessoas próximas, que me olharam com superioridade.

Nojentos, pensei. E sorri com meu pensamento.

Os dois se sentaram e não soltaram as mãozinhas. Que romântico. O que eu estou fazendo aqui, afinal? Servir de vela nunca esteve nos meus planos de vida, mas cá estou eu.

– Então, senhores? — chamou o garçon, um senhor de meia idade de sorriso acolhedor. — Vinho? -Assentimos e o mesmo encheu pela metade nossa taças. — Aceitam a sujestão do chefe ou preferem escolher?

– Prefiro uma coxinha. — resmunguei bebendo o vinho.

Aidem sorriu. Ele ouviu meu protesto, claro que ouviu.

– A sujestão do chefe está ótima. -Falou sorrindo pra mim.

– Claro! Com lincença. — e assim saiu.

– Então, querida, eu soube que você perdeu seu emprego? — QUERIDA? Ela me chamou de QUERIDA! Senti meu rosto queimar de ódio dessa loira azeda... e ainda fala do meu emprego!

Eu.vou.matar.essa.garota.

E o idiota do Aidem também!

– É, foi um infeliz deslize. — tentei sorrir, tentativa falha, não sou falsa.

– Que pena! Meu amor me falou também sobre sua incrível capacidade de ser atropelada. -cutucou outra vez.

– Ah... isso é apenas excentricidade! Pessoas diferentes atraem coisas diferentes, não é mesmo, amorzão?- me voltei para o Judas que eu considerava amigo.

– Claro, Lola! Com certeza. — sorriu amarelo.

Sinta todo o meu ódio emanando de todos os poros do meu corpo, seu traídor!

– Então, já arranjou outro emprego? — essa garota tá brincando com uma ninja!

– Já sim. — Mentira minha.

– Já? — O único representante da ala masculina presente quase deixa os olhos pularem para fora da face.

– Já! — Dou-lhe meu sorriso mais inocente e sei que ele não está acreditando.

– Onde? — pergunta.

– Surpresa! — falo calma e sorridente.

A Emmy passou metade do jantar fazendo perguntas desnecessárias e colocando críticas destrutivas disfarçadas em elogios. Eu sei que ela não gosta de mim e isso tudo é fingimento e, a cada segundo o desejo de fazer ela engolir o garfo só cresce. Mas eu me controlo e bebo muito vinho pra me controlar.

– Ah Lolinha, seus olhos são tão lindinhos. Na verdade você é toda lindinha, parece uma pré-adolescente com essa estatura. — disse a Emmy certa hora, criticando minha altura.

Ah anjos, querubins, fadas, doendes, dai-me paciência!

– Fala alguma coisa, querida! Está tão quieta. — E... o copo encheu. Me levantei num salto e me preparei pro show.

– Ah... Vá se ferrar garota! Vá pro inferno que a parta! Desde que cheguei tu não faz nada além de me criticar! Eu não sou uma pré-adolescente, me olho no espelho antes de sair de casa e não tenho mau hálito! Meu emprego não te interessa, muito menos meus atropeladores. — Gritei chamando a atenção de todos ali presente. Aidem possuia uma grande interrogação na testa e a rídicula uma falsa expressão de tristeza.

– Só queria ser sua amiga, Lolinha. -Lágrimas de crocodilo... Satã!

– Não me chame de Lolinha! E vou te dizer uma novidade: nunca seremos amigas. — gritei mais alto.

– Lola! Acalme-se. — fala Aidem, ainda chocado.

– Acalmar? Como é que é? — surtei. Odeio que me mandem ficar calma e ele sabe disso. — Judas! Como consegue ficar quieto enquanto ela acaba comigo a noite inteira.

– Lola, por favor! — pediu olhando pros lados envergonhado e de... mim!

– Quer saber? Sejam felizes! Vocês se merecem.

– Senhorita, peço que se retire. -falou o seguraça

– Com todo prazer! — vou me retirando, quando lembro de fazer algo.

Dou meia volta e os dois me olham espantados.

Dou um sorrisinho e minha mão acerta em cheio o rosto da "Emmy". Todos soltam exclamações e eu mostro o dedo do meio, saindo dali sorridente e saltitante, em direção ao outro lado da rua.

Coxinhas, aqui vou eu.

[...]

Após ter meu encontro com as minhas "amiguinhas", resolvo beber um pouco. Andei umas quadras e encontrei um bar. Entro no recinto e me dirijo ao balcão. Me sento lá e permaneço um tempo olhando para o bar-man, um loiro de olhos azuis e músculos definidos.

– O que vai querer? — pergunta.

– O mais forte que você tiver. — falo.

– Pelo visto alguém quer voltar caindo aos tropeços para casa. — falou ele

– Seu trabalho é fazer drinks, anda logo! — falo, já sentindo a ira de mais cedo voltar.

– Tudo bem, tudo bem. Enquanto isso você pode ir me contando o que te faz vir aqui encher a cara. — sorrio diabolicamente.

– Não te interessa! — retruco.

– Não faço o drink, então! -responde de volta.

– Tá, tá. — resolvo ceder e lhe conto um resumo detalhado da noite e da tal Emmy, do idiota do Aidem e um pouco de mim.

Quando chego na parte do tapa, o demônio que descobri se chamar Mathews, começa a rir igual uma gazela.

– Caraca! Você é louca, garota! O que ciumes não faz... — falou, limpando as lágrimas dos olhos.

– Ciúme o caralho! Ela me chamou de "querida". Ninguém me chama assim!

– Mesmo assim.

– Que seja! Já vou indo. — digo isso, enquanto me levanto.

– Calma, garota! Meu turno está acabando, eu te levo em casa. — ele fala, pegando em meu braço. — Nem pense que quero te pegar, você não faz o meu tipo, só fiquei... curioso.

Fiquei surpresa, mesmo bêbada ainda consigo me surpreender. Aquele ser grandão não queria me pegar? Mentiroso. Eu não podia deixar um estranho me levar pra casa, ele podia ser um serial killer. Ou pior, um atropelador! Mas seu sorriso era bonito e ele tinha algo de garoto no modo de agir.

– Nem você faz o meu tipo.

Meu ego era maior, por isso revidei. Foi a única coisa que disse antes de nós dois começarmos a rir igual dois idiotas.

Notas finais
E então? Curtiram? Até o próximo, mas eu queria saber o que acharam...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.