-Não faças isso Luana – Pediu Dário. – Eu sei que foi pela tua irmã que concordas-te em despertar os elementos em ti mas se abdicares de tudo agora nem sonhas o que poderá acontecer! Pensa! Se desistires o que poderá acontecer? As bruxas vão apoderar-se de Mhaglacia e ai não poderás fazer nada para as deteres!

-Mas de que vale detê-las se a minha irmã nunca mais vai voltar? – Chorava a princesa.

-Enquanto houver vida há esperança. Ela pode até estar a ser ameaçada. Pode ter aparecido amando das bruxas. Tudo é possível…

-Não sei… a maneira como ela se riu… recordei dos tempos em que nos dávamos mal. Ela estava igualzinha a antigamente!

-Vamos descansar. Dormir vai fazer-te bem. Pensa no que queres fazer. Estás demasiado nervosa para tomar qualquer decisão.

-Está bem… — E a guardiã pegou em duas mantas e deitou-se ao pé de um carvalho que ali estava. Dário fez o mesmo e tentou ao máximo ficar próximo de Luana, temia que ela fizesse alguma asneira.


A princesa acordou quando o sol nascera.

Dário já estava pronto para partir tinha acordado minutos antes e arrumou tudo para que não se atrasassem mais. Despois do que acontecera no dia anterior Dário prometera consigo mesmo que nunca mais iria deixar Luana sozinha e que não a deixava desistir.

-Iremos para Carvahall e depois eu parto para o reino! – Declarou Luana arrumando as mantas.

O cavaleiro não falou.

O lobo decidiu que os encontrava depois de passarem Carvahall.

Montaram os cavalos e puseram-se a caminho em direção a Carvahall. Da floresta a Carvahall era cerca de duas horas, pelo que não demoraram muito a chegar.

-Tenho aqui um grande amigo meu. Iremos a casa dele pois ele arranja-nos comida e podemos ficar lá esta noite. Amanhã resolvemos tudo. – Disse Dário aproximando-se dos Portões de Carvahall.

Alguma coisa não estava certa. Os portões estavam fechados e nas muralhas havia muitos soldados. Não se via ninguém nas ruas, estava um total silêncio.

-Dário! – Luana desceu da cela e dirigiu-se a uma árvore. Havia um papel afixado na árvore. No cimo do papel dizia “PROCURA-SE”, logo a seguir tinha um retrato de Luana e no final estava escrito “RECOMPESA DE 100.000$”. – Quem fez isto? – Perguntou mostrando o papel a Dário.

-É pior do que pensava! Elas estão no palácio!

-Não pode ser… — A princesa encostou-se á árvore e ficou paralisada.

-Vês! Não podes voltar… elas já começaram a apoderar-se de Mhaglacia. É uma questão de tempo até elas dominarem tudo. Vem comigo!

Contornaram as muralhas sempre encostados a elas para que os soldados não os vissem e por fim encontraram uma porta na muralha. Era pequena e tinha uma fechadura velha.

O cavaleiro elevou a mão direita, rodou-a e a porta abriu. Entraram e Luana deu por si dentro de uma grande sala. Havia uma enorme mesa no centro com cadeiras e as paredes eram revestidas de um papel de parede vermelho escuro e cheiro de quadros antigos que alguns deles até metiam medo. Á sua frente havia uma porta de madeira enorme e ao seu lado estava uma lareira acesa. À frente da lareira estava um gigantesco cadeirão azul.

De repente saiu um homem do cadeirão.

-Dário! – Quase gritou o homem abraçando Dário.

-Este é o meu amigo, Afonso! – Apresentou depois de Afonso o largar.

-Princesa… — Pronunciou o homem com respeito e ajoelhou-se.

-Nesta altura não precisa de fazer isso. Não sei até quando serei princesa! Historia complicada…

-Ele sabe de tudo! – Interrompeu o Dário. – Porque é que estão á procura dela?

-Foi a rainha Catarina que lançou o mandato. Diz que a irmã a traiu e a tentou matar…

-Rainha? – Perguntou Luana incrédula.

-Sim… Foi ontem a coroação.

-Achas o mesmo que eu? – Questionou Dário a Afonso.

-Sim… também penso que ela esteja possuída pelas bruxas ancestrais, mas não há certezas de nada. Ela não aparece em público só ontem para a coroação e mesmo assim foi de porta fechada. Os magiquianos estão inquietos e não conseguem perceber o que se anda a passar.

-Temos de ir á biblioteca! Podes lá nos levar? – Interrogou Dário.

