O dia estava alegre, as folhas verdes do bosque reluziam com os feixes de luz que passavam pelas copas das árvores, produzindo tons de verde e amarelo que, caso vistos por um pintor de talento, dariam origem a obras de arte inigualáveis.

A terra estava úmida e a vegetação balançava com o vento que dançava entre os troncos e galhos.

Os pássaros cantavam e, conforme se caminhava pela velha trilha das antigas imperatrizes, já se podia ver o colorido das flores e de um grupo de fadas que, como mandava seu ofício, pintavam as asas de algumas borboletas.

Considerando o clima, o ambiente acolhedor e os sons alegres da vida selvagem, não era de se admirar que Aethel tivesse decidido ignorar a questão de Juba por enquanto.

Junto com Beatriz, Dipper, Rosa, Jack, Sam e Danny (Aethel já se acostumara a chamá-lo assim, ao invés do protocolar “Daniel”), o imperador foi em busca do lendário pomo das hespérides que, de acordo com as indicações do diário de Sophia, poderia estar escondido naquele lindo bosque.

“Em outros tempos”, explicava Beatriz, “as imperatrizes costumavam passear nesse bosque, assim como as princesas e inúmeros casais apaixonados… nada poderia ser mais romântico!", encerrava a garota, enquanto ajeitava seus óculos alegremente.

“Apenas nos leve até o carvalho”, pedia Aethel, um tanto impaciente.

Beatriz era muito dedicada ao seu trabalho na biblioteca, além de ser esperta e também uma especialista mirim em história ghalaryana – especialmente sobre o período final do reinado de Antônio Aureliano e de sua amada esposa, Sophia.

A garota era fundamental para a busca pelo pomo dourado, porém, Aethel não via grande utilidade para Daniel ou mesmo Dipper (ainda que o garoto fosse o responsável por descobrir as anotações secretas do diário).

Quanto a Jack, Aethel já havia lido muitas histórias sobre dragões, então cogitou usar o amigo como “dragão farejador”, o que deixou o amigo indignado: ele era o dragão ocidental, e não um cão de caça!

Naturalmente, Aethel se desculpou pelo equívoco, enquanto Rosa e Sam riram alegremente. O imperador havia convidado as duas moças para passearem no bosque por achar que isso lhes seria agradável. Jazz e Trixie também haviam sido convidadas, mas a primeira preferiu ajudar Atreu com a diplomacia com Juba, enquanto a segunda achou mais interessante ajudar Spud a organizar uma festa para alegrar os visitantes franco-armanianos.

Aethel se divertia olhando para as garotas, mas o que lhe fazia segurar o riso era Danny e a maneira como ele havia “colado” em Sam, com abraços protetores e olhares fulminantes para qualquer criatura que, de alguma forma, se atrevesse a ameaçar sua amada.

Inicialmente Aethel não via motivos para trazer Danny na busca, mas tudo mudou quando o imperador beijou a mão direita de Samantha e lhe fez o convite para aquele passeio: Danny olhou Aethel de forma tão suspeita e incômoda, que o imperador não viu alternativa além de convidar também o rapaz Fenton.

Bastou o monarca dizer “senhor Fenton, quer vir conosco?” para Danny transformar sua expressão de desgosto em algo mais sereno; uma verdadeira expressão da mais plena felicidade.

“Será que ele ainda pensa que estou fazendo côrte à senhora Manson?” pensava Aethel, logo se perdendo em seus pensamentos.

O grupo seguia por aquela trilha verdejante, onde as garotas caminhavam sorridentes, como se houvessem voltado a uma época onde não havia preocupações.

Danny e Jack aproveitavam a oportunidade e colhiam flores para Rosa e Sam, sendo recompensados com beijos na bochecha e frases do tipo "vocês são uns amores” ou “como vocês são fofos!”.

Em nome da boa educação, Aethel se encarregou de colher alguns crisântemos para Beatriz; o rei receava que a garota se sentisse abandonada, já que era a única que não estava sendo presenteada com flores.

Conforme seguia o caminho, depararam-se com clareiras recheadas com mais flores, grupos de fadas dançando alegremente ou fazendo apresentações teatrais com seu inigualável pó mágico, mais borboletas coloridas e uma variedade de árvores tão antigas, que talvez tivessem centenas de anos.

