Notas iniciais
Mais uma etapa se inicia e espero contar com o apoio de vocês. Sejam todos bem-vindos a minha terceira e última história sobre Nárnia.

Na fria noite de 1938, um bebê loiro e franzino acabava de ser abandonado em frente a casa de um simples casal. Com muita dor no coração sua mãe, a rainha Eleonora, via seu filho mais novo ser apanhado, por dois jovens. Mas por que uma rainha abandonaria um filho? Ainda mais se já tivesse um? Com certeza, fome ela não passava.

O problema era que a criança era fruto de um relacionamento extraconjugal, da rainha de Galma e seu guarda-costas, Naftali. O mais complicado era explicar o motivo da rainha ter abandonado seu bastardo tão longe. Viera de Galma, para a Inglaterra, sabia que se esse seu filho continuasse em seu mundo seria morto, assim como seu amante.

Eleonora já tinha um filho, e esse seria o novo rei de Nárnia, que acabara de ser dominada por seu marido e o cunhado. Aliás, foi ele, Herbert, quem descobriu a traição da rainha. Isso se deu quando o príncipe viu que seu mais novo sobrinho era loiro, coisa praticamente absurda entre os habitantes de Galma. Há muito tempo Herbert já desconfiava que Eleonora traía seu irmão Heitor V, com seu segurança Naftali. O motivo era evidente, seu marido era um homem frio e sua ambição em conquistar as terras narnianas, o afastou ainda mais de sua esposa, que se casou apenas para tirar a família da miséria. Naftali a amou desde a infância, e os dois sofreram bastante quando o rei Heitor se interessou por ela, ele a amou a ponto de se alistar ao exército apenas para conseguir a vaga de ser seu porto seguro.

Herbert que sabia da paixão do rapaz por sua cunhada, o contratou, com um plano maligno. Acusá-los da morte de seu irmão Heitor, e assumir o trono de Nárnia e Galma. Com apenas três anos de casamento a rainha engravidou pela primeira vez, e teve um menino que resolveu chamá-lo pelo mesmo nome do pai, Heitor VI. Quando seu filho completou um ano de idade, ela descobriu estar grávida de novo, a dúvida lhe atormentou durante toda a gravidez, e na noite em que seu filho nasceu, ela percebeu quem era na verdade seu pai, só podia ser Naftali, o menino era idêntico à ele. Antes mesmo de amanhecer, Naftali foi levado a forca, por ordem de Herbert e Heitor.

Foi aí que Eleonora percebeu que precisava fugir com seu filho, mas se o entregasse à qualquer cidadão de Nárnia, obviamente seria dado ao seu marido, pois todos o temiam. A rainha lembrou-se então que conhecia uma passagem que lhe traria para um outro mundo muito diferente do seu, demorou um dia inteiro, mas ela finalmente chegou na Ingleterra, em Londres, onde abandonou seu filho na casa de Helena e John, um casal estéril.

Era uma noite de Natal, e o casal Pevensie comia a ceia totalmente desanimados. Não fazia muito tempo que estavam casados, mas o seu maior e frustrado plano, era ter filhos, e os dois queriam no mínimo quatro. Exatamente há um mês Helena descobriu que era estéril, e olhar a árvore de natal praticamente vazia, sem nenhum presente infantil, os deixava melancólicos. Até que alguém bateu na porta e a partir dali toda a vida dos dois mudaram. Ao atender a porta Helena não viu ninguém, apenas um ser embrulhado em uma capa preta, pensou ser um gato ou um cachorro. Chamou John e quando eles desenrolaram o pano descobriram um lindo bebê, loirinho com os olhos bem azuis, parecia ter fome, Helena olhou para o jovem marido, com os olhos cheios de lágrimas e viu nos olhos dele haviam a mesma substância líquida. Não trocaram nenhuma palavra, entenderam que aquela criança era um presente da vida, entraram com o bebê e aquele se tornou o Natal mais feliz de suas vidas, pois o pequeno Pedro, havia chegado para acabar com o silencio daquela casa.

