As Crônicas de Nárnia: Invulnerável
3 Investidas do Amor
Caspian sabia que não dormiria naquela noite e acertou, mas dessa vez não foi porque pensava em Susana, e sim em Liliandill, a ideia de ter a jovem estrela como sua esposa o deixou entusiasmado e feliz, como não se sentia a muito tempo. Deitado na cama já fazia planos para casamento e pensava em como pediria sua mão, queria ser direto, faria tudo rápido antes que sua empolgação acabasse, ele via Liliandill como sua salvação.
Pedro também foi outro que não dormiu naquela noite, estava muito agitado e excitado, andava de um lado para o outro em completo êxtase, Edmundo achou até que ele estava bêbado. O fato de saber que Susana não era sua irmã, deixou seu coração em um temporal de emoções, não precisava mais fugir, tinha que lutar para conquistá-la. Seria difícil e complicado já que ele não pretendia contar que não era seu irmão, pois isso a assustaria e a afastaria dele, ela logo perceberia suas intenções e tomaria precauções. Agora ficaria impossível se controlar diante dela, ele não precisava mais reprimir seus sentimentos e ficava feliz por saber que nunca mais voltaria à Nárnia, onde habitava seu pior e maior obstáculo, seu rival.
Também naquela noite, Aslam recebeu uma visita inesperada, era o centauro mágico, ele fazia todas as previsões importantes. Era capaz de ler as estrelas, morava entre elas, mas não veio lhe trazer boas notícias, era um mau presságio.
– Todo soberano venho lhe trazer notícias importantes. — disse fazendo reverência.
– Sua expressão diz que não é algo agradável, e isso está me preocupando extremamente.
– Majestade suprema, o que vi nas estrelas não era nada bom, as estruturas de Nárnia serão novamente abaladas, e o pior de tudo é que será por mãos amigas.
– Sabia que essa paz não duraria para sempre. O que nos assola?
– Vejo a volta de pessoas muito importantes para a nossa história, o senhor já sabe de quem estou falando, mas infelizmente um deles não terá boas intenções. Mestre alguém se deixará levar por suas ambições e nos traíra, pegando até mesmo vossa majestade de surpresa, pode ser qualquer um, mas lhe garanto que é alguém de sua confiança. Também posso contemplar nosso maior inimigo, e também uma pessoa que dominou nossas terras por muito tempo, um de nossos amigos se aliará a eles e se virará contra nós. Um novo rei se levantará sobre Nárnia, mas também vejo uma morte, será algo que nem nosso rei Caspian, ou um dos Pevensie poderá escapar. Te garanto meu mestre que dessa vez, essa visita não será nem um pouco agradável.
– Nunca imaginei que uma coisa dessas poderia nos acontecer, os amigos de Nárnia sempre vieram para salvá-la, e nunca destruí-la. Você deve estar errado Salomão.
– Perdão meu rei, mas minha visões nunca falham, os homens mentem, mas as estrelas não.
– Muito obrigado por vir até aqui me avisar Salomão.
– Abra os olhos do rei Caspian meu senhor, isso é tudo que lhe peço.
…
Quando o sol raiou a primeira coisa que Caspian fez foi se preparar para ir atrás de sua futura esposa, torcia para que ela fosse desimpedida e que lhe aceitasse. Cornélio e Drinian estavam mais eufóricos que ele mesmo e foram para Ramandú o mais rápido que puderam.
Quando Caspian chegou se sentiu como se fosse ver a própria Susana, seu coração estava descontrolado, sentia que em breve se apaixonaria novamente. Foram recebidos da melhor maneira possível, mas tiveram uma péssima notícia, o pai de Liliandill estava muito doente, e a moça temia que ele morresse.
Caspian entrou na casa das estrelas mais importantes de Ramandú sozinho, foi aos aposentos da velha estrela e se deparou com a mulher mais bela que já vira em toda sua vida. Liliandill se assustou ao ver o rei novamente, seu coração passou a bater no mesmo ritmo que o dele, Caspian não conseguia dizer nenhuma palavra, era impossível esconder seu encantamento por Liliandill, e Líder, o pai da moça percebeu o motivo da visita do rei. O que ela mais queria era casar sua filha antes de partir, mas não conhecia nenhum homem a altura de sua filha, somente um rei seria merecedor de desposá-la.
