As Crônicas dos Quatros Reinos
16 Capítulo 16 - A sanguessuga tem duas filhas.
Notas iniciais
– Minha senhora, nenhum dos homens que voltaram da busca trouxeram notícias de Hamer. — Disse a jovem serva depois de sondar os corredores do castelo de Frater. As palavras da moça trouxeram alivio ao coração de Diana, ela tinha certeza que um homem como Hamer poderia muito bem se sair bem dos perigos da floresta e que seus fies cavaleiros fariam de tudo para que ele tivesse uma fuga bem sucedida. Mas a serva continuou com as novidades.
– Andam falando de vosso pai.
– Meu pai? O que dizem? — Perguntou a princesa interessada no que poderia vim de seus súditos.
– Dizem que nosso rei está enfeitiçado pelas gêmeas.
Diana olhou com estranheza e mostrou bastante interesse para que a serva continuasse.
– Como isso poderia ser? — Perguntou a princesa.
– Nosso rei anda mandando mais recursos e proteção para a casa de Fenix, também dizem que ele teve uma noite em particular com as duas.
– Mas não pode ser! — gritou a princesa desbravando toda a sua fúria. Ela já não admirava o pai mediante o seu caráter duvidoso e não era a primeira vez que boatos do rei com outras mulheres apareciam nos corredores do castelo.
Diana se levantou para contemplar a vista da janela de seu quarto, mas caminhando em direção da janela a jovem cambaleou.
– Minha senhora, o que acontece? — Perguntou a serva ao segurar a jovem princesa pelos braços.
– Não sei, de repente me veio uma tontu....
Diana começou a colocar seu dejejum para fora e isso preocupou a serva que gritava aos guardas que estava na entrada do quarto que logo que ouviram os gritos entraram para prestar socorro.
O destino do rei de Frater era a caminho de Fênix para pessoalmente entregar os recursos para a cidade, mas é claro que tudo era uma desculpa para encontrar com as gêmeas. Mas algo que não estava previsto para acontecer acaba de chegar na cidade de Frater, um mensageiro com más notícias vindo do leste dos Quatro Reinos, a mensagem não pode chegar a tempo ao rei de Frater, mas chegou diretamente nas mãos da Mão Direita do rei que reuniu o conselho e mandou que um mensageiro fosse ao encontro do rei para o que o mesmo voltasse com urgência para Frater para que as decisões fossem tomadas o mais breve possível.
Na cidade de Fênix o rei de Frater era recebido com festa e muitas canções que contavam a gloria do filho mais velho dos Quatro Reinos, eles cantavam.
"Frater mesmo com a traição não deixou a honra fugir do coração.
Frater mesmo sem perdão sonhou com uma Terra com gratidão, sonhou com os deuses e com a paizão"
Levantava as mãos o rei saudando o povo daquela cidade escura, de longe era possível ver o vermelho de seu manto. Da sacada da casa branca de arquitetura gótica estava Dah, uma das gêmeas que com um sorriso sarcástico contemplava a recepção de seu povo, ela já esperava que o rei tomasse alguma medida estupida, como correr para debaixo de sua saia, sua irmã Dá havia partido em uma de suas viagens de "negocio", provavelmente mais algum senhor sendo extorquido da maneira mais vulgar possível.
Desde de que as gêmeas começaram a sangrar que algum tipo de feitiço ou magia as dominaram, e eram possíveis seduzir a qualquer homem que lhes interessassem. A economia da cidade girava toda em torno do comércio da música que ganhou forças com o cântico magico das moças. Ninguém de fato sabia os verdadeiros interesses das jovens e como haviam conseguido esse poder que para muitos era místico. Até o senhor da cidade se deixava ser dominado pelo poder das moças, o que de fato está subentendido é que elas eram as verdadeiras senhoras de Fênix.
O rei não quis nem conversa com o banquete preparado pela casa do Lorde de Fênix, seu destinou foi direto a casa branca das gêmeas que mais parecia um castelo gótico.
Um ronco de um violão celo, o sussurro em forma de harmonia de suas servas, uma harpa ao fundo, e um quarteto de violas ao fundo, era o som que o rei ouvia ao cruzar as portas da casa branca, e o som o chamava para mais fundo da casa e foi quando encontrou Dah tocando sua harpa com uma canção sombria que dizia:
"Me chame, me chame em tuas noites. Em meio suas lágrimas, me chama com sua carne, com seu sangue. Eu sou sua senhora, a senhora de seu corpo, a senhora de sua alma. Me chame como quem tem sede de prazer e serei teu prazer e serei teu medo, serei teu sono, e tua morte".
A maneira como o rei se movia em direção de Dah e seu olhar perdido e encantado, ele até arriscou alguns passos de dança. Até um cético acreditaria que existia algum tipo de magia naquela voz, na melodia, no som medonho da música cantada por Dah.
Ele beija a mão da jovem e diz:
– Beija a mão de uma jovem donzela cantora, porém que tem em seu coração a força de uma rainha.
