As Crônicas de Aethel: O Livro dos Magos
18 Véspera de Natal
Tudo parecia em silêncio, como se a dama da eternidade houvesse levado todas as almas terrestres para suas moradas eternas, fossem elas no abismo ou nos Elíseos.
De repente, um som de pequenos sinos tomou aquele ambiente e fez Aethel despertar de um sonho agradável: eram Tristan e Luna, trazendo respectivamente uma pequena bandeja de pães de mel e um copo de 4 cm contendo néctar de fadas (embora seja difícil dizer se a bebida era feita de mel ou tinha por base o néctar das flores – o sabor ás vezes era tão peculiar que até um especialista ficaria perdido).
Agradecendo a humilde refeição, o rapaz pediu notícias do campo de batalha e sobre o que estava sendo feito dos feridos, ao que Tristan lhe respondeu que Merlin curou a todos depois de descansar por algumas horas, de modo que todos estavam bem e não houve baixas.
Atenta ao assunto, Luna disse que o grande mago reconstruiu Gravity Falls e a Cabana do Mistério com magia, enviou por Arquimedes um comunicado para o palácio ghalaryano (pois era preciso avisar sobre o fim da ameaça de Gael) e fez todo o aparato militar, armaduras, espadas etc., desaparecerem.
Madame Min partiu furioso assim que Merlin lhe agradeceu “por ter feito algo tão bondoso quanto ajudar os desesperados” e, para encerrar, Ford encontrou Aethel adormecido aos pés de um carvalho e o trouxe para a cabana.
“Por favor, como estão Mabel e Dipper?”, perguntou Aethel, o que fez Luna sorrir:
—Estão todos bem, não se preocupe.
—Björn ainda está vivo? – perguntou o rapaz – O que fizeram com ele?
—O elfo foi preso – respondeu Tristan – está em uma cela especial no laboratório do senhor Ford. Fico pensando se vão enforcá-lo.
Levantando-se devagar, Aethel percebeu que suas roupas ainda mostravam sinais do conflito que teve com Gael, com manchas de sangue, rasgos que muito lhe lembraram daqueles minutos dolorosos, quando as duas mini-lanças lhe acertaram em cheio, um pouco de poeira e alguns vestígios de pólen e pozinho de fada.
“Não estou muito apresentável”, sorriu Aethel, recebendo a concordância de seus dois pequenos amigos:
—O senhor Stanley me pediu para lhe dar estas roupas de presente – respondeu Luna – ele disse que são um agradecimento por você ter salvado a família dele.
Quando viu as roupas que Stan lhe havia mandado, o rapaz não pôde segurar uma agradável risada que diferia muito de sua timidez habitual: um colete azul escuro, uma calça longa e escura, um par de meias brancas, uma camisa laranja e um boné azul e branco com um pinheiro na frente (que ainda estava com a etiqueta de “50 pratas”; Stan havia aproveitado a crise de Gael para inflacionar seus produtos de novo!).
Após pedir que seus dois amigos se virassem para outra direção, Aethel se vestiu rápido, quando Luna perguntou “o que achou?”, enquanto segurava o riso:
—Bem… me parecem um tanto… – respondia Aethel, quando percebeu que Ford e Stan subiam as escadas.
“E então, garoto? Quase matou a gente de preocupação!” disse Stanley, com aquele sorriso habitual de quem acabara de ganhar algumas pratas em cima de turistas desavisados, ao que Aethel se desculpou pelos inconvenientes:
—Acho que causei muitos problemas a todos, me desculpem – respondeu o rapaz, enquanto colocava algo no bolso direito da calça.
—Foi uma briga e tanto – disse Ford, enquanto ajeitava os óculos – todos nós ficamos aflitos depois que você, supostamente, morreu… especialmente a Mabel.
—Mabel… onde ela está? – perguntou o rapaz.
—A garota está na cozinha, fazendo pães de gengibre – respondeu Stan – o resto do pessoal já terminou de decorar a casa.
—Decorar? Para quê?
—Para o Natal, é claro! É véspera de Natal e a cambada toda está lá embaixo, só esperando você descer. E devo dizer, você ficou muito bem vestido assim, hahaha.
—Em breve, me vestirão de rei – disse o garoto, um pouco aéreo – Deus… as pessoas já devem pensar que sou notável, não é?
