As Crônicas de Beryngs
1 Capítulo 1 - Prólogo
— Felpus! – Gritou o velho ferreiro.
Ele era alto e forte para sua idade, tinha cerca de sessenta sois-negros. Vestia um colete de couro resistente ao fogo com uma camisa de seda por baixo, calças sujas e queimadas. Tinha cabelos pretos curto e uma barba chamuscada. O homem comercializava espadas e armadura por toda West Beryng.
— Sim senhor?!
Respondeu Felpus um jovem de dezesseis sois-negros, magro, alto, com cabelo cinza. Usava trapos como vestes , camisa de linho velha de cor bege rasgadas, uma calça do mesmo tecido e com vários buracos e remendos , usava botinas velhas.
— Pare de imaginar ser um cavaleiro ou seja lá o que for e venha aqui me ajudar – Disse de longe o velho comerciante ao sair de sua pequena Ferraria.
— Sim senhor. – Felpus responde entrando com o velho na ferraria ao lado da casa de madeira simples.
— Você acha que pode levar aquela cesta de espadas ali para a carroça? – Pergunta o velho e apontando para a cesta pesada.
— Sim senhor – responde Felpus.
— Ora, você só sabe dizer “Sim Senhor”? – Perguntou de braços cruzados para Felpus.
— Er... Não Senhor — responde o jovem de ombros encolhido e com a voz baixa.
O velho comerciante espirou e inspirou e disse:– Deixa pra lá , eu mesmo levo essa cesta.
— Está...bem – Respondeu o garoto um pouco confuso – Então, já que estou dispensado, vou pro bosque treinar com minha espada.
— Certo cavaleiro da espada de madeira. Mas tome cuidado garoto , pode ser que você encontre Demônio do Bosque – Disse o velho rindo com uma voz aterrorizante.
— Eu não tenho medo de nada, e também não tenho mas tamanho para ouvir essas suas histórias. Na verdade eu nunca acreditei nelas, seu velho – Afirma Felpus zangado.
Felpus vira-se e vai em direção ao bosque que não ficava muito longe dali uns quinhentos passos de distancia e murmurando fala: – Odeio quando aquele velho zomba de mim; eu sou forte. Peço uma espada pra ele mas ele nunca me dá.
Sem se dar conta, Felpus já estava no centro do bosque e era tarde. O sol estava quase se pondo, foi então que ouve-se um barulho que parecia vir de trás de alguns arbustos. Ele com medo, porém curioso, decide ver o que estava fazendo o tal barulho. Com passos mansos e com suor descendo em seu rosto, ele se aproxima do arbusto empunhado sua espada de madeira. Lembrou-se do que o velho tinha lhe dito “ Tome cuidado com o demônio do Bosque.”
Criando coragem, afastou os ramos com a ponta da espada de madeira.
— Um esquilo, Você me... – Felpus é acertado na cabeça por um tronco, assim caindo no chão. Quando ele se vira – ainda tonto – se depara com uma coisa estranha e assustado diz:
— Quem é você ou o que é você? Por favor não mate, eu imploro!
— Quem é você e o que está fazendo perambulando pelo bosque? – Pergunta o ser que atacou Felpus com um arco e flecha aponta para seu rosto.
— Meu nome é Felpus, eu só estava andando por aqui. Eu estava perdido por favor não me faça nenhum mal – Respondeu Felpus quase desesperado.
— Hum, está certo. – Abaixou o arco – Meu nome é Thana. Ei o que foi , está tudo bem?
Felpus estava olhando fixamente para o que parecia ser uma asa verde clara nas costas dela e não deixou de reparar em seus olhos grandes prateados , seus longos cabelos dourados e suas roupas de pano marrom.
— O... O que é você? – Perguntou Felpus Gaguejando.
— Eu sou uma fada – Disse Thana com o olhar confuso.
— Fa...Fa...Fada
— Sim , Fada
— Mas... Fadas são apenas lendas e contos , não pode ser verdade – Disse em voz alta para Thana.
— Bom... Que seja , eu vou voltar pra minha casa – Falou Thana com a voz suave.
Felpus curioso como era logo deixou o medo de lado e logo pergunta:
— Thana espere, é verdade que fadas são mágicas?
Ela abriu um pequeno sorriso.
— A maioria sim.
— E você pode demonstrar?
— Não , ainda não.
— Que tipo de fada é você que não pode fazer feitiços? – Perguntou Felpus zombando-a.
