As Crônicas dos Quatros Reinos

20 Capítulo 20 - O Coração Gelado


Notas iniciais
[Esse trabalho ainda não foi revisado. Ajude a melhorar essa obra deixando sua crítica e correção nos comentários. Esse trabalho é um projeto piloto da obra que pretendo publicar um dia. Esse trabalho contém a história básica, o livro terá mais detalhes e fatos que não foram contados nessa obra}

Ela vinha com seus passos lentos por entre os corredores principais do Castelo de Tarmor. Coração agitado de dor e medo, assombrada por seus sonhos e desesperada pelos gritos do mundo a sua volta, temia ela por sua vida. Cada passo em direção a sala do trono fazia com o coração em seu peito batesse mais forte.

O contraste perceptível de seus cabelos ruivos com o tom de sua roupa negra, arrastava a calda de seu vestido no chão lamiado com as botas dos cavaleiros que trazia toda imundícia que vinha das ruas de Tarmor. Estava sempre envolta de servas e sacerdotisas que a veneravam e por onde passava tinha a atenção das pessoas, por mais que fosse o posto desses, nada poderia lhes roubar a atenção a não ser a presença da mãe de um deus.

Seus olhos azuis tremidos das lagrimas que com eles vinham em cada olhar, foi assim que ela entrou na sala do trono, anunciada e venerada por todos ali presente. Se ela pudesse sondar as mentes de todos que a olhavam o que poderia encontrar em meio a pensamentos tão corruptos? Talvez inveja por ser ela a suposta "escolhida"? Ou talvez nojo por ser ela apenas ser uma estranha de cabelos ruivos no meio de um povo de pele branca como a lua e cabelos escuros, afinal, eles veneravam o negro de sua bandeira.

Catle atravessou a porta negra da entrada da sala do trono, olhou a todos a sua volta, estavam presentes os mais velhos conselheiros do antigo rei, alguns soldados e majestosamente sentado em seu trono o rei negro, vestido com o negro de sua casa, esquentado pela pele de um urso negro que nunca imaginou que seu destino fosse morrer para aquecer um rei, sua máscara de ferro escondia sua feição e um olhar que sutilmente vinha por detrás do capuz como que assustado sussurrava.

O silencio por alguns minutos, ela ficou parada como quem não soubesse a postura que deveria tomar, até que o rei negro acenou com a mão para que ela se apresentasse. Lentamente ela se moveu na direção da escadaria no altar do trono, parou e voltou seus olhos a procura do escondido olhar do rei, tinha ela que lutar com o capuz e a máscara, mas então ela o encontrou e o olhou como quem dizia coisas com seus olhos.

– "Mãe" porque me procuras? Que honra tenho em recebestes — Disse o rei negro sem ao menos se levantar de seu trono.

– Venho pedir seu conselho meu rei — Ela respondeu com seu rosto curvado, fugindo assim seu olha para o chão, observando a tapeçaria que pisava, os desenhos de espadas e escudos que formavam a arte da tapeçaria.

– Como posso ajuda-la? — perguntou então o rei negro.

– Se possível, poderíamos conversar a sós? — Pediu carinhosamente Catle.

Ele olhou para os lados e fez um gesto com a mão indicando que todos saíssem e foi assim que todos os deixaram.

Ele se colocou de pé e se moveu descende do altar do trono até a jovem, ela levantou então o rosto e o encarou.

– Deixa que eu te veja — Disse ela como quem sussurrava.

– Não me ver agora? — Perguntou o rei negro.

– Quero ver você, não o rei, mas o homem que um dia foi meu amigo.

Ele então baixou seu capuz e assim ele pode ver seus cabelos negros, ele levou as mãos por detrás da cabeça e removeu sua máscara.

– Sim, agora o vejo — disse ela estendendo as mãos para toca-lo — não vejo o medo, mas vejo o que se esconde do medo.

Ele nada disse, apenas estava assustado, o homem que se escondia por detrás da máscara não parecia em nada como o homem que era quando a usava.

– O mesmo mal que me consome e me mata dia após dia, é o mesmo que lhe atormenta — disse ela.

– Não entendo suas palavras — respondeu o Ivos.

– Eu estou morrendo, todos dias — disse elas permitindo que sua figura foi desconstruída e sua fraqueza fosse exposta como nunca tivera sido.

Ele a abraçou, sem entender bem o que a castigava, mas em seu coração existia um desejo sincero em ajuda-la.