—É natural – disse Ford – você parou uma guerra, derrotou um mago e salvou o mundo! Mas não parece muito feliz.
Aethel ficou em silêncio, imaginando como as coisas seriam a partir daquele momento, mas logo abandonou as preocupações, sabendo que aquela não era a hora ideal para trazer mais problemas para a mesa:
—Não é nada… eu apenas gostaria… de descer e partilhar alguns contos de Natal com todos, afinal, chegamos à mais bela celebração do ano.
—É isso aí, garoto! Manda ver! – disse Stan, enquanto o garoto caminhava até a porta e descia as escadas, com lentidão.
“Stanley!” disse Ford, “sabe que ele tem preocupações, não deveríamos saber quais são elas?”, ao que Stan respondeu:
—Ele só tem 13 anos, Ford… nós sabemos quais são as preocupações dele.
Apesar da risada do irmão, Ford não pôde deixar de perceber um olhar de pena em Stanley, já que ambos estavam cientes de que aquele garoto, com idade igual a de Dipper e Mabel, já não era como os rapazes normais.
Os irmãos olharam para a cama e viram a grande espada, com sua lâmina ainda brilhando como prata, sem bainha, e ambos não puderam deixar de lamentar o que aquela arma prometia para Aethel, a começar por obrigações excessivas, até para um adulto…
E aquele rapaz só tinha 13 anos.
***
Enquanto descia as escadas, Aethel viu as belas iluminações que enfeitavam as paredes, as belas serpentinas amarelas e azuis, os galhos de pinheiro e as fitas vermelhas, que anunciavam alegremente a chegada do Cristo tão esperado.
A sala estava alegremente enfeitada com luzes natalinas (algumas piscando como vaga-lumes), serpentinas verdes ricamente iluminadas, sinos dourados pendurados nas extremidades da lareira acesa e, para completar, meias natalinas e uma linda guirlanda com pequenas luzes douradas.
Era impossível não sentir o cheiro dos biscoitos assando, do pudim e de todas aquelas guloseimas natalinas, mas para Aethel, que estava mais acostumado com uma festa rústica, todas aquelas coisas pareceram tão estranhas quanto maravilhosas.
A cabana estava um pouco cheia, com Candy Chiu e Grenda conversando alegremente com Wendy (que, por alguma razão, segurava um machado), Robbie e Tambry seguravam as mãos, enquanto bebiam chocolate quente e Gideon falava com Mabel que, segurando uma bandeja de biscoitos recém saída do forno, pedia que ele se afastasse.
Dipper segurava o diário 3, enquanto ouvia as palavras de Pacífica que, observou Aethel, pareciam deixar o gêmeo corado, mas logo desviou a atenção para o discípulo de Merlin que, à exceção da calça, vestia-se igual a ele.
Aethel foi recebido com aplausos por todos os presentes, em especial Mabel, mas como não estava acostumado com esse tipo de recepção, apenas se curvou levemente, de forma educada, enquanto dizia “agradeço a todos”.
Aquele lugar estava muito belo, principalmente a árvore da sala (um pequeno pinheiro ricamente decorado com luzes, esferas de Natal, serpentinas douradas e uma estrela), onde se viam, na parte de baixo, presentes embrulhados em papéis coloridos, com lindas fitas vermelhas, douradas ou amarelas.
Apesar de tudo, Aethel sentia-se sufocado em ambientes onde recebia tanta atenção, por isso tentou sair pela porta da frente, mas teve a surpresa mais inacreditável que poderia ter…
Do lado de fora, a cidade inteira se aglomerava em torno da Cabana do Mistério, para conhecer o mago das lendas, Merlin, e o rapaz que os havia ajudado a salvar Gravity Falls.
Fiddleford McGucket postou-se diante da multidão e caminhou até Aethel, tocou afetuosamente no ombro direito do garoto e, após bater os joelhos, falou para aquela gente:
—Ei, pessoal! Três vivas para o Aethel!
E todas aquelas pessoas começaram a gritar “hip-hip-hurra!” por três vezes, sendo acompanhadas por Stan, Ford, Mabel e Dipper, que saíram da cabana e, após gritarem junto com a cidade, começaram a cantar algumas canções natalinas que o rapaz não conseguiu entender.
