As Crônicas Fantasmagóricas
3 Let me tell you, a story.
Você acorda de um sonho, com os sentidos aguçados. Como se você tivesse em uma realidade 4D. Tudo esta vivido em sua memória, e isso faz com que você se sinta especial, que você se sinta mágico.
Mas Charlie não estava feliz com o sonho que teve. De sobressalto ele deu um pulo na cama ao acordar, estava acalmando-se com a infame ideia de que tudo era apenas um mero sonho ficcionista. Pra sua infelicidade não era. Seus pés estavam sujos de lama, suas mãos de musgo de árvore. Ele olhou atentamente, os detalhes que afirmavam a veracidade do que ele havia presenciado, e foi como se um filme em velocidade estupenda passasse em sua mente. Ele queria ficar quebrando a cabeça. Queria até tentar dormir novamente, para ver se o sonho continuava de onde havia parado, mas ele não tinha mais tempo. O relógio da cabeceira da cama, já avisava que faltava pouco para ele ficar atrasado, em sua faculdade.
Levantou então, correndo e martelando. Afinal, ele tinha abraçado esse enigma com unhas e dentes. Ao se olhar no espelho no banheiro, notou que algo muito improvável e impossível, tinha acontecido do dia pra noite. Seus olhos, que antes eram negros como a noite agora pareciam o oceano mais cristalino de todos. Seus olhos emitiam outro tom sobre seu rosto, e agora ele parecia mais enigmático. Mas estava na hora de sair de casa, e ele se arrumou em poucos instantes.
***
A caminho da faculdade de história de St. Petersburg, Charlie passava pela mesma praça de seu sonho, ou melhor, de sua viagem no passado. Era o mesmo banco e a mesma estrada que levava ao bosque. Olhou de relance e andou rápido, estava frio, mas não era o frio que o preocupava, e sim, chegar atrasado à primeira aula. Ninguém deveria chegar atrasado à aula de um professor, que mais parecia um cão de três cabeças.
O senhor Alexander era de certo o professor mais exigente de todos. Sua matéria era a de história medieval, e sua única alegria era essa, já que o companheiro havia morrido, há mais de cinco anos em uma inexplicável trilha pela mata. Desde então, Alexander mesmo jovem, tinha se fechado para o mundo, não sorria mais. Até hoje.
Quando Charlie entrou pela sala, Alexander ainda estava de costas para a turma, arrumando o data show que sempre dava problema em sua aulas:
– Maldito aparelho, um dia eu tenho fé que essa porcaria funcione normalmente. E ele gralhava com a turma, como se os alunos fossem o culpado de seu extremo mal humor .
Neste momento, Charlie já havia sentado e estava esperando pela boa vontade do bendito aparelho começar a funcionar. Já que naquela aula, ele tinha perguntas para fazer. Ele tinha que descobrir sobre a origem de tais homens encapuzados com gorros pontiagudos, tinha que saber sobre a antiga árvore, e o que mais o deixava intrigado em sua volta ao tempo. O sacrifício de uma mulher pura por tal seita.
–Graças a Deus isso resolveu ligar. Ele começou a explicar sobre a história dos grandes castelos medievais, e aula estava muito interessante de fato. Mas Charlie tinha que levantar a mão.
– Professor, o senhor poderia me esclarecer uma dúvida que não é relacionada a matéria?
–Diga logo porque tenho muito conteúdo pela frente.
– O senhor conhece alguma seita histórica, que sacrifica mulheres e usam gorros pontiagudos na cabeça?
O professor fitou os olhos de Charlie e entendeu o que estava acontecendo.
–FORA DA SALA, quero que só o Charlie fique aqui.
Logo Charlie ficou assustado, todos os outros alunos não entenderam nada. Mas saíram rapidamente fazendo piadas a respeito de os dois ficarem sozinhos dentro da sala. Quando só Charlie e Alexander na sala estavam na sala, Alexander andou até a mesa em frente de onde Charlie estava, e sentou nela.
