As Crônicas da Resistência

13 Capítulo 11 - Entre o céu e o inferno


Há aqueles que ousam dizer que os deuses abandonaram nosso mundo à sorte de nós mesmos, mas nem todos assumem isto como verdade, existem aqueles com traços divinos, aqueles com poderes que carregam a essência dos deuses, aqueles responsáveis por guardar a luz e mantê-la forte frente a escuridão, entre os tantos nomes para nomeá-los, o mais conclamado e descrito em crônicas é o título de paladino.

A ordem dos paladinos, também conhecida como a Ordem de Lóren, é a força que representa a harmonia dos deuses no reino do Norte, uma família de nobres cavaleiros trajados com prata e ouro com lâminas justiceiras capazes de ceifar as forças malignas. Os poderes da luz eram repartidos entre os membros daquela família, a conservação não poderia ser destruída nem alterada.

Eles residiam no belo Altar da Harmonia, um grande templo repleto de signos e escrituras divinas, em outrora trabalhavam junto aos legionários para manter a ordem no reino do Norte, porém... um dia tudo mudou...

_Pequeno Marcos, venha cá – Gritou aquele velho de barba branca e cabeça calva, seus olhos eram azuis e o cabelo que lhe restava era liso até seus ombros, seu porte físico era forte, usava uma armadura um tanto desgastada, porém sua característica mais marcante era o rosto sempre feliz – Solte um pouco sua espada.

_Vovô... – Disse Marcos ainda segurando sua espada e se aproximando do velho – Estou treinando! Como quer que eu fique forte sem treinar?

_Você treina apenas teu corpo, pequeno Marcos – Disse o avô a se levantar e olhar as montanhas no horizonte – Precisar treinar sua mente.

_Treinar minha mente não vai ajudar a caçar demônios, vovô – Disse Marcos ao girar sua pequena espada e acertar um boneco de treinamento, o garotinho tinha cabelos lisos e grandes, usava vestes brancas de um tecido nobre, seus braços estavam enrolados por faixas também brancas, provavelmente para cobrir feridas de treino – E pare de me chamar de pequeno!

_Hahaha, ainda tem muito o que aprender para que eu lhe chame de grande – Disse o avô ao sentar-se em uma cadeira e observar o garoto – Seu amigo está lhe chamando.

_Não estou ouvindo nada – Disse Marcos ao esgrimir contra o boneco de treino.

_O som também é importante em um combate, rapaz, concentrar-se apenas no corpo não é suficiente – Disse o avô preparando-se para dormir na cadeira – Tente ouvir...

_Esse velho... – Marcos parou momentaneamente e fechou seus olhos, ouviu o som de pássaros e do vento atingindo as árvores, posteriormente ouviu o som de um garoto gritando seu nome – Leozinho!

Marcos correu pelo Altar da Harmonia e chegou a seus grandes portões de ouro, o Altar existia na frente de um pequeno vilarejo, Leonardo era um garoto amigo de Marcos, um humilde camponês com vestes rasgadas.

_Leozinho! – Disse Marcos abrindo os portões e cumprimentando o garoto – Venha, estou treinando.

_Certo – Disse Leozinho carregando uma pequena espada de madeira – Eu trouxe minha espada.

Os dois garotos treinavam juntos todos os dias, Marcos tinha apenas um irmão mais velho, ambos eram herdeiros do título de grão-mestre da Ordem de Lóren, Leozinho, por sua vez, era herdeiro apenas da loja de tecidos de seu pai, porém treinava para um dia se tornar um legionário.

_Leozinho – Disse Marcos treinando saltos junto com o garoto – Você sabe o que é treinar a mente?

_Treinar a mente? – Questionou Leozinho – Acho que é estudar.

_Meu avô acha que estudar ajuda a se tornar um guerreiro melhor – Disse Marcos rindo.

_Que doideira... – Disse Leozinho – Podemos perguntar para seu irmão.

_O Jhey? – Marcos parou momentaneamente – Ele está sempre ocupado... mas vamos tentar.

Os garotos deixaram as espadas no campo de treinamento e foram até as salas superiores do Altar da Harmonia, lá em uma grande mesa de vidro estava vários mapas e pequenos peões de organização de estratégias de guerra, na mesa sentavam Jhey e Caeli Ferraciolli.

_Lorde Caeli... – Disse Leozinho pasmo ao segurar o braço de Marcos – É ele Marcos.

_O que ele veio fazer aqui? – Perguntou Marcos ao se aproximar da mesa – Irmão?

_Pequeno Marcos, lembro-me de já ter lhe ordenado para não me perturbar em minhas reuniões – Disse Jhey ao colocar a mão sobre a cabeça – Minhas sinceras desculpas, Lorde Caeli.

