As Crônicas de Uchiha Sasuke
3 Capítulo 3 - Eco Interior
Notas iniciais
Karin fechou os seus olhos e se concentrou para estabelecer uma conexão concreta com o chakra de Sasuke. Não era muito difícil. Nos dias em que esteve presa passou a praticar aquele Jutsu especial que nunca conseguira dominar com perfeição. Depois que foi solta encontrou na biblioteca de Konoha informações vitais sobre seu clã e a particular afinidade natural que as mulheres pertencentes ao clã tinham de lidar com o chakra e com base nisso aprimorou suas habilidades de controle e detecção de ido para um estágio além.
Não disse para Sasuke que para fazer isso teria de cortar a ligação direta da consciência dele deixando em um estado de transe e acessando o inconsciente do seu Doujutsu. De repente ela estava envolta nas chamas, sombras de edifícios caindo e uma incessante sensação de morte tomou conta de seu coração, uma lufada de ar quente bateu-lhe o rosto, sentiu como se sua pele estivesse derretendo, até olhou suas mãos com medo que não houvesse mais carne entre os dedos.
Um grande demônio envolto numa armadura samurai segurando uma espada descomunal desceu bem na sua frente. Não se via o rosto ou qualquer feição humana dentro da armadura, somente uma escuridão.
— Como ousa invadir nosso mundo?
Karin paralisara. Não sabia que invadir subconscientes seria tão terrificante.
— Não tem língua porque se tiver cortarei pelo insulto de não responder-me!
— Desculpe – engoliu seco Karin – é que...
— Não seja tão grosso, já nos alimentamos de um pouco do chakra dela. – falou um homem descendo dos céus, tinha 2 pares de asas e empunhava um arco e fecha, podia-se ver preso a cintura uma besta similar ao formato da lua – você é aquela chamada Karin?!
— Sou, eu vim...
As chamas que estavam ao seu redor moveram-se estranhamente. Notou que estavam concentrando-se do lado dos outros dois, formando um corpo de uma mulher com imensos cabelos brancos, vestia um quimono branco com detalhes vermelhos, tinha um escudo dourado preso a sua mão direita e um colar no pescoço feito de lágrimas peroladas.
— Que curioso! Fiz bem em não queimar-te na sua entrada.
Não sabia se estavam felizes ou furiosos com aquela invasão. Suas pernas tremiam de tanto pavor.
— POR FAVOR NÃO ME MATEM!!!
Desabou em seus joelhos derramando lágrimas que evaporavam antes de tocar o solo.
— Não se preocupe, não faremos se não for necessário. Nós a conhecemos mas vós nas conheceis a nós. Deixei que façamos nossas apresentações. Meu nome é Yami, conhecido como Tsukuyomi entre os seus, sou a balança entre a realidade e o sonho.
Um rugido fez toda a realidade tremer e a grande espada que a armadura samurai empunhava foi erguida contra Karin.
— Eu sou Yūbu, poder e força, a destruição e o caos que traz a morte também chamado Susanoo!
A mulher conjurara chamas na sua mão e com elas escreveu no ar
— Meu nome é Hikari, a incessante chama que consome. Agora que ela sabe nossos nomes vamos matá-la irmãos?
— Eu apoio, minha espada clama por sangue – Yūbu bradava em único som com Hikari.
— Não, já disse! – interrompeu Yami — Ela ajudou-nos e seria ingratidão de nossa parte pagar o bom com o ruim. Vamos ouvi-la.
— Obrigada, obrigada! – Karin ajeitou seus óculos levantando – vocês habitam em Sasuke?
— Ledo engano. Sasuke habita em nós. Os Uchiha vem bebendo do nosso poder com o passar das gerações, travando suas guerras, matando aos milhares. Como vês meus irmãos inebriaram-se de tanto sangue. Já eu sou consciente do nosso papel e me cabe governar a ambos.
— Como isso é possível?
— Fizemos um pacto de nunca manifestar consciência entre os homens. Até que uma mãe devota encontrou-nos na encruzilhada. Nós, que dividimos o sol, a lua e a tempestade, estendemos nossas mãos e abraçá-la-íamos, porém naquele dia não estávamos a sós. No ventre mulher residiam duas crianças e reclamaram parte deles outros dois deuses. Samsãra e Tengu. Batalhamos mas Samsãra e Tengu fizeram um acordo e ficaram com a mulher e uma das crianças. A outra nos coube, formamos um pacto e desde então emprestamos poder ao seu sangue.
— Perdão grande Yami, porque agora renegais Sasuke?
