Notas iniciais
Há muitas luas atras eu comecei a escrever, mas precisei abandonar o projeto... agora estou de volta e teremos um capitulo bem novela mexicana.

— Vossas Majestades. Um guarda real está aqui e deseja ter uma audiência com a rainha. — anunciou o criado.

— Deixei-o entrar. — respondeu o rei sem muita vontade.

— Meu rei. — o comandante fez uma reverência — Minha rainha. Tenho notícias da senhora de La Fontan e como prova de que o que digo é verdade, ela me pediu para entregar-lhe isso majestade. — ele mostrou o colar.

— Quais são as notícias? — a rainha tentava manter-se calma, mas ao ver o colar de sua prima, quase não conseguiu conter a vontade de ir até o guarda para pega-lo e ter certeza que era dela.

— Infelizmente preciso dizer que atacaram a família de sua prima e seu marido veio a falecer. Ela conseguiu fugir, agora encontra-se na ala hospitalar do palácio e deseja ter uma audiência particular com vossa senhora.

— Ela está bem?

— Sim. Nós a encontramos, na verdade, ela nos encontrou perto da Cidade 1. Graças a ela um de nossos soldados está vivo.

— Conte mais. — ordenou o rei que começara a se interessar pela conversa.

— Um pequeno grupo de rebeldes, formado por crianças, nos atacou. Não queríamos machucá-los, então tentamos persuadi-los, mas aquela situação foi criada para nos distrair — a imagem de seu irmão sendo lançado violentamente para trás em direção ao chão passou pela sua cabeça — alguém ao longe estava a nossa espera e atirou, meu rei, eu nunca vi algo tão destrutivo. — ele olhou para a rainha que parecia horrorizada ao imaginar a cena.

— Você não precisa ouvir isso meu amor. — o rei também vira a face da esposa e queria poupá-la — Por que não vai até o jardim? peça para algum dos criados que leve sua prima até lá e transmita meus sentimentos.

Assim que a rainha saiu decidiu que não queria esperar para rever a prima e foi logo ao seu encontro. O caminho entre a sala do trono e a ala hospitalar era relativamente longo, mas graças — ou deveria ser infelizmente — aos conflitos e guerras ao longo dos tempos, várias passagens foram criadas para que a família real conseguisse transitar dentre todo o castelo.

A ala hospitalar equivalia a quase toda a ala sul superior, continha sete longos corredores com desenhas de quartos, dois quais dois eram destinados a quarentenas. Estela estava no segundo corredor com Cramin, ela estava sentada ao lado de sua cama, olhando aquele garoto que, sem a farda, desarmando e inconsciente, parecia não se encaixar na guarda real. Ele estava se recuperando bem, o que devido a quantidade de sangue perdida,, era quase um milagre. Desde que haviam chegado, ela só siau do seu lado para a cirurgia, ajudando o médico e as enfermeiras a cuidar do rapaz, cujo os ferimentos eram extensos, sempre que possível. O que quer que o tivesse atingido possuía extrema capacidade de destruição, a maior parte do estrago estava concentrado no abdômen e antebraço, dezenas de mini furos onde o sangue coagulara durante minutos (se Estela não estivesse lá, o soldado teria falecido em minutos) e a perna que fora atingida com tanta força que parti-lhe o Fêmur ao meio. A perna foi imobilizada e os buracos, depois de cauterizados, foram fechados um a um. Estela agora acariciava-lhe os cabelos e cantarolava uma canção de ninar, Daniel, como que a estivesse ouvindo claramente, aparentava um longo sorriso.

— Estela? — ela reconhecera a voz da prima de imediato e correu para abraçá-la — fico tão feliz em vê-la.

— Preciso te contar algo. — Estela não sabia como começar.

— Eu já sei sobre o Mitchel, o rei e eu lamentamos profundamente.

— É algo mais importante que isso. — Ao dizer isso, Estela sentiu uma pontada no coração, Mitchel fora a coisa mais importante para ela (depois de Miguel) durante anos — É sobre a sua filha. — ela sussurrou.

— O que tem a Anna? — a rainha tivera outra filha anos depois de perder Christine.

— Estou falando de Christine. — ela engoliu em seco — Precisamos falar em particular.

— Todos vocês, por favor, se retirem por um momento. — a rainha ordenara as enfermeiras e os guardas que esperavam que Daniel acordasse de fato.

— Como queira majestade. — eles reverenciavam e se retiraram logo em seguida.

Estela deu alguns passos atrás e verificou o pulso de Daniel, pois mesmo querendo contar a prima que a filha estava viva, que Makaila cuidou bem dela e que ela é uma linda jovem, ela tinha medo por Makaila, visto como o rei era retratado na Cidade Quatorze e qualquer segundo a mais que tivesse para evitar retaliações era bem vindo. Mas ela não podia evitar a prima por muito tempo e a rainha Iriana já mostrava sinais de ansiedade. Quando o castelo foi invadido anos atrás e a princesa teve que ser retiradas, vários grupos de busca foram mandados para procurá-la, entretanto, um deles voltou com um corpo, já inchado pela decomposição e o rei, completamente devastado, a declarou como morta. A rainha por sua vez, mesmo devastada, tinha para si que sua pequena filha ainda estava viva, mas guardou isso para si, pois não aguentava ver o sofrimento pelo que o rei estava passando.