– Não pense tão longe majestade, pois minhas mãos são beijadas pelos lábios de um rei com um coração de deus. — Respondeu Dah com um sorriso perigoso em seus lábios. Ela apontou para uma mesa preparada no centro da sala com todo tipo de iguarias e perguntou.
– Me acompanha nessa degustação?
O rei então a acompanhou até a mesa e Dah então teve a oportunidade de perguntar o motivo de sua visita. Ele a olhou com um olhar penetrante e ela entendeu sua mensagem, mas ignorou completamente. A todo tempo o rei olhava para os lados, como quem estivesse escondendo algo.
– Não se preocupe — Disse Dah colocando sua mão sobre a mão do rei e continuou — Todos os nossos criados são surdos.
– Estou surpreso, é um castigo dos deuses não poder ouvir o som de sua voz. — Disse o rei.
Mas uma vez Dah ignorou o comentário do rei, ela estendeu a mão e tomou uma caneca com chocolate quente amanteigado e bebeu vagarosamente sem tirar os olhos do rei.
– Tempos difíceis estão chegando, em todo os Quatro Reinos se dizem haver rumores de guerra, e temo por mim, pois o reinado de meu pai ficou caracterizado com o reino de paz. — Falou o rei depois de ter experimentando um pouco do chocolate quente amanteigado.
– Meu rei acredita nos deuses? — Perguntou Dah.
– Você não acredita nos deuses? — Disse o rei com um tom ameaçador.
– Sim, acredito! — Respondeu Dah com um tom debochado e continuou — Porque teme tanto? Não acredito que os deuses não estão com a casa de Frater e todos os seus aliados?
– Minha jovem, os deuses não intervêm nas guerras dos homens, não me preocupo com os deuses, mas com as muitas casas querendo tomar o poder e o brilho da casa de Frater.
– Fala de Tarmor? — Perguntou Dah.
– Falo por todas as casas. Qual casa dos Quatro Reinos não queria ter o brilho, a força e as riquezas que possuía a minha casa? Frater foi o filho de nosso rei patriarca escolhido pelos deuses para ser o primogênito e por tanto o verdadeiro herdeiro de todo os Quatro Reinos.
– Entendo majestade, mas se eu lhe contasse que o mal que está por vir não vem dos homens e nem das guerras, mas um mal pior que a maldade dos homens, uma força além da capacidade de espadas e lanças. — Disse Dah, desta vez com um olhar sombrio e perigoso.
– Fala de magia minha jovem? Acredita mesmo em magia?
– Os deuses não são mágicos? — Perguntou ela como quem desafia a crença de seu rei.
– Os deuses são divinos e não mágicos. — Respondeu o rei com um tom de sábio.
– Pois digo o meu rei — Disse Dah agora envolvida por um tom sombrio e perigoso, como se de seu olhar saísse algum tipo de feitiçaria — A magia já está no meio dos homens, uma força maior, um rei de verdade já tem os corações dos homens e ele tem mostrado os seus sinais, os cegos não podem ver, mas os que temem a esse mal já o ouvem e lhe obedece, até os reis já se prostram ante a ele.
– Está dizendo que devo temer a esse rei? Está dizendo que existe um rei acima de mim e todas as casas dos Quatro Reinos? — Perguntou o rei com um tom de fúria em sua voz.
Dah se aproximou do rei, tomou uma faca da mesa e colocou nas mãos dele e lhe disse.
– Se eu tivesse medo dos reis dos homens teria eu medo de lhe entregar está faca? Teria eu medo... — Dizia Dah e agora aumentava o volume e sua voz como quem tentava gritar e continuo a falar- Teria eu medo da morte? Deveria temer? — Parou ele com um olhar aterrorizador na frente do rei e o encarava como quem fosse senhora dele.
Ele ficou parado sem ação, olhou para os lados e viu toda a riqueza da casa das jovens e se perguntou: "Como essas jovens sem sangue nobre poderiam ter ganhado tanta fama e ouro?" e sua conclusão foi que os rumores que se ouvia sobre elas era mesmo verdade, elas eram bruxas e tinha sobre elas magias obscuras, ocultas até para os magos mais sábios da casa de Builhes.
– Devo partir, o vosso senhor, o Lorde desta casa me aguarda para conversarmos. — Levantou-se o rei e beijou as mãos frias da jovem.
– Lembre-se majestade, você precisa escolher o seu lado. O mal chega nos Quatro Reinos, antes da Lua cheia do último inverno, o verdadeiro rei dos homens despertara de seu sono.
O rei saiu da casa branca sem entender aquelas palavras, mas aquelas palavras iriam fazer parte de seus sonhos e pensamentos por muito tempo.
Em Frater os sacerdotes mandaram chamar a curandeira mais famosa do norte para curar os enjoos da princesa Diana. Quando a curandeira chegou foi recebida pela jovem em seu quarto na presença das servas e dos sacerdotes. A curandeira colocou as mãos no ventre da jovem e rezou, parou por um instante com um olhar surpreso, sorriu e disse:
– Ela não está doente! Ela está abençoada pelos deuses, ela está gravida,
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