– Todos os dias penso em morrer, em tirar a minha vida — disse ela se voltando com os olhos para os dele — todos me amam sem ao menos me conhecer de verdade, mas eu não os amos, porque eu vos conheço, são arrogantes e vaidosos. Não aguento o cheiro dessa cidade, as pessoas jogam suas vezes pelas janelas deixando as ruas com cheiro de urina e fezes, os homens bebem e batem em suas mulheres, se deitam com prostitutas e voltam para suas casas trazendo doenças e suas mulheres me procuram e rezam a mim para que eu as ajude, mas como posso ajudar? Quem de fato sou? — perguntava ela com rios de lagrimas caindo de seus olhos.

– Me diga o que devo fazer para lhe arrancar esse sofrimento? — Perguntou Ivos.

– Me deixe fugir com o meu filho — O silencio então toma conta dos dois, ele não imaginaria que esse seria seu pedido.

– Não posso! — sussurrou Ivos entendo o peso de suas palavras para Catle. Ela curvou seu rosto — ele é o deus de nosso povo, o que aconteceria se ele desaparecesse, principalmente em meio a situação que vivemos hoje?

Ela levantou com os olhos, não mais um olhar tristonho, mas uma figura assustadora e enfurecida e então gritou — ele não é um deus!

– Fale baixo — disse Ivos a segurando forte pelos braços e a sacudiu — sabe bem que as paredes têm ouvidos nesse castelo.

– Ajude-me — pedia ela.

– Trenur é um símbolo para esse povo e preciso desse símbolo para manter esse reino forte, o povo com fé é um povo forte, um povo sem fé é um povo sem esperança, como irei vencer os inimigos se eles não têm esperança?

– Ele vai se transformar em um monstro, vejo isso todas as noites em meus sonhos, e isso lhe vai destruir a alma, meu rei, ele é seu filho, sangue de seu sangue, deseja mesmo que não tenha o amor de seu pai?

Ivos ficou em silencio, como aquelas palavras entrou em seu coração e em sua mente como uma espada esquentada. Ele pensou o quanto odiava seu pai e lembrou do sentimento que teve quando o matou e aquelas memorias começavam a lhe perturbar como um fantasma que assombra pela noite.

– Por favor — disse ele — não me tire o pouco de alma que ainda existe em mim.

Foi então que ela percebeu que Ivos estava mais perdido do que ela pudesse imaginar. Ela até pensou que o fato de ter matado seu pai fosse pela ganância de ter a coroa para ele, mas a maneira como ele a olhou naquele momento lhe mostrou que Ivos não tinha ganância ao trono, mas de fato era algo muito pior que ganância, era o ódio e o medo que lhe estavam sendo senhor em tudo que ele agora era.

Ela deu as costas para ele e começou a andar em direção a porta o deixando sozinho, naquele momento ela percebeu que ele não o poderia ajudar, que o jovem que um dia tentou lhe salvar a vida de alguma forma havia morrido e que naquele momento ela só poderia contar com ela mesma. Se o destino de seu filho era a morte de muitos, ela talvez poderia mudar de alguma forma, só ainda não sabia como.

Ela caminhou e caminhou sem olhar para tras, olhou para frente vendo a luz do sol que entrava pela porta de saída do castelo quando se abria, deu seus últimos passos para fora do castelo e então olhou o mundo a sua volta, a cidade de Tarmor, a cidade fria no alto da montanha. As pessoas se moviam de um lado para o outro e então quando perceberam que na porta da entrada do castelo estava "A Mãe" parada eles se voltaram para ela. Ela não estava mais sozinha, suas servas e sacerdotisas já estavam a sua volta e os guardas a protegia.

Catle nunca se sentiu assim e não sabia de onde vinha suas forças, mas ele levantou com a mão e tocou em uma senhora que a louvava por ser a mãe de seu deus. A senhora lhe olhou nos olhos, Catle então a puxou e lhe abraçou e o povo se emocionou, perguntou Catle a senhor — o que posso fazer por ti?

– Cure minha filha que está enferma no seu leito — Pediu a senhora.

– Eu não posso cura-la, não sou uma deusa, não tenho poderes, mas posso lhe dar o pão que alimentará a sua fé, eu rezarei por sua filha e se os deuses forem bondosos eles a curaram.

A senhora então sorriu, e a abraçou e disse — a senhora é generosa, por isso é a escolhida dos deuses.

Catle caminhou pelas ruas abraçando e ouvindo as orações de todos, dava carinho e abraços. Brincou com as crianças e ganhou o respeito das mulheres tarmorianas que a essa altura se encantava com o ruivo de seu cabelo e lhes presenteava com qualquer coisa que pudesse lhe entregar.

Depois de uma manhã cansativa ela voltou para a Casa Sagrada e encontrou seu lindo filho de cabelos escuros que tentava dar seus primeiros passos na sua direção.

Sussurrava ela — venha meu filho, para os braços de sua mãe.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.