Líder também tinha outras filhas, casamento arranjado era uma coisa muito comum naquela época, mas os pais sempre preferiam casar primeiro suas filhas mais velhas, e Liliandill se preocupou, pois Caspian lhe agradava mais do que qualquer outro homem, ela queria ser dele, mas era a filha do meio entre cinco irmãs. Se seu pai fosse oferecer a mão de alguém, certamente ofereceria a de Olga, todas eram bonitas, mas para a sorte da moça, ela era a preferida de seu pai e ela adoraria vê-la casada. Caspian meio sem jeito pela situação crítica de Líder, ficou meio receoso em fazer o pedido, mas se lembrou de toda a sua animação e lhe pediu. O chefe de família ficou muito feliz com o pedido do rei, mas disse que ele escolheria a filha que daria em casamento, Caspian ficou entristecido, pois gostava de Lilian e foi lá atrás dela. Líder chamou um criado e sussurrou em seu ouvido quem era a jovem escolhida. Quando Liliandill entrou nos aposentos, Caspian ficou surpreso, a jovem estava muito tímida, mas não pôde conter o sorriso quando viu a alegria do rei por ela ser a escolhida.
Líder perguntou a Liliandil se ela aceitava se dar em casamento, e a moça falou ao seu pai que adoraria se casar com o rei. Perguntou a Caspian se ele também a aceitava, e o rei lhe disse que tinha ido lá justamente atrás de Liliandill. Líder explicou seu estado de saúde, deixou Caspian a par de suas preocupações, e disse que confiava sua família nas mãos dele, já que em breve partiria. Pegou as mãos de Caspian e de sua filha e as uniu, como um pacto, Caspian prometeu que se casaria com Lilian custe o que custasse, prometeu que não revogaria sua decisão e que não a abandonaria por nada, jurou pela saúde de seu futuro sogro. Para deixar o idoso mais tranquilo assinou um contrato de fidelidade e carimbou com seu anel de rei, que agora o obrigava a se casar com a moça, se um rei carimbasse um documento, não poderia voltar atrás em sua palavra, ou perderia o respeito e a confiança do povo.
…
O dia chegou sorrindo para Pedro, seus pais e seus irmãos saíram cedo, deixando ele e Susana sozinhos em casa. Susana ainda dormia e isso estava deixando Pedro inquieto, assim que ela acordou foi direto para o banho, depois desceu para tomar café e Pedro a observou deslumbrado com a visão magnífica de uma simples descida pelas escadas.
Susana não escondeu sua alegria em vê-lo, estava acostumada a passar o dia inteiro perto dele, e no dia anterior ele tinha desaparecido. O rapaz a olhava se aproximar dele encantando, Susana iria abraçá-lo.
– Pedro por que sumiu? — perguntou seu sorriso mais encantador, fazendo o jovem delirar por ter sido abraçado por ela.
– Sentiu minha falta?
– Muito. Passei o resto do dia sozinha, tudo bem que estava com a Lu, mas não era o mesmo.
– Hoje vamos passar o dia inteiro juntos, a família inteira saiu, estamos só nos dois.
– Vamos fazer o que?
– Podemos assistir televisão, Harry me emprestou uns filmes maneiros.
– Que tipo?
– Românticos.
– Ai Pedro sabe que esses filmes me deixam triste, me fazem lembrar dele.
– Te garanto que você não vai pensar nele. Só em nós dois. — Susana estranhou a forma de como ele a olhava, mas não se importou porque ele parecia muito feliz.
Susana tomou seu café, que Pedro lhe ajudara a preparar. Depois que terminou foram para a sala e Pedro colocou o filme, tinha em mente conquistá-la, queria despertar nela o mesmo que ela o fazia sentir.
