Branca estava impaciente. Ter Charlie e James desacordados era algo terrível. Ela sabia que confiar tanto em Lucy fora algo que pode acarretar em uma tragédia de proporções mortais para o trio, mas ela tinha agido de forma tão cuidadosa e respeitosa, que a platinada não conseguiu negar que ela ajudasse. Fora que Branca sabia que não conseguiria cuidar dos garotos sozinha. Ela precisava de ajuda, e alguém tão proativa, ao mesmo tempo que poderia representar uma armadilha, era a melhor opção.

A comoção que ambas tiveram que fazer, em substituir o quarto de uma cama só de Lucy por um com quatro camas, mais a levada dos garotos ao quarto e os cuidados que tiveram com eles ficaram marcados na mente de Branca. Às vezes, quando o cansaço falava mais alto que a vontade da platinada em ficar cuidado dos garotos, ela acabava cochilando e imagens daquela noite vinham em sua mente.

Já faziam três dias que os garotos estavam inconscientes, mas estabilizados, pelo que a dupla de garotas conseguiu trabalhar com alguns livros de Lucy, o conhecimento de primeiros socorros de ambas e instrumentos caseiros que Lucy comprou no mercado. Tudo isso durou outro dia, então, já estavam há quase uma semana ali e nada de seus perseguidores.

Seria tão bom se não nos achassem..., pensou ela, antes de cochilar novamente.

Mal sabia ela sobre o futuro daquele grupo improvisado.

. . . Naquela noite de quatro dias atrás. . .


Charlie encarava Sebastian como se ele fosse o verdadeiro Diabo andando sobre a terra. O que não deixava de ser uma alternativa, pelo fato daquele único demônio ser, provavelmente, suficiente para acabar com qualquer exército humano que mandassem como resistência. E esse fato, somado à sua crueldade, o tornaria um dos maiores sucessores do Diabo. Sorte do mundo todo que ele não liga pra essas coisas de hierarquia.

Do outro lado da rua, Sebastian segurava o cabelo da nuca da garota de cabelos platinados com a mão direita. Charlie via a dor e o desespero nos olhos azuis dela, e isso o deixava com mais vontade de socar Sebastian. Mas resistiu ao impulso de saltar sem um plano enquanto cerrava os punhos.

— Já desistiu, Charlie? ♪ — Sebastian provocava de sua posição, com um sorriso cruel em seu rosto enquanto a platinada tentava escapar. Os olhos dele brilhavam em dourado, com o cabelo escuro e desgrenhado completamente bagunçado esvoaçando ao seu redor. Usava uma camiseta de mangas longas, um jeans e coturnos. Não tinha adereços ou enfeites, além de ter uma katana na cintura. — Nossa luta nem começou ainda! ♪

Não caia nos joguinhos dele., alertou Clary. Sabe que ele diz isso só pra te provocar.

Eu sei... Estou tentando manter a calma.

Seja cauteloso. Se precipitar vai fazer ele acabar matando a refém., ela continuou. A melhor forma de combater ele é prestando atenção nele e agir conforme as ações dele.

— Você sabe quantas vezes eu perdi ou desisti de uma luta?- Charlie abriu os braços, com certa arrogância no olhar. Manter o oponente entretido era algo que ele sabia fazer bem.

— Oh! ♪- Sebastian colocou a mão no bolso, mas puxou o cabelo da garota, a fazendo morder o lábio.- Moleque arrogante. Vamos ver se é tudo isso mesmo.

— Aposto que está apelando pra um refém porque não consegue brigar comigo sozinho.- Charlie botou as mãos no bolso, dando de ombros e batendo o pé no chão, fingindo estar distraído.

Não..., disse Clary. Se ele achar que ela é inútil, vai acabar com ela...

— Verdade.- Sebastian olhou para a refém de cabelos platinados e depois para Charlie, dando um sorriso malicioso.- Não preciso dela. ♪

Quando o demônio moveu a mão livre em direção ao pescoço da garota, com os músculos tensionados para enformar ela deslizando a outra mão e envolver todo o pescoço dela de uma vez, Charlie já havia se movido. Ele viu o rosto da garota, a expressão de medo que ela fez e sua boca se abrindo para um grito fez o garoto se mover sem pensar.

