As Crônicas de um Ronin
7 Capítulo 7 - Festival Tanabata
Notas iniciais
Gente, perdão por ter sumido, eu acho que devo muitas explicações para vocês. Primeiramente gostaria de agradecer o carinho dos leitores que tem deixado comentários na fic. Minha parceira me deixou a par das novidades e me comentou que algumas pessoas andaram perguntando a respeito da continuidade da história. Não vamos abandonar essa fic, foi uma falha terrível de minha parte ter me afastado tanto. Eu tive alguns problemas com a vida fora da net e isso acabou culminando em desanimo total. Mas agora estou retornando e espero que ainda possa contar com a presença de vocês. Estou trazendo aqui mais um capítulo, espero que apreciem.
P.S.: Um beijo especial pra minha amada beta que com todo o carinho e dedicação me ajudou a tirar os bilhões de erros que tinha no texto. Yu, beijos. ♥
P.S².: Beijos para minhas queridas leitoras também. sz
Já haviam se passado duas semanas e os preparativos para o festival estavam prontos a cidade estava toda enfeitada e não se falava de outra coisa. Aquele era um festival muito importante, visando que uma linda lenda era contada, porém Kahina não estava nenhum pouco animada com a idéia. Depois daquela noite de reinauguração, nunca mais tivera a chance de conversar a sós com Okita e nem tampouco descobriu o que ele diria se não tivesse sido interrompido pelos companheiros, suspirou chateada, enquanto terminava de limpar uma mesa.
— Kahina-nee-chan? — Ayame se aproximou, tocando por fim o ombro direito da garota, que por pouco não derrubou uma bandeja que estava em cima da mesa. Sorriu com o pulinho da irmã. — O que foi? Está chateada com alguma coisa? — A irmã insistiu, encontrando um sorriso um tanto triste pela parte da outra.
— Iie... É só que... — Encolheu os ombros, queria convidar o capitão para o festival, imaginou que não deveria dizer nada para Ayame já que ambas gostavam do mesmo garoto. Obviamente Ikuto a tinha convidado e sem ter uma desculpa apropriada para negar o pedido o aceitou prontamente. — Nada, eu estou bem.
— Sei... — Ayame olhou-a acusatoriamente, já sabia o motivo é claro, conhecia a irmã muito bem. Esboçou um sorriso trocista, tinha um plano para ajudar a outra, mas não diria nada do contrário provavelmente à irmã fosse discordar e tudo iria por água abaixo. — Ah, o festival é hoje! Não é maravilhoso? — Alfinetou.
— Hai, hai... Ótimo. — A outra respondeu desanimada, pensou em perguntar o motivo daquele sorrisinho de Ayame, mas então Ikuto e Shiro entraram animados, ambos estavam carregando vários pacotes. — Eh? Que isso, foram fazer compras? — Kahina se aproximou e Ikuto estendeu as mãos entregando para ela aqueles pacotes, ela arqueou uma das sobrancelhas confusa, mas aceitou. — Isso é pra mim?
— Não, eu apenas queria que você segurasse, estou cansado, sabe como é... — Comentou irônico e recebeu um beliscão da garota. — Aí! — Reclamou, fazendo uma expressão infantil. — Claro que é pra você, são presentes, é para o festival.
— Esses são os seus. — Shiro entregou para Ayame os pacotes que carregava. — Vamos juntos não é? — Perguntou apreensivo, já fazia uns dias que queria convidar a garota, mas sempre que tocava no assunto ela dava um jeito de dizer que tinha que fazer alguma coisa ou acabava mudando de assunto.
— Ahn... É, claro, com quem mais eu iria? — Um sorrisinho sem graça adornou os lábios da morena. — Nee-chan, vamos, temos que nos arrumar, daqui a pouco vamos sair. — Puxou a irmã pelo braço antes que os dois quisessem segurá-las ali por mais tempo.
— Okita-san... — Kahina comentou com uma expressão meio triste, Ayame arregalou os olhos jogando um pouco de água no rosto da irmã.
— O que quer dizer com isso? — Ela perguntou enquanto afundava na banheira, relaxando, aquele banho estava mesmo delicioso, ambas optaram por tomar banho juntas, daquele modo poderiam se auxiliar com as roupas que iriam vestir. Já estava perto da hora de sair para o festival.
— Você gosta dele, não é? Por que não convida ele? — A garota de cabelos esverdeados sorriu, talvez fosse hora de abrir mão daquela paixão infantil, não poderia ficar junto do capitão, afinal, estava noiva. O pai certamente ficaria decepcionado se desmanchasse o compromisso por uma relação incerta, mas Ayame ainda não tinha aceitado o pedido de Shiro, ou seja, não tinha nada que a impedisse.
