No ano de 2336 em uma pequena casinha em Florença na Itália, soldados aparentemente medievais com um Brasão com a bandeira da França invadem uma casa um tanto humilde, e que tinha uma garotinha ruiva (de cabelo liso), muito provavelmente não tinha doze anos de idade, e próxima a si um gato amarelado e com listras negras. Tanto ela quanto o gato tem olhos azuis bem clarinho. A menina tem suas vestes bastante humildes. Um dos soldados saca uma espada e repentinamente atravessa o ventre da pequenina menina o sangue derrama-se muito rapidamente, o coração da indefesa menininha é perfurado, sua boca está agora encoberta de sangue, à pobre menina não resiste e seu pequeno corpo deixa este mundo para ir a outro!

Uma voz narra tal acontecimento com as seguintes palavras:

– Àquela hora, eu poderia ter feito alguma coisa, mas eu anseio contemplar o esplendor da alma humana... Aquele gato e a morte daquela menina por mais incrível que pareça o cenário cruelíssimo e impiedoso que sentisse, salvará esse mundo.

Após um dia do assassinato da menininha. Caminha em meio à neve o gato que testemunhou tal acontecimento traumático. Seus pensamentos estão sendo transbordado pelo desejo de vingança, tal ódio seria capaz de criar asas e destruir tudo que tiver em sua vista. Caminha entristecido sem rumo o pobre Alfredo Drury.

– Minha mente errante está sendo consumida por um desejo irracional de vingança, a morte de minha amada humana não pode ser esquecida e abandonada, matarei quem ordenou sua morte e quem a matou. – assim pensou o gato Alfredo Drury.

Na casa onde ocorreu o assassinato, se encontra manchas de sangue, entretanto o corpo morto da menina lá não está mais... Um homem de cabelo branco crespo meio longo (chegando a ter cinco cm após a nuca), uma aparência jovem ele não passa dos 30 anos, olhos escuros, casaco e calça cinza e sapatos pretos. Observa o local onde a menina foi assassinada...

– Entendo... Alfredo já sepultou o corpo da senhorita Pietra... Nesse momento aquele ser deve estar indo a Roma atrás do Ferreiro o seu velho amigo, pobre gato... Não tem noção do que o destino o aguarda. – disse para si mesmo o homem.

O homem abre um livro titulado “1984” de George Orwell.

– Enquanto o gato se dirige a Roma... Irei terminar esse livro genial. – pensou para si o tal homem.

Após três dias na capital Italiana, Roma. O gato sempre com cabeça baixa e um olhar de dar pena zanzava pelas ruas romanas. Os cidadãos de Roma cochichavam sobre sua presença, falavam coisas como:

”Olha, aquele gato está despido!”

“Que imoralidade, Deus há de guardar seu lugar no inferno!”

“Gatos são tão diabólico a ponto de não usarem roupas.”

“Se as autoridades o ver assim, ele vai direto para a forca!”

“Que Deus salve a alma desta pobre criatura obsoleta!”

Entre outros comentários do gênero, alguns até riam. O pobre gato tem apenas 50 tostões no bolso, pouquíssimo dinheiro para comida e moradia. Na capital italiana a elite é maioria, em outras cidades é mais raro encontrar pessoas da classe média e alta.

O homem de cabelos brancos está sobre o telhado de um armazém observando o gato Alfredo.

– Pobre Alfredo, além do preconceito está sensibilizado por ter perdido sua amada humana. Cada passo seu é como uma chicotada em carne viva, um trauma imensurável! – pensou o Homem de Cabelo Branco.

Algumas horas depois, dentro da Biblioteca Real de Roma... O homem de cabelos brancos (que será chamado de “White Hair”) continuava lendo o livro de George Orwell, 1984. Mas já está bem perto do final do livro. O White Hair fecha seu livro e pela janela da bela e cheirosa biblioteca, onde poucas pessoas estavam presentes no máximo quinze pessoas. Ele observa as ruas da amada e odiada Roma.

A voz de White Hair que é calma e serena narra o que você lerá agora:

– “Gatos falantes e outros animais também, parece “bizarro” para você que assiste está história através de letras, o nosso ano atual, aqui claro; estamos em 2336. Dia 2 do mês sete no calendário cristão. No ano de 2120 tivemos o que chamam de Terceira Guerra Mundial, findou-se então um cenário apocalíptico, mais da metade da população humana estava exterminada devido à radiação nuclear liberada pelas bombas atômicas, causando mutações e diversas espécies de câncer. Os poucos sobreviventes, não mais que dois bilhões. Vivem agora em um mundo onde a água potável é muito escassa e graças à radiação atmosférica liberada a produção de qualquer espécie de energia elétrica é impossível por hora. Imagine o que aconteceria com o mundo que você conhece se parasse de existir eletricidade. Além disso, a radiação atingiu o corpo de animais domésticos os selvagens ou estão extintos ou quase. Os animais domésticos adaptaram-se ao meio em que vivem, eles evoluíram biologicamente falando, e são descendentes dos Animais de Guerra. Eles são capazes de falar, pensar, aprender nossas línguas. Seus corpos também, dos gatos, por exemplo, são capazes de ficar ereto. Alguns animais conseguem fazer cálculos que nem mesmo um humano formado em alguma área da matemática é capaz de fazer tal como uma equação de quinto grau ou maior. O mundo humano atual vive em uma “Nova Idade Média”, às características mais marcantes que provam isso é: a restauração da Igreja Católica, funcionando como era muito antigamente, a restauração dos regimes monárquicos absolutistas, onde a palavra de um rei é a lei. Isso até lembra-me uma frase de Henrique VIII, “O estado sou eu!”“. Mas com o tempo não foi só os animais que se adaptaram, mas as religiões também, afinal se elas não se adaptarem as pessoas percebem que tem algo de errado e param de acreditar e seguir tal igreja. A modificação que a bíblia sofreu em suas escrituras foi que muito antigamente, acreditava-se que Deus (Cristão) deu à sabedoria apenas ao homem, ou seja, somente o homem era capaz de pensar, falar, ler, escrever e comunicar-se. Essa crença era um tanto ignorante, mas dava para manter ela ainda como um axioma, atualmente é impossível já que os animais são capazes de fazer tudo que um ser humano também é capaz. Sem a energia elétrica a vida dos seres humanos torna-se mais natural e também limitada sobre certo ponto de vista, retirando o fato da escassez extrema de água. – a narração explicativa do White Hair encerra-se, porém têm muitas coisas que ele não explicou, melhor dizendo, ele explicou o básico.