Dipper não parava de ler e reler a mensagem de Sophia no diário, dizendo que precisavam chegar ao grande carvalho, pois com certeza a maçã de ouro estava escondida próxima a ele.

Por meio de cuidadosa reflexão, Aethel supôs que o carvalho precisava estar em alguma trilha ou clareira com a qual Sophia estivesse familiarizada, pois era desejo da imperatriz que seu filho encontrasse o fruto legendário.

“Ela não esconderia em um lugar perigoso” afirmou o imperador, “a ‘herança’ da qual ela falava precisava estar em um lugar onde o filho poderia chegar sem problemas; a busca pelo fruto devia ser apenas um jogo entre mãe e filho”.

Parando de frente a uma nova clareira, Dipper perguntou sobre o “dragão”, sugerindo que esse poderia ser o dragão da história de Merlin:

— Não creio nisso – disse Aethel – o “trono das Eras” com certeza é o trono ghalaryano, então o “grande dragão” deve ser uma referência aos imperadores Ryu; lembra-se do que eu lhe disse certa vez? “Ryu” quer dizer “dragão”.

— Então o “eterno detentor da graça” seria o príncipe, não é? – perguntou Sam.

— Exatamente – concordou Beatriz – Com certeza se trata do príncipe Nikolas. Ele era o “herdeiro do trono da graça”, mas como veio a revolução…

— Ele se foi. – Encerrou Aethel.

Para o imperador não era muito agradável falar de Antônio ou mesmo lembrar do príncipe, pois isso o fazia sentir-se como um usurpador.

Aethel era um Ryu, não havia dúvidas, já que a Excalibur estava em suas mãos e o senado o havia reconhecido, porém, a ligação do rapaz com a trágica família imperial ainda era motivo de debates.

De acordo com Merlin, Aethel era descendente de lorde Manuel, filho de Mitrídates (não o rei, mas o lorde) e, por conseguinte, primo de Antônio, o falecido imperador.

É claro que Manuel, Mitrídates e Antônio estavam mortos, de modo que Aethel jamais poderia ter certeza, assim como o povo ou o senado.

De qualquer modo, se o garoto não tinha, realmente, o sangue Ryu (e podemos afirmar que ele acreditava, plenamente, que possuía o precioso sangue), ao menos carregava o caráter dos antigos reis e não sofria por nenhum rival que contestasse sua autoridade – já que a dinastia Ryu, convenientemente, já não tinha mais representantes vivos além do próprio Aethel.

Antônio só teve um filho, Nikolas, mas como a revolução varreu o jovem príncipe e cada parente seu para o reino dos céus, Aethel era, tragicamente, o último descendente de Atlas – chamado “forte” e “venerável” –, fundador da casa de Ryu.

Verdade seja dita: o jovem imperador até gostava da ideia de ser, de verdade, “o último Ryu”, mas preferia não compartilhar isso com os outros, por não achar conveniente.

Deixando essas questões de lado, Beatriz ainda estava em dúvidas sobre o “verde” que impedia a passagem de “Febo”, mas supôs que o último se tratasse do Sol:

— Se Febo é o Sol, então o verde deve se referir a vegetação – disse a garota – Dessa forma, entende-se que o “verde” que bloqueia o Sol só pode se referir ao verde do bosque! Dessa forma, podemos concluir…

— Que a maçã está escondida onde as copas das árvores mais bloqueiam a luz! – completou Jake.

Mais entusiasmados, os jovens seguiram as indicações de Beatriz até chegarem em uma pequena clareira com árvores muito antigas, flores e um balanço de prata reforçada com aço ghalaryano, preso no galho de um dos carvalhos com correntes de aço trabalhado e ouro.

Com certeza era o lugar onde as princesas e rainhas do passado se divertiam e passavam o tempo livre.

Havia um pequeno banquinho de mármore e até mesmo um palco rodeado por colunas helênicas.

As garotas ficaram extasiadas com tanta beleza, mas bastaram alguns minutos para que todo o entusiasmo inicial se esvaísse do grupo; independente de onde procurassem, não conseguiam achar o pomo dourado.

— Estamos esquecendo de alguma coisa – disse Dipper, sempre perspicaz – Não existe nenhuma pedra ou marcação aqui. Além disso, ainda não entendi essa coisa de “reino de Nimue”...