— Eu gosto. — A morena assentiu, notando uma pitada de dor na expressão da irmã, sorriu gentilmente e tocou o rosto dela com uma das mãos. — Ele é um bom amigo. — Complementou, enquanto a outra arqueava a sobrancelha.
— Mas... Eu achei que... — Sentiu os lábios sendo tapados pelo dedo de Ayame, concordou e fez silêncio, observando-a.
— Sim, você está certa, nee-chan, mas o que eu sentia por Okita-sama não era exatamente o que imaginei, talvez seja o jeito dele... Quer dizer, ele é tão diferente de todos que conhecemos o sorriso, o jeito brincalhão. — Ela riu quando a irmã fez uma careta, muito provavelmente fosse ciúmes, um sorrisinho dançou nos lábios da morena enquanto ela maneava a cabeça negativamente. — Hajime-sama...
— O QUÊ? — Ela se assustou, arregalou os olhos e Ayame segurou os ombros da mesma fazendo-a sentar-se novamente na banheira. — Como? Quando? Por quê?
— Ei, vai com calma, quer que Ikuto-kun e Shiro-kun invadam o banheiro achando que estamos com problemas? — Franziu o cenho. — Eu não sei... Desde que eu vi aqueles olhos azuis e aquela expressão fria... Alguma coisa dentro de mim mudou. — Ela recostou-se na borda da banheira e jogou a cabeça para trás, enquanto um suspiro entristecido se esvaia pelos próprios lábios.
— Aquele homem sanguinário... Ele arrancou a mão daquele freguês! — Kahina retorquiu, fazendo uma careta. — Sério? Mas... Ele é tão...
— Frio, eu sei, ele parece não gostar de nada e de ninguém... — Ayame complementou chateada. — Mas eu gosto dele... E depois ele fez aquilo pra me ajudar, não foi? — Suspirou sonhadora.
— Oee... Matte! Não me diga que acha que ele é um tipo de príncipe encantado!? — Kahina gargalhou, viu Ayame se enrolar numa toalha um pouco irritada. — Não fique brava, mas... Ayame-nee ele não parece ser o tipo de homem que salvaria uma donzela em apuros.
— Mas ele salvou... — Ela disse convicta, enquanto se secava, viu a irmã sair e começar a fazer o mesmo. Suspirou um pouco cansada. — Certo, não é um príncipe, mas é uma pessoa diferente... Não sei, eu acho que ele tem algo especial.
— Ahh... Você perdeu o juízo! Mas o que vou dizer? Eu estou noiva e... — Desistiu de continuar, vestiu um roupão e saiu, deixando a morena para trás, optou por se arrumar no quarto.
— Saitou-kun, vamos! — Okita insistiu, observando o outro suspirar em puro desagrado, puxou o braço do homem, que se livrou, fazendo uma careta. — Ah, por favor, hoje é nosso dia de folga, você sabe que dia é hoje? — Insistiu.
— Isso é uma bobagem! Não vejo razões para ir nesse festival, se você quer tanto ir, vá sozinho. — O capitão sentenciou, afastando-se um pouco do castanho, não compreendia as razões dele para insistir tanto.
— Para de ser chato! Todos vão, até Kondou-san vai, você é o único que está com frescura, anda logo. — Teimou, vendo o outro soltar um suspiro de rendição, sorriu satisfeito pelos resultados. — Vamos logo, Sanosuke já foi com Shinpachi e Heisuke, só faltamos nós dois. Até o Hijikata-san já foi.
— Que seja... —- Aceitou mesmo sem vontade. Saiu pelo portão na companhia de Okita, ambos estavam a paisana, mas carregavam as katanas na cintura é claro, nunca deixavam as espadas longe, afinal, poderia acontecer algum problema. A única diferença era o yukata que utilizavam, era uma vestimenta um tanto informal e de cores diferentes. Hajime odiou a idéia de trocar o usual kimono preto, mas já que tinha que fazer aquilo que fosse de uma vez por todas, assim acabaria mais rápido. Os cabelos estavam presos em um rabo-de-cavalo, diferente do que ele costumava fazer é claro.
