–Eu vou ficar por aqui… - Disse Drago.

–Porque? – Perguntou Luana triste.

–Os lobos não se adaptam bem no deserto, não vou aguentar lá muito tempo. Tenho muito pêlo para me proteger do frio e o deserto é muito quente iria morrer de calor. Mas descansa eu volto a procurar-te! Até breve!

–Até um dia! – E Drago desaparecer na escuridão.

Agora era tudo ou nada.

A conquista pelos quatro elementos estava a acabar e Luana tinha noção disso. Nesta viagem passou por muitas situações mas conseguiu ultrapassá-las graças ao seu cavaleiro.

Já estavam nas redondezas de Melian.

Decidiram que tentariam ao máximo afastarem-se das muralhas de Melian para ninguém os ver, sendo aquele o território de Catarina deveria estar muito bem protegido.

Os cavalos cavalgavam fortemente pelas terras duras em busca do deserto para assim a princesa acabar a sua viagem.

Já era de noite e eles não paravam. Não queriam ficar perto de Melian pois seria muito perigoso.

Mas só a passagem por ali foi o suficiente para alertarem que ali estavam.

Estavam a uns quilómetros do portão de Melian quando ouviram o trotar de muitos cavalos.

Dário e Luana estavam conscientes de quem seria – os soldados. Fizerem com que os cavalos ganhassem uma velocidade impressionante, parecia que voavam em cima da terra fria e dura.

Conseguiram ganhar algum avanço mas não por muito tempo.

Estavam quase a deixar Melian e entrar no deserto quando na sua frente apareceram cinco corcéis com cinco soldados.

Estavam todos bem armados: tinham armaduras de prata e uma espada enorme.

–Onde pensam que vão? – Perguntou um soldado.

–Não queremos ferir ninguém… mas se não nos deixarem passar isso será inevitável! – Respondeu rudemente Dário.

–Olha o alfaiate a proteger a sua linda donzela! – E riram-se. – Temos ordens específicas para prender essa traidora!

–Observa o que o alfaiate consegue fazer! – Ao dizer isto Dário elevou as mãos e projetou o soldado contra uma árvore fazendo este contorcer-se de dor quando sentiu o impacto – Seguinte! – Chamou desafiando. Os outros quatro soldados retiraram a espada e apontaram-na na direção de Dário e principiaram cavalgando em direção a ele. Ele com as mãos elevadas fez as espadas voarem para cima e direcionou-as para a cabeça dos soldados…

–Não! – Gritou Luana. – Não vamos matar ninguém! – A princesa elevou a mão direita – Trepadeiras! – Gritou e das árvores saíram trepadeiras que envolveram as espadas e engoliram-nas.

Por trás apareceram cerca de dez soldados ou mais.

Dário com a sua magia derrubou os quatro soldados à sua frente contra as árvores.

–Trepadeiras! – Gritou Luana fazendo com que as trepadeiras aprisionassem os soldados nas árvores.

Os cavalos viraram-se para trás onde estava mais de uma dezena de solados.

–Eles são aberrações! – Saíram três ou quatro soldados a gritar.

–Tornado! – Gritou Luana fazendo os restantes soldados serem levados pelo tornado e deitados ao chão. Uns quantos levantaram-se, desembrenharam as espadas e atacaram mas antes que pudessem aproximar-se Dário tirou-lhes as espadas como fizera anteriormente.

Pensando a princesa juntou o tornado com folhas atirando-o aos soldados sendo estes feridos pelas folhas que eram bem resistentes e cortantes. Direcionou a mão esquerda para o solo e fez saírem grandes raízes que aprisionaram as tropas pelos pés.

Dário e Luana bateram as rédeas dos cavalos e estes cavalgaram para longe deixando grande destruição para trás.

Os soldados ficaram presos pelas raízes e trepadeiras sem conseguirem se mexer.

Quando estavam suficientemente longe do local da pequena batalha Dário disse:

–Bom trabalho de equipa… mas como sabias o que fazer?

–Tu disseste! – Respondeu confusa.