Ele tirou sua principal peça, pois não fazia mais diferença: O oponente era Sebastian; além de um dos demônios mais fortes vivos, é um dos membros mais inconstantes dos Sete Pecados. Precisava ser eliminado para que Charlie atingisse seus próprios objetivos. E, nesse caminho, salvar qualquer um que estivesse ameaçado pelos Pecados.

De seu bolso, ele tirou a peça do rei. A peça que representava toda a vontade do Charlie; sua esperança, seus sentimentos; junto do apoio de suas tropas, as outras peças do tabuleiro, e mais toda a determinação de quem já cruzou golpes com a arma que aquela peça, era a arma que Charlie mais tinha orgulho de empunhar. A peça do rei, que tinha a forma da arma digna de um rei.

A espada que a peça de xadrez se transformou nem atingiu sua forma completa quando Charlie investiu. Ele acertou com a ponta da bainha na mão de Sebastian, que estava a muito poucos centímetros do rosto da garota. Quando o demônio foi atingido, o simples toque fez sua mão quebrar, além de que o impacto que se seguiu jogou todo o braço esquerdo dele pelos ares, ficando preso na parede atrás dele.

No instante seguinte, Charlie deu um salto para trás já levando a garota com ele. Enquanto isso, Sebastian sorria com um ar de crueldade em seu rosto, o que demonstrava sua animação em ter um desafio daquela altura para lidar. Ele deu alguns passos para trás, pegou seu braço e o colocou no lugar. Em segundos, estava com o braço como novo.

— Nada mal. Deve estar puto mesmo pra usar essa arma aí.- ele apontou com o queixo para a espada.- Mas mostrar ela foi um erro. Você sabe. ♪- o demônio moveu a mão direita, como se agarrasse algo no ar e tomasse pra si. Porém, quando ele olhou a própria mão, estava vazia. Ficou claramente suspeito com aquilo.

— Antes que você pergunte- Charlie brandiu a espada, ainda dentro de sua bainha e parou com ela em frente ao corpo.-, é porque esta espada é minha.- ele sorriu, travesso.

Oh, é sério?!, Karen debochou.

Alice gargalhava.

Por que você disse isso?, Clary soou acusatório.

Sou sincero.

— Mas... minha magia rouba qualquer coisa!- ele moveu a mão novamente.- Não importa o que seja, ou de quem seja! Magia, atributos físicos, talentos, armas! Qualquer coisa que eu saiba que exista! E essa espada está bem na minha frente! IMPOSSÍVEL eu não conseguir roubar ela!

— Plenamente possível. — respondeu Charlie, observando a arma. Mesmo sua bainha, era linda. Tinha uma bainha prateado que, internamente, a cada desembainhada e reembainhada a lâmina era afiada novamente, revestido por uma camada de couro vermelho e com um leão dourado pintado, além de alguns símbolos antigos e mágicos por sua extensão, alternando entre o cinza e o dourado. — Esta é a espada lendária, que escolhe seu portador através das eras, mas que se perdeu com o tempo. Ou melhor, um loira aí roubou ela. — sua empunhadura era dourada, apesar do material dela ser o mesmo material desconhecido clássico das peças de Xadrez de Charlie. Tinha adornos com vários desenhos ao longo da proteção para mão, que tinha a forma do que ele jurava que era um mustacho, só que dourado. A espada era uma

— Está me dizendo que você tem ELA? A espada? ♪- Sebastian estava boquiaberto de animação. Quanto mais raro e impossível, mais ele queria roubar.

— Esta é ela — Charlie brandiu a lâmina, colocando a mesma perto da cintura, como se fosse guarda na bainha e segurou a bainha com a mão livre, fazendo a espada se tornar uma katana.-, mas também é qualquer outra espada. É a completa arma de um rei. E só alguém escolhido por ela pode empunhá-la.

— Pensando assim...- Sebastian levou a mão ao queixo, então sorriu cruel.- É só eu roubar seus braços!♪

— Só vai saber tentando.- Charlie impediu que a garota ficasse ao seu lado, colocando o braço em frente a ela. Olhou a mesma por cima do ombro, com um sorriso travesso.- Está tudo bem. Sabe por que? Porque estou aqui!

