– Como assim? — disse Kress, preocupado.

– Olhe garoto — falou o velho — o que seu amigo fez não é normal e você sabe disso. Matar todo um pelotão tão facilmente é algo sobre-humano.

Max então aproximou-se e disse:

– Kress, este é Rodrik. Ele me ajudou a cuidar do Dan.

Kress olhou para o velho, que mantinha uma expressão séria. Olhando para Dan, viu que o mesmo parecia relativamente bem. As espadas não estavam mais faiscando e ele estava quieto. Porém, havia uma urgência a tratar.

– O que faremos agora Kress? — perguntou Max — Nossa ideia de permanecer fora de vista acabou de ser destruída.

O velho, intrigado, disse:

– Vocês vieram de Flint, não? Notei pelas roupas e armas.

– Sim — Kress respondeu, vendo que a mentira não adiantaria nada.

Rodrik se aproximou de Dan novamente e sentou em banco ao seu lado, dizendo:

– Se vocês fugiram, estão meio sem opções. Os Exército saberá de sua localização logo. Mas me digam, porque fugiram?

– Nós fugimos- respondeu Kress, pensativo — porque não concordamos com essa guerra e não queremos participar.

– Entendo, então seu brilhante plano era fugir e só depois pensar em onde ficar?

– Nosso acesso à informações deste tipo era pouco. Se levantássemos suspeitas, seríamos decapitados ou teríamos nosso plano arruinado.

– Muito bem meu jovem. Então me diga. Como adolescentes com tão pouca liberdade conseguiram armas como essas? — disse Rodrik, apontando para as espadas de Dan.

– Não sabemos. — ele respondeu — Dan entrou em uma caverna, em bosque à beira da estrada, e depois saiu com elas.

Rodrik pousou uma mão no queixo e a outra na mesa de madeira onde Dan estava; e ficou com uma expressão pensativa. Assim, Kress se aproximou e disse:

– Ouça, se você puder nos ajudar, agradeceríamos muito.

Rodrik olhou para ele e disse:

– Ouça você, garoto. Vocês estão metidos em uma merda maior do que imaginam. E se vocês não escolherem seus próximos atos com cautela, haverão ainda mais mortes. Me digam, vocês conhecem a lendária Guerra Divina?

Kress e Max entreolharam-se e responderam com uma negativa.

– É claro que não. Depois que Gregor assumiu o trono, a população está mais alienada do que nunca. Nem parece que se passaram apenas 32 anos... Pois bem, prestem atenção. Vocês devem saber que antes de Gregor McLat ser rei, havia culto à diversos Deuses. Hoje, entretanto, é permitido apenas o culto à três: Torvalim, Meitoth e Garoan. Não sei se estão a par disso, mas a pena para qualquer suspeito de adoração à outros Deuses é a morte por fogo.

Kress e Max estavam preocupados. Ninguém nunca havia citado outros Deuses em Flint. Sendo assim, o que mais eles não sabiam?

– A Guerra Divina é um conflito em andamento desde à criação deste mundo. Reza a lenda que, após criarem nosso mundo, os Deuses entram em uma grande discussão por causa da parte que lhes cabia desta terra. Mas eles não podiam combater entre si, já que seu imenso poder destruiria a própria existência. Assim, cada um criou armas próprias, carregadas com seu poder natural, e as entregaram à campeões humanos, que desde então lutam. Há também quem diga que mesmo entre os Deuses existiam alianças, mas não existe certeza sobre nada aqui, apenas histórias.

– Porque está nos contando isso? — disse Max.

– Porque eu não acreditava nisso até ver seu amigo aqui. — Rodrik disse, com um olhar curioso. — Veja essas armas e marcas! Analise seus atos lá fora! Eles batem completamente com a descrição de um dos Deuses!

Tomando fôlego e ficando de pé, Rodrik declarou:

– Estas são as armas do Deus da Tempestade. As Espadas Duplas de Raijin.

Neste momento, em um sobressalto, Dan Skarion abriu seus olhos.