De repente, Merlin usou sua varinha para enfeitar um grande pinheiro próximo com pequenas estrelas e, terminado o serviço, disse às pessoas “abram passagem para o senado e o servo de Deus!”, fazendo a multidão abrir caminho para duas figuras peculiares: um homem com cerca de 60 anos, pele clara, cabelos grisalhos, óculos com lentes retangulares que vestia um terno que parecia remeter a Era Vitoriana e, caminhando com dignidade, um senhor de 70 anos, vestido com trajes episcopais que o identificavam como algum tipo de arcediago, barba branca e longo, um pequeno chapéu sem abas, sapatos dourados, olhos azuis, pele clara e enrugada.
De acordo com Merlin, o primeiro homem era Túlio Severo, um senador de Ghalary, enquanto o outro era Ambrósius, arcediago a serviço da igreja.
“Venha aqui, meu filho”, disse o senhor Ambrósius, com uma feição tão simpática, que pareceu impossível a Aethel não atender ao chamado:
—Estou aqui, nobre senhor, o que deseja de mim?
—Meu jovem – prosseguiu o arcediago – foi você que removeu a espada?
—Sim, meu senhor.
—Pois bem – disse Túlio – onde está a espada?
Antes que Aethel dissesse alguma coisa, Arquimedes surgiu por sobre Merlin, voando livremente, olhou para Aethel e lhe jogou a espada de Arthur, que havia pego a poucos instantes no quarto do sótão.
“Eis a espada digna do rei”, disse Merlin, enquanto Túlio tentava colocar as ideias no lugar diante daquela visão que tanto fugia à razão mundana.
Ambrósius pegou de suas vestes um pequeno frasco de vidro selado com uma rolha e, sob o olhar atento do senador, pediu que Aethel se ajoelha-se, pois havia chegado a hora de ungir o novo rei de Ghalary e findar aquele interminável interregno, que tantas dores havia trazido para os ghalaryanos.
Mabel e Dipper olhavam tudo com fascinação, enquanto Aethel tirava o boné, se ajoelhava e curvava a cabeça, de olhos fechados, resignado ao destino que Deus lhe havia traçado.
Àquela altura não havia mais como voltar atrás, aos tempos em que as preocupações resumiam-se aos estudos de álgebra e história, política e filosofia, declamações dos discursos de Cícero e as divertidas “aulas naturais” de Merlin, onde o mago o transformava em pássaro, esquilo, peixe e diferentes outros animais, para que o pupilo enxergasse o mundo sob perspectivas diversas…
Não! Havia chegado o momento em que aquele rapaz, de meros 13 anos, teria de decidir se permaneceria sendo apenas um menino (o que já era impossível) ou, pelo bem de todos, se tornaria um homem: em seu coração, a decisão já havia sido tomada.
Enquanto o óleo da unção era derramado sobre sua cabeça, Aethel segurava com a mão esquerda a Excalibur e, com a direita, o boné, ambos com firmeza, recordando de tudo que havia vivido, desde o instante em que havia chegado a Gravity Falls: a dança com Mabel, o sorriso da garota, a curiosidade de Dipper e seu diário 3, as lutas com o elfo, o mago sombrio e todos os outros eventos que, de formas distintas, haviam moldado Aethel até aquele momento.
Após o óleo ser derramado, o rapaz ergueu a cabeça e se levantou, com a dignidade de um verdadeiro rei, sendo saudado pelo arcediago e pelo senador, enquanto o religioso falava, com alegria:
—Saudações a Aethel , o Primeiro, da casa de Ryu, pela graça de Deus, rei de Ghalary, imperador de Eden-Ghalary, príncipe das ilhas gloriosas, Primeiro no senado, Guardião das Duas Terras, Irmão do Povo de Ghalary, Servo de Deus, Protetor da Constituição Imperial, Desbravador das Terras Não Mapeadas, Pacificador da Grande Nação, Guardião das Tradições, Semeador do Saber, Pontífice Menor, Chefe Máximo das Seis Armas, Portador da Excálibur e Detentor dos Títulos e Selos da Grande Casa, onde a herança de nossos pais é preservada!