A garota levantou as sobrancelhas, e antes de responder, o demônio atacou seu protetor. Eles bateram espadas, com Charlie tendo que defender. Mas a espada dele não foi desembainhada; enquanto a de Sebastian, fora de sua bainha, era uma espada de lâmina completamente negra e serrilhada. Mesmo a lâmina de Charlie ainda dentro de sua bainha, ela aguentava o tranco tanto quanto a arma que estava guardando. Charlie girou a arma em torno da de Sebastian, para desarmá-lo, só que o oponente conseguiu fugir e se afastou uns seis passos.

A nova arma de Sebastian preocupou Charlie, porém, ele momentaneamente ignorou o instinto de começar uma conversa. Quanto mais rápido fosse, melhor seria para não causar maiores problemas à platinada e à rua em que estavam lutando.

— Me desarmar não vai adiantar, você sabe! ♪ — o demônio jogou a arma longe, que antes de atingir o chão, voltou às suas mãos por um teleporte.

Você sabe também, que ele vai roubar seu poder, ou até mesmo suas habilidades de você assim que te tocar., alertou Clary. Então, o melhor é cansar ele e evitar problemas graças ao poder dele.

— Eu sei muito bem!- sua resposta foi para ambos. Charlie esperou por outro golpe do oponente. Sem retirar a katana da bainha, ele observou a postura do adversário.

Ele conhecia Sebastian o suficiente para saber que o oponente esperava por um brecha na defesa de Charlie. Ele usaria essa brecha para roubar algo de Charlie. Mas, o garoto também sabia que Sebastian não poderia roubar o poder dele se já roubou o poder da garota e não devolveu. Ele tem essa limitação que poucas pessoas sabem, graças à velocidade com que ele mata os oponentes, nenhum pensou que ele não tivesse roubado seu poder para sempre. E quem percebeu, também morreu.

Charlie também sabia de outra coisa: Não venceria sem desembainhar a espada. Mas evitar isso seria, sem dúvidas, a melhor solução possível para tudo aquilo. Estava preocupado com a garota atrás dele, e ele odeia lutar preocupado com alguém, apesar de gostar de lutar para proteger alguém. Precisava organizar os pensamentos, e dar o melhor de si para vencer...

Lembre-se do treinamento., ele ouviu Alice. Esvazie a mente. Tenha foco e consciência das intenções de seu oponente.

Ele respirou fundo, então expirou. Nesse instante, Sebastian se moveu mais rápido do que antes e foi com tudo para cima de Charlie. Ele defendeu, mas foi lento, e acabou desequilibrado. O oponente levou a mão para o braço dele, que caiu de costas para esquivar e chutou o adversário, fazendo ambos caírem no chão.

Sebastian foi mais rápido na hora de levantar, e acabou por cima de Charlie, aplicando um corte na lateral do ombro esquerdo do garoto. Ele sentiu o sangue escorrer e descobriu que algo não estava certo quando rolou para se levantar. Senti o braço latejar, e quando olhou, estava com chamas negras naquele local.

— Acho que te peguei de surpresa! ♪ — Sebastian comemorou, dançando com a própria lâmina.- Esta arma não é comum, como pode ver! Ela foi forjada para queimar aquilo que corta.♪

Trincando os dentes, Charlie usou o casaco para apagar as chamas. Apesar de extinguidas, ele ainda sentia a queimação no braço. Estreitou os olhos em direção ao oponente, que sorria alegremente e observava a própria arma.

— Oh! O heroizinho não está entendendo?♪ — ele levantou a sobrancelha, e deu um tapa na lâmina da arma.- Ela vai queimar no seu braço, até que seja quebrada, ou você perca o seu braço! Mas você não vai conseguir isso sem lutar sério... E nem se lutar sério! ♪

— Dessa vez, você conseguiu me impressionar, Sebastian.- ele empunhou melhor a katana, posicionando ela novamente ao lado da cintura.- De quem roubou ela?