— Cabe ao filho do pacto devoção somente a nós, não aceitamos os outros dois!
— Porque?!
— Naquele dia da batalha todos sangramos e nosso sangue escorreu nos três. O sangue foi repartido com o passar do tempo e uni-los de novo trará o caos encarnado. Eu vi com meus próprios olhos o seu mundo e suas doenças, tudo que nós fizemos e não mereceis novamente tal coisa.
— O caos foi derrotado. Sasuke selou Kaguya e com ajuda de dois poderes. – retrucou Karin em um ato de coragem.
— Como ousas interromper nosso irmão?
Yūbu deferira um grande golpe da sua espada. Yami rapidamente defendeu Karin com sua besta, via-se que assumia a forma de um escudo.
— Já disse que não se faça mal a ela!
— Escute, porque veio até nós? –perguntou Hikari.
— Pra restabelecer seu contato natural com Sasuke.
— O contato foi profanado por Hagoromo quando deu a Sasuke traços de Samsãra. É ele quem não devia estar. Ele acabará matando Sasuke e a nós e assim rirá quando nossa estirpe for retirada totalmente deste plano.
— Mas vocês podem trabalhar juntos.
— Como trabalharam com a mulher? HA HA HA! – gargalhou sinistramente Yūbu – não existe existência conjunta. Não podemos confiar. O filho de Samsãra já encarnado combateu Tengu que por sua vez encarnou no filho de Samsãra e assim tem sido desde o começo. Não podemos dividir existência com Samsãra ou ele nos matará.
— Deve haver alguma coisa...
— JÁ BASTA! – gritou Hikari – só estamos protegendo a Sasuke. – Yami, mande essa mulher pra fora daqui. Já!
— Paciência Hikari, Yūbu. Venha ver.
Estendendo a mão Yami levou-a até o alto, onde pode se ver a figura de Sasuke dentro da barriga de um Buda que ao abrir os olhos tinha exatamente a forma do Rinnegan.
— Vejo que trouxeram quem este conhece como Karin – disse o Buda apontando para dentro de si.
— Este é Samsãra. A reencarnação.
— O que querem? Já lhes disse que agora ele é meu.
— Nós somos os portadores legítimos dele Samsãra – disse nervoso Yami – deixe-o!
— Mas ele me abraçou com bravura quando precisou. Já não tem mais direitos sobre ele.
— Se você conseguir tirá-lo de dentro da barriga de Samsãra o domínio dele enfraquecerá e nós poderemos equilibrar usando nosso sangue pra preencher a barriga de Samsãra mas terá de lutar só.
De repente Karin viu-se vestida de armadura, segurando uma espada e na outra a besta escudo.
— Nossas armas serão suas. É com você!
Karin respirou fundo e partiu para o ataque. Uma fecha se materializou na besta e foi lançada. Samsãra absorveu-a. Uma armadura mecanizada e viva saiu da escuridão juntamente com um cão de três cabeças. Atacaram-na, ela se defendeu cortando a cabeça do cão e estraçalhando a armadura. Logo eles se reconstituíram e dobraram seu número. Karin correu tentando se aproximar do Buda. As flechas não o alcançavam desaparecendo no ar, a armadura e a espada pesavam sobre ela, sabia que não teria forças para vencer. Resolveu mudar de estratégia.
— Sasuke, SASUKE! –gritou – por favor, eu não consigo sozinha, tem que me ajudar a te ajudar.
Sasuke não respondia. Parecia estar em transe. Estacas negras trespassaram o corpo de Karin que começou a sangrar e chorar gritando o nome de Sasuke. Surgindo lentamente e no meio do nada uma mulher caminhou e parou do lado do Buda. Karin agonizando viu o resplandecer dos cabelos rosas e soube quem era, só não sabia como ela estava ali e nem seu propósito.
A figura de Sakura iluminava todo aquele ambiente desolado. Flores de cerejeira formavam rastros onde seus pés pisavam. Sasuke reagira mexendo-se um pouco.
— Sasuke, tem de ajudá-la. Por mim.
— Sa... Sakura!
O Buda tentou mandá-la pra longe sem nenhum sucesso.
— Você não tem poder sobre mim – disse a figura astral de Sakura tocando a barriga do Buda. A mão de Sasuke correspondeu e tocou do outro lado.
Karin reuniu suas forças e jogou a espada pra Sakura.
— CORTE!
Sakura pegou e cortou tirando Sasuke de lá, provocando a ira do Buda.
Karin ainda pode ver os três se direcionando até o Buda e gritando:
— Obrigado!
Sakura reclinou-se sobre o corpo dele e beijando-o sussurrou:
— Eu te amo!