— Isso não ficou nada mal. — O capitão do primeiro esquadrão alfinetou, enquanto caminhava. As ruas estavam lotadas e iluminadas por luminárias. Havia barracas espalhadas por todos os cantos, mas o verdadeiro espetáculo era no centro da cidade. Iam acontecer vários tipos de apresentações, desde uma representação teatral sobre a lenda, competições e afins. Apressou os passos, mais parecia uma criança e até ele estava usando roupas diferentes e o penteado também havia sido desmanchado. Usava um Yukata marrom, com uma faixa num tom mais escuro. Aquele tipo de roupas realmente combinava com ele.
— Souji, vá com calma. — Saitou reclamou ao ver o castanho praticamente atropelar algumas pessoas que ali estavam ele havia comprado alguns doces e caminhava animado. Não conseguia compreender o motivo de tanta alegria, era apenas mais um de muitos festivais.
— Eu já volto, fiquem aqui, tem muita gente, se vocês saírem por aí vão acabar se perdendo. — Ikuto insistiu, observando ambas assentirem, Shiro observava Ayame com um sorriso gentil, ela estava belíssima.
— Shiro-kun. — A morena chamou animada, segurou o braço do garoto que sorriu satisfeito. — Eu quero aquilo, veja. — Apontou para vários peixinhos coloridos, era uma barraquinha, onde os fregueses poderiam pescar os peixes e adquiri-los.
— Hai, fique com Kahina, eu vou pegar pra você. — Ele se afastou esperando a vez dele de tentar capturar o tal peixinho.
— Kahina-chan, corra. — A menor segurou o braço da mesma e a puxou para o meio da multidão. Ambas correram, afastando-se dali.
— O que está fazendo? Desse modo eles não vão mais nos achar. — A garota de cabelos esverdeados comentou um tanto ofegante.
— Sim, exatamente, agora me faz um favor? — Perguntou com uma expressão suplicante, Kahina estranhou, mas acabou assentindo. — Arigato! Aishiteru nee-chan. — Sorriu radiante. — Espere aqui, eu já volto.
— Demo... — Protestou, mas a outra já tinha saído correndo, realmente Ayame parecia ter muita energia.
— Okita-sama! — Gritou à morena, vendo o outro cessar os passos, engoliu em seco ao vê-lo junto com Hajime, se aproximou corada e ofegante.
— Ayame-san? — Okita piscou algumas vezes tentando reconhecer a outra, sorriu, radiante, procurou Kahina, mas pelo jeito ela estava sozinha. — Ah, eu achei que a Kahina-chan estaria com você... — Sorriu meio sem jeito, Saitou por sua vez apenas suspirou, apoiou os braços em cima mureta da ponte e passou a observar a água.
— É justamente esse o problema, Kahina-nee-chan está com um pequeno probleminha... — Ela fez uma expressão de tristeza, abaixou a cabeça.
— Nani? Onde ela está? — Okita se prontificou a ajudar, tocou o ombro da garota que ergueu a face e apontou a direção onde à outra estava.
— Fique aqui, Saitou-kun, por favor, cuide dela eu já volto. — E saiu correndo em disparada.
— Se ela está com problemas não deveria ir junto com ele? — Hajime disse simplesmente, virando um pouco o rosto para encarar a morena. Ela se aproximou, recostando o corpo na mureta e olhou para baixo.
— Iie, Okita-sama é suficiente para ajudá-la. — Ela sorriu, ergueu a face e encarou o capitão, que desviou o olhar levemente corado.
Um silêncio constrangedor se instalou entre ambos, permaneciam parados, observando uma parte qualquer do ambiente. Ayame corada, pois havia achado o visual do capitão realmente inusitado, mas tinha gostado dos resultados. Os longos cabelos púrpuros presos num rabo-de-cavalo, um kimono azul escuro com uma faixa da mesma cor, ele estava realmente muito bonito. Já o homem admirou a beleza da jovem, os longos cabelos soltos e adornados por um belíssimo pente dourado. Um kimono de duas camadas, sendo a ultima numa preta com enfeites dourados.
— Ne... — Ela começou num tom que mesclava constrangimento e ansiedade. — Não quer ir passear? — Ela acabou sorrindo com a expressão de surpresa que ele havia feito. — O que foi? — Indagou curiosa enquanto um sorriso adornava os lábios avermelhados. Tinha optado por usar maquiagem, não gostava muito de usar aquele tipo de coisa, mas como era um dia especial não viu razões para não usar. Os olhos também estavam pintados, uma sombra bem clarinha, deixando-os ainda mais chamativos.
— Não é nada, eu só... — Ele pigarreou tentando recuperar o fio da meada, não tinha muito costume de manter uma conversa e muito menos com uma garota tão bonita como ela. Não que odiasse, apenas achava que não servia para aquele tipo de coisa. — Eu acho que não é uma boa idéia.