— Não nascemos com poder total , nos adquirimos eles, não ache que somos idênticas as histórias que seus pais te contaram.
Felpus abaixou sua cabeça.
— Eu queria ter tido pais para me contar elas.
O tom de voz de Felpus era embargado de tristeza, e isso deixou Thana espantada.
— Ei não fique assim , eu também não tive pais , com quem você vive?
— Eu moro com um velho ferreiro, ele é o mais próximo de família que eu tenho. Nunca conheci meus pais, não tenho desenhos ou pinturas deles. Quando eu pergunto sobre os meus pais ele muda de assunto no exato momento.
— Entendo. Quantas luas-vermelhas presenciou?
— Luas-vermelhas? – Questiona Felpus sem saber o que era.
— Sim.
— O que é isso? – Pergunta Felpus.
— É como a lua fica de tempos em tempos , a quantidade de luas-vermelhas que você presencia é o seu tempo vivo, eu presenciei 16 luas-vermelhas.
Confuso, Felbus diz:
— Eu ouvi histórias quais meu senhor contava que luas de sangue são um orgulho e ao mesmo tempo uma maldição, o velho diz que o tempo vivido é medido pelos sóis-negros.
— Minha rainha diz que homens são tolos e que não se deve confiar neles – disse Thana zangada.
— Calma , Calma, eu só disse o que eu ouvi...
Felpus acorda em sua cama de feno na manhã seguinte e se levanta bruscamente
— O que? Aquilo foi só um sonho , eu não devia ter ficado pensando no que o Velhote disse sobre o demônio do bosque.
Felpus sai de seu pequeno quarto e vai em direção a sala que tem a porta de saída para beber água. Aproximando-se mais, ele ouve uma conversa entre o velho e um homem que ele jamais tinha visto. O jovem decide ficar atrás da porta que tinha entre a sala e o quarto, para espiar. Abaixou a cabeça, até seu olho ficar posicionado na frente da fechadura da porta. Na sala havia um homem alto, musculoso, careca, com o rosto cheio de cicatrizes e com um olho cego. Uma armadura preta, que parecia pesar toneladas, revestia seu corpo e um machado grande pendia em suas costas. O desconhecido tinha uma voz grave de amedrontar até os mais bravos homens sentado á mesa junto com o velho ferreiro.
[...]
— Aires? – Zomba o velho dando gargalhada para o homem. – Se eu visse alguém com esse nome eu o matari...
— Seu velho imundo , não tenho tempo para suas gracinha, vai me dizer se viu esse moleque da imagem que te mostrei ou terei que arrancar suas pernas e braços pra você falar? – Gritou o homem com raiva ao se levantar e bater com toda a força na mesa a ponto de quebra-la.
— Calma meu bom homem , se eu o ver pode ter certeza que lhe contarei imediatamente , não precisa de violência. – Disse o velho calmo e com a voz suave ao se levantar.
— Não me diga o que fazer seu velho nojento. – Berra o homem, agarrando o pescoço do velho e o levantando com apenas uma mão.
— Como...como quiser. – Diz o velho quase sem ar.
Felpus, vendo o seu único amigo e o mais próximo de familiar, sendo enforcado sai de trás da porta e vai em direção ao homem.
— Solte-o seu desgraçado , quem você pensa que é pra fazer isso?!
Gritou furioso, se aproximando.
— Felpus, Não! –
— Quem sou eu? , Eu sou Baldór , O Cavaleiro Negro, o maior e mais forte cavaleiro que existiu em Beryngs, sou Baldór Cavaleiro e servo do Clã...
É o que o homem até então desconhecido diz, ao soltar o velho pisar no seu peito e agarrar Felpus pelo colarinho.
Então eis que surge na porta um homem de pele pálida com feições belas , cabelos extremamente pretos com olhos vermelhos e vestes negras e casacos grandes que faziam o dobrar de tamanho. Ele possuía uma espada que brilhava mais que a mais bela pedra preciosa existente
— Baldór. –
Chamou pelo guerreiro, sereno e causando arrepios.
— A...Aar... – O cavaleiro responde gaguejando, como se estivesse com medo.
O homem que estava na porta arregala o olhos e diz:
— Como ousa quase pronunciar meu nome? não tens medo de perder a língua?
— Me...Me desculpe senhor, rogo pelo seu perdão.
— Vamos indo seu verme, temos muitos lugares para procurar esse moleque, partiremos para Goges. – expõe o homem
— Sim senhor. – Baldór se vira. – Isso não acaba aqui.