As garotas sugeriram que se tratava de algum lugar do palácio, Danny supôs que poderia ser um túmulo e Jake disse que poderia ser algum lugar protegido por criaturas mágicas.

A discussão teria se arrastado por vários minutos, caso Aethel não a tivesse encerrado com a resposta mais certeira:

— Sophia está falando de um lago. Nimue é chamada de “Dama do Lago”. Porém, como não há lagos aqui, suponho que estejamos no lugar errado.

— Ou não – respondeu Danny, apontando por um caminho escondido por arbustos cobertos por flores vermelhas – Acho que estamos no caminho certo.

Uma trilha misteriosa em um bosque encantado: nenhum aventureiro negaria essa oportunidade de viver uma aventura, e Aethel tinha o mais perfeito espírito aventureiro! Dessa forma, não demorou a ordenar que o grupo avançasse pelo caminho misterioso.

Seguindo pela nova trilha, o grupo se deparou com um cenário bem menos colorido que o anterior, com copas verdes tão unidas, que bloqueavam a luz solar a ponto de, em certos trechos, o grupo nem conseguir enxergar um palmo à sua frente.

Nessas horas um dragão vem bem a calhar; segurando um galho grosso, Aethel pediu que Jack “desse seu jeito” e, após um sopro do garoto sino-americano, o grupo já tinha uma tocha acesa.

Todos nós já vimos filmes onde os aventureiros iluminam lugares com tochas que duram horas (e, convenhamos, isso é muito legal), porém, Aethel e seus amigos não estavam dentro de uma dessas aventuras de cinema, de forma que as “leis mágicas de edição” não se aplicavam ali. Tendo isso em mente, podemos entender a pressa repentina de Aethel e sua ordem para que Sam e Rosa pegassem mais alguns galhos: a tocha só duraria alguns poucos minutos!

Após alguns tropeços, Sam se segurou no tronco de uma árvore verdejante, logo sentindo algo que não parecia ser casca ou folhas: havia uma marcação na madeira.

Olhando com atenção, a garota percebeu que se tratava de um “Y” feito com estilete, o que confirmava a teoria de Merlin quanto a suposta letra errada no nome de Sophia.

— Eis a primeira marca – sorriu Aethel – Irmão Dipper, antes que o dia termine, você estará bebendo chá com sua irmã.

Alegremente, o grupo continuou seguindo as letras marcadas, porém, os jovens começaram a sentir como se o caminho não tivesse fim.

Em dado momento, Dipper perguntou se não estavam caminhando a muito tempo, ao que Sam negou, dizendo que não deviam ter se passado mais do que quarenta minutos.

Foi preciso acender mais quatro tochas antes que os jovens chegassem até o local correto.

Todos ficaram maravilhados com o lago calmo, os juncos próximos da margem, o grupo de árvores antigas, sendo muitas delas carvalhos grandiosos, grama fresca e uma névoa que fazia os adolescentes sentirem-se dentro de um dos contos do rei Arthur.

Caminhando até um dos carvalhos, Aethel sentou, melancolicamente, fechou os olhos e perdeu-se em seus mais íntimos pensamentos.

O tronco estava tão confortável, que o imperador teria adormecido, caso Rosa não o tivesse tocado no ombro direito e perguntado se estava tudo bem.

Após olhar para o lago, Aethel segurou o cabo da Excalibur e negou:

— Não Rosa… eu não deveria ter vindo aqui.

Dipper não gostou de ouvir isso e o questionou:

— Você disse que a Mabel ficaria bem, e agora fala que não deveria estar aqui? O que está havendo?

— Mabel despertará… – respondeu Aethel – Já sei onde está o pomo das hespérides.

O grupo ficou mudo. Como uma notícia tão maravilhosa não alegrava Aethel?!

Recostando a cabeça no carvalho, Aethel pediu que o grupo fosse até a parte de trás daquele carvalho, pois encontrariam escondido na vegetação uma pedra com as marcações finais:

— Imagino que a maçã de ouro esteja dentro de uma caixa, enterrada abaixo da pedra manchada com o sangue Ryu… o sangue de Nikolas… Ele feriu o dedo quando brincava com a mãe de esconde-esconde… quando ele tocou na pedra, o sangue entrou nas fendas e ficou ali…

— Como sabe disso tudo? – Questionou Jack.