— Ah, acho que foi de um vampiro nômade.- o demônio olhou para o céu, reflexivo.- Bem, não importa. Está morto mesmo.♪

— É claro que está morto. Foi uma de suas vítimas, afinal.- ele investiu, com a arma ainda na bainha, e deu uma estocada de esgrima. Quando Sebastian se moveu para interceptar o golpe, a arma mudou para a forma de um sabre para esgrima e ficou bem fina e leve, pegando de surpresa o demônio. Charlie deu uma série de estocadas com a arma, em diferentes pontos. Alguns atingiram Sebastian, mas outros também foram defendidos. De toda forma, o demônio foi jogado na parede do Cassino.- Só que eu não serei mais uma vítima.

— Nada mau. — Sebastian levantou, brandindo a katana e guardando na bainha. — Nada mau mesmo! Até parece que você luta bem quando faz isso!♪

— Fui treinado pela sua irmã e a maior vampira da história. — ele deu de ombros. — Lutar mal seria uma ofensa a elas.

— Cheque-mate!♪- Sebastian investiu novamente.- Você está certo!♪

Dessa vez, Charlie iria esperar pelo momento certo para esquivar de seu oponente, e usar essa brecha para atingir um local que decidiria a luta. Porém, era como se Sebastian soubesse da estratégia, ou sua imprevisibilidade funcionou. No momento em que Charlie achou que fosse o ataque, o demônio girou e deu um soco no rosto de Charlie, que saiu rolando pela rua até bater em um carro.

— Eu odeio essa sua magia. — Sebastian balançava a cabeça negativamente.- Preciso roubar alguma alma pra usar. Pelo menos, você não vai poder apelar pra minha irmã ou a vampira loira. Ou, até, a Necromante. Ela seria incômoda.♪

— Não!...- Charlie abaixou a cabeça, olhando para a espada em suas mãos.

Ei! Por favor!..., mas não obteve resposta. Elas estavam sendo bloqueadas pela magia de Sebastian. Era como se uma sombra estivesse na cabeça dele, entre ele e as garotas: bloqueando a visão, o som, o tato sobre elas... E essa sombra tinha a forma de Sebastian.

Então, ele decidiu. Precisaria ir com tudo para vencer o demônio em sua frente. Precisaria, definitivamente, desembainhar aquela espada. Ele deu um sorrisinho. Fazia muito tempo que ninguém o forçava a empunhar aquela arma. Charlie prendeu a espada no cinto, com uma corrente surgindo para prender a arma quando ele colocou a mesma próxima da cintura.

— Acho que alguém foi provocado.- Sebastian sorria, de forma cruel.

— É. Você conseguiu.- então, Charlie retirou a arma da bainha.

Ou ele tentou fazer isso. Pois quando colocou a mão na mão na empunhadura, um corvo veio voando e atingiu a cabeça de Sebastian. Foi totalmente inesperado, e o demônio caiu sobre a calçada como se tivesse levado um tiro. Charlie não desembainhou a arma, pois estava muito surpreso pra fazer algo como isso.

— Por que todo mundo resolveu brigar na minha cidade?! — ele ouviu a voz de James, logo à sua direita. Ele parecia estar se esforçando para ficar de pé, e mesmo assim, tinha mais dois corvos voando em sua volta.

— Você não devia estar dormindo?♪- Sebastian já estava de pé, estralando o pescoço.- Eu queria te matar só depois.♪

— Você não devia estar no Inferno? — retruquei, com um olhar sarcástico.

— E você num caixão?♪- o demônio respondeu, então olhou James e atacou.

Sebastian girou enquanto corria, esquivando dos corvos que o atacaram como se estivessem em câmera lenta. Pelo que o garoto sabia, o demônio realmente podia ser bem rápido. Quando estava muito próximo de James, o mesmo levantou voo para esquivar de seu oponente. O demônio observou seu adversário fugir voando.

— Desça aqui e lute como um homem!♪- gritou, levando a mão para cima e balançando.

— Suba aqui e lute como um corvo! — James retrucou.

Charlie aproveitou essa chance para investir no ataque. Ele sabia que, contra Sebastian, todo cuidado que pudesse ter ainda seria pouco contra os sentidos mais do que superiores que ele tinha. Respirando fundo, Charlie correu. Sua mente elaborava diversas ideias; inúmeras situações; incontáveis soluções para aquele movimento. Mas nada disso importava. Sem sua magia, precisou usar uma de suas técnicas principais de combate. A mesma técnica que venceu Alice.