Túlio ofereceu um lenço para o rapaz, que logo limpou o óleo e, enquanto todos aplaudiam, um vento gélido de inverno já trazia a neve branca e fofa, para cobrir a cidade, as árvores da grande floresta, as pedras e até os canteiros de flores (alguns esquisitos a ponto de não murcharem com a estação gelada), onde Mabel teve alguns momentos alegres com Aethel.
“Jack Frost veio nos fazer uma visita”, disse Aethel, enquanto Mabel o abraçava e Dipper batia em seu ombro, com gentileza.
Com alegria, Merlin girou sua varinha no ar e disse "Higitus Figitus Zomba Kabom! Estrelas de Natal, tragam mais iluminação!”, fazendo com que as luzes da grande árvore brilhassem com mais intensidade e, bem no topo daquele pinheiro, aparecesse uma grande estrela de ouro brilhante, como um grande holofote.
Ainda movendo a varinha, Merlin fez surgirem flautas, clarinetes, violinos, pianos, violoncelos, harpas e mais alguns outros instrumentos musicais, todos envoltos em pó mágico que, ao aceno do mago, começaram a tocar lindas melodias de Natal, que encantaram a multidão.
Fazendo mesura a Mabel, Aethel convidou a garota para dançar, sendo prontamente atendido por ela, com aquele sorriso mágico e aparelho dentário.
Colocando o boné na cabeça e segurando a espada, o rapaz piscou para Merlin que, no intuito de aliviar as mãos do discípulo, fez a Excálibur flutuar no ar e acompanhar o casal, enquanto dançavam alegremente pelo gramado que, aos poucos, tornava-se branco pela neve.
Aethel segurava Mabel pela cintura com a mão esquerda e, com delicadeza, colocava os dedos da mão direita nos dedinhos da garota, da forma que fizera no passado, quando ambos dançaram na linda clareira das fadas.
Cada passo, cada rodopio, pareciam fazê-los levantar no ar, tamanha a leveza que sentiam, o que levava algumas pessoas da multidão (até mesmo Stan) a liberar algumas lágrimas, pois era grande a beleza que aquele valsa apresentava.
“Eu estou dançando com um rei”, disse Mabel, enquanto seu par encostava a testa na dela e dizia, com voz amiga “para os outros sou o rei; para você, serei sempre Aethel”, em seguida, o rapaz beijou a mão direita da moça, que sussurrava:
—Como as coisas vão ser com você? … Meu querido príncipe encantado.
—Eu não sei, Mabel… tenho medo… mas o que tiver de ser, será a vontade de Deus.
De repente, os dois jovens viram pequenas estrelinhas lhes rodearem e, num passe de mágica, transformarem suas vestes de forma incrível!
Ao redor não viam mais a multidão de Gravity Falls, mas lindas colunas romanas, um pátio de mármore e um céu estrelado onde, para exultação de Mabel, exibia-se uma Lua cheia encantadora.
Aethel se viu sem o boné e com um belo casaco branco com dragonas de ouro nos ombros, um alamar também de ouro no lado direto do peito, calças brancas com alguns poucos detalhes dourados, mangas enfeitadas com detalhes também do precioso material amarelo, sapatos pretos e reluzentes, cinto escuro com fivela de ouro, uma faixa azul com detalhes em branco, azul celeste e amarelo, seis medalhas que remetiam aos forças de defesa ghalaryanas e, por fim, pequenas condecorações que, sem dúvida, indicavam os vários títulos que o rapaz ostentava.
Próximo ao pescoço haviam lindos desenhos bordados a ouro, ligados ao maravilhoso casaco que, considerando o frio, caía muito bem ao restante daquela vestimenta digna de um imperador.
Quanto a Mabel, a garota vestiu um maravilhoso vestido rosa com babados nas mangas, flores brancas ao longo do traje, com detalhes em ouro, uma faixa rosa que formava uma fita ao lado direito do corpo e um colar cheio de diamantes onde, ao centro, se encontrava o diamante mais belo que aquela menina já sonhara ver na vida: uma peça com 7 cm de altura e pelo menos 4 cm de largura, contando com 20 cm de comprimento (ou seja, um diamante enorme).
A garota também usava lindos sapatinhos rosados, enfeitados com um fita rosada que, tomando todo o conjunto, fornecia o toque final a todo aquele lindo vestido.
