As Crônicas de Brian Kinney
4 Terceiro Capítulo - As Lembranças
Notas iniciais
Após sairmos de perto da escola, minha mãe e eu seguimos em direção à beira da praia com o carro do meu padrasto, eu sempre gostava de passar pro lá, tinha uma ilha perto da praia, que abria um caminho quando a maré baixava, e quando subia, o caminho sumia. Como estava amanhecendo, o caminho estava aberto e nós atravessamos, nessa ilha tinha um caminho do lado das cachoeiras de água salgada, que vinha do mar, por incrível que pareça eu não fazia ideia como tinha cachoeiras, chegamos a um lugar espaçoso, de pedras esculpidas, onde minha mãe dizia que era o cemitério da família.
— Bem foi aqui que tudo começou. – disse ela.
— Aqui? Como assim? – perguntei.
— Brian, há dois anos nós discutimos, você veio para cá, você estava muito triste e você não estava sozinho, tinha mais alguém aqui, e foi essa pessoa que fez isso com você. – disse ela com um olhar triste.
— Como assim? Por que a senhora está dizendo isso?
— Brian! Já sei o que aconteceu na escola, e sei que você já sabe uma parte da história, sobre seus cavaleiros, e dos seus poderes.
— Anh? Mãe eu sou seu filho. – afirmei tentando não entrar no assunto sobre meus poderes.
— Eu sei que você é mais algo aconteceu aqui, eu te achei aqui depois de dois dias, você estava dormindo, estava sem roupa, jogado no chão, todo ensanguentado, e estava chovendo muito. A força militar soube o que aconteceu com você, e quiseram tirar você de mim, e o trato era de que assim que você começasse a se lembrar de algumas coisas eu deveria te entregar para eles. Porém eu te amo, e não vou fazer isso, assim que nós sairmos daqui Brian você terá que sumir no mundo, porque se eles te acharem eles vão te usar e você não terá sossego, assim que as coisas se acalmarem eu irei te encontrar.
— Mãe, nós não precisamos se separar, por favor, para com isso, a senhora nunca vai sair de perto de mim! – berrei.
— O resto da história eu não sei, eu te amo Brian e nós precisamos ir agora! – afirmou ela.
Nós saímos em silêncio, e não dissemos uma palavra, um ao outro durante todo o caminho, eu sabia que ela estava escondendo mais alguma coisa, eu tentei fingir que não estava me importando com tudo aquilo, tentei ser forte mais eu não conseguia, como minha mãe poderia ter escondido aquilo de mim todo esse tempo?
— Mãe, eu te amo mesmo, depois de tudo o que você me disse, eu ainda sou seu filho e a senhora ainda é minha mãe e eu nunca vou lhe abandonar.
— Eu também te amo Brian! E você é minha família, meu filho, meu Brian! Eu te amo mais que tudo nessa vida. – afirmou ela.
Sorrimos entre nós, encostei minha cabeça em seu ombro, enquanto isso ela permaneceu quieta, mais eu sabia que não era uma coisa ruim ela estar calada, ela só queria me dar um tempo para eu poder entender tudo aquilo, e realmente era o que eu estava precisando mesmo depois de tudo o que ela me disse, no caminho todo eu fiquei olhando para o mar e pensando no que eu faria de agora em diante e minha mãe me disse uma coisa, algo que eu nunca vou me esquecer:
— “Tudo vai ficar bem, enquanto você não se esquecer de quem é sua família e de quem você realmente é”.
Agora eu sabia realmente o que tinha que fazer, em casa estava tudo apagado como se estivesse vazia, eu permaneci no quintal enquanto minha mãe entrou e foi se preparar para dormir, a lua parecia estar focada em mim, e as estrelas estavam brilhando mais intensamente a cada minuto, e dessa vez eu tinha certeza que o que eu devia fazer mesmo agora, era defender a cidade de Elgheis e todos que eu conhecia Saya, Tyler, Matt, Diva, e minha Mãe todos estavam querendo meu bem, e tentando me proteger, porém tinha que ser ao contrário, meu destino é proteger aqueles que eu amo dessas coisas que sugam a vida dos seres humanos, esses monstros que tem o nome de Quiroptians, eu ia proteger minha família de tudo e de todos, eu estava certo de que meu destino é salvar o mundo dessas aberrações, e eu vou fazer isso.
Após ter tomado a decisão que eu achei que era certa, me preparei para dormir, fiquei deitado na cama olhando pela janela em direção a Lua e ela estava tão bonita nesse dia, fechei meus olhos e me imaginei no lugar mais bonito que eu podia criar em minha mente, todos meus amigos, inclusive Tyler e o Matt, mais eles não conseguiam me ver, todos estavam felizes e nem sentiam minha falta, estavam brincando e comendo, como se estivessem comemorando algo e eu mesmo fora daquilo tudo, ninguém falava ou perguntava sobre mim, era como se eu nunca estivesse existido, algo muito sério está pra acontecer, e eu tinha que impedir e não sei como, mais sabia que aquele era meu destino.
