Notas iniciais
Recomenda-se que, ao ler este capítulo, o leitor já tenha lido os cinco primeiros capítulos da fanfic "The New Marauders" de Lucas Stumpf pois se passa anteriormente ao ocorrido no capítulo.

A manhã estava abrasante, sendo demasiado estranho tendo em conta que poucos dias atrás o clima estava gélido como se dementadores habitassem o dormitório da Corvinal.

Gabi espreguiçou-se com seus braços longos e finos, um sorriso amarelo estampado em seu rosto espinhento e oleoso, parecia que despertava em um campo florido, repleto de cheirosas lavandas e margaridas. Claramente não sentia o próprio cheiro, que agora fazia parte das vigas que seguram a torre da Corvinal.

O clima quente fez com que o cheiro insuportável de Gabi se tornasse o martírio daqueles que se encontravam no dormitório. Tinha uma semelhança indiscutível de enxofre com as cuecas sujas de Hagrid, porém, cem vezes mais concentrado.

Gabriel acordou em solavancos. Gritou desesperadamente assim que sentiu o cheiro fétido e mortal de Gabi:

— É O ARMAGEDOM!!!!!

Pedro, que dormira no dormitório da Corvinal como consequência de uma competição travada com Lucas, acordou em completo desespero. Sem saber o que fazer para aliviar aquela ardência sentida em suas narinas gordinhas. Pulou da janela.

Lá se vai o gordo.

Todos os garotos do dormitório correram como uma manada de de gnus selvagens, fugindo por suas vidas. Devido ao imenso tumulto, Gabriel encontrou dificuldades em fugir do dormitório, era um menino franzino, fora quase nocauteado inúmeras vezes pelos corvinos até que conseguiu escapar da torre da Corvinal.

Gabriel já se encontrava fora do dormitório, conferindo se alguma parte do corpo não havia caído com tantos socos e pontapés que havia levado. As meninas estavam descendo, muito mais disciplinadas que os meninos, com um interessantíssimo feitiço de bolha nas cabeças da maioria e Ysadora, destacando-se ao longe, não parecia se importar com o cheiro, só estava seguindo as meninas porque não queria ficar ali sozinha.

O tumulto passou, Gabriel conseguira sentir tudo no lugar, com exceção de um pequeno corte no supercílio. Ao dirigir-se até Ysadora, avistou uma enorme pedra rodeando o que poderia ser chamado de "seio" da giganta, decidiu não comentar sobre o mesmo pois a giganta parecia se ofender facilmente quando os amigos comentavam dos seus satélites naturais, que ironicamente, eram maiores que os "gigantescos" seios dela.

— Você está bem, Ysadora? — perguntou Gabriel à giganta, parecia estar forçando a si mesmo para ser gentil com ela.

— Estou ótima, o ar é rarefeito aqui em cima — respondeu Ysadora com um tom displicente.

— Que bom, agora vamos rápido, acho que vi o Pedro se jogar da janela, imagina o estrago que ele fez onde caiu. — Gabriel abafou uma risadinha.

Gabi ainda estava deitado em sua cama, sentiu-se ultrajado por todos os corvinos terem abandonado seus aposentos de tal forma, afinal, ele não conseguia compreender o porquê das pessoas o evitarem tanto. Leu um livro por algumas horas, curiosamente intitulado "Cinquenta Tons de Loli", até que lhe restavam apenas 40 minutos até a aula de poções, que fora proibido de comparecer pelo professor Snape se Gabi não estivesse cheirando a um jardim de lírios na primavera mais harmoniosa que poderia existir. Juntou o material jogado ao chão para ir às masmorras.

Dirigiu-se para a aula e, como os gritos de desespero de vários alunos confirmara anteriormente, Gabi estava fazendo jus ao seu apelido "fezes" de uma forma tão trágica que nem mesmo o maior dos bruxos teria chegado a tal resultado, o cheiro encontrava-se no seu apogeu.

Professor Snape lançara um feitiço de barreira na mesa de Gabi horas atrás, o que arrancou suspiros aterrorizados dos alunos na hora que Gabi encostou os livros na sua mesa, mas para a alegria de todos, o feitiço funcionara.

Lucas, deu uma risadinha, abafando-a com a mão. Lembrou-se da competição que travara com pedro no dia anterior. Pedro comera tantos feijõezinhos de todos os sabores que vomitara jorros de vômito com todas as cores do arco-íris.

Lucas olhou em volta e percebeu que pouquíssimos alunos da Corvinal estavam presentes à sala, havia apenas 2 alunos além de Gabi, onde estariam Gabriel e Ysadora? E Pedro, onde estaria o gordo?

— Meu santo Paracelso! — gritou Lucas, claramente a falta dos seus amigos tinha haver com Gabi e seu… Problema...

Houve uma batida forte na porta da sala de poções, Snape desviou o olhar antes apontado para Lucas devido ao seu berro e olhou para a porta friamente, saindo de sua mesa vagarosamente, conferindo de esguelha os caldeirões dos alunos enquanto passava, torcendo o nariz ao passar por Gabi, parecia estar com medo do feitiço ser quebrado a qualquer instante. Gabriel abriu a porta, pendurando-se a ela logo em seguida, estava ofegante por ter descido até as masmorras correndo. Inspirou suavemente um pouco de ar e disse:

— É o Pedro, ele se jogou do dormitório!

— Gordo burro. — balbuciou Lucas.

Snape lançou um olhar repreendedor para Gabriel, ele já sabia o que aconteceria depois disso.

— Menos 20 pontos para a Corvinal, senhor Decian — proferiu Snape, frio e cruel como sempre fora.