_Não se preocupe – Disse Caeli sorrindo e se aproximando dos garotos – Esse é o pequeno Marcos?

_Sim, meu senhor – Respondeu Marcos – É um prazer conhece-lo.

_E este outro? – Disse Caeli olhando para Leozinho.

_É... eu... – Leozinho estava avermelhado e tremendo – Sou Leonardo...

_Hahaha – Riu Caeli – Não precisa ter medo de mim, jovem garoto.

_Ele não está com medo – Disse Marcos rindo – Ele admira muito o senhor, o sonho dele é se tornar um legionário.

_Entendo – Caeli se aproximou de Leozinho e colocou a mão em seu ombro – Quer ajudar a manter a ordem no mundo, jovem?

_Sim, senhor! – Respondeu Leozinho com firmeza.

_És um belo sonho – Caeli fitou os olhos de Leozinho com determinação – Este é o sonho que me mantém forte, a vontade de estabelecer a ordem no mundo.

_Garotos, estávamos ocupados – Disse Jhey.

_Fique em paz, Jhey – Disse Caeli ao deixar a sala – Amanhã daremos início a operação.

_O que vocês dois querem? – Perguntou Jhey olhando os garotos com raiva.

_Jhey, um bom guerreiro precisar treinar a mente? – Perguntou Marcos.

_Sim... – Respondeu Jhey golpeando a barrica de Marcos com seus dedos – E um bom guerreiro nunca deve abaixar sua guarda.

_Que doidera... – Disse Leozinho – como podemos treinar a mente?

_Observando aquilo que seus olhos não podem enxergar, ouvindo aquilo que seus ouvidos não são capazes de escutar e sentindo aquilo que não podem tatear – Respondeu Jhey deixando a sala.

_Não ajudou em nada... – Sussurrou Marcos.

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Jhey entrou em seu quarto e ficou encarando sua armadura reluzente, tirou suas vestes e fitou seu rosto em uma bacia de água, isso tem de ser feito, pelo futuro. A expressão do rosto do garoto mudou, seu olhar ficou assustador, firme e inflexível, ele colocava seriamente sua armadura, o garoto pegou sua espada e seguiu para os porões do Altar da Harmonia, uma mesa com alguns pergaminhos e estranhos artefatos já estavam postos, aparentava ter a configuração de um cenário ritualístico.

_Aquilo que um dia brilhou deixará de brilhar – Sussurrava Jhey – Que o calor da luz se transforme em chamas, e que essas chamas devastem a harmonia.

O Altar da Harmonia começou a tremer e se trincar, os ventos ficaram mais fortes, aquele dia ensolarado começara então a escurecer.

_Jhey! – Gritou um faxineiro a entrar correndo rapidamente no porão – O que está fazendo?

_Observe o nascimento do guerreiro mais forte de todos os tempos... – Respondeu Jhey com um olhar sangrento.

O faxineiro fitou aquele rapaz com uma armadura negra, outrora prateada e reluzente, agora exalando uma aura escura, sua lâmina esbranquiçada se tornará azul e escurecida, e dela um gélido vapor rumava.

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Marcos e Leozinho meditavam em um monte próximo, os pequenos garotos estavam demasiadamente concentrados, o pequeno Marcos, mesmo com suas pálpebras sobre seus olhos conseguia ver uma luz atravessando aquela cortina de escuridão.

_Eu vejo uma luz... – Disse Marcos levantando assustando – Leo... Uma luz que... Não sei... Parece estar cortando a escuridão.

_Eu apenas vejo meus pensamentos – Disse Leozinho levantando, um tanto desapontado – Triste.

Os garotos fitaram tropas de legionários trajados com o tabardo de Lóren seguindo em direção ao Altar da Harmonia.

_Marquinhos – Disse Leozinho – Aquele tabardo não carregava o símbolo usado por sua família?

_Sim... – Marcos começou o segui-los – Tem alguma coisa errada... Vamos!

_Que doidera! – Leozinho pegou sua espada de madeira e começou a seguir Marcos.

Os garotos correram e a certa distância fitaram a Altar da Harmonia em chamas, paladinos trajados com tabardos de Lóren estavam adentrando e profanando aquele templo sagrado, os paladinos haviam sido emboscados.

_O que os legionários estão fazendo? – Marcos segurou sua espada com maior firmeza e correu em direção ao Altar.

_Espera, velho! – Leozinho segurou Marcos pelo braço – Se formos lá, com certeza morreremos, tem mais de cem legionários atacando sua casa.