Nas estradas pavimentadas de Roma o gato Alfredo é preso pela Polícia e está detido na Delegacia de Roma. Um local bastante luxuoso e com prisões importunas e mal arejadas e baixa circulação de ar... O gato está completamente “acabado”, está muito cansado depois de tantas dores e a longa caminhada até Roma, o pobre gato listrado necessita de descanso. Seu olhar nos passa o sentimento de rancor e um pouco de ressentimento, sua tristeza é tão profunda que as fossas abissais Marianas ficariam rasas próximas a essa profundíssima dor...

– Se começares a questionar seu Trabalho... Se começares a questionar suas tristezas, o seu mundo... Se começar a sentir a falta de algo, cuidado! Se seguires por este caminho; irás cair onde eu estou caído... Sentimentos de impotência e solidão podem te destruir. – pensou o felino.

Uma policial com vestes da Guarda Civil da Real Roma joga bruscamente roupas para o gato. Ela tem um rosto pálido, olhos negros, cabelo bem preto e longo chegando ao final de suas costas.

– Coloque essa roupa e suma daqui! – disse insensivelmente a policial.

O gato coloca às roupas.

– São meio apertadas, não?! – disse o gato Alfredo.

– É o que temos, Roma está em uma crise devido a certos investimentos não publicados da Realeza. Eles nunca falam nada, tsc! Isso até parece investimentos para a guerra. –Exclama a policial.

O olhar de Alfredo permanece inexpressivo então ele lembra-se do Brasão Francês na roupa dos soldados que mataram Pietra e exclama:

– “Parece não senhora, é. Não conheço o Parece.”

– Ora! Hamlet de Shakespeare! E pensar que um gatinho mimado aprecia as escritas desse gênio. – elogiou o felino a policial. O gato sem perder tempo faz mais uma pergunta com elogios a bela policial, dizendo:

– Senhorita de beleza imensurável, como te chamas?

– Após esse pedido levemente cortês negar uma resposta seria um pecado. Eu me chamo Millena Formaggio, e sou investigadora da polícia oficial de Roma. – respondeu a pergunta feita pelo gato.

Alfredo beija a mão direita de Millena Formaggio. – Jamais em instância alguma esquecerei teu nome, nobre donzela. – disse em um tom de voz elegante e educado o felino.

– Agradeço! Mas gato cujo nome; desconheço, é melhor retirar-se daqui logo antes que o delegado o veja e queira entregá-lo as autoridades maiores. – deixou a dica à inspetora Millena.

O gato agilmente pula e fica sobre uma janela da delegacia.

– Meu nome é Alfredo Drury. Adeus, donzela de beleza imensurável.

Após ouvir tais palavras saindo da boca daquele felino, Millena pega uma vassoura que estava ao seu lado e acerta uma vassourada em Alfredo fazendo-o cair fora da delegacia.

– Gatinho chato! – sussurrou a policial.

Na biblioteca real o White hair man se encontra dirigindo-se amenamente à saída frontal dessa biblioteca. As pessoas em seu redor reproduziam o que no senso comum chamam de “vista grossa”, afinal suas roupas lembravam um médico do século XXI, o que para essa época é bastante exotérico.

– Essas pessoas nem sequer sonham que sou de outra Era. –sussurrou White Hair.

Ele desce à escadaria de sessenta e dois degraus.

– Obviamente se eu contar para essas pessoas de onde venho serei taxado a louco e condenado à forca. Afinal é assim que a lei funciona aqui, monarquias não toleram qualquer indicio de pensamento crítico contra o Rei e seu Governo, e seu eu falar que sou do futuro mesmo não acreditando isso fará com que as pessoas questionem-se mais. – pensou para si mesmo o White Hair Man.

Enquanto isso em uma ferraria, a um homem suado de meia idade e um pouco gordo trabalhando na construção de armaduras de bronze, o homem veste uma regata velha e rasgada, um short preto velho, sujo e rasgado nas bordas. Alfredo o gato com suas incomuns roupas em posição ereta: assistia o trabalho do homem encostado na porta de entrada.

– Mamma Mia! Veja só se não é o Impetuoso Ferreiro! –exclamou Alfredo.

O ferreiro ao ouvir soltou sua marreta que bate no chão e por pouco não acerta seu pé esquerdo. O ferreiro vira-se e com um rosto lívido encara o gato.