Já era de manhã, falei do meu sonho com Diva para minha mãe e ela não ficou com uma expressão muito ‘animada’, até porque Diva tinha sumido todos esses dias, liguei para casa dela e a mãe dela disse que ela não aparecia em casa fazia uma semana, falei com Tyler sobre o sonho.
— Tive sonhos estranhos com a Diva. – afirmei.
— Como o que? – perguntou aflito.
— Ela estava em um beco, sendo perseguida por alguém, e eu não conseguia ver quem era mais eu acho que sei onde fica esse beco, você poderia ir comigo não é Tyler?
— Sim, se esse for o seu desejo. – afirmou.
— Então iremos nos preparar para ir até lá. – sussurrei.
Seguimos de táxi, atravessamos metade da cidade de Elgheis, estávamos passando por uma das avenidas principais, e olhei em direção a uma placa, a mesma placa que tinha no sonho, pulei para fora do táxi às pressas, Tyler parecia que sabia o que eu iria fazer, saltou do táxi também, olhei para Tyler ele estava pensativo Seguimos em frente, tinha muitas pessoas, lojas de todos os lados gente às pressas para comprar mais e mais. A Loja de sapatos estava bem à frente, numa divisa de duas ruas, bem no meio da viela.
— Tem certeza, de que ir lá? – perguntou Tyler.
— Sim! – exclamei.
Chegamos próximos à loja, estava tudo completamente revirado, vidros quebrados, sangue por toda a parte sapatos jogados do lado de fora e dentro da loja, uma bagunça total. Aproximei-me de uma mulher que estava recolhendo os sapatos.
— O que aconteceu? – perguntei.
— Não sabemos! Chegamos e encontramos a loja assim, as câmeras de segurança não gravaram nada, e encontramos esse colar no chão.
Era o colar que Diva usava, uma meia lua com uma estrela, ela nunca o tirava pra nada, ele estava todo ensanguentado, se Diva não estava com o colar era porque algo de muito sério tinha acontecido.
— Tyler, precisamos descobrir o que aconteceu com a Diva!
— Não sabemos por onde procurar, começaremos por onde? – perguntou ele.
— Por enquanto não sei, mais não podemos deixar a Diva! – exclamei.
Procuramos em toda parte e não achamos nada, nem uma pista eu e Tyler estávamos pensando enquanto ele se agachou um momento no chão, olhou pra mim e me entregou um papel com um desenho de um castelo muito bonito, com muitas torres e detalhes, e tinha um nome era “Vinharia – Italy Pergrini 1732”.
— Vinharia Italy Pergrini?– perguntei.
Tyler assentiu com a cabeça, e fomos para procurarmos qualquer pista sobre esta tal Vinharia, e lá dizia que “Vinharia Pergrini” ficava perto de uma cidade chamada “Altheia”.
— Eu preciso ir até lá. – afirmei.
— Isto é loucura! Você nem sabe se a Diva está realmente lá, está seguindo pistas que nem podem ser verdadeiras. – dizia Tyler enquanto tentava me persuadir.
— Mas, tenho certeza de que Diva iria fazer o mesmo por mim. – exclamei enquanto tentava tomar de volta os papéis que Tyler havia pegado de mim.
— Se você irá, eu e Matt iremos juntos! – o confirmou.
— Não! O quê? Isto não tem nada a ver com vocês... – rebati, enquanto socava minhas roupas em uma mochila.
Matt entrou pela janela no mesmo instante.
— Eu nunca vou me acostumar com isso. — sussurrei perto de Tyler.
Logo após alguns minutos, eles se retiraram, e me sentei na cama, agachei e me encolhi ao canto da cama, por mais estranho que tudo estivesse sendo, eu estava com medo.
— O voo sai às 22h13min! Brian já falou com sua mãe? – perguntou Matt.
— Irei fazer isso agora... – respondi com desanimo.
Após dizer tudo o que eu tinha para falar minha mãe apenas me abraçou e disse para tomar cuidado, se preparamos para viagem estava tudo pronto, porém meu padrasto e meu “meio-irmão” decidiram implicar com minha viagem, mesmo assim minha mãe permaneceu calada parecia que ela sabia que eu tinha que fazer isso, cedo ou tarde. Despachamos as malas, e pegamos o voo em seguida, deu tudo certo. Tyler e Matt permaneceram calados a viagem inteira, enquanto eu lia um livro e não parava de pensar no que podia ter acontecido com a Diva. Eu tenho que descobrir eu devo isso a Diva pela nossa amizade, ela sempre cuidou de mim e estava na hora de eu cuidar dela, fiquei meio avermelhado e sem graça porque Matt deduziu o que eu estava pensando.
— Então, me respondam vampiros, certo? – perguntei aos dois.
Eles se entreolharam e assentiram com a cabeça.
— Crucifixos? – perguntei com receio.
— Eu tenho um em casa. – respondeu Tyler com um sorriso de canto.
— Alho? – perguntei.
— Eu amo comida temperada. – rebateu Matt, no mesmo instante os dois começaram a rir.
Fiquei sem graça, mas ainda queria fazer algumas perguntas.
— Água Benta? – perguntei novamente, e por mais que seja inconveniente, eu faria qualquer coisa para que eles respondessem sim.