Se ela pudesse, diria o nome do golpe...

O moreno tinha se esquecido do mundo todo por um único instante. Um segundo que durou tanto quanto sua piscada. Isso o fez processar tudo que acontecia em sua volta com os outros sentidos, ampliando seu entendimento sobre todas as situações ao seu redor. Sabia que a garota de cabelos platinados estava se escondendo atrás de um carro, mas olhando a batalha através do vidro. Sabia que a vampira de antes estava se recuperando de sua mão decepada, usando os corpos de seus antigos aliados para se alimentar e aliviar a dor, além de acelerar a cura. Também sabia que não havia mais ninguém naquela rua.

Esse pequeno momento passou por sua mente tão rápido quanto ele chegou em Sebastian, por trás do mesmo. O demônio se virou a tempo de ver Charlie por cima de seu ombro: Os olhos brilhavam em dourado, pela animação do combate; um sorriso travesso em seu rosto; a mão sobre o cabo da espada, começando a soltar a katana. E naquele momento, percebeu que nada poderia fazer.

Golpe de saque..., pensou Charlie, sentindo-se estranho por isso.

Então ele sacou a katana. Tão rápido que pessoas comuns não conseguiriam acompanhar o movimento, ele cortou Sebastian em nove pontos diferentes de seu corpo, e a cada corte, ele embainhava e sacava novamente sua espada. Então, com a arma guardada em sua bainha, ele se afastou em um salto.

Sete estrelas da magia.

Charlie ouviu o som de Sebastian gemendo e caindo no chão. Não estaria morto, é claro. Esse demônio é duro na queda. Ele virou e viu seu adversário se apoiando para não cair, com um sorriso cruel nos lábios. O garoto recuou um pouco, esquivando de um par de corvos que atacou sua cabeça. Charlie percebeu o jovem James com um olhar sério, sobrevoando Sebastian e com cinco corvos o cercando, incluindo os dois que haviam tentado atingir o moreno anteriormente.

Muito bom! Agora você restaurou sua magia!, comemorou Alice.

— Você me surpreende cada vez mais, Charlinho!♪- Sebastian já estava de pé, e saltou para trás, fugindo de um dos corvos.- E você já está irritando.- o demônio agarrou um corvo, que desapareceu em suas mãos. Ao mesmo tempo, os outros corvos também sumiram.

Durou menos do que eu espera..., Charlie suspirou.

Seu ataque anterior atingiu os pontos pelo corpo de Sebastian onde sua magia fluía com mais intensidade, a bloqueando momentaneamente e liberando qualquer feitiço que estivesse send usado. Porém, pro demônio ter feito o corvo sumir, ele já devia estar recuperado do golpe.

Ele ficou mais forte, é lógico., comentou Clary. E ele melhorou sua magia. Fique atento.

— Como?- James mal teve de processar a informação antes de ser derrubado por um poderoso chute de Sebastian, que o jogou no Cassino.

— Agora que sacou sua espada...- Sebastian aterrissou suavemente, e lambeu a presa saliente.- Podemos levar este combate a sério?♪

— Se você faz questão de adiantar sua morte.- Charlie segurou a bainha da katana, pondo sua mão sobre a empunhadura da espada.

. . .

Você já imaginou como seria se Ares e Atena resolvessem trocar golpes? (Isso, se Atena empunhasse uma katana, é claro) Branca vivenciava isso. Se alguma vez você dissesse a ela que os dois deuses tinha o melhor estilo de combate, ela não acreditaria. Mas agora, ela estava vendo aquilo: com seus próprios olhos, bem na sua frente. Seus estilos de luta eram exatamente como o dos deuses que representavam.

O demônio, que tem o nome de Sebastian aparentemente, seria Ares: Bruto e poderoso. Cada golpe era como se uma onda se chocasse com as rochas de uma encosta. Ele dava enxurradas de golpes com aquela espada estranha, que tinha a lâmina serrilhada. Se fossem golpes na terra, Branca apostaria que pelo menos metade de Las Vegas tremeria.