– Ora, ora! Se não é o Ilustre Gato Alfredo Drury! O que te trás a Roma? – sorridente falou isso para Alfredo.

– Infelizmente o que me trás são dores profundas do mais profundo abismo do ódio! – respondeu o gato.

– Mas, ora Raios! O que ouve meu caro gato?

– Como assim? O jornaleiro não te trouxe o jornal? – perguntou com certo estranhamento Alfredo.

– Trouxe sim meu caro gato. E eu como sempre leio tudo, mesmo sendo papiro! Estás estranho! Diga o que aconteceu a ti em Florença?

Alfredo pensou para si mesmo:

– Parece que os jornais foram impedidos pelo Rei de noticiar sobre Florença, mas as autoridades de altas patentes reconhecem a situação, não é o caso de Millena Formaggio. Maldito seja teu Rei, Roma!

– Conte-me gato, o que houve? – pergunto mais uma vez o homem.

O gato respira fundo e conta tudo que lhe aconteceu... Após alguns minutos ele já tinha terminado de dizer tudo que deveria ser noticiado nos jornais.

– Não conheço sua humana, e você está muito cansado é melhor dormires um pouco. – disse o ferreiro.

– De fato estou. Meu caro amigo, tenho um pedido a te fazer. –comentou o gato.

– Claro o que quiser! – mostrou-se prestativo o ferreiro.

– Preciso de espadas, adagas, e um chapéu como aquele dali – disse o gato apontando o dedo para um chapéu preto com uma pena de águia meio cinzenta – e um par de botas de guerra do meu tamanho. – pediu Alfredo cortesmente e aceitando quase qualquer resposta.

– Mas tem um preço! – exclamou o ferreiro.

– Moedas de ouro? Tenho poucas! – respondeu Alfredo.

– Não meu jovem gato, não! Quero que tu vás pelas redondezas de Roma e procure pelo bêbado e ladrão conhecido como Pisão, ele me deve uma grana preta – disse o ferreiro fazendo sinais de dinheiro com as mãos feito um digno italiano e continuou – este insolente esta me devendo espadas a mais de dois meses, se necessário tire a vida desse desgraçado! Serás bem recompensado, mas vá só depois de um breve descanso e já é final de tarde, vamos tomar um cafezinho feito pela minha amada esposa, mesmo com tanta carência d’água, tenho dinheiro para comprar mais de um litro por dia. – terminou de falar o ferreiro com entusiasmo.

– Considere Pisão um homem morto! E já que me convidas não vejo motivos para recusar. – complementou Alfredo.

– Siga-me então jovem cavalheiro. – disse o ferreiro fazendo sinais para o gato segui-lo.

Sobre o telhado da ferraria o homem de cabelo branco sentado na posição de lótus viajava em seus pensamentos, após ouvir a conversa do ferreiro e do gato.

– Está começando... Alfredo Drury, o bravo felino que em busca de sua vingança se tornará um personagem importante dessa história... – o homem sorriu sadicamente – o seu primeiro contato com a realidade suja da natureza humana. Mas eu aprecio isso, é como a arte para mim! – assim pensou o White Hair.

As crenças, o misticismo e o sobrenatural renascem quando a informação permanece escassa, nesse mundo do Gato Com Botas isso é bastante exposto, e uma grave consequência da falta de informação é o renascimento de um estado totalitário e corrupto e assim o povo sofre com os efeitos da Era da Desinformação, um futuro que nenhum de nós espera para o futuro.

_Just a Thought

Em uma mata um homem de meia idade corria esgotadamente, estava desesperado, quando fica trancado próximo a estruturas rochosas gigantescas. O gato Alfredo com uma Katana, um chapéu com uma pena de águia preta, com uma espécie de calça de couro e suas ilustres botas de couro quase impenetráveis e com um sorriso confiante no rosto. Permanece frente a frente do homem desesperado.

– Comece a rezar, seu humano maldito tens me dado muito trabalho. – vociferou o felino.

Sem esperar sobre as pedras próximas ao Gato uma voz masculina. – Hei você, gato! – disse a voz.

Alfredo passou a observar de onde a voz vinha e sobre as pedras avistou dois homens e uma mulher. O que lhe chamou a atenção se chama Paolo que é magro, olhos pretos, seu cabelo é meio-longo preto e liso. Usa vestes prateadas e tem um brasão no peito com o símbolo de uma pimenta e sementes de café, os três usam esse mesmo tipo de roupa. O outro homem tem cabelo preto e corte militar, quase careca. É um pouco obeso e aparenta ser forte, este carrega uma lança preta e têm olhos esverdeados, este mesmo homem possui dezenas de cicatrizes na face. Os olhos da mulher são castanhos e bem clarinhos, seu cabelo é preto, longo e liso. Sua pele bem pálida, ao contrário dos outros dois que tem a pele branca mais bronzeada. Ela carrega consigo uma katana. Tem postura mais ereta que os outros dois e transmite um ar sombrio provocando horror psicológico em quem a vê e não conhece. Eles se chamam Paolo, David e Kerolyn.

– Deixe nossa presa em paz! – disse Paolo referindo-se a Pisão e dirigindo-se ao gato.

– Ora bolas! Se não são os importunos caçadores de recompensas. Carambolas! Vocês têm dificultado demais um trabalho simples. – vociferou raivosamente o gato Alfredo Drury.

