Notas iniciais
Esse capítulo é meio avulso, mas é bonito (Pelo menos, eu acho!)Mostra como o casal era considerado lindo pelos olhos de alguns! Boa leitura!

Primavera, época de beleza, de renovação, de paixão.

Estava sem o que fazer... Bem, admirar tudo isso não é não ter o que fazer. Quer dizer, mais ou menos, porque eu estava sem meu namorado fazia dois dias, e esses dois dias estavam sendo dentro de casa comendo pipoca e assistindo filmes de ação. Eu tinha que sair de casa um pouco e respirar ares que não fossem com cheiro de pipoca velha. O cobertor estava quase criando personalidade própria.

Mas enfim, voltando ao romantismo.

Fui até a praça, na frente de casa. As árvores estavam lotadas de flores multicoloridas e vibrantes. Elas caíam sobre os bancos (E consequentemente sobre os mendigos, mas enfim, de novo) e deixavam estes, que estavam desbotando, mais radiantes e chamativos para sentar.

Namorados, animais ou somente o vento, tudo com a cor, a vitalidade da primavera. As pétalas voavam e pousavam em cima das cabeças alheias.

E onde eu estava? No meio da praça, em pé, com cara de perdida, olhando para todos os lados, como se estivesse procurando algo ou alguém.

Percebendo a situação, comecei a andar. Vi a floricultura que eu mais amo, mas eu nunca entrei, pois eu via as belas flores por fora, penduradas ou enroladas por volta das pilastras e janelas.

Daquela vez, eu resolvi entrar e quem sabe comprar alguma coisa para mim, ou pro Rich.

A floricultura estava vazia, achei meio deprimente por dentro. Não havia tantas flores por dentro. Acho que estavam em outro lugar, outro cômodo. Havia uma pessoa na loja, a atendente/dona. Super simpática, mas dessa vez ela estava pensativa.

Ela veio até mim.

-Bom dia – Ela disse.

-Bom dia! – Tentei anima-la com um sorriso em seguida.

-Em que posso ajudá-la?

-Eu queria alguma coisa para colorir a minha casa. Lá está tão escuro e sem cor, que me deprime.

-Entendo...

Ela se virou e entrou numa sala lateral. Ela nem tinha perguntado que tipo de flor que eu gostava ou preferia pra essa época. Eu gosto de margaridas brancas, girassóis e azaléias roxas.

Quando ela voltou, eu me surpreendi. Na verdade eu me espantei! Ela trazia um vaso montado com dois girassóis forrado com margaridas amarelas e brancas e azaléia nas beiradas derramando nos cantos, não eram roxas, mas ainda eram lindas, rosas daquele jeito.

-Mas eu não tenho dinheiro para tanto! – eu disse.

-Não precisa. – Ela parecia tão calma, mas ainda séria.

-Mas... Como? Como você soube que eu gostava dessas flores?

Ela me olhou, virou o corpo e abriu a porta da sala anexa. Apontou para dentro e fez um gesto para que eu entrasse. Dei dois passos dentro e a porta se fechou ao fundo. Fiquei em plena escuridão e o desespero começou a me dominar. Então, de algum lugar veio uma voz, a voz da mulher:

-Lyla O’Donnel, da casa número 153, namorada de Rich McTravie. Uma garota meiga e muita sentimental, às vezes ironizando o mundo e todos que nele vivem. Frágil por dentro e aparentemente forte por fora. Garota que mudou de estilo e melhorou de auto-estima, tornando-se desejada por qualquer homem. Comunicativa e sempre está cercada de pessoas, mas atenta às que podem prejudicá-la. Para sair, ela parece outra pessoa, mas por dentro é a mesma, e em casa fica o mais relaxada possível. Lyla, eu te conheço! Assim como conheço quase todos desse bairro...

A luz acendeu e me vi cercada de flores, dos vários tamanhos, cores, tipos. Flores que nunca vi na vida. O lugar mais lindo que já estive, apesar de ser uma estufa.

-Lyla! – chamou a mulher. Eu virei e fiquei cara a cara com ela.

-É... Como você?

-Sabe de tudo isso? Fácil, eu observo todos, descubro suas histórias por meio de outros. Quero, de algum modo, iluminar esse bairro e as pessoas, porque a minha vida não foi assim.

-Vai ver é por isso que ninguém entra na loja – falei sem pensar! – Quer dizer, você está sempre triste... Isso meio que... Assusta!

Ela baixou a cabeça, sentou no chão e começou a chorar.

-Eu sei... – disse ela como uma voz fraca e sem vida – Quero fazer os outros felizes, e esqueço de me ajudar. Ver você e o Richard é... Frustrante. É tão puro, tão inocente, tão inocente...

Agachei na sua frente.

-Você só precisa ver o lado bom da vida – disse – Você realmente quer animar as pessoas?

-QUERO! – ela gritou.

-Calma. Esse querer deve vir de dentro para fora. Viaje, conheça pessoas, se apaixone sem compromisso, divirta-se! Quem sabe você se encontra em alguém ou em algum lugar!

Sorri, levantei e estiquei a mão para levantá-la.

-Vamos! Há pessoas lá fora espetando pela sua felicidade.

Ela segurou a minha mão e a puxei até ficar firme sobre seus pés. Ela me entregou o conjunto de flores, mas eu recusei.

-Você merece mais que eu! – Eu disse, saindo da loja.

Quando olhei para a praça, vi um ponto se aproximando no meio das flores e folhas secas. Um ponto muito conhecido. Forcei os olhos e ganhei foco.

Ao ver quem era, fui correndo, em direção ao ponto, que virou uma silhueta, que virou um corpo, que virou Rich.

Joguei-me em seus braços e me encaixei em seu tronco com as pernas. As flores voaram e ficaram ao nosso redor, rodando em círculos, enquanto nos beijávamos.

Desci de seu corpo e ele me fixou, como sempre fazia e em deixava sem graça.

-Saudades! – Ele disse com um sorriso largo.

-Também, até mais que você! – Olhei para a floricultura e encontrei o rosto da mulher, que eu mal sabia o nome.

Acenei com um sorriso singelo e ela retribuiu, ainda com lágrimas nos olhos.

Primavera, época de beleza, de renovação, de paixão, realmente...

Notas finais
Obrigado por ler esse sentimentalismo puro! Espero os reviews! Obrigado! =DD
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.