Ameaça o forte cavaleiro apontando o dedo para o ferreiro e Felpus – Baldór e o homem saem.
— Você está ficando maluco? – Pergunta o velho gritando para Felpus.
— O que? do que está falando senhor?
— Tivemos sorte de aquele homem interromper aquele monstro, ele teria acabado com você!
— Me desculpe senhor, mas o queria que eu fizesse? ficasse escondido?
Disparou irritado.
— Sim, era exatamente o que você tinha que ter feito – responde o velho ainda no chão.
— Eu não deixarei que nada acontece ao senhor, você é o mais próximo de família que eu tenho. Se algo o acontecesse...eu não sei o que faria.
Os olhos de Felpus lacrimejaram. O velho, ao ouvir isso, curva sua cabeça e começam a sair lágrimas de seus olhos castanhos. Em seguida diz com a voz baixa:
— Escuta aqui garoto, eu não quero que acontece o mesmo que aconteceu com ele...
— Ele quem? – Pergunta Felpus limpando seus olhos.
— O meu filho...
O velho coloca suas mãos no rosto e limpa as lagrimas que caiam.
— Filho?
— Sim meu filho, ele morreu há muito tempo, em uma batalha. Ele tinha acabado de completar dezoito sóis-negros, ele queria ser do exército ficava me implorando o dia todo por uma espada e armadura. Até que um dia, eu decidi conceder seu desejo e fiz. Ele dizia que era o sonho dele se tornar cavaleiro, mas sonhos... sonhos são onde os tolos depositam sua fé. Como o próprio nome já diz, são apenas sonhos. Você acaba acordando e percebe que nada é igual como você imaginou , o mundo é cruel e sanguinário não há espaço para essas pessoas.
— Eu sinto muito pelo seu filho senhor – fala Felpus com a mão no ombro do velho.
— E é por isso que... que eu não quero que você seja cavaleiro ou algo do tipo , embora eu nunca tenha chamado, eu lhe considero um filho. Eu farei de tudo pra te proteger
— Você nunca vai entender né? Ninguém vai fazer eu desistir disso, nem mesmo você!
Felpus vira as costa para o velho e sai andando em direção ao Bosque, pensativo e ao mesmo tempo zangado com o velho por ele não ter confiança nele.
— Ei Felpus
Repentinamente, Thana surge em um galho de árvore.
— Ah! – Grita Felpus assustado.
— Você parece tenso. – Questiona Thana para Felpus.
— Não é nada de mais, o meu senhor não quer que eu seja cavaleiro, eu não sei... eu nunca desejei ser apenas um ajudante de ferreiro. Compreende?
— Entendo, eu queria poder falar com homens, mas minha rainha não permite.
— O que? por que você não pode ter contato com homens? – Pergunta Felpus espantado
—– Por causa do Tratado de Vaarla – Explica Thana
—– Tratado de Vaarla? –
—– Sim.
—– O que é esse tal tratado?
Thana suspirou, começando a contar.
Flashback on
Há muitas Luas, os kimerys e homens viviam em paz . Certo dia a filha caçula da rainha das Fadas nasceu, foi-lhe dado o nome Vaarla. A rainha tinha outras duas filhas, Leelas a princesa mais velha –– e consequentemente sucessora do reino ––, e Ryalla a mais nova até então. Para comemorar o nascimento de Vaarla, a rainha chamou todos os clãs de Beryngs para um festival e nesse festival teve uma luta para mostrar a amizade entre o meu povo e os homens. O guerreiro que os kimerys escolheram foi Tharg uma estranha fusão de homem e besta. Ele tinha uma estatura forte e uma face de um leão das montanhas, lutava sem espadas ou qualquer arma feita por ferreiros, apenas com suas garras e dentes extremamente afiados. Tinha um rugido que qualquer exército tremia de medo. O outro bravo guerreiro que os homens escolheram foi Gwan, o príncipe dos Lucanos que governavam West Beryng na época e líder do exército Lucano. Tinha lindos cabelos longos e brancos , armadura dourada e uma espada longa com o cabo branco e com o símbolo de um sol dourado. Juntaram-se todos em uma arena em Lukya, onde havia o castelo da luz, e começou a batalha entre Gwan e Tharg. Homem e Kimery. Tharg como era muito violento partiu imediatamente para cima do jovem príncipe. Todavia, Gwan era rápido e astuto, desviando cada golpe e aplicando contra-ataques complexos. Um deles, acabou por ferir o peitoral direito de Tharg. Contudo, ele possui habilidades além da compreensão dos homens; Usou o Rugido do Leão que era uma magia que somente kimerys de sua raça possuíam para atordoar e confundir a mente do Gwan. Com isso e uma velocidade incrível Tharg, o nocauteiou em um piscar de olhos. Estaria tudo bem até ai... Tharg que havia sido ferido pelo príncipe, ficou enfurecido e continuo a ataca-lo no chão empunhando a espada de Gwan e cravando-a em seu peito. O Rei dos homens vendo seu filho sendo estripado vivo por um Kimerys entrou em choque, ordenou que interrompesse a luta e prendesse Tharg. Um dia depois ele foi conversar com Hyalla, a rainha dos Kimerys, para que uma morte pagasse a outra teria que sacrificar a fera na frente de todos. A rainha implorou o perdão do Rei, mas ele estava enfurecido demais com a morte de seu primogênito, ele chamou todos que estavam presente no dia da batalha de Thag-wan –– que foi como ficou conhecida. O monstro apareceu entre a multidão acorrentado e rugindo para as pessoas , porém com um amuleto de flor de zolvia que bloqueava o poder dos Kimerys. Em seguida soldados Lucanos amarraram os braços de Tharg em um tronco.