— Cara, você por acaso vê o passado? Leu isso em algum lugar?

— Não tenho a menor ideia – respondeu Aethel – Mas já estive aqui, nesse lago… a muito tempo… quando eu era um mero garotinho.

Seguindo as orientações, o grupo encontrou a rocha em meio a vegetação, coberta por uma pequena placa de madeira, que escondia as fendas com vestígios de sangue.

Cavando um pouco, Dipper encontrou uma caixinha de metal, onde havia um pequeno baú com rebites, juntas e fechadura feitas todas de prata.

O pequeno baú era coberto por veludo azul com pinturas de flores-de-lis (um dos símbolos da monarquia ghalaryana) feitas de ouro.

“Não temos como abrir” respondeu Sam, “e destruir uma obra de arte como essa seria um verdadeiro pecado” completou Rosa.

“É só achar a chave” disse Beatriz, ao que Aethel respondeu:

— Está escondida nos juncos… Danny vai achá-la sem problemas.

Seguindo as orientações, Daniel encontrou uma chave pequena e feita de prata, segurada por uma corrente de prata e ouro.

Pegando a chave de Danny, Aethel abriu o baú e revelou o tesouro dos tesouros; uma maçã com casca tão dourada, que parecia ser feita do ouro mais fino que poderia haver no mundo inteiro, com caule dourado e uma folha de igual cor: o pomo de ouro do jardim das hespérides!

A fruta legendária brilhou de forma tão intensa, que iluminou todo o lugar, mas logo diminuiu sua luz, permitindo que os jovens a admirassem com mais atenção.

— Então… ela é o presente para um rei? – perguntou Beatriz, maravilhada.

— Não… – respondeu Aethel – ela é o presente para uma deusa… Hera se casou com Zeus… então Gaya lhe deu como presente de casamento uma árvore especial, que dava maçãs douradas… Héracles roubou algumas maçãs durante um de seus doze trabalhos…

— Mas isso tudo não responde como você sabia onde a pedra, a chave e a maçã estavam… – respondeu Jack, curioso.

— E também não responde como você sabia do sangue na pedra – disse Beatriz.

Segurando o baú, Aethel olhou para o lago, com ares de desânimo:

— O príncipe morreu a vinte anos, devido a turbulenta revolução – disse o rei – Mas eu estive aqui, a cinco ou seis anos… acho que eu tinha oito anos… Foi aqui que conheci Luna, Merlin e Arquimedes.

— Sabe… – disse Beatriz – o príncipe Nikolas morreu com oito anos…

— E a minha vida começou com essa idade – disse Aethel – Seria isso a que chamam “poesia na tragédia”?…

Dipper perguntou se Merlin havia revelado sobre a pedra, a chave ou o baú, mas Aethel negou, dizendo que aquele era um lugar estranho, onde coisas inexplicáveis aconteciam.

Talvez houvesse algum tipo de “luz celestial” que revelava mistérios, ou as respostas tivessem brotado por mera dedução lógica, quem sabe?

De qualquer modo, o grupo já podia ficar tranquilo, pois o pomo havia sido encontrado e agora Mabel seria despertada.

Apesar disso, a simples ideia de entregar algo tão espetacular como o pomo de ouro, nas mãos de Nealie, enchiam o coração de Aethel do mais profundo ódio.

Sua raiva era tanta, que ele começou a balbuciar consigo, ignorando a presença dos demais:

— Nealie… sua praga… manipuladora cruel… maldita, maldita Nealie… acha que vou deixá-la roubar a herança dos meus ancestrais?... não me conhece, feiticeira… não, sua bruxinha inútil, sua… fracassada… Nealie…

Sam e Rosa se aproximaram, preocupadas, mas o rapaz parecia em transe, conforme sua expressão se enfurecia cada vez mais:

— Maldita… sua feiticeira maldita… vai lamentar o dia em que me desafiou… cruel… Mabel não fez nada de errado, Nealie, e você… vou matá-la… vou te matar, Nealie… sua bruxinha de colégio… sua…

— Aethel… – chamou Rosa.

— Nealie… sua bruxinha fracassada de colégio! – berrou Aethel, assustando a todos.