Pedro deitou no sofá, e Susana ia deitar no outro, mas ele a chamou para deitar-se com ele. Susana não viu problema algum e foi se deitar com ele. O rapaz a apertou contra seu corpo, enquanto ela prestava atenção no filme, Pedro deslizava sua mão quente na cintura dela, depois de um tempo, começou a lhe dar beijos pelos cabelos, mas focava no pescoço com leveza, tinha que tomar cuidado para não fazer algo que levantasse suspeitas, mas não estava conseguindo se controlar. Estavam com os corpos colados, ela ligada no filme e ele nem prestava mais atenção, suas mãos a acariciavam sem parar por nem um segundo. Susana começou a gostar do carinho de Pedro, ele passou a beijar as bochechas e o pescoço dela constantemente, passou sua perna por cima dela se encaixando perfeitamente em seu corpo. Ele não podia se segurar mais, Susana fechou seus olhos e deixou, queria que ele fosse Caspian, se tivesse que ficar com outro garoto, tinha que ser como o Pedro, sim o Pedro, ele era maravilhoso, carinho, perfeito, mas era seu irmão, não era certo pensar assim. Pedro sentia sua intimidade já alterada pelo contato com Susana, achou que alguma hora ela ia perceber que ele estava diferente. Então ele a virou de frente e se pôs em cima dela, suas mãos desobedientes passaram a dançar nas pernas dela, e Susana já estava se assustando com as atitudes dele, estava se assustando ainda mais por estar gostando daquilo, passou a mão no rosto recém barbeado dele, e depois desceu a mão até o peito viril de Pedro, ele a olhou não conseguindo mais esconder seu desejo, agradeceu mentalmente por não ser irmão dela, ia beijá-la e por um segundo Susana desejou aquela loucura, mas vendo que o rosto dele se aproximava do dela, Susana caiu em si e o afastou nervosa.
– Não Pedro o que é isso? — disse o afastando com a mão no peito dele.
– O que Susana? O que foi?
– Nós dois, isso tudo – falava com a respiração alterada – o seu jeito de me tocar, esses beijos, estávamos tão colados.
– E o que tem Susana? Não vejo nada de mais em demostrarmos nosso carinho de irmãos.
– É isso mesmo que está errado, somos irmãos, não devemos ficar desse jeito.
– Por que diz isso Susana? — perguntou sabendo que havia mexido com ela. — Sentiu algo diferente?
– Não – respondeu imediatamente – claro que não. É que papai e mamãe podem achar estranho.
– Não tem nada de estranho, é que somos muito apegados.
Susana saiu do sofá e disse que estava com sono, estava desconcertada. Pedro ficou feliz, pois percebeu que ela sentira o mesmo que ele, sabe que foi precipitado mas estava louco de paixão e amor. Percebeu que em meio a toda carência dela, seria fácil apaixoná-la, mas o problema é que ainda não poderia confessar que não eram irmãos e isso atrapalharia um pouco.
Susana já deitada em seu quarto, não conseguia esquecer o calor do corpo de Pedro, achou que eles estavam indo longe demais, mas queria tanto ter continuado ali com ele. Mas se tivesse continuado com aquelas carícias e aqueles beijos, onde chegariam? Susana tinha consciência de que já eram jovens, se a forma que estavam se tratando não era errada, Pedro não a trataria assim só quando estivessem a sós. Se fosse outro rapaz, tudo bem, mas era seu irmão, por que será que só Pedro tinha o poder de fazê-la esquecer o Caspian? Essas perguntas não puderam ser respondidas e então ela adormeceu. Pedro precisou tomar um bom banho para se aliviar daquele fogo, a paixão estava o consumindo, queria correr até o quarto dela e dizer toda a verdade para então, poder possuí-la, mas todas essas informações de uma vez a confundiriam.
Às quatro da tarde a família Pevensie voltou, passaram uma divertida tarde no parque de diversões. E Edmundo brincando de tiro ao alvo ganhou dois passaportes disponibilizando qualquer brinquedo por horas, como foi tudo tão maravilhoso até Helena e John se divertiram juntos esquecendo a briga de certas horas atrás, eles concordaram em dar os passaportes para Pedro e Susana.
Edmundo e o irmão dividiam o quarto, enquanto Susana e Lúcia tinham quartos separados. Pedro contente por ter mais um pretexto para estar a sós com Susana, foi até o quarto lhe dar a notícia. Vendo que ela dormia, ele fechou a porta e se aproximou devagar da cama, queria acordá-la suavemente, mas não podia esconder que estava ardendo de paixão. Tirou o cobertor dela, deixando suas torneadas pernas à mostra, Susana acordou sobressaltada pela presença dele, e Pedro não deixou de olhar suas pernas.
– Vim te fazer um convite.
– O que é? — perguntou se sentando.
– O pessoal já chegou e eles ganharam dois passaportes para o parque, disseram que é incrível e não podemos perder.
– Nossa que ótimo, adoro parque.
– Então vai se arrumar que vou ficar te esperando.
– Aqui no meu quarto? — perguntou com certo nervosismo.
– Pode ser – a olhou sedutor – mas acho melhor ficar lá em baixo, está muito quente aqui.