Dois anos depois uma grande notícia surpreendeu o casal, Helena finalmente conseguiu engravidar e teve uma menina, que resolveu chamar de Susana. Desde que Susana chegou os pais das crianças descobriram que eles sempre seriam unidos, por um laço muito forte, desde pequenininhos os dois já eram muito apegados. A felicidade deles não parou por aí, seus sonhos se realizaram e eles tiveram quatro filhos como queriam, também chegaram Edmundo e Lúcia, deixando a família completa.

Um dia após abandonar seu caçula, Eleonora retornou para Nárnia, foi aceita por seu marido, que se agradou do fato dela ter abandonado a criança. O rei não queria que Heitor VI dividisse sua glória com com um bastardo. O que Eleonora não esperava, era que Herbert mataria seu marido de madrugada, diante dos falsos gritos do príncipe, Eleonora acordou e viu duas cenas que aceleraram seu coração brutalmente, ela viu um punhal cheio de sangue em sua mão esquerda, e ao seu lado, na cama Heitor estava com um grande corte no pescoço, por onde saia muito sangue.

Herbert prendeu a rainha, e alegou a todos que ela estava morta, quando na verdade, ela estava presa nas parte mais escondidas e escuras do castelo, a masmorra. Herbert também matou Heitor VI, e com apenas 17 anos de idade, o inescrupuloso Herbert se tornou o mais novo rei de Nárnia e de Galma.

Susana sentia muita falta de Nárnia, e Pedro não gostava de saber que na verdade, não era de Nárnia que ela sentia saudades, e sim de Caspian. A jovem Pevensie não suportava o fato de saber que seus irmãos mais novos estiveram em Nárnia mais uma vez e ela não pode ir, Susana sabia que o tempo estava passando e que talvez, se algum dia pudesse voltar pra lá, poderia ser tarde demais, e se Caspian estivesse velho demais ou morto?

Pedro não queria vê-la daquele jeito, queria que ela esquecesse Caspian, que ela se apaixonasse de novo, mas também não entendia o motivo de não querer ver sua irmã com garoto nenhum. Não deixava que nenhum rapaz se aproximasse dela. Pedro não entendia, mas queria Susana só para ele, não gostava nem de pensar que algum dia um rapaz entraria em sua casa e a tiraria de lá. De vez em quando os dois passavam horas trancados no quarto conversando, às vezes ficavam apenas abraçados por horas, e Pedro adorava aquilo, adorava sentir o calor e o perfume de Susana, cheirava os cabelos, a beijava toda hora. Quando Susana ia dormir, ele ficava ajoelhado em frente a cama acariciando seu rosto, lhe fazendo cafuné até que ela dormisse, e quando isso acontecia, ele beijava seu rosto devotamente diversas vezes.

Todas as manhãs ele ia no quarto buscá-la para tomar café, sempre a levava pela mão, puxava a cadeira para ela, e quando ela não descia para tomar seu café, ele levava até o quarto dela. Com carinho a convencia de tomá-lo, dava tudo na boca dela, a mimava como se fosse um bebê. Ele se sentia muito confuso, porque não sentia o mesmo por seus outros irmãos, o que sentia por sua Susan era tão intenso, Pedro se sentia tão diferente com ela.

..

Caspian não sentia nada diferente de Susana, se passaram cinco anos desde que ela tinha ido a Nárnia, para Susana eram apenas três anos, mas mesmo que para ele tivesse passado mais tempo, a saudade e o amor que os dois sentiam pelo outro tinha a mesma intensidade. Tudo o que restava a Caspian era a imaginação e alguns sonhos, seu tutor e Drinian não se conformavam com a paixão do rapaz, era a hora de Caspian arranjar um novo amor. Ele precisava se casar.

Às vezes quando seus dois maiores amigos tocavam no assunto, Caspian fugia a todo custo, tremia só em pensar em casamento, não se via com outra mulher que não fosse Susana. Ele estava vivo por fora, mas morto por dentro, tudo em sua vida ia bem, seu reinado era próspero, mas havia o vazio deixado pela lendária rainha, que não esteve mais de uma semana em sua vida.

Todas as noites Caspian olhava a lua e chorava, era assim todos os dias durante aqueles cinco anos que se passaram, ele observava a grande lua que parecia bem próxima de seu quarto, pensando até quando viveria com aquele sentimento dentro de seu peito, ninguém sabia, mas Caspian nunca mais dormiu de verdade, pelo menos não de noite, ele dormia de tarde, porque passava a noite e a madrugada olhando pela janela até que o sol aparecesse. Ele passava a noite inteira pensando, e ela o dia inteiro, assim o amor deles sobrevivia, dia após dia, noite após noite.