Se recompondo, o rei olhou para seus amigos, assustados, e sentiu-se perdido e um pouco envergonhado.

— Me desculpe… – disse o imperador – Rosa, não era de você que eu estava… Dipper, acho que me perdi, será que poderiam… do que… do que estávamos falando mesmo?

Todos se calaram e Beatriz disse que precisavam entregar o fruto para Nealie, ao que Aethel negou:

— Não antes que ela desfaça o feitiço sobre Mabel; nesse jogo ganha quem for mais esperto.

— E quem é mais esperto, majestade? – uma voz perguntou.

— Não podia esperar chegarmos ao palácio, Nealie? – perguntou Aethel, com ares de pouco caso.

“Nealie?!”exclamaram todos, ao que Aethel respondeu:

— E quem mais? Desfaça o feitiço sobre Mabel, feiticeira, depois pode pegar a maçã das hespérides.

Diante de todos a rainha das bruxas se apresentou, alegre e com aquele mesmo sorriso sedutor que tanto enojava Aethel, não pela aparência, mas por todo o ardil e engano que ele transbordava.

O canto direito do lábio, onde Nealie guardava seu beijo, era onde o imperador mais tinha desgosto em olhar, pois ali parecia ser a fonte de todo o engano, manipulação e veneno daquela mulher.

Nealie caminhou até o lago e tocou suas águas, revelando imagens de Mabel, ainda dormindo em seu quarto no grande palácio.

Olhando para a imagem a feiticeira disse:

— O desafio do pomo de ouro foi realizado; desperte, minha criança, para rever aqueles que lhe são tão queridos!

Após isso, todos viram na imagem do lago Mabel despertando e sendo rapidamente atendida pelo mordomo do palácio e por uma das empregadas (pois Aethel havia dado ordens para que a garota não ficasse sozinha).

— Não se preocupe, meu reizinho – disse a feiticeira – Depois de usar o pomo de ouro, vou devolvê-lo a você – encerrou ela, com um sorriso maquiavélico.

– Espero que sim – sorriu o imperador – porque se alguma coisa acontecer a ele, eu vou te matar, Nealie.

Após entregar o pequeno baú com a maçã de ouro para Nealie, Aethel assistiu a feiticeira desaparecer em meio às brumas do lago, enquanto ria efusivamente.

— Quando isso tudo acabar, feiticeira – disse Aethel – você queimará na fogueira.

Ninguém ousou falar qualquer coisa, pois as sinistras palavras do imperador eram tão cheias de sinceridade quanto de fúria.

Nesse momento, Dipper pensou se, talvez, não fosse melhor pegar Mabel e voltar a Piedmont.

Rosa, Sam, Jack e Danny também pensavam se já não era a hora de voltarem para seus mundos.

O dia havia começado alegre, mas assitir Aethel confrontando Nealie mais uma vez foi sinistro demais para todos, menos para o próprio rei, que, aos poucos, parecia apreciar a escuridão que, pouco a pouco, brotava em seu coração, sempre que ele fitava os olhos da rainha das bruxas.

Quem sabe o que aconteceria dali por diante?

“Pelo menos” disse Dipper, “Mabel despertou”, o que era compartilhado por todos os presentes, inclusive Aethel.

— Voltemos ao palácio – disse o rei – Vamos cumprimentar Mabel, depois partiremos em uma nova aventura.

— O quê?! – Questionou Dipper – Mas para onde?

— Ainda precisamos saber onde está o túmulo de Maeve, e estou começando a achar que nossa “concorrente” também não sabe onde ele está – disse Aethel – Claro, isso é só uma intuição, mas, de qualquer modo, não podemos nos arriscar.

— Então vamos procurar o túmulo – respondeu Danny.

— Não – disse Aethel – Nem saberíamos por onde começar a busca… não, meus irmãos, precisamos de respostas antes de qualquer coisa.

— Para onde vamos então? – Perguntou Sam.

Após uma pausa, Aethel tocou no cabo da Excalibur e refletiu durante alguns segundos, não para buscar uma resposta, mas para assimilar a solução que já havia esboçado a algum tempo:

— Só há um lugar onde podemos ir… – disse o monarca – Precisamos chegar ao Oráculo das Eras…