Notas iniciais
Capítulo narrado por Nyx
Era fim de tarde, mas apenas isso, quando meu corpo bateu de fronte com um chão asqueroso, sujo, de uma grama curta, as marcas em meu corpo estava demonstrando o quão fraca eu estava ficando, malditos olimpianos, não poderia parar a rainha da noite, não iriam. Me ergui passando a mão no grande vestido negro e assoprando o cabelo que caiu sobre o rosto, maldita forma mortal inútil. As nuvens negras sobre o céu pareceram tomar um tom roxo quando a ventania começou e um corpo caiu dentre elas, um sorriso brotou em meu rosto, já estava a dias perdendo tempo com uma criança de Zeus, isso era patético, inaceitável. Olhei em volta, uma espécie de labirinto, ele era feito de muros de grama, eram altos, deveriam ter dois metros e meio de altura, comecei a cainhar desengonçada pelos "corredores" do labirinto quase como se já tivesse os decorado. – Garota eu te dou até cinco pra sair voando e voltar pelo buraco de onde surgiu antes que eu te mate. – Encostei-me em uma das paredes, podia a ouvir gemer metros mais longe, minha audição era muito boa, e contar pelo silêncio amedrontador para pobres mortais e meu tom de voz acima do normal, ela tinha me ouvido. – Que tal largar de ser uma vadia teimosa e devolver o que não é seu?– A voz dela ecoou mais ainda, desencostei-me de onde estava com um sorriso maroto, ponderei com a cabeça pros dois lados, poderia ser mais fácil do que andar por aqueles corredores, mas eu estava munida de uma paciência anormal. – A noite me pertence, e o único ser hábil suficiente pra me derrotar era a campista que tinha abandonado a vida meio sangue, uma notícia pra você Maisee, nunca da pra simplesmente deixar de ser o que é, anjo.– Pigarei em seguida encostando o braço em uma virada pra outro corredor, olhei pros dois lados fazendo uma careta, direita, esquerda, direita, esquerda, DIREITA. Pude ouvir outros gemidos e uma respiração abafada, pelo que vi nos últimos dias a menina de Zeus não se derrotava fácil, e se recuperava rapidamente, malditos olimpianos.
Em passos meio tortos e caminhava rumo a garota, atrás de mim as sombras preenchiam as paredes e a noite começava a se aproximar daquele fim de tarde que nunca se abava nos últimos dois meses, todo o planeta já estava ficando louco com o desaparecimento da noite, tão desesperados que foram obrigados a chamar uma garota fracassada, porém forte, Zeus idiota, sempre com os melhores heróis, se bem que eu tinha uma simpatia pelo garoto Jackson, o lerdo. Em um corredor final pude ver Maisee jogada no chão, ela olhava o agora céu estrelado, tudo tinha se escurecido, a noite tinha voltado de volta, julgando pelo sorriso no rosto dela quando viu as estrelas novamente, a visão lhe agradou.
– Eu nunca abandonei nada, só me cansei de tudo, não nasci pra carregar esse fardo. – Pobre menina Maisee e seus problemas, um pequeno banco de coloração bem intensa se formou da escuridão da noite me dando um apoio, suspirei encarando as estrelas e poderei sobre o fato de matá-la ou não, era era boa.
– Não da pra fugir, eu cansei de ter que dividir todo meu domínio com reles mortais farofeiros.– A menina se ergueu me olhando quando ouviu a palavra "farofeiros" pude ver um sorriso de gozação estampado na cara da prole de Zeus.
– Que?! Ouvi uma mortal falar, pareceu legal, mas acabou isso querida, vamos logo pra toda aquela lenga lenga de morte e blablabla que já te disse ok?!– Ela girou a espada que reluzia até mesmo com a luz da lua, estendi o indicador o balançando de forma negativa, não ia lutar daquela forma. Uma fina camada de névoa escura tornou a envolver-me os pés, mexi os dedos da mão direita de forma harmônica e estendi a mão franzindo o cenho, a névoa, agora mais pesada, partiu rumo a Maisee, elas a envolveram, a apertaram e eu pude ouvir um grito que cortou o silêncio, logo em seguida o céu brilhou, um raio, que legal Zeus estava assistindo tudo.
Um brilho cortou a névoa densa e escura, as faíscas estavam fazendo cortes na névoa pesada e revelando a menina de cabelos claros e olhos que também pareciam faíscas, mordi o lábio inferior, balançando a cabeça positivamente.
– Vai precisar bem mais do que isso pra me derrotar. – Ela sorriu enquanto as sombras se espalhavam aos poucos e eu sorria, não de forma engraçada, mais algo como "vou matar você, fofa", tinha um sorriso pra isso? Acho que não. Comecei a andar pra esquerda com os braços atrás das costas, ela fazia o mesmo caminho com a espada apontada pra mim, como se aquilo fosse me matar, por favor, o vento bateu em minhas costas e eu pude sentir um arrepio, isso foi pela primeira vez em anos. As sombras investiam sobre ela a todo segundo, mas ela as cortava com sua espada que faiscava como seus olhos azuis, como o céu em uma noite chuvosa, como Zeus em fúria.