–Charlie o que você quer saber, é um segredo guardado por décadas e não seria exagero dizer, por séculos. Por ter me perguntado tal assunto, tiro minhas conclusões sobre o que você esta passando. Você viu ou presenciou alguma coisa que vai além da compreensão humana?
–Sim professor.
–Você viajou a um lugar onde nunca estivera antes por meio de um sono?
–Sim, também. Mas como o senhor sabe de tudo isso? Tudo estava muito estranho.
–Eu sou Igual a você, partilho das mesmas visões. E igual a você, eu escuto eles. Alexander agora olhava tão dentro dos olhos de Charlie, que já estava parecendo um interrogatório.
–Não acredito, então o senhor também viu a família no dia do nevoeiro?
–Não, eu não vi tal família. Tenho que te explicar muitas coisas. Vou lhe contar uma história para que, fácil você entenda...
“ St. Peterburg, era habitada por varias famílias importantes. Muitas pessoas vinham de outras cidades do interior, para começar a vida numa cidade mis evoluída. Pessoas amigáveis chegavam, mas também pessoas misteriosas, compravam e modificavam casas. -Mas dessas pessoas eu falo mais pra frente – O bosque que temos em nossa cidade, é na verdade um habitat de criaturas mágicas..
–Você ta falando sério? Criaturas mágicas? Disse Charlie horrorizado e incrédulo.
–Sim, e não me interrompa..
... essas criaturas compartilham de uma união firme como aço. Cada um sabe seu lugar, e de forma harmônica respeita o outro. Existem elfos, fadas, ninfas e até unicórnios, que são seres de pura luz. Mas coma chegada de novos habitantes, coisas começaram a aparecer, e as fadas da floresta perceberam que homens estavam cada vez mais entrando na floresta. Que a cada dia que passava algum ser de luz morria. Logo a rainha dos unicórnios, fez um comunicado de que um grupo de bruxos das trevas estava na cidade, e que planejavam algo maligno contra a população humana e a mágica. Todos os animais ficaram alvoroçados, e apavorados. Até que o terror aumentou quando um deles foi atacado por um gato de pelagem negra como a noite e olhos vermelhos como sangue. Dois dias depois boa parte da vegetação mágica já tinha sumido, e a rainha dos unicórnios decidiu que estava na hora de se esconderem das ameaças. Fez um feitiço de proteção, onde só aqueles que fossem autorizados pelo toque de uma ninfa, poderiam ver a beleza de seu mundo. Mas nesse dia a grande mãe fada não estava por perto, eles tinham a levado para dentro de uma arvore, e lá eles tinham a sacrificado para liberar um ser poderoso e maligno. Eles tinham liberado Shadom, o mestre das sombras. Que amaldiçoou os seres mágicos e os seres humanos, sendo que toda pessoa que moresse de forma brutal, seria condenada a vagar pela terra sem nenhum rumo, sem nenhuma alegria.”
– Até hoje essa maldição está em nossa cidade. E a família que você viu é a primeira vitima de tal desolação do destino. E você tem que ajudá-los Charlie. Você foi o escolhido.
–Sim, mas o que eu devo fazer professor?
–Você deve ir à floresta, e deve procurar a flor mais bonita de todas. Lá que uma das ninfas se esconde. Lá que você deve ser tocado por ela, e libertado do encantamento da grande fada. Mas você não vai sozinho, eu vou com você. Tem muito pra eu lhe mostrar La dentro da floresta. Inclusive, muito pra te proteger. Pegue suas coisas e vamos.
Charlie colocou o caderno dentro da bolsa, e já se levantou. Esperou Alexander arrumar as coisas dele e não pode deixar de notar como seu professor parecia mais atraente, Alexander estava bonito, estava de uma forma que nunca Charlie teve olhos para observar.
–Vamos? Alexander perguntou a Charlie, que agora estava corado por imaginar tais cenas mundanas, com seu professor.
–Sim, vamos!
Os dois saíram da escola para o estacionamento, e se dirigiram ao carro de Alexander. Charlie não sabia que naquele Volvo vermelho, ele entraria inúmeras vezes. E então foi dada a partida, rumo à entrada da floresta.
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