O homem gêmula desesperadamente e corre como uma lebre frente a seu predador pela mata rochosa do interior Romano.

– Maldito seja tu! – vozeou o gato em referência a fuga de Pisão.

Os caçadores de recompensa caem em pé frente ao felino.

– David e Kerolyn deixem o gato por minha conta, vão imediatamente capturar vivo ou morto o tal de Pisão! – exclamou Paolo levemente enfurecido e preparado para tirar a vida do pobre gato.

– Sim senhor! – responderam a ordem de Paolo, ambos os caçadores de recompensa Kerolyn e David. Seguem correndo pela floresta atrás do Pisão.

– Agora somos apenas dois... Um digno duelo homem a gato! –assim falou o tal do Paolo, que saca uma adaga e sem perder tempo Alfredo faz o mesmo.

Em meio à floresta sobre uma árvore o White hair man afastadamente observa a caçada de David e Kerolyn perseguindo sua presa: Pisão.

– Que interessante... Mas o gato Alfredo quem capturara este homem. Se eu nada fizer, o futuro estará condenado. –sussurrou para si mesmo o White hair man.

Kerolyn e David cercam um de cada lado da trilha seguida por Pisão, que é interceptado. David girou sua lança e correu atrás do homem com a lança em mãos da qual quer atravessar o peito de Pisão. Pisão se ajoelha pouco antes de David perfurá-lo, e de repente o White Hair salta da árvore em que estava e cai exatamente em cima da lança de David desarmando-o de uma forma muito habilidosa. O White hair pega a lança que caída no chão ficou, e a mesma com uma ponta de aço e com formato triangular faz um profundo corte na traquéia (região da garganta) de David. O sangue jorrava intensamente e manchou o jaleco do White hair (leves gotículas). David não teve a menor chance e caiu morto no chão, incapacitado de respirar.

– DAVID! – berrou desesperadamente Kerolyn que se dirigiu até o corpo morto de David a fim de socorrê-lo. – NÃO MORRA! –vociferou chorando, a pobre Kerolyn perdeu seu irmão.

De repente a lança que David carregava perfura a parte traseira do pescoço de Kerolyn, de tal forma que atravessou até o lado frontal do mesmo matando-a imediatamente. White hair retira a lança e joga esta para o seu lado esquerdo ficando na lateral da trilha coberta por um matinho baixo. White hair encara friamente Pisão que horrorizado encontra-se.

– MONSTRO! – disse Pisão referindo-se ao homem de cabelo branco.

– Salvei sua vida e me ofende com palavras assim? Mas que mal agradecido és. – disse calmamente o White Hair.

– Você tem roupas de médico! É aliado daquele gato maluco?

– Sim... Devo dizer, mais ou menos, entretanto te asseguro que será ele quem lhe matará. – após tais palavras o White hair sorriu maleficamente. Ele pega um estranho dispositivo branco e cilíndrico com um único botão (também branco).

– O que diabos são isso ai? – perguntou Pisão que observava o estranho dispositivo.

– Desejo-lhe minhas mais sinceras palavras de sorte, afinal é dela que você deve esperar alguma coisa na sua situação. – logo depois de terminar suas palavras o White hair aperta seu dedo no botão do estranho dispositivo e simplesmente desaparece. Pisão não acredita no que acabou de ver, e permanece perplexo por alguns minutos. Este também está abatido pelo medo e desespero.

Três dias antes... Na cidade de Roma o gato equipado com suas nobres vestes dirige-se a uma mercearia para encontrar informações sobre Pisão. Alfredo senta em uma cadeira que tem uma mesa bastante bela, uma garçonete muito bonita de olho castanho bem claro, pele pálida, cabelo amarrado (com a amarra conhecida como “Rabo de cavalo”) e seu cabelo: preto, muito preto. Tem seios grandes, é magra e baixa (162 cm de altura). Está vestida com um belo e azul-escuro vestido que chega aos pés. Ela se aproxima de Alfredo.

– Quanto tempo Fredo, pequenino Fredo! – exclamou sorrindo a garçonete.

Alfredo vira-se para trás e observa a moça.

– Ora! Abençoado seja Deus! Quanto tempo, minha linda Cristina? Trabalhando em Roma agora, hein! – disse o gato.

– O que te trás a Roma? – perguntou Cristina.

Alfredo pensou para si mesmo:

–Heh... Não posso falar a ninguém mais o que aconteceu em Florença... Se isso espalhar-se pela cidade o Rei descobrira rapidamente e eu serei condenado à forca.

Alfredo resolve dar uma resposta para Cristina, mesmo sendo mentira:

– Missões! Sou um caçador de recompensas agora! – mesmo mentindo pareceu muito sincero as palavras do felino, fazendo Cristina acreditar no que ele falava.

– Sério?! – exclamou Cristina e juntou suas mãos como alguém que rezava, e seus olhos brilhavam com o seu resplandecente sorriso.

Numa mesa próxima ao felino, o homem Paolo junto de Kerolyn e David, eles ouviam a conversa de Cristina e Alfredo...

– Um caçador de recompensas, é?! – sussurrou Paolo.

Na mesa do gato.

– Cristina minha linda! Podes trazer-me uma dose de Conhaque de Alcatrão? – pediu cortesmente o cachaceiro felino.

– Oeh! Essa bebida é forte, tome-a com moderação e nos dias de hoje ela é caríssima e rara pela forte escassez de água. –falou Cristina erguendo a sobrancelha direita.