—– Essa aberração matou meu filho, meu primogênito! – Gritou o rei para a multidão – Ele não precisava ter matado , era pra ser apenas um combate pacifico e amigável. Deixo bem claro aqui e agora que ele será queimado. – Pronuncia o rei.
—– O que?
—– Isso é cruel, não faça isso!
—– Ele merece, mate-o como ele matou o príncipe!
O rei enfurecido mandou que todos se calassem
—– Eu já sei o que vou fazer –– O rei afirmou –– Eu irei queima-lo... vivo.
A multidão dos homens vibrou , todavia a dos Kimerys achou aquilo perverso e cruel
—– Não faça isso!
— Não acontecera novamente, nós juramos...
Mas o rei não queria saber de perdão ou algo do tipo, ele queria provar pra si mesmo que homens são superiores aos kimerys. Ele olhou para Tharg.
— Tem alguma coisa a dizer como ultimas palavras?
— A sim, tenho... – Diz Tharg com a voz sádica e nada mais que um sorriso no rosto – O jeito que ele me olhavaquando estava separando o seu braço de seu corpo me fez sentir como estar deitado na nuvem mais macia que existe nesse mundo. Vocês não tem ideia do prazer que eu senti em fechar aqueles lindos olhinhos claros... eu... eu ainda posso sentir o gosto de seu sangue em minha boca.
— Já chega! – Berrou o rei – isso já foi longe demais, queime-o. Ordenou Veelys, e em seguida puseram fogo no tronco que lentamente foi alcançando Tharg. Ao ser tomado pelas chamas, ele gritava e em seus últimos segundos ele pedia por misericórdia... mas tudo em vão. Em alguns segundo ele parou de gritar. Já estava morto e totalmente incinerado. Um silêncio tomou conta da arena em que estavam, todos ficaram quietos. A rainha se vira com suas duas filhas e sua bebê, pronta para partir.
— Onde pensam que estão indo? – Pergunta o rei para a rainha que imediatamente pensou em sair correndo. Todavia viu que matariam ela e suas filhas se ela fizesse isso. Optou por ficar calma.
— O que você quer mais? Já conseguiu a sua vingança...
— Não, ainda não está completa. – Interrompe o rei se aproximando dela e tomando Leelas de seu lado.
— Não! – Gritou desesperada a rainha.
— O que você está fazendo? – Pergunta a jovem princesa de 12 luas, desesperada tentando se soltar das mãos de Veelys. O rei cruelmente se aproxima de um calabouço e atira-a para onde tinha leões famintos
— Um príncipe por uma princesa. – Argumenta o rei olhando para Hyalla com um sorriso de canto.
A rainha chora por uns instantes e grita.
— Isso não vai ficar assim – A Rainha fala limpando suas lagrimas.
Ela sai com a multidão de kimerys e com Raana sua filha mais nova lhe perguntando algumas coisas, confusa.
— O que aquele homem fez com Leelas mamãe?
Ela não conseguia responder sua filha e apenas chorava.