…
Líder preparou uma bela recepção para Caspian e seu companheiros, eles decidiram que ficariam lá por três dias, as irmãs de Liliandill sentiram uma pontinha de inveja, mas ficaram felizes pela irmã. De noite Líder mandou matarem um boi e deu uma festa, apesar da debilidade de sua saúde, não pode deixar de comparecer e apresentar seu genro. Lilian estava muito boba, e o rei não escondia sua alegria, os dois bebiam e dançavam o tempo todo.
– Por que faz isso comigo? — disse tomando um pouco de vinho, admirado com a beleza de Lilian.
– Isso o que majestade? — colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha.
– Ah não me chame de majestade, vamos nos casar.
– Está feliz com isso?
– Me diz você Lilian, você está feliz? Porque se estiver, estarei também.
– Tão feliz que nem cabe no meu peito. E o que foi que eu fiz com você meu rei?
– Me roubou... o coração.
– Então somos dois ladrões meu rei.
– Promete que nunca vai me deixar Lilian? Nunca vai embora, promete?
– E você Caspian? Você promete que nunca vai me deixar?
– Eu juro por todas as estrelas do universo que a partir de hoje eu só quero você. Nunca vou te deixar – disse segurando o queixo dela com delicadeza, para beijá-la.
– Aqui não Caspian.
– Onde então?
– O que acha de eu te mostrar toda a ilha amanhã?
– Eu adoraria. E vou ganhar meu beijo?
– Só pensa nisso – riu convencida.
– É. E vou passar o resto da noite assim – brincava com o cabelo dela – pensando em você.
…
Susana estava amando a beleza e a iluminação do parque que acabara de ser estreado na cidade, entendeu por que seus pais voltaram animados e sem a carranca de sempre. Um vendedor de flores achou que Pedro e ela eram namorados já que estavam de mãos dadas, ofereceu uma rosa e Pedro comprou para ela. Também tentaram a sorte no tiro ao alvo, Pedro queria ganhar um ursinho para Susana, mas não mirava bem, depois de duas tentativas Susana decidiu ajudá-lo, pôs suas mãos sobre as deles e o ajudou a mirar, Pedro virou para o rosto dela e quase aconteceu um beijo se ele por um descuido não tivesse apertado o gatilho da espingarda, por sorte acertou o alvo e ganhou um coração de pelúcia que Susana adorou.
Compraram uma maçã do amor e foram para a roda gigante, Pedro adorava altura, os dois se sentaram lado a lado e Pedro colocou seu braço no ombro dela. Susana ficou com um pouco de medo quando a roda começou a girar e passou o seu braço na barriga dele o abraçando. Quando se acalmou mais quis comer sua maçã ainda na roda gigante. Pedro estendeu a maça e os dois deram uma mordida ao mesmo tempo, os dois estavam adorando aquele momento assim como aquela maçã, com um movimento brusco do brinquedo a maçã do amor caiu e os dois quase deram um beijo na boca, mas a roda gigante parou anunciando que o tempo tinha acabado, Pedro tinha ficado decepcionado pois a oportunidade era perfeita.
Depois que chegaram em casa constataram que todos dormiam, então deram passos lentos e silenciosos até chegarem aos seus quartos, Susana tinha esquecido seu coração de pelúcia com Pedro e ele foi até o quarto dela lhe entregar. Ele entrou sem bater e a pegou de camisola, uma corrente elétrica lhe deu choques por todo o corpo.
– Veio fazer o que aqui Pe? Roubou meu coração?
– Espero que sim, quero dizer, você esqueceu seu coração comigo.
– Toda vez que dormir com ele vou me lembrar dessa noite e de você.
– E o que eu vou ter para me lembrar de você Susana? — disse se aproximando.
– N-não sei Pe.
– Um beijo... já está de bom tamanho.
Susana se assustou, pois pensou que ele a beijaria na boca, mas Pedro a puxou pela cintura de forma sedutora e lhe deu um beijo longo no rosto, fazendo Susana se arrepiar.
– Está com um cheiro maravilhoso Susan, pode me emprestar o seu sabonete.
– Claro Pedro. — disse tentando se livrar daqueles pensamentos insanos.
Susana passou a noite chorando assim como Pedro na noite anterior, mas ela ainda não sabia o que estava acontecendo, só sabia que não era certo e se arrependia profundamente das coisas que se passavam em sua cabeça e seu coração.
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