– Tudo bem, tudo bem! É só uma dose mesmo! – exclamou o gato.

Ela se retira da mesa e vai dentro da mercearia preparar a dose de conhaque para Alfredo.

–Tenho que retirar informações dela sobre esse tal de Pisão. –pensou Alfredo.

Sem o gato perceber, em duas mesas ao seu lado o White hair sentado estava com um cálice de vinho tinto sabor de maçã, que disfarçadamente espiava o gato, o mesmo faz o homem chamado Paolo e seus dois capangas. Além deles outras pessoas naturais de Roma se encontravam no bar. Cristina com uma bandeja de prata e um copo de conhaque dirige-se até Alfredo, e sem querer tropeça e a bebida molha um homem meio baixo e com roupas curtas e cinzentas, ele é narigudo e uns 25 cm mais baixo que Cristina, este é bem magro e careca, e também aparenta ter uns quarenta anos de idade.

– VOCÊ ME MOLHOU SUA PUTA MEGERA! – berrou raivosamente e querendo humilhar Cristina.

Ela junta o copo que por sorte não quebrou e tenta desculpar-se a ele...

– Desculpas?! – perguntou gozando da cara de Cristina.

Ele pisa na cabeça dela. O gato, Paolo e seus capangas levantam-se. O homem que pisou na cabeça dela e ainda permanece pisando deixando-a caída, tem quatro capangas ao seu redor. Homens fedidos de cachaça e desidratados. Alfredo raciocinava em sua mente tais acontecimentos:

– Ele está PISANDO nela... Será este o PISÃO, o homem pelo qual quero à cabeça? Um pouco maior que eu... – pensou o gato.

– Hei você ai! – vociferou Paolo querendo chamar a atenção do homem baixinho.

O homem baixo se vira para trás e vê Paolo.

– É ele é o tal do Pisão que estamos atrás! – declarou piamente à bela Kerolyn e Alfredo com seu aguçado ouvido, foi capaz de ouvir as palavras ditas pela moça.

– Quanta sorte! – exclamou Alfredo com um sorriso sadio e tenebroso. – Você Pisão!

O homem conhecido como Pisão foi capaz de ouvir a aguda e ágil voz do gato que sacou sua adaga.

– Você acabou de dar seu primeiro passo para o inferno! – disse o gato com uma voz mais grave, sombria e confiante. Posicionou-se em ataque, preparando-se para dilacerar Pisão.

Os capangas de Pisão metem-se na frente dele, e ele covardemente foge correndo da mercearia. Kerolyn e David seguem-no, Alfredo e Paolo ficam para dar conta dos capangas de Pisão que correu feito um rato em uma casa sendo caçado por um feroz gato faminto.

– Vou lhe ajudar contra esses quatro, senhor Gato! – exclamou-se Paolo mostrando-se prestativo a ajudar o pobre gato.

Cristina se levanta e rapidamente se esconde para dentro da Mercearia.

– Deveras de grande ajuda, senhor Humano! – respondeu triunfalmente Alfredo, também como uma forma de agradecimento ao homem cujo nome desconhece.

Talvez você já tenha nota que eu escrevo de uma forma simplória, é que eu quero que até os não muito acostumados com longas leituras entrem no mundo do Gato com Botas e refutem idéias ocultas pela narrativa criada. Afinal do que adianta poucos, que possuem uma linguagem literária muito culta, lerem esse livro? Eu quero criar leitores que questionem mais a realidade ao seu redor. E espero que você perceba que cada personagem dessa obra é piamente provido de um ou mais conceitos e/ou doutrinas filosóficas. Tal como exemplo; “White hair man”. Este é o principal niilista do conto, os outros, hum... Hum..., descubra sozinho caro leitor (a).

_Just a Thought

Na mercearia. O atroz White hair observa calmamente o duelo entre os capangas de Pisão e a aliança de Alfredo e Paolo. O felino com suas afiadas garras rapidamente da um pulo em direção de um dos capangas de Pisão, fura ambos os olhos de um dos homens. O outro capanga, sem muita velocidade pega uma cadeira de madeira e prepara-se para acertar Alfredo. No entanto Paolo amputa o braço desse homem que tinha a cadeira em mãos, com uma katana. O sangue do homem jorra para todos os lados da mercearia. O corte foi próximo a região do ombro, Alfredo sem perder tempo arremessa sua adaga frontalmente que perfurou a garganta do homem que teve seu braço amputado violentamente. Terminando assim com ele, Alfredo com suas garras afiadas tais como diamante, rasgou veias vitais do tronco do homem que tinha cegado, provocando a morte deste. Os outros dois capangas horrorizados com tal chacina retiram-se desesperadamente da mercearia, assim como as pessoas inocentes que assistiram a essa atrocidade.

Cristina se aproxima dos homens mortos.

– Alfredo Drury, o que fizeste? – perguntou Cristina com um olhar de medo e aterrorizada, passando a impressão de um incomodo medo, de tão perplexa e horrorizada que estava com aquela barbárie sanguinária provocada em poucos segundos atrás.

Paolo e Alfredo retiravam-se da Mercearia.

– Salvei você, agradeça! – respondeu impiedosamente o felino.

– Alfredo... quando e porque te tornasse assim? – perguntou Cristina.

Após ouvir as dolorosas palavras de Cristina, Alfredo e Paolo seguem o rumo em busca de Pisão. O White hair levantou-se no momento em que ambos retiraram-se.