Depois de algumas luas, a rainha convocou os kimerys para uma batalha nos campos livres contra os homens. A batalha durou luas e luas , sóis e sóis , até que o rei dos kimerys foi morto em batalha. Não se sabe quem o matou, apenas encontraram seu corpo no chão todo ensanguentado e com a espada cravada no seu coração. Não muito tempo depois, a rainha das fadas com a pressão da guerra e a morte em massa dos kimerys enforcou-se. Como a rainha tinha filhas vivas, Raana a substituiu ao poder, e o filho mais novo do rei, Kyron e irmão de Gwan herdou o trono dos Lucanos e dos homens. Os recentes rei e rainha eram jovens e não suportava mais mortes e sofrimento para ambos lados, os dois um dia se reúniram com seus exércitos , se cumprimentam e entraram em uma cabana improvisada. Ao saírem eles apenas sorriram para a multidão que estavam em pleno silêncio
— O tratado de Vaarla está feito, esse tratado que proibirá os homens e kimerys de terem qualquer tipo de contato. Cada um viverá em paz e sem guerra ou vinganças.
Flashback off
— E o que acontece se o tratado for quebrado? – Questiona Felpus
— Você morre – Afirma Thana.
Ouve-se um estrondo vindo da direção da casa de Felpus, logo ele se pergunta o que pode ser aquilo. Ambos se olham e saem correndo em direção do barulho, chegando perto avistam um cenário de destruição. A casa estava quase por completa incendiada. Felpus sem pensar duas vezes entra na casa e encontra o velho ferreiro caído no chão. Thana aparece atrás dele e ajuda Felpus a carregar o velho em suas costas para fora. Com cuidado Felpus apoia a cabeça do velho em seu colo
— Senhor, acorde senhor!
— Fe...Felpus. – Diz o velho tossindo e com a voz rouca
— Senhor, o que aconteceu? quem lhe fez isso? – Pergunta Felpus ao velho
— Não importa, apenas...apenas sai daqui e não pense em ir atrás de ninguém.
— O que? então foi aqueles desgraçados que fizeram isso?! – Grita Felpus com raiva.
— Escute, vá para Goges e encontre um homem chamado Bhaltasar, ele ira...
Nesse momento o velho fecha o seus olhos e para de respirar, Felpus desesperado começa a gritar e a chorar.
— Não, você não pode morrer. Você é minha única família, não!
— Felpus...eu sinto muito – Diz Thana comovida e colocando a mão direita sobre o ombro de seu novo amigo
— Isso... isso foi tudo culpa minha. – Disse Felpus.
Thana percebe barulhos de cavalos se aproximando da onde se encontrava.
— Vamos, precisamos sair daqui.
— Mas e ele?
— Ele terá que ficar ai, não podemos carrega-lo.
Thana puxa o braço de Felpus e saem correndo bosque adentro. Já no centro do Bosque, Felpus pede para Thana parar um pouco para recuperar o folego.
— Certo, não podermos parar por muito tempo temos que... – Disse Thana caindo no chão em seguida.
— Thana? Thana! – Em seguida ele cai também, antes de fechar os olhos vê seres estranhos e pequenos com mascaras e zarabatanas em suas bocas.
Depois de um tempo eles acordam já com o escurecer. Felpus e Thana se olham rapidamente e ouvem alguns sussurros
— “Aquela não é a fada órfã?”
— “Sim é ela mesma”.
Eis que surge uma luz, e essa luz veio em direção aos dois jovens. Uma silhueta se formava , eles tentavam ver quem era, mas a luz ofuscava muito a suas visões. Quando a luz abaixa um pouco da para ver que era uma mulher, alta , como longos cabelos dourados , olhos azuis. Um par enorme de asas de borboletas, ia abaixo das nádegas e acima de sua cabeça e em sua mão direita portava um cajado com uma pedra azul no topo.
— Raana – Murmura Thana.
— Raana? – Se pergunta Felpus, logo se lembra da história do tratado e vê que se trata da rainha das fadas a irmã de Leelas e filha de Hyalla.
— O que é isso?
— Raana, ele não... – tenta explicar Thana
— Não, não , quietinha ai. – interrompe a rainha das fadas – como pôde? Como pôde trair seu povo? Você sabe o que aconteceria se os homens achassem você falando com esse fedelho?! Sabe o que aconteceria com nosso povo?! Não né? Você é só uma órfã, imatura que não sabe ter modos e que quer ser rebelde a todo momento, sua escória! – Cospe Raana na cara da jovem fada.