_É a minha família! – Gritou Marcos soltando-se de Leozinho – Você não precisa vir se não quiser, seu medroso!

Marcos deu as costas para Leozinho e começou a caminhar em direção ao Altar.

[...]

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“É um som que eu sempre escutei, a melodia que preenchia o vazio da minha mente, tudo o que eu sempre desejei nesse mundo finalmente está se concretizando, estou construindo os instrumentos para tocar meu réquiem, esse é um som de amor!”

_Entende agora? – Disse Caeli realizando uma jogada em um jogo muito análogo ao xadrez, todavia, as peças eram entalhadas em madeira e tinham formas de criaturas e monstros antigos.

_É muito sombrio, meu rei – Disse Estefany também realizando uma jogada, a garota havia jogado sem pensar, não conhecia com clareza as regras do jogo.

_Não está nem um pouco interessada em jogar, não é mesmo, minha princesa? – Disse Caeli finalizando o jogo com uma jogada vitoriosa – O paladino é a peça mais forte desse jogo... Você o desperdiçou nas primeiras jogadas.

_Não entendi muito bem como se joga, mas olea, podemos tentar novamente – Disse a garota sorrindo.

_Você é uma garota muito delicada... – Caeli levantou-se e começou a encarar um quadro do Altar da Harmonia – Queria entender o real motivo de meu filho tê-la escolhido como princesa, é tão inútil.

_Meu rei... – Estefany percebeu que havia irritado Caeli, a garota organizou as peças do jogo no tabuleiro novamente – Falas demais para o gume da escuridão, devo entender sua posição como uma rendição?

_Sua ousadia é sensata – Disse Caeli sorrindo e retornando a mesa de jogo – Comece.

_Tenho que posicionar três peças minhas em seu castelo para vencer, certo? – A garota movimentou seu minotauro algumas casas a frente.

_Não entendeu o que eu lhe disse sobre o paladino – Caeli afastou seu paladino do campo de batalha – Ele é a chave para ganhar o jogo, se posicioná-lo bem, podes conquistar qualquer reino.

_Meu senhor – A garota encarou firmemente os olhos gélidos de Caeli – O que houve com a Ordem de Lóren?

_Eu mostrei ao herdeiro da luz o quão bela é a melodia da escuridão... – Caeli, após algumas jogadas, moveu seu paladino em posição de ataque e começou a contar a história.

[...]

Jhey fora convertido em trevas, as luzes que aqueciam seu coração agora congelavam a harmonia que aquele templo tanto preservara, o paladino negro havia nascido!

Caminhando entre os corredores do Altar da Harmonia e ceifando seus antigos amigos e queridos familiares, Jhey seguia ao salão principal do Altar empunhando a sua lâmina, Froustmourne, o gélido lamento.

_Finalmente... – Jhey encarou aquele grande diamante reluzente encrustado no centro do salão, joias douradas orbitavam ao seu redor, tudo em perfeita harmonia e sincronia – Existem aqueles que dizem que essas joias controlam o tempo do cair da noite e do calor do amanhecer, elas são a principal razão dos paladinos existirem.

_Sua traição me surpreendeu, pequeno Jhey – Disse o avô de Marcos e Jhey adentrando pelo outro lado do salão principal, o velho usava seus velhos trajes de panos e apoiava-se em um cajado de madeira desgastado – Mas não me surpreende tanto quanto sua falta de respeito com as forças que regem esse mundo.

_Aquiel – Jhey gargalhou balançando sua cabeça, posteriormente encarou o velho com uma expressão furiosa – Não interfira!

_Não permitirei.... – Aquiel tornou-se firme, soltou seu caçado e rapidamente empunhou uma espada de luz que trazia com sigo escondida em seus mantos – Que destrua a luz do mundo na minha frente!

_Terá de me perdoar por isso, vovô... – Jhey avançou em Aquiel, o valente senhor era extremamente habilidoso, com seus olhos pouco fechados, conseguia defender todos os golpes de Jhey e ainda contra-atacar a altura – Velho, o tempo dos paladinos vai se extinguir em breve, a causa pela qual você luta é inútil.

_Não existem causas inúteis – Aquiel repentinamente girou com sua lâmina e cortou o peito de Jhey, quebrando sua armadura frontal, o velho saltou e disparou uma rajada de luz no traidor, o lançando contra a parede – Deveria ter aprendido, o que faz de nós paladinos, não é nosso poder ou vontade...

Jhey tentou se recompor, mas rapidamente o velho o surpreendeu com um corte lateral, parte da barriga de Jhey foi rasgada, Aquiel encostou sua mão nas costas do paladino negro e gritou:

_Purificar! – Jhey foi lançado ao chão, ficando um tanto atordoado – O que faz de nós paladinos é crer que a luz pode recobrir qualquer sombra e extinguir qualquer escuridão!