–Eu não falei… só pensei!

–Não! Eu ouvi-te a dizer para aprisioná-los com as trepadeiras!

–Tu acedeste aos meus pensamentos! Mas não percebo…

–Como é possível aceder aos teus pensamentos?

–Só poderias aceder aos pensamentos das outras pessoas quando tivesses os quatro elementos… Não entendo!

–Posso aceder aos pensamentos dos outros? – Perguntou surpresa.

–Sim. É magia profunda, não entendo como consegues neste momento.

–Como faço isso? – Questionou curiosa.

–Para que queres saber?

–Curiosidade… — Respondeu virando a cara.

–Tens que te concentrar na cabeça da pessoa e imaginar que estás a entrar no seu cérebro e rapidamente consegues ver o que estão a pensar.

–Hum… Parece fácil.

–Parece mas não é! Consome imensa energia. Energia que só deverias ter quando tivesses os quatro elementos. – Disse o cavaleiro pensando. – Não sei! Se calhar és mais forte do que eu pensava!

–Pois… deve ser isso.

–Vamos acampar ali. – Ouvia-se o som de uma cascata pelo que Dário pensou que podiam acampar lá para de manhã poderem se refrescar com água fresca.

Em pouco tempo estavam junto da cascata.

Havia uma árvore enorme a uns metros da cascata e foi ai que acamparam. Deixaram os cavalos pastarem livremente e deitaram-se junto do carvalho olhando para as suas folhas.

–Dário…

–Sim. – Respondeu sonolento.

–O que acontecerá se eu conseguir derrotar as bruxas?

–Seremos todos felizes… — Ao responder Dário vira-se para o lado contrário da princesa e abre os olhos por instantes. Em pouco tempo Dário adormece.

–Dário… — Chamou a princesa. Esperou uns segundos e apercebeu-se que ele estava a dormir. – E se eu visse o que estás a sonhar? – Ele virou-se e ficou de frente para Luana ficando ela em pânico pensando que estava acordado mas não.

A princesa olhou para os olhos fechados de Dário e fechou os seus.

Imaginou percorrer o cérebro dele e tinha medo do que poderia encontrar. Concentrou-se e pediu muito para que resultasse mas nada. Abriu os olha e ele estava na mesma e ela não vira nada de novo.

Fechou os olhos e tentou novamente. Uma e outra vez. Até que um vulto de imagens percorreu a sua mente. Parecia um filme em que recuava no tempo muito rápido e de repente parou. Dário estava a sonhar com o beijo que dera à princesa.

“Quem me dera que ela sentisse o mesmo que eu senti” – Pensava ele. – “Será que sentiu? Foi ela que me beijou. E se acha que foi um erro? E se não gostou? E se quanto tudo acabar nunca mais me querer ver? Mas o beijo foi tão intenso. Tão sentido. Tão explosivo. Quem me dera poder voltar a juntar os nossos lábios.”

O vulto de imagens voltou e deteve no momento em que eles se conheceram oficialmente. Na varanda do quarto da princesa quando houve o baile real, apareceu outra situação que foi quando eles dançaram pela primeira vez também na noite do baile real.

“Estava tão linda nesta noite. Com o vestido que fiz propositalmente para ela. A dança. Como ainda me lembro de cada passo que demos e a emoção que foi para mim ter-te nos meus braços…”

Inesperadamente vieram as imagens do jardim. Quando Luana fez dezoito anos.

“Ia declarar-me mas não deixas-te. Mas também acho que foi melhor assim porque se tivesse-me declarado talvez não aceitasses bem a situação de seres a guardiã. Como eu queria-te beijar”

Outra vez o vulto de imagens e deteve a situação de quando Luana esteve inconsciente na floresta e ela conseguiu sentir todo o sofrimento que ele sentiu.

“O quanto eu me arrependo de te ter deixado sozinha.”

Subitamente Dário levanta a cabeça e a guardiã abre os olhos.

Ela estava branca e toda soada.

Começou a ficar inconsciente até que desmaiou.