Em contrapartida, Charlie lutava como Atena: era inteligente e habilidoso; entendendo seu oponente e usando ele mesmo contra si, prevendo golpes e antes mesmo que o oponente pensasse, abrindo uma brecha em sua forma. O garoto saltava e esquivava sem nem mesmo por sua mão sobre a bainha da espada. Quando a espada era sacada, saía tão rápido quanto um flash. Porém, Sebastian defendia a lâmina.

Ela havia se recolhido em um canto, escondida atrás de um carro. Seu corpo a impedia de fugir para mais longe, enquanto sua mente gritava sem parar que ela levantasse do chão e começasse a correr de volta para casa. Pena que, nessa altura, ela já havia se esquecido de onde era sua casa... só conseguia ver aqueles dois garotos nem um pouco normais trocando golpes com suas espadas.

Nenhum dos dois deu brecha para ser atingido. Era um combate complexo , como se tivessem ensaiado aquilo durante muito tempo antes de lutar. Não havia sequer uma explicação plausível: Charlie era como um acrobata, com os golpes de Sebastian passando a milímetros de seu corpo, mas ele demonstrava plena confiança em cada esquiva e salto que dava, sem medo algum da espada; enquanto isso, mesmo que na última fração de segundo, Sebastian puxava a espada a tempo de bloquear a de Charlie, que a cada golpe parecia mais mortal que antes.

Mas nem tudo eram rosas. Branca notou que o braço esquerdo de Charlie ainda sangrava em um nível que ela começou a se preocupar. Já seu antagonista, estava ileso. Ela pensou se seu protetor também estava cansado pela luta com o Anjo Caído e o demônio de alguns minutos atrás... talvez isso realmente estivesse piorando a situação dele, mas sua expressão não demonstrava isso.

Branca viu que Sebastian também tinha percebido o braço ensanguentado de Charlie, e se aproveitou disso para pressionar o lado esquerdo do moreno. Mas ele não esperava que Charlie estivesse esperando por aquilo quando ele sacou a katana com o braço esquerdo em um movimento que até mesmo o mais experiente espadachim teria dificuldade, mas ele fez com facilidade. Em seguida, ele sacou do bolso outra peça de Xadrez. Branca não teve visão, mas viu que Sebastian fez de tudo para se afastar. Porém, o demônio foi lento, e seu ombro acabou sendo perfurado por algo. Então, ambos saltaram, recuando.

Ficaram a dez metros de distância um do outro. Sebastian estava de costas para Branca, enquanto Charlie, tinha ela no seu campo de visão. Ele só não a olhava para não desviar a atenção de seu oponente. Na mão dele, um Taurus calibre 380 em sua mão direita, apontada diretamente pro ombro de seu adversário. Charlie sorria travesso, enquanto os olhos de Sebastian se arregalavam, surpresos.

— Você também atira?- ele levantou as sobrancelhas.- Isso, é algo surpreendente!♪

— Você não sabe muito sobre suas presas.- Charlie trocou a arma e a espada de mão.- E menos ainda sobre mim.

— Garotinho arrogante! ♪ — o demônio segurou a espada com ambas suas mãos.

— Aprendi com você e sua irmã.- o sorriso do garoto aumentou, e ele apontou a arma com firmeza.

Branca viu que eles voltariam para aquele impasse de antes se começassem a lutar. Mesmo querendo, suas pernas não se moviam. Um instinto dizia em sua mente que ela precisava agir e ajudar. Seja lá como, ela sentia isso. Então, de olhos fechados, ela começou a usar seu poder. Apesar do medo e da vontade de fugir, seu senso de responsabilidade focou a mente dela em ajudar seu salvador.

Ela sentiu a umidade no ar, e as grandes quantidades de água que o corpo dos dois possuíam, e até mesmo o suor de ambos. Se concentrou na umidade do ar, a desenvolvendo, fazendo com que se tornasse mais física: não era mais uma simples umidade, mas gotículas de água. Ela reuniu um pouco dessa água no chão atrás do demônio, e somou com a magia que havia pelo ar para formar um par de tentáculos. Charlie percebeu tudo aquilo, mas ficou calado.