– Agradeço seu atendimento! Mas sabe... Seus pais já estão mortos nos fundos da mercearia. – Exclamou o White hair. Que faz Cristina arregalar os olhos de pavor, e em questão de milésimos ele se encontra atrás dela, e com uma pequena faca de cozinha prateada muito próxima ao pescoço da moça Cristina.

– E foi você quem os matou essa manhã. Questiono-me o objetivo disso. Harf... Se não vieres comigo, aplicarei a justiça dos fracos sobre você. – declarou o White.

– Como você sabe disso tudo? E o que é essa tal de “Justiça dos Fracos”?

O White suspirou profundamente e explicou seu ponto de vista para Cristina após ela ter levantado essa questão. Com as palavras que lerás seguidamente:

– A justiça dos fracos é só mais um meio falido dos ditos “cidadãos civilizados” aplicarem sua vingança em forma de justiça. Mas a justiça deve ser diferente disso, não? Errado! A justiça não é nada além de uma vingança disfarçada, claro no ponto de vista aberto sobre questão. Mas não deixa de ser justa, não é mesmo? – levantou essa questão mesmo não esperando uma resposta o W.H. (a sigla “W.H.” significa White Hair).

– Que seja! Como sabes o que fiz aos meus pais? – perguntou Cristina, mesmo não entendendo ao certo o que se passa na cabeça do desconhecido homem.

– Se eu contar não vai acreditar em mim. Prefiro ficar sobre meu jugo silêncio. – respondeu W.H.

Cristina permanece aterrorizada.

– Você só tem duas opções: vir comigo ou entregar-se a justiça dos fracos. – solicitou W.H., deixando um silêncio mortal.

Em meio a Roma. Paolo e Alfredo se encontram com Kerolyn e David.

– Apesar de não parecer, Pisão corre mais rápido que nós graças a isso, perdemos o homem. – disse subitamente David.

– Mesmo com um número baixo de pessoas zanzando pelas ruas de Roma, aquele homenzinho nos despistou. – argumento Kerolyn depressivamente.

Paolo respira profundamente e abaixa a sua cabeça...

– Aquele covarde! – disse Paolo com braveza na voz

Paolo vira-se e fica cara a cara com Alfredo.

– Apesar disso gato, você estava conversando com aquela garçonete anteriormente sobre ser um Hunter. – declarou subitamente Paolo.

– “Hunter”? Que isso? Desconheço a língua inglesa, traduza para mim! – pediu Alfredo intuitivamente.

– Um caçador... Um caçador de recompensas! – respondeu a pergunta do gato.

Alfredo friamente encara Paolo...

– Tsc... – ignorando-o, Alfredo começa a sair de perto deles.

– Responda! – Retrucou Paolo.

– Cuide de sua miserável existência! – falou o gato olhando-o de lado e com um mortal ódio nos olhos.

Paolo se sentiu ofendido com ofendido, sua expressão facial mudou. Ficando muito sério, aplica as seguintes palavras:

– Da próxima vez que nos encontrarmos, esta será a última.

– Que seja! – Alfredo deu de ombros e retornou para a mercearia. Onde mercearia chamou por Cristina e sem resposta ficou. Alfredo resolve então dirigir-se próximo ao balcão e chamou novamente por Cristina. E para a má-sorte do gato nenhum ruído de respostas. O gato resolve ir ao fundo da mercearia onde se encontra as bebidas, próximo a uma porta algo pútrido é sentido por seu aguçado faro. Curiosamente o gato abre a porta e com seus vidrados olhos, ele enxerga o terror de um homem e uma mulher, mortos e desmembrados.

– O que é isso? RECENTE? Espera! Estes sãos os pais de Cristina! O que diabos esta acontecendo?! – vociferou Alfredo, que desesperadamente fechou a porta e retirou-se do local, ele corre insanamente até chegar à casa do seu amigo ferreiro. Lá encontra o ferreiro e sua mulher na cozinha comendo pão conservado.

– Alfredo! O que houve? Estás ofegante e desesperado! Tudo bem? – perguntou preocupado o ferreiro.

– Cristina, ferreiro meu amigo, a vistes? – questionou o felino.

– A filha dos donos da Mercearia? Não, por quê? – o ferreiro, sem conseguir ter uma resposta, isso devido ao sumiço de Alfredo como um vulto.

Em uma casa no sudeste da Cidade de Roma em meio a uma floresta, em uma casa abandonada tem Cristina e o W.H., que pôs em si um manto negro e uma máscara cinza de ferro que só permite ver um dos seus olhos, e também possui furos para a respiração nasal.

– Aquele felino é bastante esperto, logo estará na nossa frente. – disse o W.H. olhando por uma fresta na porta principal da casa.

A mulher está algemada, suas algemas são iguais as dos policiais ocidentais do século XXI, ela está também com os pés acorrentados. Totalmente imóvel.

– Como você pode ter tanta certeza de que o gato virá? –pergunto Cristina, mesmo sabendo que isso era certo.

– Ora... é como o equilíbrio das coisas. – respondeu com sua monótona e calma voz.

– Porque fazes isso? – perguntou ela intuitivamente, e sem mostrar emoção em suas palavras.

– O ódio do Alfredo é precioso, e eu quero aumentar ele. Quero levá-lo para um caminho sem volta, onde apenas a vingança torne-se seu único refúgio para se abrigar nesse mundo. – após suas palavras, W.H. sorriu sadicamente.

