Levantando-se da cama, Dan retirou suas vestes de dormir e colocou seu uniforme de Flint, que era basicamente uma camisa branca, com uma calça bege e sapatos leves. Depois de lavar-se e tentar arrumar o cabelo no espelho quebrado, ele foi até a porta e abriu-a.

A porta dava para o corredor do segundo andar, onde ficava seu quarto. Cerca de 5 metros à esquerda, havia a escada que levava ao andar térreo. O Centro de Treinamento Flint era um edifício de madeira com 3 andares, porém era repleto de corredores e quartos, onde se abrigavam os 149 jovens que ali residiam, chamados de aprendizes, fora os Mestres e funcionários do local.

Saindo pelo corredor e descendo a escada, Dan começou a sentir o aroma do café da manhã sendo preparado pelas funcionárias da cozinha. Ainda era cedo e Dan, não incomumente foi o primeiro a chegar.

Isso era vantajoso pois a louça era lavada pelos últimos que chegassem à cozinha. Assim, Dan sentou em uma mesa do canto, procurando pelo local menos visível e esperando seus amigos. De repente, começou-se a ouvir um burburinho, que foi crescendo até se tornar o som alto e claro de muitas pessoas se aproximando e sentando. A cozinha era um grande salão, recheada com 14 enormes mesas que lotavam todo o espaço, mas permitiam a todos sentarem confortavelmente.

Enquanto esperava seus amigos, Dan refletiu: " Flint não é um mau lugar, tenho comida, cama, um teto e amigos. É uma pena ter que sair daqui assim.". Porém, ele foi retirado subitamente de seu devaneio, enquanto uma mão tocou seu ombro.

– Perdido em pensamentos, Dan? — disse uma voz calma à sua esquerda.

Ao seu lado estava Kress Wilder, amigo de longa data de Dan. Kress era um rapaz de estatura mediana, com cabelos loiro escuros e olhos azuis. Apesar de seu porte não impressionar à primeira vista, Kress era um arqueiro extremamente habilidoso. Dono de um olhar aguçado e de um porte elegante, ele era muito bom não somente com as suas flechas, mas também com a estratégia do combate, sendo citado com orgulho por seu Mestre toda vez que perguntavam quem dentre os alunos subiria mais rapidamente de cargo no Exército.

– De novo acordando cedo? — disse uma voz atrás de Kress.

Atrás dele estava Max Trontyn, o outro amigo de Dan. Max era uma montanha de músculos dotada de uma capacidade muito alta de infligir massivas quantidades de dano à seus inimigos. Ele era expert no uso de diversas armas, porém sua arma predileta era o machado, que treinara desde criança para usar.

– Pesadelos — respondeu Dan, tomando um gole de seu chá.

– Achei que eles tivessem parado — respondeu Kress, sentando à sua esquerda.

– Não, eles apenas dão uma pausa, para depois voltar a me torturar.

– Bom, talvez você esteja nervoso com o nosso plano começando a ser posto em prática. — retrucou Max, sentando à sua esquerda.

– Errado, Max. Nunca estive tão confiante de que iremos conseguir.