_Mesmo que me mate... – Disse Jhey tossindo sangue – Não pode impedir as trevas!

_Abandone essa loucura – Disse Aquiel olhando para Jhey entristecido – Já foi um guerreiro valente e heroico, lembre-se dos rostos que salvará em outrora, ainda pode mudar seu destino.

_Você ficou velho demais... – Jhey ligeiramente fincou sua lâmina no peito de Aquiel, perfurando seu coração – Deveria ter me matado ao invés de tentar me ensinar... Você me desapontou, vovô, viveu por tantos anos e não foi capaz de entender o verdadeiro significado de poder.

_Irmãozão?! – Disse Marcos entrando na sala assustado e fitando aquela cena sangrenta, a espada negra de Jhey perfurando o coração de Aquiel – O que você está fazendo?!

_Maninho? – Disse Jhey retirando a espada de Aquiel e fitando o velho tombar frente ao cristal de luz. Em nenhum momento após ter forjado as trevas em seu coração o garoto havia sorrido, porém, ao encarar seu pequeno irmão, seu coração se confrangia nitidamente.

_O que você fez? – Disse Marcos correndo até seu avô – Por que machucou o vovô?!

_Negue isso ou não... – Disse Aquiel em suas últimas palavras — A luz ainda existe em você, ela é seu irmão que vive dentro de seu coração...

_Então temos que destruir essa luz... – Disse Caeli entrando no salão central – Jhey, faça!

_Senhor! – Disse Jhey chorando – Me peça para que sacrifique o reino inteiro, mas poupe-me de sacrificar meu irmão!

_A força vem com as batalhas que não podemos vencer – Disse Caeli friamente – Faça ou eu farei em sua frente!

_Desculpe... – Jhey levantou Marcos pelos cabelos lisos e o pressionou contra o cristal de luz.

_Por que está ouvindo ele?! – Gritou Marcos – O que houve contigo?!

_Escute, irmão – sussurrou Jhey para Marcos fincando sua lâmina no peito de Marcos e trincando o cristal de luz – Quero que sua dor se transforme em ódio, e que seu ódio crie uma ambição inigualável, uma ambição que lhe dará forças e que fará com que jamais perca outra batalha, uma ambição de vingança... a ambição de me matar!

Jhey retirou sua lâmina do peito de Marcos e deixou o salão junto a Caeli. O pequeno paladino sangrava, seu corpo ardia, ele não conseguia se levantar, deitado frente ao cristal de luz e vendo o mesmo se fragmentar cada vez mais, suas esperanças se acabavam.

[...]

–--

_O que você fez depois? – Perguntou João curioso junto com todos os resistentes ao redor daquela fogueira no acampamento sentinela.

_Não me lembro... – Respondeu Marcos cabisbaixo – Eu acordei e tudo que encontrei foram os restos do Altar da Harmonia, desmoronado sob o sangue e corpos de meus amigos e familiares. A minha frente havia uma espada e um escudo, estes que carrego desde então.

_Então foi assim que os paladinos foram extintos... – Disse Shu entristecido – É uma pena, Marcos.

_Queria entender o que me permitiu sobreviver ao corte no peito, mas – Marcos fitou atentamente o dançar daquelas chamas – Acredito que alguém tenha me ajudado, me presenteado com armas para que, em trocar, eu pudesse cumprir o meu destino.

_Que fantástico – Disse Luan empolgado – Dennys ou Elvis, contem nossa história também!

_Certo, certo! – Dennys levantou-se e começou a gesticular, porém Marcos não estava interessado em ouvir, o paladino apenas seguiu para sua cabana e começou a meditar.

Ouvir aquilo que meus ouvidos não são capazes, esse talvez tinha sido o último ensinamento de Aquiel, Marcos aprendera com afinco como treinar sua mente, tornou-se um rapaz mais firme e inflexível depois do atentado contra os paladinos. Quieto, naquela cabana, novamente ele pode ver a luz cortando as sombras, sua cabeça doía, mas o garoto se esforçava para tentar decifrar aquela imagem.

_Você ainda tem medo... – Disse Mônica ao adentrar na cabana.

_Eu não tenho mais medo de nada... – Disse Marcos.

_Pare de tentar ser o que você não é – Disse Mônica sorrindo – Acha que é o ódio que está lhe deixando forte? Acha que esconder seu medo e tristeza o tornam forte?

_Vidente... – Disse Marcos – Sabe minha história, mas você não sabe o que eu sinto.