Quando os tentáculos estavam prontos, Charlie atacou, e Branca prendeu as pernas de Sebastian. O demônio não conseguiu se mover em direção ao adversário, tropeçando nos tentáculos de água e caindo de cara no chão e com a própria espada perfurando sua perna. O corte fumegou em sua pele, o que o fez dar um gemido de dor e ficar exposto ao golpe de Charlie, que foi para cima do oponente com a espada levantada para um golpe mortal.

. . .


Charlie aproveitou a brecha que foi aberta o máximo que ele pode, mas até mesmo ele não conseguia prever todos os movimentos de Sebastian. O demônio deu um grito e fez a espada atravessar sua perna, puxando ela pela lâmina e bloqueando o golpe de Charlie com o punhal. O demônio segurava a espada com firmeza, mesmo a dentição da lâmina abrindo ferimentos em seus dedos e as chamas negras ardendo por suas veias.

— Ainda não, garotinho!- Sebastian empurrou Charlie para trás e ficou de pé. O buraco em sua perna expelia chamas.- Não subestime o meu roubo!♪

— Eu nunca subestimo um oponente.- Charlie apontou a Taurus pra testa do adversário e guardou a katana na bainha.- Especialmente quando ele é um demônio multidimensionalmente conhecido que fez tantas coisas ruins para pessoas preciosas para mim.

— Inteligente de sua parte dizer isso.♪- as chamas na perna de Sebastian começaram a desaparecer. Então, a própria espada que ele segurava acendeu em chamas. Os olhos do demônio brilhavam de animação.- Mas eu sou mais inteligente que você, pois eu posso evoluir meu próprio poder. E também, elogios não vai fazer sua morte ser menos lenta.♪

— Eu gosto das Souls como são. Se eu quisesse elas mais fortes, você não duraria nem quarenta segundos em uma luta comigo. — Charlie deu de ombros. — Que pena. Eu poderia até dizer que você é bonito e legal... não. Teria que lavar minha língua depois de tantas mentiras.

— Provocação de gente fraca...- o demônio avançou. Foi tão rápido que Charlie mal percebeu quando a Taurus em sua mão foi jogada longe por um golpe do lado sem fio da espada de Sebastian.- São coisas que os fracotes deveriam usar entre si!♪

Então o demônio aplicou o mesmo golpe que Charlie fez nele anteriormente atingindo os sete pontos onde a magia de Charlie tinha mais intensidade e fazendo o garoto, momentaneamente, ficar sem forças para até mesmo se colocar de pé. Ele não ouviu gritos das Souls, pois qualquer som em sua mente foi cortado pelo som da lâmina que atingia seu corpo.

— Você não deveria sair me atacando com técnicas tão conhecidas entre os demônios. ♪ — o corpo de Charlie formigava com as chamas.- Deixa suas intenções evidentes demais.♪

O garoto tentava se levantar, mas seus músculos não respondiam.

— Você nunca quis me vencer. Queria conseguir tempo para salvar todos em volta, e depois escapar. Né?♪

Sebastian chutou a lateral do corpo de Charlie, o lançando pela rua até bater no carro que Branca se escondia atrás. Ele ficou de barriga pra cima, olhando para o céu.

— Como pode ser tão idiota? Eu desenvolvi formas de combater essa técnica, e no caminho, aperfeiçoei ela.♪- outro golpe. Dessa vez, o demônio enfiou sua espada na perna de Charlie, machucando-o por dentro pelas chamas negras.- Sabe por que os golpes que param a magia atingem músculos? Pois é neles que magos como você se focam ao usar magia. Esse reforço idiota que utilizam é como pedir para ficarem sem magia e força física.♪

Charlie piscou com a dor, apertando os olhos com força quando os pontos escuros começaram a conturbar sua visão.

— Com sorte, você não vai sangrar até a morte. Mas o fogo negro vai te consumir, isso é fato. ♪ — Sebastian se agachou ao lado do garoto.- Talvez dure um dia... quem sabe, semanas? Mas a sua morte é iminente. Vê como sou piedoso? Nem vou te matar com minhas próprias mãos.♪

Com todas as suas forças restantes reunidas, Charlie deu seu sorriso malicioso e cuspiu no rosto do demônio, que estava quase na altura do dele. O cuspe atingiu um dos olhos de Sebastian, que ficou sério e levantou a espada sobre o pescoço de Charlie.