-É difícil… Os soldados estão por todo o lado e só podes entrar na biblioteca se te mostrares…

-Para que queres ir á biblioteca? – Interrompeu Luana.

-Se a tua irmã estiver possuída temos de saber com expulsar as bruxas do seu corpo, se não… Terás que as matar às quatro!

-Esperamos até ao anoitecer e depois tentamos entrar! Agora venham. Vão descansar.

Afonso abriu a porta e eles foram atras dele. Viraram á esquerda onde havia uma escada e eles subiram-na. A seguir voltaram á direita e havia um enorme corredor com cerca de cinco portas, duas do lado direito de as outras três do lado esquerdo.

As paredes continham um papel azul-escuro. Haviam três armários pequenos dois do lado esquerdo e um do lado direito, que ficavam entre as portas, com molduras e estátuas pequenas e ao fundo do corredor tinha uma grande janela coberta de longos cortinados vermelhos.

-Fiquem aqui… O resto dos quartos estão ocupados. – Proferiu Afonso, abrindo a porta do meio do lado esquerdo.

-Está bem. – Disse Dário.

O quarto era grande, não tão grande como o de Luana.

Entraram e Afonso fechou a porta atrás deles. Ficaram os dois especados ao pé da porta por instantes e pousaram as suas capas num sofá que havia perto da porta.

Só havia uma cama e era de casal que estava no lado direito. Á frente da cama havia uma cómoda com um espelho por cima e molduras. Toda a madeira era de um castanho claro.

Luana sentou-se na cama e recostou-se. O cavaleiro contornou a cama e fez a mesma coisa. Os dois ficaram deitados a olhar para o teto. Poucos minutos depois Dário adormecera.

A princesa apercebera-se que ele adormecera e chegou-se para ele.

Acariciou-lhe a face tocando também no cabelo preto.

-Porque tens de estar tão perto mas tão longe? – Sussurrou Luana. Passou o dedo pelos lábios dele e contornou o seu queixo. Aproximou a cara da dele. Agarrou nas faces e virou-as em direção a sua cara. Foi aproximando lentamente e fechando os olhos.

Ela sentiu a respiração calma dele na cara e por dentro sentiu-se feliz só por sentir que ele respirava.

Aproximou-o ainda mais…

Até que os seus lábios se tocaram.

Ele acordou com os lábios quentes e abriu os olhos. Lá estava Luana de olhos fechados com as mãos na cara dele. Sem querer ele fechou também os olhos e abraçou-a elevando o tronco. Ela escorregou as mãos da cara até á parte de traz do pescoço dele.

O beijos foi se intensificando e Luana por dentro explodiu de felicidade. Á sua volta apareceu do nada um grande vento, haviam papéis na mesa-de-cabeceira que começaram a voar. A janela começou a bater e trepadeiras começaram a entrar por ela. Os lençóis batiam fortemente na cama como a roupa num estendal quando há um vendaval.

Quando os seus lábios se separaram as trepadeiras foram para fora e o vento desapareceu deixando cair tudo.

Os dois entreolharam-se envergonhados.

-O que aconteceu? – Perguntou Dário olhando para aquelo confusão toda.

Haviam papeis espalhados por todo o lado. Os cortinados estavam em cima da comoda a cama toda desfeita e a janela aberta.

-Não sei…- Conseguiu finalmente Luana falar ainda envergonhada.

-Estão bem? – Entrou impulsivamente Afonso pela porta. – Meu deus o que aconteceu aqui?

-Nós… beijámos-mos e de repente esto aconteceu. –Explicou Dário saindo da cama.

-Já percebi tudo! – Riu-se o amigo.

-Percebes-te o que?

-Quem fez isto tudo foi a princesa…

-Eu fiz o que? – Agora Luana também saíra da cama e ficou de frente para Afonso.

-Parece que já despertas-te os elementos Ar e Terra. Não foi?

-Sim. E o que isso tem haver? – Questionou Luana.

-Desculpa-me o que vou dizer mas ficaste tão entusiasmada com o beijo que não conseguiste controlar os teus poderes.

-Parece que sim… — Disse ela baixinho.

-Dário dá um jeito na bagunça. Chamo-vos para almoçar.

A princesa ficou junto da porta enquanto Dário com os seu poderes arrumava o quarto. Os papéis voavam e pousavam-se sozinhos na mesa-de-cabeceira. Os cortinados foram colocados sozinhos. Parecia que andavam pessoas invisíveis no quarto a arrumar mas não, eram os poderes de Dário. Em poucos minutos estava tudo no sítio e Luana deslocou-se para o cadeirão que havia ao pé da porta e sentou-se em silêncio.