Ele tira de seu bolso uma Pistola totalmente branca, parecia de papel, a mulher jamais tinha visto algo assim em sua vida, causando estranhamento nela.

– O que é isso? – perguntou Cristina.

– Isso aqui é do século XXI. –respondeu W.H.

Cristina fica sem palavras ao ver aquilo, o W.H. olha novamente pela fresta da porta e avista Alfredo.

– Estou impressionado com a sua dedução, Alfredo Drury! – pensou o homem do cabelo branco.

As obras de Shakespeare estarão constantemente presentes nesse conto do Gato com Botas. Trechos de obras como A Tempestade, Tito Andrônico, A megera domadora, MacBeth, Romeo e Julieta, Hamlet, e entre outras. Afinal uma dessas obras me incentivou a criar essa minha obra.

_Just a Thought

Dentro de uma casa em meio a tal floresta localizada no sudeste da Capital Roma.

– Em A Tempestade de Shakespeare, os encontros de Caliban e Próspero sempre eram negativos, eles discutiam bruscamente e por pouco não se matavam. Tal relação esta configurada com a minha e a do gato. – pensou W.H.

O Homem de cabelo branco completamente coberto por seu manto negro e a máscara prateada, tem em suas mãos uma faca de cozinha com a qual está sobre o pescoço de Cristina. A moça chora e é segurada por ele e também algemada nas pernas e nos braços. Dentro do seu manto, W.H. carrega a pistola dita por ele, ser do século XXI.

Em questão de segundos, Alfredo abriu violentamente com sua espada em mãos.

– Solte-a agora! – disse o gato ordenando com certo nervosismo, seu ódio é tremendo.

– Fredo! Ajude-me! – Cristina choramingava e o desespero de seu berro deixa Alfredo muito angustiado.

– Quem é você? Porque usas essa máscara de ferro? – fez essas perguntas Alfredo, referindo-se claramente para W.H.

– Não quero lhe dizer meu nome verdadeiro. Sabe é uma questão de patente, você ainda é pequeno demais. Entretanto me chame de Soul. Minhas intenções por ora estão além de sua compreensão. – respondeu Soul (ele será chamado de Soul e não mais de W.H.).

– Sem essa! – disse o gato ignorando Soul.

– Nah! Alfredo, como se define um crime? – perguntou Soul com serenidade na voz.

– Isso não tem nenhuma importância nesse momento! – exclamou Alfredo com pouca paciência para Soul.

– As pessoas pensam muito a respeito disso, e intuitivamente criam à ética e a moralidade. Onde separam o Bem e o Mal. Com base nisso, Alfredo, qual sua definição do que é o Certo e o Errado? Estou certeiramente curioso para saber. – disse Soul serenamente. O mais incrível em Soul é que ele passa uma sensação de tranquilidade e possui uma lucidez incomum, ainda mais quando se trata em julgar o mundo. Seu único problema é que se desliga muito facilmente a sua atenção para algumas coisas, e isso da à impressão de não estar nem ai para o que acontece em sua volta.

– É uma questão bastante difícil de ser respondida, mas asseguro-lhe que na minha filosofia moral, à vingança está vedada ao juízo final. – respondeu Alfredo Drury.

– “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe sua vã filosofia.” – recitou Soul, uma frase de uma das obras de Shakespeare.

_ “Venha o que vier tudo que importa é a vingança.” – respondeu Alfredo, recitando uma frase da obra Hamlet.

– Humph! Recitando Shakespeare, vejo que tua humana, Pietra, lhe ensinava muitas coisas. É uma pena ela ter morrido tão cedo. – disse Soul com um tom de zombaria em sua voz, sobre uma delicada parte da história de vida do Gato.

– Soul! Você acabou de dar seu primeiro passo para o inferno! – os olhos de Alfredo subitamente queimavam de ódio com essas palavras ditas anteriormente.

O gato corre (quadrúpede) em direção de Soul.

– MORRA! – berrou Alfredo referindo-se a Soul.

No exato momento em que o gato preparava sua espada para decepar a cabeça de Soul, ele pega um dispositivo cilíndrico e branco no qual com um ligeiro clique, no único botão; desaparece. Tanto Soul quanto Cristina: desapareceram frente a Alfredo, sem deixar rastros. Alfredo se bate na parede devido a sua velocidade, pois queria ter atacado Soul, mas logo se recupera.

– ANH? DESAPARECEU! – Alfredo jamais tinha visto algo assim antes, não é por menos que impressionara.

– Nossa história parece de A Tempestade... – disse uma voz baixa e serena vinda de traz do gato.

Alfredo se vira e atrás dele há Soul e Cristina na mesma posição, entretanto em um lugar diferente.

– Ou esta para Hamlet ou MacBeth... – tal voz e a anterior são de Soul.

– Como fizestes isso? – perguntou Alfredo subitamente e com as sobrancelhas arqueadas, devido ao seu não entendimento do que presenciou agora pouco.

– Heh... Digamos que eu... Seja um bruxo. Melhor, um mago! – respondeu Soul.

– Sai dessa! Tal coisa: só tolos crêem. – vociferou Alfredo, mesmo estando sobre duvida.

– Nesse caso... – Soul clica no dispositivo sem Alfredo perceber, que está por dentro da manga do manto que é um tanto extensa. Apenas Soul desaparece e reaparece atrás de Alfredo chutando-o, o pobre animal sofre uma pressão forte devido a força do chute, chocando-se assim com a parede de madeira, que por sorte não quebrou. Soul faz de Cristina sua refém novamente. O homem Soul arremessa a Pistola branca para Alfredo, que cai próxima aos pés do pobre bichano.