Foi quando Sasuke acordou. Já era noite e ao seu redor as arvores perto da margem estava derrubada, rastros das chamas negras crepitavam e Karin estava desacordada com uma flecha de Indra no seu peito.
Konoha
Sakura deitara pra dormir com uma sensação estranha. Não sabia explicar. Não demorou muito e estava sonhando. No sonho, corria alegremente por um campo florido indo ao encontro de Sasuke quando ouviu nitidamente a sua voz. Ela tentou correr para o Sasuke que via no entanto, o campo florido transformara-se num pântano que a sugava.
— Me ajude! Eu preciso de você Sakura!
— Estou indo! ESTOU INDO.
De repente era tudo escuridão. Caminhou por essa escuridão até ver de novo Sasuke que estava encolhido dentro da barriga de uma estátua que só movia os olhos. Tinham a forma do Rinnegam.
Viu que resplandecia. Sasuke parecia assustado e com frio, como se estivesse morto. Olhou para trás e viu que o campo com que sonhava estava voltando cheio de flores de cerejeira. Tocou a mão de Sasuke e sentiu que tudo podia. Retirara ele de dentro da estatua com uma espada dourada que quem lhe dera?
Não importava, tudo que lhe era sagrado estava nos seus braços: Sasuke. Lhe beijou e disse dentro dos seus lábios, num suspiro de puro amor:
— Eu te amo.
Quando acordou tinha uma flor de cerejeira na sua janela.
No País dos Campos de Arroz
O bar estava cheio naquela hora. Alguns festejavam, outros choravam suas magoas. A guerra havia passado e as pessoas queriam esquecer dos terrores que viveram. Um homem tomava saquê, vestia um sobretudo preto que escondia-lhe completamente o corpo. Seus dentes eram serrilhados como os de um tubarão. Nas suas costas uma enorme espada estava apoiada. Ela tinha um formato incomum que já fora muito conhecida. Parecia um enorme facão, com a ponta levemente curvada e um buraco logo abaixou dessa ponta que caberia facilmente uma cabeça humana. Era a Decapitadora e o homem era Suigetsu.
Já havia vários dias que estava na Vila do Som. Procurava por algo mas ainda não tinha encontrado. Só ouvira boatos de onde estivesse no entanto, desconfiava que erram apenas iscas para enganá-lo. Torturara uma dezena de homens atrás da informação só que não obteve êxito. Estava ficando sem opções.
Subitamente uma palpitação estranha tomou conta do seu coração, um pânico, a sensação de perda e desolação. Engolira o saquê de um só trago, saiu e foi olhar pro céu. A lua estava magnificamente bonita. Percorre os becos atrás de solidão. Se viu em frente a uma fonte. Quando olhou a água viu um outro reflexo. Era Karin ajeitando seus óculos.
Piscou e o reflexo novamente se foi. Viu um Suigetsu triste e vazio. Brincou com a água antes de decidir que alguma coisa deveria ser feita. Levantou e foi para o quarto onde estava dormindo. Sonhou que estava novamente junto do Taka, ao lado dela.
Já era manhã quando Karin abriu os olhos. Viu Sasuke ao seu lado dar um sorriso de alivio. Ela estava deitada e um pano molhado foi colocado em sua testa. Suas lembranças pouco a pouco iam clareando.
— Você me assustou. Teve febre a noite todinha.
— Onde estamos?
— Um pouco depois da margem daquele Rio. Uma das flechas de Indra estava no seu peito.
— Como eu não morri.
— Eu não sei o que você fez mas deu certo e isso quase te matou. Se eu não tivesse usado do Caminho Naraka você teria morrido. O que aconteceu?
— Você não viu ou se lembra de nada?
— Não. Só fechei os olhos e quando abri você estava ferida.
— Seu subconsciente reagiu e... Não importa. Deu certo?
— Sim.
Sasuke ativou seu Sharingan e conjurou a chama negra do Amaterasu. Karin foi pra trás temendo reviver tudo aquilo que passou dentro do subconsciente de Sasuke. Percebendo isso ele tratou logo de acalmá-la. Perguntou se já estava bem para andar ao que foi assentido e assim continuaram seu caminho. Encontraram uma arvore de cerejeira. Karin recolheu uma flor.
— Sasuke, devia mandar isso a Sakura.
— Como é que é?
— Eu sei que escreveu pra Sakura quando mandou os gatos de volta a Konoha. Seria um gesto bonito se mandasse esta aqui – abriu a mão e a flor parecia realmente especial – com os meus cumprimentos.
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