— Acho que assinou seu testamento. ♪- ele desceu a espada. Charlie não piscou.

Charlie!, ele não sabia dizer de quem era aquela voz.

Então uma força impediu o golpe. Uma força de cabelo platinado. A garota de cabelos brancos estava de pé e com a mão estendida, enquanto Sebastian havia saído rolando pela rua na direção oposto a Charlie. A garota estava séria, o rosto evidenciava seu medo e seu desespero. Muitas vezes, ela poderia ter fugido. Era isso o que Charlie queria. Mesmo assim, ela ficou ali e agiu. Admirável.

— Quites? — ele ouviu ela dizer.

— É. — Charlie levantou. Ou melhor. Ele tentou levantar, mas acabou se apoiando no carro só pra ficar sentado.

— Que reviravolta inesperada! — ele ouviu Sebastian, que já estava de pé, praticamente dançando com a espada enquanto andava até Charlie e sua aliada. Seu olho esquerdo estava pingando sangue. Aparentemente, foi perfurado pela água. — E pensar que você iria agir não só uma, mas duas vezes?! Impressionante!

— Fique longe dela. — usando a espada de apoio, Charlie se colocou de pé. — Seu oponente sou eu.

— Meu olho esquerdo discorda disso. ♪ — o demônio sorriu, cruel. — Mas não se preocupe. Irei te matar primeiro, com exclusividade.♪

— Boa sorte com isso. — ele tentou melhorar sua posição, enpertigando-se e segurando a espada com as duas mãos. — Quem disse isso da última vez não pode te contar como morreu.

— Garotinho arrogante. ♪ — Sebastian atacou.

Charlie segurou a respiração por um instante. Sebastian mataria a garota e ele quando tivesse a chance. E em seguida, iria matar James. Ou seja, ele não tinha motivos para hesitar. Seus olhos brilharam com a decisão.

Ignorando a dor que sentia, ficou em posição: seu pé esquerdo foi à frente, com a mão esquerda ficando na altura do ombro; seu braço direito levantou a espada na altura de seu peito, com a ponta na direção de seu adversário. A lâmina adotou a forma de um sabre de esgrima.

Então, Charlie expirou e atacou.

Estilo dos Hellscyth com florete:...

Sebastian quase reagiu a tempo, mas o garoto foi superior. Ele fintou com o sabre, atingindo o ombro do oponente. E não parou por aí. Ele saltou novamente, em incrível velocidade, e golpeando em torno do corpo do demônio que brandia sua espada para afastar o saltitante e mortal Charlie. O garoto nem precisava olhar, simplesmente atingindo o corpo de Sebastian com violentas estocadas.

Chuva de Estrelas Cadentes!

Encerrou atravessando a cabeça do oponente com o florete.

Charlie guardou a espada dentro da bainha, que já estava adaptada para o florete que ele segurava. O garoto olhou para a platinada, então deu um sorrisinho pra ela e caminhou até a mesma.

— Agora está tudo bem... — ele virou pra ver o demônio, que tinha desaparecido do chão.

— Você... seus ferimentos.... — começou a garota.

— Não são problema. — olhou na direção em que James havia sido jogado. — Vá pra casa. E de lá, vá embora de Las Vegas. Quiçá, pra longe dos Estados Unidos. Agora você também é um alvo.

— Eu... — ela ponderou. — Não vou deixar você assim.

Charlie se virou para ir pegar James. Disse, já de costas:

— Faça como preferir.

. . .

Branca acordou de seu devaneio quando a porta do apartamento tocou. Não seria Lucy; ela não bateria na porta depois de tudo que passaram. A pessoa na porta insistiu.

Engoliu em seco e levantou. Caminhou calma e silenciosamente até a entrada do apartamento, e xingou mentalmente por não terem uma porta com olho mágico. Que apartamento não tem um olho mágico?

Hesitante, ela abriu a porta. E levou um susto, arqueado as sobrancelhas para a mulher do outro lado: era a vampira de cabelos azuis.

Notas finais
Divulguem. sz
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.