– Eu anseio contemplar vossa insanidade, anseio ver sua lógica em meio à loucura. Quero ver se há algo digno de admiração, por isso se quiseres salvar essa assassina atire em minha cabeça. – argumento sem ressentimento Soul.

O gato fatigadamente se levanta e pega a pistola que caída no chão estava.

– Porque “assassina”? – perguntou Alfredo.

– Aqueles corpos que vistes nos fundos da mercearia, foram desmembrados vivos por Cristina. Oh, que lamentável, a filha matou seus pais em plena aurora do dia. – disse Soul, mas sua forma de falar parecia estar recitando uma poesia, criando um lírico, obstante e irônico.

– Isso é verdade Cristina? – questionou Alfredo, mesmo na espera de um não.

Cristina abaixa a cabeça, lacrimeja, choraminga e sussurra as seguintes palavras:

– Sim... – confirmou, mesmo hesitando em dizer a verdade para Alfredo.

Alfredo cai de joelhos, e apavora-se com a resposta de Cristina.

– POR QUÊ? – berrou Alfredo com tal pergunta.

– Eles... – ela hesita –, eles... Foi merecido! –gritou.

Alfredo grita: “NÃO!”, muito alto e atira, entretanto Soul já não estava mais lá.

– E no fim terminei como Caliban, sem sua ilha. – murmurou o gato para si mesmo.

Alfredo se levanta e abre à porta da casa, ele olha pela última vez o corpo de Cristina e se lembra do sorriso dela...

– Esse é o nosso destino, Cristina. O destino de um assassino é ser assassinado. Então! Até vosso encontro no inferno, mas até lá tenho que completar minha Vingança!

No outro dia pela manhã, Alfredo andava entristecido pelas ruas de Roma quando avistou um garotinho chorando e sujo na rua. O garotinho não tinha mais que mais que oito anos de idade. Alfredo aproximou-se dele.

– Hey, hey... O que houve menininho? – perguntou o gato com uma serena e formidável voz.

O menino enxugava suas lágrimas.

– Meu pai Foi morto na mercearia de Roma e as forças polícias não sabem que foi o culpado. – disse o garoto.

Alfredo arqueia as sobrancelhas e entristecesse ainda mais seu coração. Alfredo está com o coração tão partido, que as lágrimas estão prestes a desabar pelos seus olhos.

– Mamãe disse que ele está no céu agora. Gatinho é verdade?

– Claro! – o gato não podia dizer não, por mais que fosse a verdade. Ele soltou um sorriso tão bonito e sincero que aliviou as angustias do coração do menino.

O gato se lembrou de uma coisa que Pietra tinha lhe dito um tempo atrás. A menininha conversava alegremente com seu gatinho enquanto afagava-o e a neve caia no lado de fora de sua casa, enquanto eles tomavam chá em uma cadeira de balanço.

– Oe, Fredo! Você sabe o quão valiosa é a vida dos seres vivos, certo? – perguntou Pietra.

As memórias cessam-se... Em Roma ao lado do menininho, Alfredo o felino tira seu chapéu.

– Agora eu sei Pietra! Nunca mais tirarei a vida de qualquer ser vivo! – pensou para si mesmo o gato, fundando uma promessa que pode ser quebrada facilmente como vidro. O gato começa a lacrimejar. – Porque todas essas coisas estão acontecendo comigo, cada passo meu para a tal da “felicidade” fica mais e mais distante. Eu perdi meus sonhos, minha vida e cegamente tornei-me um monstro. Se eu pudesse voltar no tempo, se eu pudesse trazê-la de volta... – essas palavras passavam no pensamento do pobre felino.

Alfredo relembra do que Soul lhe disse...

“Heh... Digamos que... eu seja um... Mago!”

De repente Alfredo ao lado do menino que esta se recuperando das suas lágrimas, tem uma expressão fisionômica prestes a dizer: “EUREKA!”.

– Um mago é...? – perguntou para si mesmo Alfredo.

Alfredo limpa suas lágrimas, e suas lástimas dissipam-se um pouco. Ele se levanta do lugar onde estava.

– Consciência e graça, ao mais profundo fosso! Eu me arrisco à condenação. Até este ponto em que me posiciono, onde ambos os mundos eu dou à negligência, que venha o que vier tudo que importa é a vingança. Eu não serei um mero Caliban, mago Soul. Serei Próspero, aquele que invoca espíritos para satisfazer suas vontades. Soul serás meu Ariel. – pensou o gato, decidido.

O gato sai correndo de onde estava.

– Desculpe garoto, vou vingá-lo, tudo isso é culpa daquele homem chamado Pisão. Melhor isso é culpa de quem matou Pietra, pois se não fosse por isso, tudo seria diferente. – continuou pensando Alfredo.

Coincidentemente, o gato em sua correria bateu nas pernas do homem Pisão. O pequenino homem apavora-se ao vê-lo.

– Monstro! Assassino! – berrou Pisão.

As pessoas notam e seus olhos mudam ao ver tal cena.

Notas finais
Talvez eu poste o próximo capítulo, mas nada a mais, se curtiu e quer saber mais sobre a história compre ele na Amazon no seguinte Link:

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Muito Obrigado!!!!!!!!!!!!!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.