Apesar de impressionados, em momento algum o belo casal parou de dançar, antes desfrutando do momento, da magia e da presença um do outro.
Os passos, os giros, os instantes em que Aethel erguia Mabel no ar, o momento em que estendiam os braços, afastando-se um do outro, apenas para voltarem felizes para o aconchego de um abraço romântico, tudo aquilo fazia o tempo parar…
Mas a música começou a findar, o cenário parecia se dissipar em meio ao pó de fadas, então ambos terminaram aquela valsa cheia de magia e Aethel, antes que tudo voltasse ao que era antes, beijou a testa de Mabel e disse, olhando nos olhos da moça “sempre teremos esse momento”.
Em seguida, Mabel foi ao chão, fazendo reverência com o vestido, enquanto o rapaz se curvava, em sinal de respeito e agradecimento por aquele momento encantador…
Findada a dança, o casal se viu com suas mesmas roupas de antes, até o boné de Aethel e o suéter de Mabel, assim como viram a multidão em aplausos.
Aethel olhou para Merlin, com seus óculos limpos, manto azul, chapéu pontudo azulado e barba branca, logo percebendo um sorriso no rosto do mago, denunciando que fora ele o responsável por aquele momento incomum (o garoto pensara que o mago só faria a espada flutuar para que seu pupilo dançasse com a moça).
O rapaz fez uma rápida reverência com a cabeça, em agradecimento ao mestre que, tão sábio, lhe havia dado aquele presente de formatura e também de Natal, onde ele poderia se despedir da garota que amava.
Será que era amor? Seria Mabel a garota especial? A escolhida? Aethel não sabia se sim ou não, apenas podia dizer o que sentia no coração, não o significado daqueles sentimentos no peito.
Uma alegria que parecia crescer à medida que o jovem olhava para Mabel, um formigamento nas mãos, aquele suar frio de quem teme fazer bobagem e afastar alguém importante, uma desatenção para tudo o que não tenha relação com aquela menina tão singular, um “contentamento descontente”…
Isso é amor? Talvez fosse apenas uma paixão efêmera da adolescência, como as várias que Mabel havia tido no último verão, mas para Aethel isso não tinha importância, pois sentia-se feliz naquele momento e, se fosse o desejo de Deus que aquilo não durasse, então o rapaz teria as mais belas recordações de sua vida.
Olhando ao redor, Aethel viu as pessoas sorrindo, saboreando pudins, bolos de Natal, biscoitos de gengibre e chocolate, etc., todos distribuídos com a magia de Merlin e boa vontade dos Pines, em nome do Natal que, dado o adiantado da hora, já se aproximava para que aquele 24 de dezembro fosse embora.
Ao olhar para os galhos de um pinheiro, Aethel achou ter visto um rapaz de casaco com capuz e bermuda, soprando flocos de neve enquanto segurava seu cajado, fazendo o discípulo de Merlin se lembrar de que, muito em breve, conduziria uma grande nação, como um pastor que conduz suas ovelhas.
O rapaz desapareceu em meio a um vento nevado, fazendo Aethel sorrir, enquanto pensava no que estaria além das colinas, árvores, grandes montanhas e mares bravios, se não tudo aquilo que era inesperado e singular…
E que enchiam Aethel de um desejo quase incontrolável de correr e ver tudo por si mesmo, pois o singular era delicioso e o inesperado era irresistível.
De repente, o futuro tornou-se menos assustador para aquele jovem rei e, para sua alegria, a grande curiosidade em saber o que poderia haver no dia seguinte já tornava o simples ato de dormir desejável, pois assim, estaria mais perto do novo nascer do dia e, com ele, das novas aventuras que a luz traria.
A Lua coroava o céu noturno com seu brilho majestoso, todos festejavam, Stan roubava Gideon no carteado, Dipper conversava afetuosamente com Pacífica, fazendo Aethel pensar no quanto o jovem Pines e a bela Northwest combinavam entre si, cada um à sua maneira e de forma singular…
Sim, aquele “novo normal” era perfeito para coroar um novo tempo, onde as intrigas passadas seriam deixadas de lado, os medos superados, as falhas perdoadas e o Filho do Homem exaltado como sendo o “Ungido” esperado que, em sua misericórdia, trazia a libertação a todos…
Pois o Natal era o tempo Dele; tempo do Senhor.
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