— Estela. — a voz da rainha saiu firme — Fale, agora… por favor.

— Eu preciso pedir primeiramente que você se sente. — a rainha consentiu levemente com a cabeça e sentou-se na cama ao lado de Daniel — Eu estava voltando para o castelo com meu filho, o Miguel.

— Você tem um menino?! Eu fico tão feliz em saber, ele tem quantos anos?

— Ele tem oito, cinco a menos que Anna. Mas proseguindo, fiquei com medo de traze-lo. Depois do ataque que sofremos, o coitado nem sabe ao certo o que houve. Eu parei em uma lanchonete para que ele comesse algo e a garçonete me pareceu tão familiar, ela me transmitiu confiança e eu pedi que ela cuidasse do meu menino. Então ela me levou até a sua casa, me deu essas roupas, que como você pode ver, eu precisei rasgá-las — ela virou-se um momento para Daniel e Iriana acompanhou o movimento — mas valeu a pena.

— Ainda não entendo o que isso tem haver com a minha falecida filha.

— Essa menina, a mãe dela é a Makaila… — ela hesitou — acho que você sabe onde quero chegar.

— Impossível! — exclamou a rainha ao se levantar — Makaila está morta, minha filha está morta. Você sabe disso, você me viu chorar.

— Você sabe que eu nunca mentiria sobre algo tão sério. Eu as vi. — ela aproximou-se da prima.

— Eu chorei tanto. — a rainha envolveu ps braços no próprio corpo, como que se tentasse acalmar a si mesma — Levaram anos para que eu estivesse pronta… E agora você me diz que ela está… viva. — a ultima palavra saiu acompanhada de lagrimas, as quais a rainha lutava desesperadamente contra.

— Está tudo bem. — Estela a abraçava e fazia afagos suaves em suas costas — Eu achei que você precisava saber.

— Obrigada. — Iriana respirou fundo e enxugou o rosto — Precisamos falar com o rei agora.

— Ela foram até o gabinete real. A única mulher autorizada a entrar sem ser apresentada era a rainha, mas, devido as circunstancias, ela rompeu portas a dentro seguinda de Estela antes mesmo que os guardas pudessem reverenciá-las. Os governadores reais as olhavam perplexos, em parte por curiosidade para saber o que levara a rainha e quebrar anos de tradição e em parte por acharem aquilo uma afronta direta ao rei.

— O que significa isso? — vociferou o rei, visivelmente irritado.

— Meu rei. — a voz da rainha manteve um tom calmo, mas frio — Preciso de uma comitiva real agora. Ordene que os melhores guardas façam parte.

— Está ficando louca mulher?! — o rei foi até ela e a olhou bem nos olhos a raiva dos dele refletidos nos olhos vazios dela o fizeram se afastar.

— Christine está vida. Não há tempo para explicações. — a rainha respirou fundo — Apenas traga a minha filha para casa.

— De onde você tirou isso? — agora ele estava gritando. Todos os governadores, que por precaução foram para as laterais da sala, começaram com murmúrios baixos.

— É verdade meu rei. — Estela falava pela primeira vez desde que entrou na sala — Eu a vi.

— O rei estava lutando com todas as sua forças para não mandar arrancar a cabeça daquela mulher imediatamente. Como era possível tamanha insolência? Ela presenciou toda a dor sentida por eles e agora dizia uma mentira tão grande? Mas ele a olhou bem nos olhos, algo que fizera muitas vezes quando mais jovens e sabia que aquilo era verdade. Mesmo indo contra tudo que acreditou sobre sua filhas ao longo de dezesseis anos, ele sabia que aquilo era verdade.

— Guardas. — ele chamou e todos os que estava nas portas fizeram uma fila para ouvir as ordens — Acompanhem a Duquesa de La Fontan até o centro de operações e diga ao sargento Cramin que ele é o responsável pela operação. — ele respirou fundo, exausto — Tragam todos que estiverem com ela.

— Sim senhor. — eles responderam em coro e saíram marchando da sala.

— A vocês senhores, — agora ele se direcionava aos governadores — peço que me perdoem pela cena presenciada e dou por encerrada a reunião. — eles começaram a sair — Adrian, espere.

— Sim meu rei. — Adrian tinha um voz grossa, um pouco rouca e por isso tudo o que falava saía com voz de sono.

— Meu bom amigo, se essa história for mesmo verdade, eu preciso que organize as instalações dela. Não confio em mais ninguém para supervisionar isso.

— Essa é uma tarefa um tanto feminina meu senhor — brincou Adrian — mas farei o meu melhor. Pedirei ajuda de minha filha e também a encarregarei de dar todo a suporte que Christine precise.

— Obrigado amigo. — o rei aparentava um misto de preocupação e surpresa.

— Vamos lá, alegre-se meu amigo. — ele abraçou o rei, uma atitude que não poderia ser tomada se os outros governadores ainda estivessem ali — A herdeira está viva. É tudo que importa.