— Da até para beber. – se olharam e continuaram a rir.
Não sabia onde enfiar a cabeça, a vergonha era o que me consumia naquele instante.
— Senhores, por favor, prendam o cinto iremos aterrissar! – dizia a voz do piloto que saia de algum canto acima das bagagens superiores.
Chegando ao aeroporto pegamos as malas e estávamos a caminho do portão de desembarque. Parei no meio do caminho, me senti fraco e meu corpo estava ardendo como se eu estivesse pegando fogo, Tyler olhou pra mim...
— O que foi Brian?
Matt me segurou, antes que eu caísse no chão, chamou Tyler e me colocou em um banco enquanto ele e Tyler pegavam as malas jogadas ao chão.
—Brian – escutei uma voz dentro do quarto em que eu dormia.
Levantei-me durante a noite, meu celular estava tocando, era um número restrito eu não podia saber quem era mais mesmo assim atendi.
— Brian, por favor, me ajude! – sussurrou Diva – Eu estou presa venha me salvar rápido antes que ele termine o que começou.
— Diva?
— Sim Brian! Ele está vindo por...
— Eu não devia ter te deixado sozinha... – disse
A Ligação chiava e de repente um grito desesperado, era a Diva ela estava sofrendo.
— Diva! O Que está acontecendo?
Não consegui ouvir mais, a ligação caiu e perdi o sono, não conseguia mais fechar os olhos sem pensar na Diva, quem estava fazendo aquilo com ela? Diva sempre foi meu braço direito, sempre me apoiou em tudo, precisava fazer algo. Fui em direção à cozinha estava em um apartamento, simples, entretanto muito sofisticado e elegante, paredes com designers modernos, Matt estava com um avental, preparando o café da manhã.
— Onde está Tyler?
— Está na varanda... – afirmou Matt.
Tyler estava olhando em direção ao mar, pensativo e muito sereno, eu não sabia se isso era bom ou ruim porque o que eles mais fizeram foi tentar me proteger e me ajudar a encontrar respostas e a Diva. Tomamos café em silêncio, ninguém disse nenhuma palavra, exceto Matt.
— Nós escutamos a ligação que você recebeu Brian.
— Vocês estavam me espionando?
— Não! – exclamou Tyler.
Mesmo instante eu pude entender, a ‘audição ampliada’ não era algo que se podia controlar a todo o momento.
Estava pra me retirar da cadeira, quando escutei uma senhora gritando no pátio do térreo do prédio, olhei pela varanda e tinham duas pessoas encapuzadas, com capas pretas, e lanças e espadas enormes, eles também se teletransportavam e tinham uma força e uma agilidade muito grande como nós três, olhei para Tyler ele me entregou a espada, e saltei do sétimo andar sem hesitar, me vi se aproximando cada vez mais do chão, enquanto isso as duas pessoas encapuzadas continuavam a matar pessoas, ajoelhei-me no chão me afastei para trás, passei minha mão na espada e chamei sua atenção:
— Ei! Vocês parem com isso!
— Finalmente o famoso Brian Kinney apareceu para nós não é Elle? – perguntou um deles.
— É um prazer, poder te conhecer Brian! – afirmou a garota que devia se chamar Elle.
— Pena que não posso dizer o mesmo. – rebati em tom de indiferença.
— Que grosseria não é Peter? – pergunto Elle.
— Acho que ele deve ser castigado, para aprender como tratar bem as pessoas. – disseram os dois, eles deram risada e se armarão com as espadas.
Eles se entreolharam e riram, Tyler e Matt os atacaram logo depois, Tyler estava tentando conseguir derrubar Peter, enquanto isso Matt e eu estávamos atacando Elle, porém ela era muito rápida bem mais que nós, eu estava fraco, sentia que a qualquer momento eu iria cair no chão, então me aproximei de Matt e o avisei, em seguida afirmou:
— Temos que acabar com eles de uma vez! Tyler tire o Brian daqui.
— Nós não vamos deixar isso acontecer. – disse Peter.
— Peter espere! – exclamou Elle.
— Não! Elle nós estávamos, procurando por ele, há muitas décadas e não vou o deixar escapar assim tão fácil! – berrou.
Peter investiu em um ataque que, arrancou o braço de Matt, ele olhou sarcasticamente, deu um sorriso e simplesmente sussurrou:
— Ah que pena! Meu terno novo, alguém terá que pagar isto.
O Tempo ensolarado escureceu e o céu ficou escuro, os olhos de Matt ficaram brancos por completo, ele apenas sorriu, baixou uma de suas mãos e Tyler me tirou de lá antes que eu pudesse ver o que Matt estava prestes a fazer, mas eu podia ouvir os berros agonizantes de Peter, Elle não disse nada, me preocupei afinal Matt podia correr perigo.
— Ele irá ficar bem não se preocupe.
— Tyler, como você tem tanta certeza?
Olhei com aflição, eles ainda me escondiam muitas coisas e eu precisava saber de tudo, estava cansado de tantas mentiras, e histórias escondidas de mim, eu tenho que fazer algo, Diva ainda estava em perigo...
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