_Tem razão – Disse Mônica deixando a cabana – Mas também sei o que você não sente.

Marcos novamente tentou meditar, porém desta vez, esvazio sua mente, lembrou das memórias antigas de seu irmão e seu avô, as boas lembranças que tinha com os mesmos, de seus olhos escorreram lágrimas.

_A luz... – Ele pode ver, mesmo com seus olhos fechados, aquela luz cortando as sombras, desta vez a imagem estava ficando clara, a luz era uma espada dourada, uma espada que havia sido formado dos fragmentos do cristal de luz, ele não fora destruído, fora convertido na lâmina dos céus, Caledfwlch.

[...]

Leozinho entrou no salão destruído e fitou Marcos caído, ao seu lado, a espada Caledfwlch cintilante.

_Velho! – Disse Leozinho tentando levantar Marcos – Me perdoe... Eu deveria ter vindo te ajudar! Me desculpe, velho!

_Leozinho... – Disse Marcos arfando – Eu que peço desculpas... Você não é medroso... Voltou para me ajudar...

_Cara, não pense em morrer – Leozinho tentou carregar Marcos, mas seus esforços foram inúteis.

_Leozinho, preciso lhe pedir um último favor – Disse Marcos apontando para a espada – Essa espada é o último vestígio do cristal da luz, é a última lembrança da minha família e da Ordem de Lóren, quero que você a proteja, jamais deixe que algum legionário a empunhe.

_Quer que eu proteja uma espada? – Perguntou Leozinho levantando a espada (não vou escrever o nome de novo porque é um saco ficar vendo o nome dessa espada, não pretendo mudar o nome porque ele tem um significado especial, então, espero que consiga entender, caro leitor) – Mas quanto a você?

_Ficarei bem... – Disse Marcos ao ouvir passos de alguém se aproximando – Amigão... Obrigado.

_Vou lhe devolver essa espada algum dia, meu amigo – Disse Leozinho levantando – E vamos usá-la para trazer a justiça aos traidores!

_Eu sei... apenas sei – Disse Marcos ao fechar os olhos – Um lobo talvez mude sua pele, mas jamais mudará sua alma

[...]

–--

_Melhorou, pequena princesa – Disse Caeli movendo seu peão para a jogada vitoriosa novamente – Mas ainda lhe falta malícia.

_Sua história... – Disse Estefany entristecida – Ela está errada...

_Como é? – Perguntou Caeli seriamente.

_Os rumores de que ainda existe um paladino vivo estão se propagando – Disse a garota com firmeza – Ainda não extinguiu todos os guerreiros da luz.

_Um fato interessante – Disse Caeli olhando para o tabuleiro, repentinamente o cortou em duas partes com sua espada – a Resistência e esse tal paladino são como pequenas brechas em um grande muro por onde entram pequenas porções de luz, eles não fazem ideia da imensidão de escuridão que escondemos nas costas desse muro.

_Vou para meus aposentos – Disse Estefany, porém antes de se retirar, Caeli disse:

_Quando cumprir seu propósito nesse castelo, eu vou pessoalmente matá-la!

_Sim, meu senhor – Disse Estefany cabisbaixa.

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_Quer partir em busca de uma espada mágica? – Perguntaram Martosael e Elvis para Marcos.

_Sim – Respondeu o Paladino se preparando para partir – Somente com aquela espada conseguirei trazer a justiça contra meu irmão e Caeli.

_Entendo – Disse Martosael – Professor, o que acha?

_Eu confio no Marcos – Respondeu Elvis sorrindo – Ele voltará mais forte.

_Não podemos continuar nesse acampamento, sr. Paladino – Disse Martosael — Mais tropas, mais poderosas, irão nos atacar.

_Eu encontrarei vocês – Disse Marcos.

_Deixe-me ir com você – Disse Elvis.

_Maninho, eles precisam de você, continue os liderando, eu vou encontra-los novamente, prometo – Respondeu Marcos sorrindo.

_Então leve ajuda – Disse Martosael – Mesmo sendo poderoso, é muito perigoso viajar sozinho, ainda mais com uma armadura brilhante como a tua.

_Só vou precisar de apenas uma pessoa – Disse Marcos.

_Seja lá quem for, volte o mais breve possível – Disse Martosael – Estaremos esperando nos montes ao oeste, você tem dez dias.

_Voltarei antes disso – Disse Marcos se despedindo.

O paladino deixou o acampamento no meio da noite, frente aos portões, encarou aquela lua brilhante nos céus e exclamou:

_Obrigado por me ajudar.

_Você é digno de minha ajuda – Respondeu Mônica sorrindo – Vamos!

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.