— Por que não? — Ela perguntou curiosa. — Não gosta de festivais?
— Iie... — Ele confirmou sério e frio como o gelo. — Só não entendo muito bem o que tem de tão bom.
— Conhece a lenda, Hajime-sama? — Ela perguntou com uma expressão séria, mas ainda assim com um brilho especial no olhar.
— Algo como um amor proibido. — Ele disse simplesmente.
— Iie... Venha, eu vou te contar no caminho, vamos lá. — Ela insistiu e ele tomou a frente, enquanto ela caminhava poucos passos atrás dele.
— Kahina-chan! — Okita cessou os passos e arregalou os olhos ao ver a garota, ela estava vestido um kimono semelhante ao de Ayame, porém a ultima camada era branca com alguns detalhes cor-de-rosa. Os longos cabelos esverdeados estavam presos em um coque muito bonito e também adornados com um enfeite dourado. Por um instante ele imaginou que era uma Deusa que havia descido dos céus, nunca tinha visto uma garota tão linda. — Você está bem? — Ele se aproximou e ela corou, desviando o olhar.
— Eh? Eu... Ayame-nee-chan disse que já voltava, ela saiu correndo do nada. — Explicou meio sem jeito.
— Ah, é mesmo? — Ele abriu um sorriso radiante, já tinha compreendido bem o que a morena havia feito, maneou a cabeça negativamente. — Venha, vamos passear sim? — Ele segurou a mão da garota e a puxou para o meio da multidão.
— Demo a nee-chan... — Seguiu-o, mas virou, olhando para trás e não encontrou nem sombra da outra.
— Fique tranqüila, ela está muito bem acompanhada. — Ele insistiu, parou em frente a uma barraquinha de comida e comprou alguns dangos, entregou para a garota. — São gostosos, experimente.
— Shiro! — Ikuto se aproximou do outro com uma expressão nada amigável. — Onde estão Kahina-chan e Ayame-chan?
— Eu... Ayame-chan pediu pra eu pegar isso. — Ergueu um pequeno vasilhame com um peixinho que nadava solitário de um lado a outro. — E quando me dei conta elas haviam sumido!
— Baka! Temos que encontrar as duas, podem estar em perigo, você é mesmo um tolo, devia ter levado as duas. — Ambos se dividiram e começaram a procurar, mas havia tantas pessoas que seria muito difícil encontrar o rastro de ambas.
— Um dia a princesa Orihime, recebeu de seu pai Tenkou, o Deus celestial a função de tecer um belíssimo manto de estrelas que ganharia o nome de Via Láctea... — Sentou-se ao lado de Hajime, um pouco afastada do festival, ele e encarou seriamente. — Certo dia, cansada do tear, Orihime foi caminhar entre as nuvens, e encontrou no caminho um belo pastor, Hikoboshi, o responsável por cuidar dos animais celestiais.
Hajime permanecia quieto, mas prestava bastante atenção em cada palavra pronunciada pela jovem. Ele não conseguia em momento algum tirar os olhos daqueles lábios rubros que se moviam tão gentilmente, entoando uma voz calma que mais parecia uma canção aos ouvidos do mesmo. Fechou os olhos por alguns instantes, enquanto sentia o coração disparar.
— Ambos se apaixonaram perdidamente, porém em temor a Tenkou, optaram por namorar escondidos, pois quando o Deus se irava lançava tempestades e raios. Todavia, seu amor era tão grande que ficou maior que o próprio universo. — Ela fez uma pausa, observando a expressão do capitão. Ele mantinha os olhos fechados, mas o semblante apesar de frio demonstrava tranqüilidade, sorriu, continuando a narrar à história. — Pediram então permissão ao Deus Tenkou, para poderem se casar. Tenkou, apesar de não gostar da idéia, viu que não havia jeito o casal estava perdido de amor. Só que, dominados e embalados por este amor sem fim, ambos descuidaram-se de suas obrigações, de seus afazeres. A vida era só para o amor, Orihime já não mais tecia o céu, Hikoboshi já não cuidava mais dos animais celestiais. Esqueceram-se da Terra, das pessoas que viviam abaixo do Reino dos Céus.
Hajime abriu os olhos, pois a Ayame mudara o tom de voz, com certa tristeza ela encarou o céu e suspirou, ele por sua vez ergueu o rosto também olhando para as estrelas que brilhavam incessantes. Teve vontade de segurar a mão dela, mas desistiu da idéia quando a garota novamente se pôs a falar.