— Não tenho culpa professor, Gabi quase destruiu nosso dormitório, o cheiro está horroroso, alguns até se machucaram! — bravejou Gabriel, indignado com a injustiça cometida pelo Prof. Snape

Gabi parecia não ter ouvido, nem havia percebido a entrada de Gabriel na sala. "O que é exatamente aquela barreira?" Pensou Lucas.

— Não me interessa o que aconteceu com você e os alunos do seu dormitório, senhor Decian. O que me interessa é que você não compareceu a minha aula no horário e ainda por cima interrompeu-a. — falou calmamente Snape, agora com um olhar de ódio claro para Gabriel. — Menos 50 pontos para a Corvinal, por sua petulância de ter me retrucado, senhor Decian. — suspirou — Agora, senhor Decian, retire-se da minha frente antes que eu o mande para a detenção.

— Gabriel, de cabeça baixa, saiu devagarinho pela porta, Lucas partindo logo atrás, parecendo estar preocupado com Pedro.

— Onde pensa que está indo, senhor Stumpf?

"Não te interessa, professor Snape". Imaginou Lucas, querendo profundamente ter dito aquelas palavras, mas é claro que não iria ser idiota de responder Snape de tal forma, mesmo tendo o terrível hábito de não pensar quando for tomada alguma atitude. Lucas saiu sem dizer uma palavra, segurando seu livro de poções entre os braços, empurrando-o levemente ao peito.

Snape não pareceu dar importância a Lucas, possivelmente não recebera punição por ser um sonserino, algo que era habitual para prof. Snape que já se dirigia novamente a sua mesa para dar continuidade à aula.

Dentro da bolha de Gabi via-se uma situação harmoniosa, Fezes se encontrava em meio de raios de sol que passavam graciosamente pelas copas das árvores, com sua mesa e caldeirão borbulhante logo à frente. O cheiro úmido das árvores era realmente agradável, parecia tão real que Gabi sorria de orelha a orelha olhando a sua volta a floresta em todo o seu esplendor.

Gabi queria cagar.

O líquido empelotado e negro começou a escorrer pelas pernas de Gabi. À medida que ia tocando o chão, a flora em sua volta se encolhia em uma cor escura e depreciante.

Gabi, ao longe, reparou em um vulto alto que se aproximava. A princípio pensou que se tratava de um grande morcego, mas assim que a figura entrou na luz, reparou que era de fato um homem.

Era na realidade seu professor de poções, Severo Snape, cujo rosto emoldurado pelos cabelos oleosos entortou-se ao colocar os olhos naquela cena. O cocô de Gabi escorria para as bordas da barreira mágica, e um som de borbulhar começou a ecoar na sala ao mesmo tempo que rachaduras finas surgiam e se encontravam na mesma.

A barreira se rompeu, nem mesmo Snape era capaz de conter o poder do ânus de Gabi. O líquido lamacento continuava a se espalhar pela sala, corroendo os móveis que encontrava, Snape puxou sua varinha ligeiramente, enquanto gritos desesperados vinham de todos os lados da sala.

— Salvio Hexia — vociferou Snape, prezando proteger sua sala, não os alunos.

— Pelas barbas de Merlin, estamos perdidos! — balbuciou um aluno da Corvinal, desamparado com a situação.

Severo Snape não negava esforços, jorros de feitiços voavam de sua varinha para evitar que o líquido de Gabi tocasse qualquer coisa em sua sala além do chão e da mesa já corrompidos. Enfim, um feitiço, das dezenas que Prof. Snape conjurara, havia tido efeito. A lama de Gabi estranhamente recuou de volta para seu fiofó, ao som de um POP e uma fumaça sépia se dispersara.

A aula, como não poderia deixar de ser, fora cancelada. Snape precisaria de dias para desintoxicar a sala e arrumar o estrago no piso que Gabi deixou. Os alunos não pestanejaram ao sair, empurraram uns aos outros e até mesmo esquecerem alguns materiais na hora do tumulto, Gabi, por sua vez, teve a maior calma do mundo.

Assim que chegou aos jardins perto da torre da Corvinal, Gabi ouviu um gemido, parecia estar sendo desagradável para quem quer que esteja gemendo. Gabi estava curioso, o que será que estava acontecendo?

— Ai... — Gemeu a voz, baixinha e sem fôlego.

— Quem está aí? Está tudo bem? — perguntou Gabi, cada vez mais atiçado, tentando se desvencilhar dos escombros.

— Não! Saia daqui! Me deixe em paz, por favor! — bradou a voz desesperadamente, era claramente a voz de Pedro.

O gordo estava estabacado entre grandes pedras, em uma posição cômica com a bunda levantada levantada para o céu. O estrago feito nas construções da escola fora formidável, será difícil para Pedro, e os amigos que misteriosamente não vieram o ajudar, justificarem ao mínimo professor Flitwick o porquê de terem destruído duas paredes milenares.

Pedro avistou Gabi, seus olhos esbugalharam e encharcaram-se em lágrimas, o terror em sua face, a boca abrindo como se fosse urrar, porém, não saiu qualquer som de sua boca. Em vez disso, Pedro tateou o chão cegamente, os óculos saltaram de sua face na queda, em busca de sua varinha. Ao encontrar a varinha, intacta, apontou-a para sua cabeça e gritou:

— Nocte Porcus! — o feitiço rosê irrompeu violentamente de sua varinha, atingindo à queima roupa sua cabeça

A cabeça de Pedro bateu contra a rocha onde estava. Não parecia estar respirando, mas provavelmente era exatamente esse o seu objetivo desde o princípio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.