Toda vez que o sol chegava, Caspian tinha medo de encontrar um novo amor, não queria esquecê-la, Susana era única, e era a mulher que ele queria amar para sempre, no fundo de seu coração Caspian sentia que deveria esperá-la.

Naquela tarde Susana tinha sido convidada para ir a festa de uma colega da escola, na verdade Hilary era gamada em Pedro, e seu irmão Sean era apaixonado por Susana. Pedro nunca percebeu o interesse que as garotas tinhas por ele, mas sempre percebeu quando um garoto olhava diferente para Susana, talvez por isso nunca tivesse gostado de Caspian.

Pedro foi até o quarto de Susana e ficou admirado com o novo vestido dela, seu investimento valeu a pena. Ele a olhava com cara de bobo e Susana ficou um pouco sem graça.

– Pare de me olhar assim seu bobo.

– É inevitável, está esplendida.

– Muito obrigada pelo presente Pe.

– Não foi nada. Vamos?

– Ah antes você pode me ajudar a fechar o vestido? — Pedro ficou sem graça com o pedido, mas não recusou.

– Claro que sim.

Susana virou de costas, e Pedro viu suas suas costas desnudas por conta dos cinco botões abertos. Benditos botões – pensava Pedro. O rapaz foi fechando-os bem devagar, queria aproveitar o contato com a pele de Susana, o cheiro inebriante dela. Não queria que aquilo acabasse nunca.

Os dois entraram na sorveteria, onde seria a festa de mãos dadas, quem não os conhecesse acharia que eram namorados. Assim que chegaram logo foram cumprimentados pelos irmãos anfitriões, Sean não perdeu tempo e começou a cortejar Susana. Hilary fazia de tudo para chamar a atenção de pedro, mas ele não tirava os olhos de Sean e Susana. O irmão mais velho se mordia de ciúmes, e vendo que Sean saiu um pouco de cima de Susana, foi dar uma lição nele, o Pevensie pegou seu como com ponche, e quando foi falar com os rapazes, derramou na roupa de Sean propositalmente, sem que ninguém percebesse. O rapaz não ligou, e foi dar um jeito na roupa, como Hilary tinha ido ao banheiro deixando-o em paz, e uma bela, lenta e romântica música sobre amor clandestino estava sendo tocada, Pedro resolveu tirar Susana para dançar.

Pedro a puxou com leveza encostando-a em seu corpo, começaram a dar passos lentos ao ritmo da música. Pedro encarava Susana de forma intensa, e a moça encostou sua cabeça no ombro dele. A respiração de Pedro se alterou, e as batidas de seu coração também, ele passava a mão nos macios cabelos de Susana, e dava leves beijos neles.

– Você é muito importante pra mim Susan.

– Acho que não preciso dizer o mesmo Pe.

– Diz.

– Você também é muito importante pra mim meu irmão – Pedro se sentiu incomodado por Susana ter o chamado de irmão – muito obrigada por todo carinho e toda atenção que tem me dado.

– Ultimamente temos ficados muito próximos não é? Promete que quando namorar não vai se afastar de mim.

– Que isso Pe, é claro que não vou me afastar de vocês.

– Não quero te perder Susan.

Pedro apertava Susana forte, quando Cody os interrompeu e convidou Susana para continuar a dança com ele. Pedro ia dizer que não, mas antes de falar alguma coisa Susana deu a mão a Cody e foi com ele. Pedro ficou parado sem saber o que fazer, mas isso não durou muito, pois Paula o intimou para dançar.

Pedro apesar de estar dançando com Paula, não tirava os olhos de Susana, se sentia mal, então pediu desculpas a moça e foi ao banheiro. Lavou o rosto e também passou água nos cabelos, se perguntava porquê tinha tanta necessidade de ter a Susana perto de si, tentava decifrar o que estava sentindo quando dançou com ela, tinha medo da resposta.

Notas finais
Espero cativá-los e atender suas expectativas. Beijos.