— Tenkou, indignado e profundamente decepcionado com a falta de responsabilidade do casal apaixonado, decidiu que ambos viveriam separados, para que cumprissem suas obrigações antes de pensarem apenas no amor. — Ela se levantou e caminhou alguns passos, ainda olhando o céu, virou-se para Hajime, com um sorriso triste nos lábios. — Deveriam viver bem longe um do outro, cada qual em uma parte da galáxia. Orihime e Hikoboshi, separados, era um sofrimento sem fim. As lágrimas de Orihime caiam sem parar, formando estrelas brilhantes no céu. — Apontou para cima, mostrando as estrelas.
O capitão se levantou e olhou para o céu, fora assim que as estrelas haviam sido criadas? Lágrimas de tristeza por causa de uma separação? Moveu os lábios, queria poder dizer algo, mas não sabia exatamente o que dizer, olhou para a morena que sorriu para ele. — E os dois terminaram separados pela eternidade? — Ele perguntou finalmente, estava curioso.
— Iie... — Ela retorquiu, deu alguns passos em direção a ele, parando próxima, mas não muito. — Tenkou se comoveu com a tristeza de ambos e como presente abrandou um pouco sua penitência, permitindo que o casal se reencontrasse, porém apenas uma vez por ano. No sétimo dia do mês, com uma condição: Orihime e Hikoboshi teriam que atender aos pedidos vindos dos habitantes da terra feitos no dia do reencontro.
— E qual é o seu pedido? — Ele olhou-a curioso e ela sorriu, segurou ambas as mãos do capitão gentilmente. Ainda encarava a garota esperando o pedido.
Ela fechou os olhos e apertou gentilmente as mãos do capitão. — Desejo que a onee-chan e o Okita-sama sejam felizes juntos. — Abriu enfim os olhos e podia jurar que viu a sombra de um sorriso dançar nos lábios finos do capitão.
— Hajime-sama? — Ela piscou algumas vezes.
— Hai? — Ele soltou uma das mãos da garota, porém ainda segurava uma, puxou-a para o meio da multidão, a fim de levá-la para passear.
— Não tem um pedido? — Ela ruborizou, não compreendendo bem a idéia do capitão, já que ele parecia não gostar da multidão, mas acompanhou-o, andando um pouco mais atrás.
— Orihime-sama e Hikoboshi-sama já atenderam o meu pedido. — Ele disse simplesmente, por alguma razão ele desejou profundamente poder tocar aquelas mãos e levá-la para passear. Quando a garota se aproximou e segurou suas mãos, acabou sorrindo.
— Kahina-chan... — Okita cessou os passos um pouco afastados daquele mundaréu de gente. Ela olhou-o meio sem jeito, ele notou que ela parecia nervosa, sorriu realmente a garota era doce. — Posso te pedir uma coisa?
— Hai! Claro, se eu puder fazer. — Ela sorriu, ruborizada e ajeitou a franja que parecia querer cobrir-lhe os olhos.
— Não se case. — Ele disse simplesmente, sem medir a provável reação da garota. Ele tinha mesmo dito aquilo? Sentiu-se um idiota, mas ele gostava dela, sempre gostou, porém não sabia como abordar aquele tipo de assunto. Ele era um capitão do Shinsengumi, um homem fadado a caminhar por um caminho de perigos sem fim. E ela uma doce garota que merecia ter a chance de ter um futuro longe daquela violência. Ainda podia lembrar-se da face de terror da garota ao ver o sangue na hospedaria. — Iie... Esqueça eu...
Ela sentiu o coração ameaçar parar de bater diante daquele pedido, ele não queria que ela se casasse? Então isso significava que... Que ele talvez sentisse algo por ela? Mordeu o próprio lábio inferior, tomou coragem e segurou as mãos do capitão, se aproximou um pouco olhando para aquelas esmeraldas brilhantes. — Eu gosto de você.
O som da voz não saia, aliás, saiu, porém fora ocultado pelo barulho das explosões dos fogos, porém Okita não desviou o olhar daqueles lábios, sorriu compreendendo exatamente o que ela havia dito. Sem pensar duas vezes segurou o rosto da garota gentilmente e aproximou os lábios, dando um leve selinho naquela boca rosada. Os fogos continuaram explodindo e podiam-se ouvir palmas e gritos de todos os lados, as pessoas estavam observando aquela belíssima apresentação e eles dois pareciam ser invisíveis para todos, mas para eles isso não importava, estavam felizes e juntos como realmente almejaram.
Notas finais
DarkDoll.
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