– Venhamos e convenhamos, você não me venceria em uma luta de espadas, covarde.– Ela atiçara meu ego, mordi o lábio inferior com tanta força que o acabei machucando, mas eu era uma deusa, apesar de estar com uma forma um tanto enfraquecida a meses. A palma de minha mão direita virou-se para cima, as sombras envolveram minha mão e foram tomando uma forma, uma espada de punhal e lâmina tão negros como a alma dos maiores pecadores, ela reluziu, aquele era um sim para o desafio de Maisee. Podia ser tão mais fácil se eu não fosse facilmente irritável. Ela investiu pra cima de mim, jeito que se movia, era rápida e o ódio estava estampado em sua face, Hermes, Ares. Nossas espadas bateram uma contra a outra, ela recuou um passo ou dois, abaixou-se e girou fatal a ponto de me acertar com a espada, algo me disse que um corte daquela lâmina não seria nada confortável, Hefesto. As sombras a envolveram pela cintura a puxando pra trás, seu corpo tocou o chão com força.
– Sua trapaceira.– Ela bradou se levantando, ela não tinha medo em seus investidas, as paredes do labirinto iam se abrindo, até que eu pudesse ver um grande penhasco lá trás, o mar estava em fúria e parecia que poderia engolir qualquer um, Poseidon. Com uma coloração amedrontadora as folhas dos uros do labirinto iam se mexendo e se envolvendo perto de meus pés, Deméter, mas a névoa densa quase queimava ao mísero toque, pois sugava toda a luz que elas precisavam, ou um dia utilizavam.
Quando minha espada tocou o chão e eu ergui os braços Maisee se deu por feliz, sua espada apontava pra meu pescoço, vacilei um ou dois passos atrás, mas as paredes de grama viva interromperam meu trajeto, eles tinham algumas flores que pareciam carnívoras e estranhas, Deméter. O corpo rígido de Maisee se relaxou quando ela avançou sobre mim e tentou enfiar sua espada em meus tórax, as sombras protegeram sua Lady entrando entre mim e ela, mas a espada apegou de leve em mim, o que ardeu aquele frágil corpo humanoide, fechei as mãos e as sombras envolveram Maisee e a jogaram perto do penhasco e depois pra outros lado, e quanto iam a batê-la de volta ao chão, a garota cortou a névoa escura com sua espada e seu corpo caiu no chão, espada pra um lado, Maisee pro outro, envolvendo seu pescoço as sombras a ergueram, ela estendeu o braço para a espada, mas ela não veio, talvez não viesse, ela estava sufocando sem ar, com a espada de lâmina negra de volta as mãos eu me aproximei dela, não exitei em enfiar a espada atravessando seu tórax, as sombras soltaram o corpo da menina que estava com olhos arregalados e caiu no chão, puxei a espada e ela respirava com dificuldade, aos poucos ela fui tomando o fôlego e eu me afastei, erro meu, ela correu para a espada assim que seus pernas a permitiram se levantar, garotinha imunda, mas como ela tinha feito aquilo? Ah! Hades, é claro.
– Só um ponto fraco? interessante. – As sombras voltaram a investir contra ela, a cada investida mais forte ela sentia, Maisee estava exausta depois de alguns dias, posso confessar que eu também estava um pouco. Sua espada cortava as sombras com uma facilidade grande, em algumas difícil, mas elas não passavam mais por ela, até uma agarrar seu pé e a levar ao chão.
Elas percorreram seu corpo, prendendo punhos, pés e puxando-lhe os cabelos, sorri branda me aproximando da mesma, ela grunhia, puxava com força, mas apesar da ajuda olimpiana que ela tinha sua força não parecia ser grande coisa, ia ser interessante torturá-la até saber qual era o tão ponto fraco.
– Sabe Maisee você foi uma filha dedicada, me caçou por todo o mundo, obedeceu o seu pai, abandonou o amor da sua vida Vitor né? Acho que sim, lá no Acampamento Meio Sangue, desafiou Hera duas vezes, e ainda ta cheia de bençãos, garota, você teve uma vida legal.– Enfiei a espada na coxa direita dela com certa brutalidade ela grunhiu alto, mas as sombras em sua boca não a deixava falar, depois enfiei a espada em seu ombro direito, calcanhar, e um lugar interessante, maxilar, pude ver uma lágrima descendo por seu rosto cada vez que eu puxava a espada devagar, mas ela se curava na mesma velocidade, quando as sombras saíram de sua boca ela estava ofegando bastante.
– Vadia! Devolva a noite!– Ela cuspiu em mim, que garotinha mais indelicada, foi quando atravessei a espada em sua barriga, ela gritou alto, foi quase como uma melodia para meus ouvidos, mas não ia adiantar muito se eu não descobrisse seu ponto fraco, seu "Calcanhar de Aquiles", ela mexia devagar, quase como se tremesse, o punho direito, onde ela tinha uma tatuagem com um símbolo estranho, quando eu o olhei ela estremeceu, ainda mais quando toque em sua tatuagem, então era ali, girei a espada em meus dedos, sem pensar duas vezes cortei seu punho, o grito ensurdecedor ecoou a minha volta a sua mão caiu no chão, o seus olhos estavam faiscando, ela tremia, mas eu sorria, me aproximei dela, um raio caiu do céu e acertou perto de nós que mira péssima.
– Diga a Hades que a noite ai de retornar no Solstício de Inverno.– Cravei a espada em seu peito, do lado esquerdo, direito no coração, as sombras soltaram seu corpo e a minha espada virou pura névoa, o corpo da menina encontrou o chão, primeiro os joelhos e depois o tórax, agora sem vira, olhei minhas unhas, trabalho feito. A névoa densa e escura me envolveu, quando a mesma se dissipou eu não estava mais lá.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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