— Pare com isso! – grita Felpus para a rainha
— Ah, quase me esqueci de você, seu homenzinho tolo. Vocês acham que são o dono do mundo, acham que podem fazer o que querem. Você quebrou o tratado que durou dezesseis luas-vermelhas, irei lhe matar assim como aquele homem matou minha irmã, você sofrerá o mesmo que ela sofreu. – Disse Raana com um olhar de ódio para Felpus
— Não, por favor. – Implorou Thana
— Cale-se sua vadia – disse Raana chutando-a.
Sem nenhum tipo de armamento, Felpus avança na direção de Raana. Facilmente Raana desvia do soco do jovem homem e realiza um contra-ataque em Felpus com o seu cajado, que cai ao chão atordoado. Todavia levanta-se rapidamente e volta ao ataque contra a rainha. Fica assim por algum tempo, em vão.
— Cansei de brincar com você seu rato. Não conseguirá me acertar nunca. Eu sou Raana, rainha das fadas e de todos o Kimerys. Não serei derrotada por um humano qualquer.
Felpus que depois de sofrer alguns ataques já estava desequilibrado e fraco diz com a respiração ofegante:
— Thana... saia daqui... rápido.
— Não, eu falei com você. Eu te coloquei nessa, não vou correr. De qualquer jeito não há escapatória, há soldados em todo canto. Estamos cercados, ou lutamos ou morremos. Se você não poder lutar eu irei.
Thana empunha seu arco e flecha que carregava consigo, e pronuncia apontando para Raana:
— Eu nunca gostei de você mesmo, sua puta.
Thana atira uma flecha que passa raspando na bochecha de Raana. A jovem fada abre um sorriso no canto do rosto, já a rainha se enfurece e solta um grito que todos que estavam perto estremecEM. Usando seu cajado, conjura uma magia.
— Demônio, você vai queimar! “Fogo arcano”.
Lança-o em Thana que quase é acertada. Ela revida com mais flechadas. Contudo agora a rainha está mais atenta e desvia com facilidade de todas e contra- ataca com uma magia, em que brotou raízes do chão e prenderam Thana sem ao menos ela ter chance de se defender. As plantas tinham raízes grossas que criavam espinhos venenosos que perfuraram o corpo. Depois de alguns segundos o veneno começou a fazer efeito.
— Você não parece tão confiante agora não é mesmo minha cara?! As coisas estão ficando escuras, não?! – Zomba Raana
Felpus começa a voltar a sua consciência todavia um pouco tonto e desequilibrado e impossibilitado de se levantar. Ele vê sua amiga ser espancada ao seu lado por Raana.
— Você é uma covarde, sua irmã teria vergonha de você!
Todos que estavam até então escondidos atrás de moitas e árvores se aproximam e os cercam.
— O que disse garoto?! – pergunta Raana se aproximando dele.
— Isso mesmo que você ouviu – Afirma Felpus.
— Aquele castigo não foi o suficiente para você não é mesmo? Se quer tanto morrer, lhe matarei...
— Espere – diz Felpus colocando a mão na frente – Deixe-me dizer as minha ultimas palavras.
— Está bem então.
— Essafada aqui que está do meu lado sofrendo as consequências por ser minha amiga. Essa fada, mesmo sabendo do tratado, queria ser minha amiga. Ela teve chances de me matar mas não matou, eu vi a bondade em seu coração, coisa que nem mesmo eu estava mais achando em mim mesmo. E quando tudo deu errado, ela me ajudou, ela me estendeu a mão... vocês... vocês não estão cansados de ficar no escuro se escondendo?
Afirma Felpus para os kimerys ao seu redor.
— De não mostram para o mundo o seu valor? Vocês não estão cansados de viver como lixos? Todos aqui tem a livre escolha de seguir o caminho quer quiser basta vocês quererem. Isso era tudo o que tinha pra falar.
Felpus fecha os olhos e a única coisa que pensa é em seu velho amigo e se lembra dos bons momentos com ele. Palmas ecoam o silêncio em que tomava o bosque, palmas da rainha que estava rindo
— Belas palavras para um ser insignificante como você, agora morra! Mas antes que ela pudesse dizer a magia, todos que estavam ao seu redor – Fadas e soldados –, tomaram o cajado de Raana de sua mão e em seguida a seguraram pelo braço, amarrando-a em correntes de flor de zolvia.
Logo deram a Felpus uma espada de aço e um pouco de água.
— Vamos rapaz, fuja com ela daqui!
Com o resto de forças que lhe sobrava, Felpus levanta-se colocando os braços de Thana em seus ombros. Ao sair do Bosque, ele olha para o céu e percebe trovoadas
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